2018 foi o ano em que eu escolhi ser vilão. Isso mesmo, eu escolhi ser. Essa coisa de ser muito bonzinho não estava me levando a lugar algum. Quer dizer, até estava, mas para o fundo do poço. Apesar de ser muito desapegado de algumas coisas, eu sou muito coração mole com outras, então eu não tinha certeza se ia conseguir cumprir minha jornada da vilania.


Pois venho aqui dizer que estou satisfeito com meu desempenho. 

Falei palavras duras quando achei que precisava falar, disse um monte de não, neguei ajuda pra gente folgada, desviei daquele pessoal que fica pedindo contribuição pra caridade na rua, me segurei muito pra não dar esmola e não dei, não fiz o trabalho de outras pessoas, não tentei puxar ninguém do buraco que a pessoa não quer sair e encerrei alguns relacionamentos que precisavam ser encerrados. Inclusive, encerrei relacionamentos que eu nem imaginava começar algum dia. Foi difícil, mas, se era pra ter pena de alguém, eu tinha que ter pena de mim primeiro. Isso provavelmente é antibíblico ou sei lá, mas acredito que não cometi nenhum crime perante a lei e minha consciência está 99% em paz.

Eu tive essa fase de me doar 100% para as pessoas. Familiares, amigos, conhecidos e até desconhecidos. Eu fazia de TUDO, dava TUDO o que pudesse pra evitar causar o mínimo de sofrimento ou desconforto pra qualquer um. Todo mundo ficava feliz, menos eu. Não era mesmo um bom negócio pra mim.

Já estava num processo de me distanciar disso acho que desde 2017, mas foi em 2018 que eu CANSEI e corri pra bem longe. Nossa, nem olhei pra trás.

***

Não vou dizer que me incomoda, mas fiquei meio surpreso com esse "nem olhei para trás". Se alguém me perguntasse antes, eu diria que sou o tipo de pessoa que olharia para trás. Não me arrependi de nada, mas tem umas coisas que te vez quando BATE e eu fico "Rapaz...".

Eu corri de pessoas. Pessoas que em algum momento da minha vida foram importantes pra mim, mas que, puf, eu decidi que não eram mais. E não foi só uma ou duas vezes. Acho que 2018 foi o ano em que eu mais substituí amigos. É meio assustador.

Esses dias eu estava pensando se isso é uma fraqueza minha, não aguentar mais. Talvez a vida me calejou nesse sentido e eu não tenho mais forças para sustentar uma relação em que eu tenha que me esforçar demais. Ai, gente, eu só gosto de gente fácil. Eu vejo muitas pessoas ao meu redor, mas muitas mesmo, mantendo relações que podem até não serem tóxicas, mas que eu já teria dado no pé em dois tempos. Uns namoros estranhos, relações com familiares que não deveriam ser do jeito que são, amizades doidas... Eu geralmente me pergunto por que as pessoas aturam. As respostas: Ah, é que ela é minha irmã. Poxa, ele é meu namorado, né, fazer o quê? Eu sou o único amigo dele, não tenho como abandonar... Todo mundo ali PRESO, sustentando com força. Acho que essa foi minha maior vilania de 2018: Dar no pé. Não ando sustentando mais nada. Quando percebem, já estou lá na esquina.

***

Por outro lado, eu vejo isso como um sentido-aranha ou sei lá e fujo do perigo. Se esse seu amigo toda hora te irrita, se sempre sai briga quando vocês estão juntos, se ele sempre te decepciona, TALVEZ ele não seja mais seu amigo, já parou pra pensar? Mesmo que vocês tenham 20 anos de amizade. Aí vai lá vocês ficar aguentando desaforo "em nome da amizade". Quando eu começo a notar os sinais de que a coisa não vai caminhar bem, agora eu estou deixando pra lá. Viro as costas, corto o laço, fico vendo de uma distância segura até, mas, ficar me esforçando e correndo atrás "em nome" de sei lá o quê que nem existe mais, isso não quero não. Quem quiser ir embora pode ir, mas quem quiser ficar que fique direitinho, sem bagunçar.

Será que isso já é sinal de velhice, gente? Eu não tenho nem 30 anos.



OUTROS TEXTOS