segunda-feira, janeiro 28, 2019


É meio desconfortável dizer isso em voz alta, embora não seja nenhum grande segredo: Evangélicos acham que TODAS as outras religiões são adoração à demônios. Não tipo satanistas, mas demônios que se fingem de divindades para enganar trouxas. É muito difícil arrancar essa confissão de um cristão que gosta de dizer que respeita todas as religiões. Até respeita, né, não vai falar horrores na sua cara, mas o pensamento por trás é esse do Satanás mesmo. Por isso que é comum um evangélico chamar pessoas para ir ao culto de domingo, mas vai lá ver se ele pisa num terreiro, numa visita descompromissada? Não pisa.

Eu super pensava isso dos demônios até pouco tempo atrás, mesmo tendo amigos espíritas, do candomblé... Dentro da mitologia cristã, onde só existe Deus e o Diabo, essa narrativa faz muito sentido. Se aquele poder sobrenatural que está agindo na galera da umbanda não é Deus, quem sobra? Era muito fácil pra mim de acreditar.

Agora, já alguns anos longe da igreja e do meu círculo social que era basicamente de crentes, estou com a pulguinha na orelha que não é possível que seja assim, gente. É tão fácil demonizar as outras religiões! Quanto mais eu conheço gente de outras crenças e vejo de perto como essas pessoas agem no dia a dia, o jeito que falam, o que acreditam e o que vivem, eu tendo cada vez menos pra essa história dos capirotos. Ao mesmo tempo, não é como se eu tivesse passado por uma detox 100% da igreja, no fundo da minha consciência eu ainda penso SERÁ QUE É UM DEMÔNIO SEDUZINDO MINHA MENTE TAMBÉM?

Tirando as seitas doidas, as demais religiões tem histórias TÃO LINDAS e ensinamentos tão positivos! O que difere mesmo são as divindades e as histórias delas, mas no geral é sempre aquela coisa de fazer o bem, ser uma pessoa melhor, ter fé e tal.

Ainda bem que tenho um blog pra desabafar essas coisas, pois simplesmente não consigo conversar com meus amigos crentes sobre isso. O que eles mais me dizem é "Mas na Bíblia diz que...", "Não, porque na Bíblia pipipi popopó", "Felipe, é só você ver que na Bíblia blábláblá". QUE INFERNO (com todo respeito). Eu já não sei mais se as pessoas acreditam em Deus por causa da Bíblia ou se acreditam na Bíblia por causa de Deus. Uma das coisas que andam tirando meu sono é pensar que, bom, e se a Bíblia for uma mentira? Ok, uma pergunta nada original e qualquer amigo crente meu responderia "Felipe, a Bíblia é a palavra de Deus". Mas e se - ATENÇÃO - ela for mesmo a palavra de Deus e AINDA ASSIM não ser verdadeira? E se "Deus" for um ser sobrenatural qualquer que inventou essa história toda sobre si mesmo, escreveu tudo num livro, fez a galera acreditar e no fim das contas não for nada disso? Seria um plot twist bem doido, mas também nada impede. Me internem.

Impressionante que a gente precisa ter fé pra ter fé. Acho que toda religião a pessoa só acredita porque quer acreditar. Em algum momento a gente fala OK, VOU CONFIAR, e aí, depois que você confia, as coisas fluem. Tem que dar um salto de fé pra crer na Bíblia e comprar a história do deus bondoso e compassivo. Eu particularmente AMO essa história e sou muito Team Deus, mas temos que ser sinceros, né, essas coisa de religião são bem doidas.

Ficarei putíssimo se "Deus" me passar a perna no final.




OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, janeiro 28, 2019 by Felipe Fagundes

No comments

***

segunda-feira, janeiro 21, 2019

2018 foi o ano em que eu escolhi ser vilão. Isso mesmo, eu escolhi ser. Essa coisa de ser muito bonzinho não estava me levando a lugar algum. Quer dizer, até estava, mas para o fundo do poço. Apesar de ser muito desapegado de algumas coisas, eu sou muito coração mole com outras, então eu não tinha certeza se ia conseguir cumprir minha jornada da vilania.


Pois venho aqui dizer que estou satisfeito com meu desempenho. 

Falei palavras duras quando achei que precisava falar, disse um monte de não, neguei ajuda pra gente folgada, desviei daquele pessoal que fica pedindo contribuição pra caridade na rua, me segurei muito pra não dar esmola e não dei, não fiz o trabalho de outras pessoas, não tentei puxar ninguém do buraco que a pessoa não quer sair e encerrei alguns relacionamentos que precisavam ser encerrados. Inclusive, encerrei relacionamentos que eu nem imaginava começar algum dia. Foi difícil, mas, se era pra ter pena de alguém, eu tinha que ter pena de mim primeiro. Isso provavelmente é antibíblico ou sei lá, mas acredito que não cometi nenhum crime perante a lei e minha consciência está 99% em paz.

Eu tive essa fase de me doar 100% para as pessoas. Familiares, amigos, conhecidos e até desconhecidos. Eu fazia de TUDO, dava TUDO o que pudesse pra evitar causar o mínimo de sofrimento ou desconforto pra qualquer um. Todo mundo ficava feliz, menos eu. Não era mesmo um bom negócio pra mim.

Já estava num processo de me distanciar disso acho que desde 2017, mas foi em 2018 que eu CANSEI e corri pra bem longe. Nossa, nem olhei pra trás.

***

Não vou dizer que me incomoda, mas fiquei meio surpreso com esse "nem olhei para trás". Se alguém me perguntasse antes, eu diria que sou o tipo de pessoa que olharia para trás. Não me arrependi de nada, mas tem umas coisas que te vez quando BATE e eu fico "Rapaz...".

Eu corri de pessoas. Pessoas que em algum momento da minha vida foram importantes pra mim, mas que, puf, eu decidi que não eram mais. E não foi só uma ou duas vezes. Acho que 2018 foi o ano em que eu mais substituí amigos. É meio assustador.

Esses dias eu estava pensando se isso é uma fraqueza minha, não aguentar mais. Talvez a vida me calejou nesse sentido e eu não tenho mais forças para sustentar uma relação em que eu tenha que me esforçar demais. Ai, gente, eu só gosto de gente fácil. Eu vejo muitas pessoas ao meu redor, mas muitas mesmo, mantendo relações que podem até não serem tóxicas, mas que eu já teria dado no pé em dois tempos. Uns namoros estranhos, relações com familiares que não deveriam ser do jeito que são, amizades doidas... Eu geralmente me pergunto por que as pessoas aturam. As respostas: Ah, é que ela é minha irmã. Poxa, ele é meu namorado, né, fazer o quê? Eu sou o único amigo dele, não tenho como abandonar... Todo mundo ali PRESO, sustentando com força. Acho que essa foi minha maior vilania de 2018: Dar no pé. Não ando sustentando mais nada. Quando percebem, já estou lá na esquina.

***

Por outro lado, eu vejo isso como um sentido-aranha ou sei lá e fujo do perigo. Se esse seu amigo toda hora te irrita, se sempre sai briga quando vocês estão juntos, se ele sempre te decepciona, TALVEZ ele não seja mais seu amigo, já parou pra pensar? Mesmo que vocês tenham 20 anos de amizade. Aí vai lá vocês ficar aguentando desaforo "em nome da amizade". Quando eu começo a notar os sinais de que a coisa não vai caminhar bem, agora eu estou deixando pra lá. Viro as costas, corto o laço, fico vendo de uma distância segura até, mas, ficar me esforçando e correndo atrás "em nome" de sei lá o quê que nem existe mais, isso não quero não. Quem quiser ir embora pode ir, mas quem quiser ficar que fique direitinho, sem bagunçar.

Será que isso já é sinal de velhice, gente? Eu não tenho nem 30 anos.



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, janeiro 21, 2019 by Felipe Fagundes

No comments

***
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...