Acho que já podemos afirmar que peguei gosto por viajar e estou ficando craque. Já sei resolver tudo sozinho razoavelmente bem: hospedagem, passagens, estimar valores, contratar passeios e curtir. É a vida que eu quero viver, sabe. Tava até pensando em comprar uma mala espaçosa para as próximas viagens já que parece que é um hábito que veio para ficar. Já estou no aguardo das marcas me patrocinarem para eu poder viajar MAIS.

(Pra quem não sabe como funcionam os meus diários: São diários físicos que vou escrevendo durante as viagens, depois eu chego em casa, edito e posto no blog. Então aqui estamos.)

Dessa vez, Ilha Grande!



1) Se você mora no Rio de Janeiro, provavelmente conhece alguém que conhece alguém que já foi à Ilha Grande. Se não conhece, então esse alguém é você. Ou eu, que agora estou indo. SEM AVENTURAS DESSA VEZ. Passei o Carnaval todinho em casa namorando pra testar se era ok ficar em casa num feriadão, sem viajar, sem gastar dinheiro, apenas vivendo das atividades gratuitas. NUNCA MAIS. Gente, o tédio. Carnaval 2020 vocês já podem me convidar pra viagem. Daí que acabei economizando esse dinheiro que eu usaria pra viajar no Carnaval e meio que aleatoriamente escolhi Ilha Grande pra torrar tudo na Páscoa. É perto de casa, dentro do RJ, não precisa de muita antecedência pra agendar as coisas, praias bonitas, me pareceu ideal pra um rolê de 3 dias.

2) Eu nem acredito que estou sentado num ônibus rumo à Ilha Grande escrevendo esse diário com Arthur (meu mozely), Elisa (fiel escudeira), Taiany (a doida do Contato), Kelly (minha amiga modelo profissional, alô marcas) e Elizabeth (eleita a pessoa mais fofa do Rio de Janeiro por unanimidade). Primeiro, porque é mentira kkkkk Segundo, porque estamos em pé na vigésima condução que pegamos pra chegar NESSA DESGRAÇA DE ILHA QUE NUNCA CHEGA. Sério, gente. Trem, metrô, 2 ônibus, BARCA, pelo amor de Deus. Mas somos brasileiros e não vamos desistir, estamos indo.

3) Demorou umas 5 horas ou sei lá, mas o caminho não foi de todo ruim. Foi até muito agradável na primeira parte porque eu, Kelly e Arthur descobrimos que tem um ônibus chiquérrimo que sai de Campo Grande pra Itaguaí. Um ônibus de viagem! Com poltronas fofas, muitos lugares vazios, ar-condicionado, bagageiro... E só R$3,80!!! Mandamos até foto no grupo.

Eu tô particularmente muito lindo nesta foto, eu sei

Recebemos a foto das outras:


kkkkkkk otárias

4) Antes da viagem, Taiany estava teimando comigo que dava pra chegar em Ilha Grande de ônibus. Atenção para o mapa de Ilha Grande:


Então assim... Dá pra chegar em Ilha Grande de ônibus sim, se for um ônibus que voa ou anda sobre as águas. Não achamos nenhum desses e mesmo se achássemos não teríamos dinheiro pra pagar essa passagem. ILHA GRANDE É UMA ILHA, PELO AMOR DE DEUS. Uma terrinha com água ao redor. ILHA GRANDE. Está no nome. Precisávamos pegar uma barca pra chegar até lá e, depois de muitas baldeações, finalmente chegou nossa vez de embarcar pra ilha. Veio uma ONDA do nada pra cima do píer e molhou exclusivamente a Taiany, acho que era a natureza dizendo ACORDA, MULHER, NÃO TEM ÔNIBUS.

[Taiany vai aparecer aqui nos comentários se defendendo, mas esse blog é meu e vou apagar]

5) Não falei nada na hora porque tava com receio de Elizabeth ser essas pessoas que vomitam em barco, mas, gente, pegar o transfer pra Ilha Grande me lembrou muito MEU ÓCULOS NINGUÉM SAI e JULIANA DESMAIADA. "Transfer" significa barco motorizado que não passa segurança nenhuma e que quando acontece um acidente e muita gente morre afogada as pessoas falam MAS TAMBÉM NÉ. Não falei nada disso na hora pois sou sensato e não queria deixar ninguém nervoso. E também mais da metade do grupo usava óculos.


6) Chegamos em Ilha Grande! VIVOS! Nenhuma Juliana desmaiou. Assim como é uma ilha, Ilha Grande também é GRANDE, do tipo que não dá pra passear pela ilha a pé. Aliás, acho que só de barco porque o meio dela é só de selva ou sei lá. Então escolhemos nos hospedar na Vila do Abraão, que é onde o transfer deixa a gente e tem um milhão de opções de hospedagem, lojinhas, restaurantes e pessoas seminuas dentro de cada estabelecimento por causa da praia.



7) Antes de uma viagem dar certo, ela dá muito muito muito errado, então ficamos sem hospedagem faltando umas duas semanas pra viajar. Tivemos que escolher um hostel que por acaso estava fazendo uma promoção de Páscoa e comportava bem um grupo de 6. Realmente tava muito barato. Pelas fotos, não era o ideal, mas tava ok. Não tinha grandes luxos, mas teria que servir.

Foi o lugar mais doido em que já me hospedei em toda minha vida.

Na real, acho que era uma casa disfarçada. No portão, tinha um papel colado dizendo mais ou menos assim.

Parece confiável

O quarto era apertadinho, até que bonitinho e tinha um banheiro legal, mas também tinha uma porta misteriosa que eu imediatamente abri e dava pra outro quarto com pessoas???

- RAMON, O QUE É ISSO??? (Ramon era o funcionário do hostel)
- É o quarto da minha família
- Mas tem uma porta pra ele do nosso quarto????
- Só abre do lado de vocês.

Gente, certeza que no meio da noite ALGUÉM ia entrar por aquela porta e roubar nossos pertences e talvez nossos rins. Mas não tive tempo de reclamar disso porque Ramon logo disse:

- Vamos ali na cozinha pra vocês assinarem uns documentos e eu explicar pra vocês algumas... regras doidas.

AH PRONTO, eu pensei.

- Ramon, já diga as regras doidas que dependendo do que for a gente já mete o pé sem assinar nada

*** ReGRAs dOiDas dO HostEL de raMon ***

Regra número 1: NÃO PODE FUMAR MACONHA

- Mas vocês não são disso rsrsr
- Como você sabe?
- Ah, dá pra ver pela cara de vocês kkkk
- VOCÊ NÃO CONHECE A GENTE

Taiany era a única maconheira do grupo, mas, tipo, fumou 1 vez e quase morreu ou sei lá, mas Kelly ficou OFENDIDA porque ele tava dizendo na nossa cara que éramos NERDS.

Regra número 2: NÃO PODE TRAZER ESTRANHOS PARA O HOSTEL NO MEIO DA NOITE

Elisa chegou na cozinha depois e me perguntou as regras.

- Proibido maconheiros e transar.

Também teve a regra número 3 de só poder ligar o ar-condicionado em determinados horários, o controle ficava CONFISCADO com Ramon. Resumindo: pagamos para ficar num cativeiro.

8) Eu suspeito que ninguém ficou muito feliz com o hostel, mas também só ficamos nele pois pessoas pobres demais, era o que tinha. Estávamos mortos de fome, então fomos passear pela Vila do Abrãao para achar um restaurante em conta. Achei a vila uma gracinha. Dá uma sensação de estar longe da civilização, mas também não é tão RÚSTICA ao ponto das casas serem feitas de palha e as pessoas trocarem mercadorias por espelhos e pentes. Todo mundo tem celular e aceitam débito e crédito. Muitos restaurantes, hamburguerias, lojas de lembrancinhas e um milhão de agências oferecendo passeios de barco pra todos os cantos da ilha. É um inferno pra decidir porque Ilha Grande tem mil praias que parecem a mesma.


9) Escolhemos um restaurante qualquer e adivinha quem era o atendente? RAMON. ORA, ORA, estávamos sendo perseguidos. Na hora rimos muito, mas depois notamos que Ramon nunca estava presente no hostel porque estava no restaurante ou sei lá mais onde. Começamos a desconfiar de que todos os estabelecimentos da Ilha eram operados por Ramon.

10) O almoço ia demorar uns 40 minutos pra sair, então Taiany resolveu acabar com a minha paz trazendo o Contato de volta. Meu Deus, que inferno. É uma praga. 

[Não contei pra vocês porque fiquei com preguiça, mas na viagem de Penedo Taiany veio com esse jogo. Contato. É um jogo completamente verbal, não precisa de tabuleiro, de cartas, de papel, de lápis, NADA, apenas umas 4 pessoas com QI razoável e boa vontade pra entender. Confesso que é ideal pra viagens. Dá pra jogar no carro, no ônibus, numa hora de tédio qualquer e infelizmente esperando o almoço]

Já joguei algumas vezes e honestamente sou muito bom nele, MAS A TAIANY NÃO SABE A HORA DE PARAR. ELA QUER JOGAR TODA HORA. E o pior é que o jogo é contagiante. Sou o único imune. Meu namorado aprendeu e espalhou a palavra por aí. Jonas e Elisa jogaram. Kelly e Elizabeth foram contaminadas em Ilha Grande e agora eu tenho certeza que em toda viagem que eu fizer serei obrigado a presenciar várias rodadas de Contato. Comente aqui nos comentários se vocês acham que devo parar de chamar Taiany para as viagens.


11) O começo do Contato é muito engraçado porque as regras são meio complicadas de entender e no começo todo mundo se sente burro. Não vou explicar aqui para não contaminar vocês também, vai que um dia vocês que estão lendo esse diário viajam comigo (Se bem que da última vez que viajei com leitor do blog, este leitor era a Taiany e agora olha onde estamos). Mas enquanto a Taiany tentava explicar e a galera boiava, eu só ficava falando mal kkkkkkkk

[Taiany, eu te amo e você é uma das minhas melhores amigas, jamais se esqueça disso, principalmente ao longo deste diário pois tenho um prazer imenso em zoar você]

12) Chegamos na sexta, né? Como já era tarde para estrepolias, fomos caçar uma agência para conseguir um passeio para o sábado. Esqueci de comentar que há muitos estrangeiros não só visitando Ilha Grande como residindo e trabalhando lá, principalmente pessoas que falam espanhol. Entramos nessa agência que tinha uma moça MUITO FOFA e simpática trabalhando lá. Ela abriu a boca e imediatamente quisemos jogar todo nosso dinheiro em cima dela. Foi o que fizemos. Dei uma pesquisada nas praias mais badaladas e naqueles lugares que as pessoas falam que a gente PRECISA VER quando pisa em Ilha Grande. Tinha um passeio dando o que eles chamam de "Meia-Volta" na Ilha (que na verdade é uma volta completa, eu não sei qual é a dessas pessoas) e nele que fomos. Lola, a moça da loja, explicou tudo. "O barco sai daqui às 10h e aí é só TDHLKADHIUW OWAYDIuhfwepr aODSUYDWEOgwfenf 8qwyoiwrAGWIR FEUWHOSJDKFAJOER, está bom pra vocês?". Era um portunhol na velocidade 5 do créu e ninguém entendeu nada do roteiro, sinceramente, mas aceitamos porque em Lola confiamos. Suspeito que Lola estava ali vendendo passeios justamente por essa habilidade sobrenatural de fazer as pessoas quererem ser amigas dela, pois é assim que o capitalismo funciona. Eu pagaria pra ser amigo da Lola.

Vou parar por aqui porque, MEU DEUS, acho que esse é o diário de viagem mais longo que já escrevi. Muita coisa aconteceu e já deixo aqui o spoiler de que nas próximas partes terá polícia no hostel e eu tentando mijar nas águas lindíssimas de Ilha Grande.



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