Caiu de paraquedas aqui? Essa é a parte 2 do meu diário de viagem de Penedo. Se quiser saber como isso começou, só ler a parte 1 do diário de viagem.

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1) É claro que eu não vim à Penedo só pra ver nhemnhemnhem de decoração. Eu tento fazer isso em todas as minhas viagens de fim de semana: Sexta e Domingo são de paz, mas o sábado, ah, gente, o sábado. Inventei de andar a cavalo.


2) Andar a cavalo talvez esteja na Lista desde que ela nasceu em 2014, mas sempre me bateu o medo de cair do bicho e ficar paraplégico que nem o famigerado Super Man. Então escolhi bem onde e com quem faria, por amor aos meus movimentos. Não dá pra subir em qualquer cavalo assim.

3) Ai, gente, viajar em grupo é TUDO. Kelly, Arthur e Taiany são muito melhores que eu em várias coisas tipo viver com o mínimo de conforto, ligar para os estabelecimentos e chamar Uber. Quando eles estão na dúvida sobre alguma coisa, eles simplesmente PERGUNTAM pra pessoa que provavelmente sabe a resposta. Acho chocante. Eu sozinho ficaria girando por uma hora e faria malabarismos para descobrir tudo sem precisar de intervenção direta de outros seres humanos. Eles que resolveram tudo com a empresa dos cavalos.

Poderia ser um publi

4) Óbvio que não tô escrevendo isso em tempo real de cima de um cavalo, então vocês sabem que sobrevivi, mas GENTE.

5) Fomos com um grupo de pessoas, e o Arthur foi o primeiro a receber um cavalo. Os... peões? cavaleiros? Os guias? Vamos chamar de guias, que são os caras que ajudam o pessoal a montar no cavalo, lideram o caminho e escolhem quem vai ficar com qual cavalo. No meu coração, eles escolhem com a alma qual animal combina mais com nossa personalidade, então eu estava esperando com paciência receber meu spirit animal.

6) TODO MUNDO recebeu um cavalo menos eu e aparentemente não tinha mais cavalos confiáveis disponíveis. Eu tava me sentindo o Ash no ep 1 de Pokémon quando não sobra mais nenhum bicho pra ele e o professor Carvalho tira um Pikachu do fiofó. Ali estava meu Pikachu!!! Um cavalo lindíssimo marrom.


7) Foi muito mais raiz do que imaginei. Tem experiências que a gente topa que é aquela coisinha mais nutella, mais segura. Sei que fui lá para andar a cavalo, mas tava achando que iria "andar" a "cavalo" e não ANDAR A CAVALO. Talvez um pônei parado, um instrutor comigo, tirar uma foto e descer. MAS NÃO. Me colocaram em cima do cavalo, e eu AI MEU DEUS. Tipo, UM CAVALO!!! É uma sensação diferente porque não estamos acostumados com aquele tipo de altura. Montamos em motos, brincamos de cavalinho na infância, mas nada é igual. É um cavalo. 

8) Eu precisava de regras, mas já colocaram a rédea na minha mão, um guia falou frases por 30 segundos que eu só entendi (inaudível) e, gente, o pânico. "PrapararfazXpraandarfazYvirapraesquerdapradireitaéisso, boa sorte, pessoal". E eu QUÊ???? Pra completar, meu cavalo começou a andar sozinho naquele espaço micro com outros 20 cavalos parados. Eu ainda não sabia como me comunicar com meu Pikachu.

9) FOMOS. Andamos muito. Os cavalos de alguma forma que a ciência deve explicar seguiam um caminho pré-definido, iam em fila indiana e tal. Dava pra controlar minimamente, principalmente quando eles davam a louca. Ao mesmo tempo que tinha essa "segurança", eu ficava "Gente, e se eu cair??? Serei pisoteado??? Eu posso cair agora mesmo". O caminho também não era dos mais fáceis. Era uma trilha toda esburacada, com galhos na nossa cara, no meio do mato, atravessamos riachinhos com pedras e tudo. Bom, ninguém morreu.

10) No começo, eu tava muito tenso. COMO EU TINHA IDO PARAR ALI? Os guias de vez em quando ainda vinham atiçar nossos cavalos e eles começavam a correr feito doidos. A gente tava tranquilo com nosso cavalo de boas, e via o guia chegando perto e ficava AH NÃO já com a mão apertando a rédea com força. E lá ia o cavalo disparado que nem um desgraçado.


11) Meu cavalo, sinceramente, era muito de boas. Uma lerdeza lindíssima. "Moço, acho que meu cavalo tá com defeito". Eu tava só brincando, mas a sensação era que meu cavalo ia parar a qualquer momento e falar CANSEI.

12) Tinha um cara lá que já sabia cavalgar e fazia questão de mostrar isso pra gente. Tinham dado pra ele uma BESTA-FERA que nem ele conseguia controlar direito. QUE INFERNO, era o que eu pensava quando o cara chegava perto de mim com aquele demônio. Corria muito, berrava muito, empinava, assustava os outros cavalos. O meu cavalo mal respirava.

13) Outra pessoa se mostrando no grupo era o Arthur tirando várias fotos e fazendo stories de cima do cavalo. Gente, sinceramente. Eu LUTANDO PELA MINHA VIDA e o Arthur fazendo STORIES. Eu quase deitando no pescoço do meu cavalo e agarrando com as duas mãos, Arthur SEM SEGURAR mexendo no CELULAR. Uma coisa que aprendi sobre Arthur é que ele faz o tipo medrosinho quando falo das ciladas do bem, mas ele SEMPRE demonstra muito mais coragem que eu na hora H.

Fiquei com inveja e me arrisquei também

14) Kelly também tava toda linda amazona. Meu cavalo de vez em quando emparelhava com o da Taiany e a gente podia trocar pedidos de socorro. Teve uma hora que eu morri porque aconteceu sei lá o quê com o sutiã da Taiany e ela tava lá desesperada segurando os peitos com uma mão e a rédea com a outra. QUE FASE.

15) Teve o cavalo de alguém (não vi quem) que ignorou o bando e voltou sozinho pelo caminho. Os guias nem viram e ficaram "Cadê fulano???". Eu fiquei jurando que era o cavalo do Arthur e quase chorei em cima do meu cavalo achando que ele estava em risco kkkkk (não era ele, e conseguiram resgatar a pessoa)

16) Tinha um menino de uns 12 anos num cavalo do meu lado, e o meu cavalo simplesmente TENTOU MORDER ELE. A minha cara, gente. Tava me sentindo pai quando filho faz vergonha. Eu nem sabia que cavalo mordia. Depois disso fiquei atento pra todo cavalo que chegava perto de mim.

17) Um dos guias depois foi contando pra gente qual era o nome dos cavalos. GUERREIRO, SELVAGEM, MAMUTE, SEDEX. O do Arthur era Café, um nome mais modesto. Eu queria saber o nome do meu, que supostamente era meu spirit animal e certamente dava significado para minha essência de aventureiro.

- QUAL É O NOME DO MEU, MOÇO?
- Ah, esse aí? Esse é o Pacato.

Gente, nunca fui tão humilhado.

18) Já estávamos no final quando ACONTECEU. Estava eu já feliz que estávamos voltando vivos quando reparei que uma das cordas do cavalo do Arthur tinha soltado e tava balançando, quase enrolando nas pernas do Café. Ele tava lá na frente, meu lindo Pacato quase no final da fila, mas eu vi. Arthur nem tinha reparado na corda. Gente, me deu um NERVOSO. Só que eu não sou uma pessoa que grita, né. Só sei que caçei um dos guias que estava perto de mim e falei OLHA ALI, MOÇO, A CORDA ENROLANDO NO CAVALO DO MEU HOMEM do menino que eu gosto do menino de azul (agora rindo porque eu e Arthur ainda não estávamos namorando e eu não quis demonstrar para o guia nenhuma ligação emocional com a vítima da corda). Por dentro eu tava SALVA MEU BEBÊ, PELO AMOR DE DEUS. O cara chegou, colocou a corda no lugar e me senti o herói LGBT do dia.


19) Olha, tudo valeu muito a pena. Superou minhas expectativas e eu super faria de novo. Todos os meus amigos gostaram. É aquele misto de perigo controlado e aventura que eu acho tudo de bom. Se puder subir num cavalo em Penedo, suba!




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