Quando eu estava solteiro, achava o fim dos tempos alguém dizer que a pessoa com quem ela tem um relacionamento amoroso é sua melhor amiga. Tipo os Tribalistas com essa de "Meu melhor amigo é o meu amor". E olha que você pode achar esse verso em várias legendas no Instagram. Além do fato de que eu não tinha um amor pra chamar de meu, eu valorizava muito amizades (ainda valorizo) e tinha uma perspectiva ruim de relacionamentos em geral. Sei lá, a impressão que eu tinha é que pessoas que namoram não necessariamente combinam, elas meio que são obrigadas a fazerem tudo junto já que namoram. Ah, quer dar uns beijos e uns amassos? ENTÃO VAMOS FAZER TUDO JUNTOS. Não me parecia ter a liberdade que uma amizade tem, onde as pessoas escolhem quando querem estar perto uma das outras.

Eu também tinha exemplos de relacionamentos meio esquisitos. Me desculpa se o seu é assim. Mas homens que acham chato passear com as namoradas, gente que tem segredos pro marido/esposa, pessoas que acham um sacrifício conversar. Coisas básicas. Na hora do vuco-vuco, tudo maravilhoso. Fora isso, já entrava na parte chata do namoro/noivado/casamento.

Assim, gente... Que amizade horrível.


Também tinham esses casos das pessoas que fazem tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, juntas e isso até hoje eu acho desconcertante. Me dá agonia. Acho que isso cria uma relação de dependência muito forte e meio que vai matando suas outras relações. Se o tempo todo você está com seu namorado/namorada, então você nunca está com os seus amigos. São até aqueles casos típicos de gente que some quando começa a namorar ou que arrasta o agregado pra tudo que é rolê dos amigos. Pra mim, o inferno é assim. Geralmente são essas pessoas que, quando enfrentam problemas no relacionamento, ficam só a boquinha do Sérgio Moro, no fundo do poço, porque não tem mais amigo nenhum pra desabafar nem aconselhar nem pra dar apoio. Ah, tem sim, tem o seu amado, mas, adivinha só, ELE É O PROBLEMA.

Por essas e outras que eu sempre pensei "Coitados..." quando vinham com essa de o melhor amigo ser também o amor. Parece um desperdício dar à mesma pessoa dois cargos tão importantes. Às vezes, você precisa de um namorado, em outras você precisa de um amigo.

Aí eu comecei a namorar.

Ok, dá pra entender o fogo no rabo de querer fazer TUDO com a pessoa e contar TUDO pra ela. Não sei exatamente o motivo, mas namorando a gente cria uma intimidade absurda, que, pelo menos na minha experiência, ultrapassa fácil qualquer amizade que eu tenha. É curioso que eu conheça o Arthur há menos de um ano, mas só pra ele eu tenho coragem de dizer certas coisas. Eu não tenho coragem de dançar na frente dos meus amigos que conheço há mais de dez anos, mas danço até o Tchan na frente do Arthur. As críticas que eu faço, os pensamentos que eu deixo vazarem... A vergonha é quase mínima, porque, de alguma forma, sei que ele não vai me julgar nem um pouquinho. E, mesmo quando ele me julga, eu conto mesmo assim porque é muito engraçado. Acho que ele foi a primeira pessoa pra quem eu contei que odeio museus, EU PRECISAVA PÔR ISSO PRA FORA. E ele foi o escolhido. Ele sabe quanto dinheiro eu tenho, sabe dos meus planos de dominação mundial, eu conto tudo que eu quero, porque, sei lá, eu não preciso esconder. É uma vulnerabilidade que não é forçada, pra mim foi natural.

É disso que as pessoas falam? Humn... Então vou deixar passar. Mas não viciem, tá? Respirem um pouco sozinhos, vai dar um rolê sem seu @, CULTIVE SUAS AMIZADES, DESGRAÇA. É o melhor conselho possível.


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