Eu guardei esse segredo da internet por muito tempo, embora sempre sussurrasse para os mais íntimos nas rodas de conversa, mas agora me sinto decidido o suficiente para revelar: Eu odeio museus.


Ok, odiar é uma palavra forte demais. Eu só não gosto. Apenas desgosto muito. Eu poderia passar batido com isso se não fosse o fato de eu morar no Rio de Janeiro, que é uma cidade com um museu em cada esquina e onde as pessoas sem dinheiro gostam de passear. Um inferno.

Mas, nossa, o que os museus fizeram pra você?

Nada, esse é o problema. Eles não fazem NADA, não cumprem o básico do entretenimento. Fico mortificado quando descubro que tenho que pagar pra entrar. Não sei, gente, é como se eles não se esforçassem. Não me admira que as pessoas não gostem de museus, já que museus aparentemente também não gostam de pessoas felizes (O Museu do Amanhã é um caso à parte que realmente odeia gente).

Acho curioso que eles geralmente são bem bonitos. Limpinhos, paredes imponentes, iluminação perfeita. O chão até brilha. Certamente têm ar-condicionado. Aí você entra na sala vazia exceto que no meio dela existe uma estátua. Uma sala inteira para UMA ESTÁTUA QUE NEM É BONITA. Tipo, caramba, sabe quem não tem iluminação perfeita? ESCOLAS. E ar-condicionado? BEBÊS NO HOSPITAL. Se você apoia museus, então é a favor de bebês passando calor, ESCOLHA SEU LADO. Eu acharia muito mais interessante se entrássemos numa sala imponente de um museu e, ao invés de estátuas feias, encontrássemos bebês vivos em incubadoras, sob uma luz maravilhosa. Imagina, pessoas encantadas com os ser humaninhos, dando aquele quentinho no coração, voltando pra casa felizes. Ia suprir toda a necessidade de ter bebês próprios e resolveria a superpopulação mundial e a tristeza das almas. Pessoas pagariam horrores pra ver bebês e os pais ganhariam dinheiro! Mas os museus não pensam nisso. Esse é o problema, gente, se você apoia museus, você é a favor que pais de recém-nascidos fiquem sem dinheiro pra cuidar da criança, eu não posso concordar com isso.

Talvez eu tenha ido um pouco longe demais, mas você sabe que estou certo.

Eu consigo imaginar uma centena de coisas mais legais que poderiam estar ocupando aquele espaço exageradamente grande e que dariam mais dinheiro. MAS TUDO BEM. Digamos que museus realmente guardem coisas de valor. Como assim querem que a gente pague pra ver uma cadeira velha? Ou um pedaço de pedra? Ou quadros e rabiscos que poderiam ter sido feitos por uma criança de 5 anos, mas só porque alguém famoso fez está lá? Pelo amor de Deus, gente. Cadê as pessoas fantasiadas? Se eu fosse dono de museu (Deus me livre), ia contratar pessoas fantasiadas. Seria um HINO ir visitar o museu da família imperial e, sei lá, ver homens vestidos a caráter, mulheres com aqueles vestidões interagindo com a exposição. Talvez as pessoas pudessem pegar roupas emprestadas e tirar selfies! Perucas coloniais!!! Talvez bolaria um jogo daqueles que você tem que encontrar uma série de coisas e quem completar ganha brindes! Uma estátua sem cabeça, um quadro com as cores azul e vermelho, o cabideiro do Dom Pedro II, SERIA INCRÍVEL. As pessoas ficariam mega atentas e, se pudesse tirar fotos, poderia ser melhor ainda. Um jogo de perguntas com as respostas naquelas etiquetas que ninguém lê... As oportunidades são MUITAS. Meu Deus, eu de fato tenho que enviar essa ideia pra algum museu. Mas, como eu disse, eles não se esforçam. EU NÃO TENHO COMO ACHAR GRAÇA NUMA CADEIRA VELHA. CAGUEI QUE GETÚLIO VARGAS SENTOU NELA. QUEM QUER SABER? A menos que tivesse uma pergunta "Quem sentou na cadeira do salão 8B?" no jogo do museu e o vencedor com mais pontos ganhasse um chaveiro, AÍ EU IA FAZER QUESTÃO DE SABER.

Eu tô muito triste que isso nunca vai acontecer.

***

Tem também o fato de que eu acho que as pessoas fingem que gostam. OK, alguém tem que gostar genuinamente (ou talvez sejam pagas pra isso pelos Illuminati), mas acho que a maioria só finge que acha aquele pedaço de tecido do século XV uma grande coisa. Um pano que você acharia um igual por 10 reais o metro. Eu fico muito igual o Ben com o pessoal de Pawnee idolatrando o Lil Sebastian. É SÓ UM PANO, PELO AMOR DE DEUS. 


Sei lá, museus tem essa aura de proteção mística que impede as pessoas de criticarem com a verdade de seus corações. É que nem música clássica. Difícil alguém dizer de cara que é chato, sempre vão ficar com aquele olhar de contemplação, fingindo que estão absorvendo e que é a coisa mais linda. Por dentro estão "Caramba, nunca acaba. Servem comida aqui?". Museus são iguais. DIZEM que eles são muito importantes, então a gente acaba agindo como se fossem mesmo sem saber o motivo e ficamos com vergonha de criticar. Talvez por isso eles não se esforcem, já que recebem admiração gratuitamente.

Nesses incêndios do Museu Nacional e da catedral de Notre Dame, fiquei chocado com o tanto de gente berrando em cima dos caixões. Como se todo mundo fosse mega fã de museus ou tivessem sido criados por um. Claro que foi triste por estarmos falando de incêndios e do trabalho das pessoas, mas esse escarcéu? Minha mente não conseguiu acessar ainda a importância de objetos velhos, mas estamos aqui abertos a diálogo.

Eu realmente não sei a diferença de um museu expor a Monalisa original ou uma réplica exata dela. Acho que só faz diferença porque as pessoas SABEM. Mas na prática daria tudo na mesma. Eu aposto que os Iluminatti já substituíram todas as obras mais valiosas dos museus por réplicas E VOCÊS NEM PERCEBERAM.

Acho que eu tô precisando de meia hora numa sala com bebês incubados.



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