segunda-feira, junho 10, 2019

Pra ninguém vir aqui falar que estou sendo injusto, eu sei as contribuições de Fahrenheit 451 pra literatura, ok? EU SEI. Sim, Ray Bradbury enxergou uns 50 anos a frente de seu tempo e foi um marco pra ficção científica, não nego. Tá bom? Então tá bom.

Mas alguém tem que falar mal de Fahrenheit 451 e aparentemente esse alguém sou eu. 


Acho que qualquer pessoa acostumada a ler nota de primeira que o livro é mal escrito. Nossa, descrições simplistas ou ausência total de descrição, personagens rasos, cenas truncadas e atropeladas, diálogos pobres... Assim, a IDEIA é boa, mas a execução escorregou na bacia. Li que era um conto que o autor esticou porque a editora pediu e isso faz todo sentido, e meio que tudo foi feito às pressas em uma semana só. Talvez fosse mesmo um conto excelente, mas como livro ficou fraco.

Quando o Faber entra do nada na história e a gente tem que fingir que ele sempre existiu

Não posso confirmar, mas agora acho que existe uma conspiração na internet pra todo mundo fingir que este livro é perfeito. NÃO VENHAM ATRÁS DE MIM, ILLUMINATI, NÃO FAREI PARTE DISSO. Porque é só procurar por resenhas, ver a nota no Skoob e em sites afins pra perceber que há algo de errado. Pensa bem, até você que nem leu o livro acha que ele é incrível e tem uma mensagem do bem. Quando um dos clubes do livro que organizei escolheu Fahrenheit 451 como livro da vez, ficamos todos "Um livro necessário, né, principalmente nesses tempos sombrios, precisamos dessa mensagem positiva, amamos livros, tem tudo a ver com a gente". Beleza. Daí que eu nem tinha acabado de ler e já tinha descoberto a verdade: Fahrenheit 451 é uma história conservadora disfarçada de progressista.

Eu explico: No cenário da sociedade do livro, bombeiros queimam livros. Todos. Livros são proibidos porque fazem as pessoas refletirem e refletir causa tristeza perante as mazelas da vida. O importante é ser feliz! Então as pessoas ficam mega alienadas do mundo, apenas se divertindo com entretenimento vazio e infinito. Mas nada de livros.

Até aí tudo bem. Mas sabe como começou esse expurgo de livros? Lá para o meio da história, um personagem explica que começou com as minorias reclamando do conteúdo de livros. Negros se ofenderam com o conteúdo de um livro racista? Queima o livro. Mulheres reclamaram de um livro misógino? Fogo nele. Gays estão criticando um livro homofóbico? Queima também! Aí não sobrou nenhum. O "politicamente correto" meio que matou a liberdade de expressão, então ninguém quis mais escrever nada e as pessoas perderam de vez o interesse na leitura, porque ficou chata.


OLHA, FRANCAMENTE.

Meio desnecessário dizer que todos os personagens importantes são homens brancos. E que as mulheres quase não existem e quando existem têm um desenvolvimento pífio. O livro é do autor e ele escreve o que ele quiser, mas o fato é que Ray Bradbury realmente acredita nisso: Que minorias exigindo serem tratadas com respeito é mimimi, que isso mata a liberdade criativa, que o mundo tá chato... Certeza que você já ouviu esse exato discurso na boca de alguém. No final do livro, pelo menos nessa edição de capa vermelha que foi a que eu li, vem uma longa carta do autor reafirmando isso, onde ele literalmente diz que "(...) Este é um mundo louco e ficará mais louco se permitirmos que as minorias interfiram na estética". Assim, gente...


Ficará mais louco, sim, SE VOCÊ FOR UM BOÇAL. Eu entendo que é desconfortável receber crítica, eu mesmo já recebi em uma das minhas histórias, mas acho que diversificar seus personagens e saber representar bem uma minoria é crescer como pessoa e como autor. Os livros só têm a ganhar. "Ah, mas eu não vejo diferença em cor de pele, gênero, somos todos iguais". Então vai ser mais fácil ainda pra você diversificar seus personagens, com o plus de estar agradando leitores que se importam. Dar chilique com quem critica representatividade ruim é deixar de aprender, é não querer evoluir.

***

Acho que o autor ficou se revirando no túmulo com esse filme de 2018 com o Michael B Jordan no papel do protagonista. Eu, na verdade, nem sei POR QUE o ator decidiu atuar e produzir esse filme se não for pra perturbar Ray Bradbury no além. O filme infelizmente é bem qualquer coisa também, embora tenham socado minorias em várias oportunidades. Temos mulheres, latinos, negros, o cast é bem diversificado. Mas a história acaba seguindo a mesma linha do livro. Tem muitas diferenças, mas esse que pra mim é um dos pontos essenciais fica ainda pior no filme. No livro, Ray Bradbury tenta jogar essa cartada do "Somos todos iguais". O personagem fala que tinha livros que irritavam negros, tinha livros que irritavam os brancos, alguns os homens, outros as mulheres, queimavam-se todos. No filme os exemplos são mais gráficos. Tem uma cena que o protagonista pega nas mãos um livro do nazismo e tá tudo bem, é só mais um livro que "irritou os negros". Esse é o problema dessa mensagem pra mim. É colocar no mesmo patamar de "livros que irritam" uma história racista/nazista e outra que "irrita brancos" por ser contra o racismo.

NÃO É A MESMA COISA.

Fica em aberto a discussão sobre liberdade de expressão e censura. É aquela coisa, né, existe algum pensamento/história/lição que pode/deve ser censurado? Um livro que faz apologia a pedofilia, por exemplo, deveria estar circulando por aí? Eu acho que não. Por isso que eu aboliria livros nazistas SIM. Eu sei que a linha é muito tênue entre esse controle e uma censura prejudicial, é subjetivo e varia com o pensamento da sociedade... Mas na época do livro/filme, racismo já é crime. Não é aceitável.

***

Então, assim, não sei bem qual é a utilidade de Fahrenheit 451 pra você, leitor de 2019, não chega nem a ser uma leitura prazerosa. É chato, pobre e com mensagens esquisitas. Juro que tem livros melhores sobre amor aos livros e defesa do pensamento crítico. Mas também não vou jogar na fogueira. Quer ler, leia, mas abaixe suas expectativas, porque todo mundo comenta como se fosse atualmente um FENÔMENO.

De nada.



O capitalismo me obriga a deixa um link aqui para a loja da Amazon, então tá aqui o link para comprar o Fahrenheit 451. Pelo menos tá sempre baratinho. Mas leia por sua conta em risco.

Posted on segunda-feira, junho 10, 2019 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 27, 2019

Eu lembro bem do dia que me assumi pra minha mãe. Nós dois choramos depois.


Era uma manhã bem manhã mesmo, porque eu saía cedo de casa pra trabalhar naquela época e, sei lá, eu senti que precisava contar. Eu odeio guardar segredo, gente. O das outras pessoas eu guardo com um afinco que chega a irritar, mas os meus eu gosto de contar pra TODO MUNDO. Me sinto um impostor escondendo as coisas, uma fraude. Imagina esconder minha sexualidade da minha mãe. Nunca tinha chegado nem perto de me envolver com ninguém e, na verdade, eu nem queria. Ainda estava na fase AI, MEU DEUS, SEREI EU UM INSTRUMENTO DE SATANÁS? Então eu só disse: "Preciso te contar uma coisa: eu gosto de meninos". Não usei a palavra gay, porque ainda me via apenas como assexual, mas sei que foi o que ela entendeu. Eu ainda frequentava uma igreja, ela ainda frequenta, então pensei, bom, a PIOR COISA para uma mãe cristã é ter um filho gay, então vou mirar logo no pior. O que vier disso será lucro. Ela me abraçou, disse que me amava e que ia orar muito por mim. Melhor que um soco na cara, né?

Fiquei aliviado, mas lembro que dei uma choradinha no caminho de casa até o ponto de ônibus. Era um choro de CARAMBA, COMO ASSIM eu tive que passar por esse momento e pessoas héteros nunca chegam perto disso? Que injustiça. Mas passou. Depois minha mãe me ligou dizendo que chorou também, mas que já estava tudo bem.

Depois simplesmente não falamos mais nada sobre o assunto. Foi até como se eu nunca tivesse contado nada.

Eu passei por todo o caminho de me conhecer melhor e entender o que a palavra gay significa pra mim. Acho que ainda estou me apropriando dela enquanto vou experimentando uma coisa aqui e outra ali, enquanto vejo como ser gay cai nos ambientes que frequento. Também só contei para minha mãe e meus amigos próximos, o resto pode esperar ou descobrir sozinho.

Quando eu comecei a namorar o Arthur, achei que seria meio ridículo esconder. Difícil também, né. Uma coisa é esconder um sentimento, omitir meus desejos, outra coisa é esconder uma PESSOA. Eu nunca tinha namorado e as pessoas sabiam que eu nunca tinha nem ficado com ninguém, então todo mundo me lia como solteiro que ficaria sozinho pra sempre. Só com um anúncio formal para as pessoas entenderem a nova realidade. Falo abertamente aqui no blog, no Twitter, mas deixo mais implícito no Facebook. Uma pessoa atenta percebe que Arthur existe e o que ele significa pra mim, mas acho que as mais lerdas só eu falando mesmo.

Minha mãe não deixou eu contar pra minha família. Eu queria só agir como se todo mundo já soubesse e numa conversa qualquer soltar um "Ah, meu namorado já foi nesse lugar também" do jeito mais casual do mundo pra todo mundo ficar O SEU O QUÊ??? e eu explicar com toda paciência. Sem dramas. Mas minha mãe cismou que ela que tinha que contar. AOS POUCOS. Não sei dizer o motivo, gente. Vergonha? Medo? Não sei mesmo. Vocês que já são mães tentem desvendar pra mim. Achei besta e meio que um abuso, já que é a MINHA verdade e a MINHA história e a MINHA vida, mas ok. Quer dizer, NÃO TÃO OK, mas pra quem já esperou a vida toda o que seria esperar um AOS POUCOS?

Confesso que achei que nunca fosse acontecer, mas vocês acreditam que minha mãe está realmente progredindo? Toda semana ela me liga pra avisar:

- FALEI DE VOCÊ PRA SUA TIA.
- Falou o quê?
- DE VOCÊ.
- MAS O QUÊ?
- VOCÊ!!!

Às vezes é uma prima, minha irmã... As crianças estão proibidas de saber, o que acho uma bobagem porque tenho certeza que elas aceitariam muito melhor. "DEIXA QUE EU CONTO. UM DIA". Eu vou esperar, né, o que me resta? Todo mundo está levando de boa. Vamos acompanhar.



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Posted on segunda-feira, maio 27, 2019 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, maio 16, 2019

Quando eu estava solteiro, achava o fim dos tempos alguém dizer que a pessoa com quem ela tem um relacionamento amoroso é sua melhor amiga. Tipo os Tribalistas com essa de "Meu melhor amigo é o meu amor". E olha que você pode achar esse verso em várias legendas no Instagram. Além do fato de que eu não tinha um amor pra chamar de meu, eu valorizava muito amizades (ainda valorizo) e tinha uma perspectiva ruim de relacionamentos em geral. Sei lá, a impressão que eu tinha é que pessoas que namoram não necessariamente combinam, elas meio que são obrigadas a fazerem tudo junto já que namoram. Ah, quer dar uns beijos e uns amassos? ENTÃO VAMOS FAZER TUDO JUNTOS. Não me parecia ter a liberdade que uma amizade tem, onde as pessoas escolhem quando querem estar perto uma das outras.

Eu também tinha exemplos de relacionamentos meio esquisitos. Me desculpa se o seu é assim. Mas homens que acham chato passear com as namoradas, gente que tem segredos pro marido/esposa, pessoas que acham um sacrifício conversar. Coisas básicas. Na hora do vuco-vuco, tudo maravilhoso. Fora isso, já entrava na parte chata do namoro/noivado/casamento.

Assim, gente... Que amizade horrível.


Também tinham esses casos das pessoas que fazem tudo, ABSOLUTAMENTE TUDO, juntas e isso até hoje eu acho desconcertante. Me dá agonia. Acho que isso cria uma relação de dependência muito forte e meio que vai matando suas outras relações. Se o tempo todo você está com seu namorado/namorada, então você nunca está com os seus amigos. São até aqueles casos típicos de gente que some quando começa a namorar ou que arrasta o agregado pra tudo que é rolê dos amigos. Pra mim, o inferno é assim. Geralmente são essas pessoas que, quando enfrentam problemas no relacionamento, ficam só a boquinha do Sérgio Moro, no fundo do poço, porque não tem mais amigo nenhum pra desabafar nem aconselhar nem pra dar apoio. Ah, tem sim, tem o seu amado, mas, adivinha só, ELE É O PROBLEMA.

Por essas e outras que eu sempre pensei "Coitados..." quando vinham com essa de o melhor amigo ser também o amor. Parece um desperdício dar à mesma pessoa dois cargos tão importantes. Às vezes, você precisa de um namorado, em outras você precisa de um amigo.

Aí eu comecei a namorar.

Ok, dá pra entender o fogo no rabo de querer fazer TUDO com a pessoa e contar TUDO pra ela. Não sei exatamente o motivo, mas namorando a gente cria uma intimidade absurda, que, pelo menos na minha experiência, ultrapassa fácil qualquer amizade que eu tenha. É curioso que eu conheça o Arthur há menos de um ano, mas só pra ele eu tenho coragem de dizer certas coisas. Eu não tenho coragem de dançar na frente dos meus amigos que conheço há mais de dez anos, mas danço até o Tchan na frente do Arthur. As críticas que eu faço, os pensamentos que eu deixo vazarem... A vergonha é quase mínima, porque, de alguma forma, sei que ele não vai me julgar nem um pouquinho. E, mesmo quando ele me julga, eu conto mesmo assim porque é muito engraçado. Acho que ele foi a primeira pessoa pra quem eu contei que odeio museus, EU PRECISAVA PÔR ISSO PRA FORA. E ele foi o escolhido. Ele sabe quanto dinheiro eu tenho, sabe dos meus planos de dominação mundial, eu conto tudo que eu quero, porque, sei lá, eu não preciso esconder. É uma vulnerabilidade que não é forçada, pra mim foi natural.

É disso que as pessoas falam? Humn... Então vou deixar passar. Mas não viciem, tá? Respirem um pouco sozinhos, vai dar um rolê sem seu @, CULTIVE SUAS AMIZADES, DESGRAÇA. É o melhor conselho possível.


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Posted on quinta-feira, maio 16, 2019 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, maio 08, 2019

Quando eu me entendi como assexual e assumi para o mundo, senti que fiz a coisa certa. Nossa, foi uma identificação tão grande! As peças que não se encaixavam sobre minha sexualidade finalmente fizeram todo o sentido, mas todo MESMO, e eu adorei descobrir que existia mais gente que nem eu, que eu não era quebrado nem nada. Comecei a falar pra todo mundo que me perguntava. "Sou assexual". "Não tenho interesse em nudes, sou assexual". "Você é bem atraente sim, só que eu sou assexual, então...". As pessoas não entenderam muito. Até discuti com algumas.

Ter que se defender o tempo todo enquanto assexual é o ó, o mundo não tá preparado pra isso, eu acho. Surge gente do bueiro querendo te ensinar a transar como se falta de oportunidade para aprender fosse seu obstáculo. "Venha, vou te tirar desse mundo de solidão e escassez de orgasmos decentes!". Chega a ser ridículo. Ainda hoje eu acho sexo uma coisa superestimadíssima. Talvez isso prove que de fato sou assexual.


De qualquer forma, eu sentia que me faltava algo. Algumas coisas, na verdade. A primeira era uma identidade forte, algo que eu pudesse dizer e as pessoas entenderem. O mundo é homofóbico e, em todo lugar que me perguntavam "Você é gay?", eu respondia que não. Porque tecnicamente eu era assexual. Na minha cabeça, eu estava respondendo "Não sou gay, sou assexual", mas cada um entende o que quer, né? Certeza que quem me perguntava escutava "Não sou gay, sou hétero". E, ai, gente, é horrível ser hétero é uma das piores situações ser lido como hétero e, por conta disso, ter que ouvir um bando de comentários homofóbicos que pessoas "do bem" jamais falariam na cara de um gay. Eu era obrigado a ficar lá com cara de tacho, porque ao mesmo tempo que eu não podia afirmar que era gay, também não queria ter que explicar que era assexual, porque ninguém ia entender e, pelo amor de Deus, a gente nem se conhece. Eu não tinha lugar de fala, me sentia limitado.

Eu sempre gostei de outros caras. Talvez não de um jeito muito evidente e físico e vai ver que não do jeito que as pessoas gostam das outras, mas eu sempre gostei. Em muitas coisas eu me identificava com meninos que gostavam de outros meninos, praticamente todas exceto as relacionadas ao sexo. Então era como se eu fosse gay sem ser. "Assexual homorromântico" é uma palavra tão comprida! E meio que não existe uma "cultura ace". Se existe, é invisível. Mas a gay está aí. Gostar de divas pop, o jeito de falar, de agir, não gostar de futebol e carros, o dialeto próprio, a liberdade contra a masculinidade tóxica... Óbvio que não é que todo gay seja assim, mas a cultura existe. Eu nem curto diva pop. Mas sempre joguei com personagens femininas em vídeo games e ver outros gays comentando isso foi tudo pra mim! São tantos DETALHES em comum!!! Então, me assumindo como ace, não fazer parte da cultura gay era outra coisa que me fazia falta.

E desde então que acho que esse modelo de sexualidade está errado incompleto. Uma coisa que eu tava pensando uns meses atrás é que a assexualidade é totalmente inventada. Não o fato de pessoas não sentirem atração sexual, essas pessoas existem e são válidas, mas o modelo que criaram pra assexualidade é isso: criado. Não é biologia ou sei lá. O fulano que cunhou o termo achou que estava bom assim e, como ninguém tinha falado sobre isso antes, ficou valendo o dele.

Não acho bom.

Colocar a assexualidade como uma sexualidade nova me parece pobre e limitador. Um assexual homorromântico sexopositivo tem muito mais em comum com um gay do que com um assexual heterorromântico sexonegativo, por exemplo. Assexuais são muito diversos e, por mais que todos possam se identificar com a questão da falta de atração sexual, as demais vivências não ligadas ao sexo são muito diferentes. Como eu disse, não há cultura ace. E, também, todas as sexualidades conhecidas são sobre POR QUEM você sente atração. Assexualidade é mais sobre COM QUE FREQUÊNCIA você se sente atraído. Da mesma forma que ser trans não é uma sexualidade, ser ace também não, na minha visão.

Por isso que agora eu me identifico como gay e assexual. Eu me interesso POR homens, mas não com TANTA frequência como todo mundo. A minha relação com sexo é diferente. Sabendo que namoro com um menino, todo mundo vai me ler como gay. Se eu sofrer algum tipo de violência, vai ser por ser gay. Algum benefício? Por ser gay. Eu me identifico com todas as questões que tocam gays além do sexo. Quando é sobre sexo, aí minha assexualidade aflora. Pra mim, funciona bem.



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Posted on quarta-feira, maio 08, 2019 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, maio 02, 2019

Acho que já podemos afirmar que peguei gosto por viajar e estou ficando craque. Já sei resolver tudo sozinho razoavelmente bem: hospedagem, passagens, estimar valores, contratar passeios e curtir. É a vida que eu quero viver, sabe. Tava até pensando em comprar uma mala espaçosa para as próximas viagens já que parece que é um hábito que veio para ficar. Já estou no aguardo das marcas me patrocinarem para eu poder viajar MAIS.

(Pra quem não sabe como funcionam os meus diários: São diários físicos que vou escrevendo durante as viagens, depois eu chego em casa, edito e posto no blog. Então aqui estamos.)

Dessa vez, Ilha Grande!



1) Se você mora no Rio de Janeiro, provavelmente conhece alguém que conhece alguém que já foi à Ilha Grande. Se não conhece, então esse alguém é você. Ou eu, que agora estou indo. SEM AVENTURAS DESSA VEZ. Passei o Carnaval todinho em casa namorando pra testar se era ok ficar em casa num feriadão, sem viajar, sem gastar dinheiro, apenas vivendo das atividades gratuitas. NUNCA MAIS. Gente, o tédio. Carnaval 2020 vocês já podem me convidar pra viagem. Daí que acabei economizando esse dinheiro que eu usaria pra viajar no Carnaval e meio que aleatoriamente escolhi Ilha Grande pra torrar tudo na Páscoa. É perto de casa, dentro do RJ, não precisa de muita antecedência pra agendar as coisas, praias bonitas, me pareceu ideal pra um rolê de 3 dias.

2) Eu nem acredito que estou sentado num ônibus rumo à Ilha Grande escrevendo esse diário com Arthur (meu mozely), Elisa (fiel escudeira), Taiany (a doida do Contato), Kelly (minha amiga modelo profissional, alô marcas) e Elizabeth (eleita a pessoa mais fofa do Rio de Janeiro por unanimidade). Primeiro, porque é mentira kkkkk Segundo, porque estamos em pé na vigésima condução que pegamos pra chegar NESSA DESGRAÇA DE ILHA QUE NUNCA CHEGA. Sério, gente. Trem, metrô, 2 ônibus, BARCA, pelo amor de Deus. Mas somos brasileiros e não vamos desistir, estamos indo.

3) Demorou umas 5 horas ou sei lá, mas o caminho não foi de todo ruim. Foi até muito agradável na primeira parte porque eu, Kelly e Arthur descobrimos que tem um ônibus chiquérrimo que sai de Campo Grande pra Itaguaí. Um ônibus de viagem! Com poltronas fofas, muitos lugares vazios, ar-condicionado, bagageiro... E só R$3,80!!! Mandamos até foto no grupo.

Eu tô particularmente muito lindo nesta foto, eu sei

Recebemos a foto das outras:


kkkkkkk otárias

4) Antes da viagem, Taiany estava teimando comigo que dava pra chegar em Ilha Grande de ônibus. Atenção para o mapa de Ilha Grande:


Então assim... Dá pra chegar em Ilha Grande de ônibus sim, se for um ônibus que voa ou anda sobre as águas. Não achamos nenhum desses e mesmo se achássemos não teríamos dinheiro pra pagar essa passagem. ILHA GRANDE É UMA ILHA, PELO AMOR DE DEUS. Uma terrinha com água ao redor. ILHA GRANDE. Está no nome. Precisávamos pegar uma barca pra chegar até lá e, depois de muitas baldeações, finalmente chegou nossa vez de embarcar pra ilha. Veio uma ONDA do nada pra cima do píer e molhou exclusivamente a Taiany, acho que era a natureza dizendo ACORDA, MULHER, NÃO TEM ÔNIBUS.

[Taiany vai aparecer aqui nos comentários se defendendo, mas esse blog é meu e vou apagar]

5) Não falei nada na hora porque tava com receio de Elizabeth ser essas pessoas que vomitam em barco, mas, gente, pegar o transfer pra Ilha Grande me lembrou muito MEU ÓCULOS NINGUÉM SAI e JULIANA DESMAIADA. "Transfer" significa barco motorizado que não passa segurança nenhuma e que quando acontece um acidente e muita gente morre afogada as pessoas falam MAS TAMBÉM NÉ. Não falei nada disso na hora pois sou sensato e não queria deixar ninguém nervoso. E também mais da metade do grupo usava óculos.


6) Chegamos em Ilha Grande! VIVOS! Nenhuma Juliana desmaiou. Assim como é uma ilha, Ilha Grande também é GRANDE, do tipo que não dá pra passear pela ilha a pé. Aliás, acho que só de barco porque o meio dela é só de selva ou sei lá. Então escolhemos nos hospedar na Vila do Abraão, que é onde o transfer deixa a gente e tem um milhão de opções de hospedagem, lojinhas, restaurantes e pessoas seminuas dentro de cada estabelecimento por causa da praia.



7) Antes de uma viagem dar certo, ela dá muito muito muito errado, então ficamos sem hospedagem faltando umas duas semanas pra viajar. Tivemos que escolher um hostel que por acaso estava fazendo uma promoção de Páscoa e comportava bem um grupo de 6. Realmente tava muito barato. Pelas fotos, não era o ideal, mas tava ok. Não tinha grandes luxos, mas teria que servir.

Foi o lugar mais doido em que já me hospedei em toda minha vida.

Na real, acho que era uma casa disfarçada. No portão, tinha um papel colado dizendo mais ou menos assim.

Parece confiável

O quarto era apertadinho, até que bonitinho e tinha um banheiro legal, mas também tinha uma porta misteriosa que eu imediatamente abri e dava pra outro quarto com pessoas???

- RAMON, O QUE É ISSO??? (Ramon era o funcionário do hostel)
- É o quarto da minha família
- Mas tem uma porta pra ele do nosso quarto????
- Só abre do lado de vocês.

Gente, certeza que no meio da noite ALGUÉM ia entrar por aquela porta e roubar nossos pertences e talvez nossos rins. Mas não tive tempo de reclamar disso porque Ramon logo disse:

- Vamos ali na cozinha pra vocês assinarem uns documentos e eu explicar pra vocês algumas... regras doidas.

AH PRONTO, eu pensei.

- Ramon, já diga as regras doidas que dependendo do que for a gente já mete o pé sem assinar nada

*** ReGRAs dOiDas dO HostEL de raMon ***

Regra número 1: NÃO PODE FUMAR MACONHA

- Mas vocês não são disso rsrsr
- Como você sabe?
- Ah, dá pra ver pela cara de vocês kkkk
- VOCÊ NÃO CONHECE A GENTE

Taiany era a única maconheira do grupo, mas, tipo, fumou 1 vez e quase morreu ou sei lá, mas Kelly ficou OFENDIDA porque ele tava dizendo na nossa cara que éramos NERDS.

Regra número 2: NÃO PODE TRAZER ESTRANHOS PARA O HOSTEL NO MEIO DA NOITE

Elisa chegou na cozinha depois e me perguntou as regras.

- Proibido maconheiros e transar.

Também teve a regra número 3 de só poder ligar o ar-condicionado em determinados horários, o controle ficava CONFISCADO com Ramon. Resumindo: pagamos para ficar num cativeiro.

8) Eu suspeito que ninguém ficou muito feliz com o hostel, mas também só ficamos nele pois pessoas pobres demais, era o que tinha. Estávamos mortos de fome, então fomos passear pela Vila do Abrãao para achar um restaurante em conta. Achei a vila uma gracinha. Dá uma sensação de estar longe da civilização, mas também não é tão RÚSTICA ao ponto das casas serem feitas de palha e as pessoas trocarem mercadorias por espelhos e pentes. Todo mundo tem celular e aceitam débito e crédito. Muitos restaurantes, hamburguerias, lojas de lembrancinhas e um milhão de agências oferecendo passeios de barco pra todos os cantos da ilha. É um inferno pra decidir porque Ilha Grande tem mil praias que parecem a mesma.


9) Escolhemos um restaurante qualquer e adivinha quem era o atendente? RAMON. ORA, ORA, estávamos sendo perseguidos. Na hora rimos muito, mas depois notamos que Ramon nunca estava presente no hostel porque estava no restaurante ou sei lá mais onde. Começamos a desconfiar de que todos os estabelecimentos da Ilha eram operados por Ramon.

10) O almoço ia demorar uns 40 minutos pra sair, então Taiany resolveu acabar com a minha paz trazendo o Contato de volta. Meu Deus, que inferno. É uma praga. 

[Não contei pra vocês porque fiquei com preguiça, mas na viagem de Penedo Taiany veio com esse jogo. Contato. É um jogo completamente verbal, não precisa de tabuleiro, de cartas, de papel, de lápis, NADA, apenas umas 4 pessoas com QI razoável e boa vontade pra entender. Confesso que é ideal pra viagens. Dá pra jogar no carro, no ônibus, numa hora de tédio qualquer e infelizmente esperando o almoço]

Já joguei algumas vezes e honestamente sou muito bom nele, MAS A TAIANY NÃO SABE A HORA DE PARAR. ELA QUER JOGAR TODA HORA. E o pior é que o jogo é contagiante. Sou o único imune. Meu namorado aprendeu e espalhou a palavra por aí. Jonas e Elisa jogaram. Kelly e Elizabeth foram contaminadas em Ilha Grande e agora eu tenho certeza que em toda viagem que eu fizer serei obrigado a presenciar várias rodadas de Contato. Comente aqui nos comentários se vocês acham que devo parar de chamar Taiany para as viagens.


11) O começo do Contato é muito engraçado porque as regras são meio complicadas de entender e no começo todo mundo se sente burro. Não vou explicar aqui para não contaminar vocês também, vai que um dia vocês que estão lendo esse diário viajam comigo (Se bem que da última vez que viajei com leitor do blog, este leitor era a Taiany e agora olha onde estamos). Mas enquanto a Taiany tentava explicar e a galera boiava, eu só ficava falando mal kkkkkkkk

[Taiany, eu te amo e você é uma das minhas melhores amigas, jamais se esqueça disso, principalmente ao longo deste diário pois tenho um prazer imenso em zoar você]

12) Chegamos na sexta, né? Como já era tarde para estrepolias, fomos caçar uma agência para conseguir um passeio para o sábado. Esqueci de comentar que há muitos estrangeiros não só visitando Ilha Grande como residindo e trabalhando lá, principalmente pessoas que falam espanhol. Entramos nessa agência que tinha uma moça MUITO FOFA e simpática trabalhando lá. Ela abriu a boca e imediatamente quisemos jogar todo nosso dinheiro em cima dela. Foi o que fizemos. Dei uma pesquisada nas praias mais badaladas e naqueles lugares que as pessoas falam que a gente PRECISA VER quando pisa em Ilha Grande. Tinha um passeio dando o que eles chamam de "Meia-Volta" na Ilha (que na verdade é uma volta completa, eu não sei qual é a dessas pessoas) e nele que fomos. Lola, a moça da loja, explicou tudo. "O barco sai daqui às 10h e aí é só TDHLKADHIUW OWAYDIuhfwepr aODSUYDWEOgwfenf 8qwyoiwrAGWIR FEUWHOSJDKFAJOER, está bom pra vocês?". Era um portunhol na velocidade 5 do créu e ninguém entendeu nada do roteiro, sinceramente, mas aceitamos porque em Lola confiamos. Suspeito que Lola estava ali vendendo passeios justamente por essa habilidade sobrenatural de fazer as pessoas quererem ser amigas dela, pois é assim que o capitalismo funciona. Eu pagaria pra ser amigo da Lola.

Vou parar por aqui porque, MEU DEUS, acho que esse é o diário de viagem mais longo que já escrevi. Muita coisa aconteceu e já deixo aqui o spoiler de que nas próximas partes terá polícia no hostel e eu tentando mijar nas águas lindíssimas de Ilha Grande.



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Posted on quinta-feira, maio 02, 2019 by Felipe Fagundes

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terça-feira, abril 30, 2019

Tem essa parte no "Jane Eyre" em que a protagonista precisa decidir se quer ser feliz com o homem que ela ama e ferir seus princípios ou manter os princípios e ficar sozinha. Não posso dizer por todos, mas direi por todos e digo que TODOS os leitores ficam "JANE, PRA QUÊ PRINCÍPIOS? JOGUE TUDO FORA", mas Jane é teimosa pra caramba. Pra ela existe um grande obstáculo moral em ficar com o homem, obstáculo este que divide opiniões se é mesmo um obstáculo, porque é mais... bom, coisa de igreja. A Jane mega acredita, fiel fervorosa. Pra ela, é um grande pecado. Jane mete o pé.


"Que não sintais jamais o que senti! Que os vossos olhos jamais vertam lágrimas escaldantes, aflitas (...) Que não apeleis jamais para Deus em preces tão sem esperança e tão agoniadas como as que nessa hora saíam dos meus lábios. Que jamais, como eu, receeis ter sido instrumento do demônio contra aquilo que mais profundamente amais!"

Eu fiquei devastado. Não tanto porque o romance ficou muitíssimo prejudicado nessas circunstâncias, mas porque eu faria o mesmo. Eu seria a Jane todinha. Esse apego aos meus princípios é algo que não consigo largar. É curioso isso, né? Principalmente quando ligado à religião, pode ter esses nossos princípios que de fato não afetam em nada a vida ao redor, mas somos apegados a eles, acreditamos neles e, mesmo que ninguém mais dê bola, não largamos o osso. Coisas, tipo, sei lá, desvirar o chinelo pra mãe não morrer. Ou colocar o arroz em cima ou em baixo do feijão O certo é em cima. A Jane tinha esse aí. Pior ainda, era princípio religioso, então ela se sentia traindo O PRÓPRIO DEUS, que é uma coisa que ninguém que acredita em Deus quer. Acho que meu princípio religioso era não ser gay.

Gente, sério, essa citação do livro é praticamente uma visão da realidade paralela que eu poderia ter vivido se tivesse insistido na igreja por mais tempo e aí conhecido o Arthur, minha atual pessoa que mais me faz feliz. Eu tenho certeza que eu deixaria de viver o que vivo com ele hoje por causa desse meu princípio e isso é assustador. Acho que foi isso que eu senti lendo essa parte de "Jane Eyre". Eu ia jogar TUDO PRO ALTO por causa de uma decisão que no meu coração era moral. Que morte horrível. Acho que todo gay cristão temeu em algum momento estar sendo "instrumento do demônio".


De alguma forma, escapei. Mas muita gente não escapa e agora tô pensando no tanto de pessoas LGBT que abrem mão dessa essência pra seguir o que acreditam serem os planos de Deus. Não posso culpar essas pessoas. É tudo o que a gente SABE e VIVE e não adianta outras pessoas falarem que não tem nada a ver e tal, a gente acredita no que a gente acredita.

Acho que eu fui desconstruindo meu pensamento com o tempo e ainda bem que só fui conhecer Arthur depois. Eu não tinha escolhido esperar nada, mas foi bom ter passado meus primeiros 26 anos sem ter me envolvido com ninguém. Me deu tempo. Hoje, que eu sinto do fundo do meu coração que tô cultivando esse sentimento TÃO PURO E PERFEITO que não consigo imaginar o que ALGUÉM que sentisse O MESMO poderia criticar, eu simplesmente não tenho como dizer que não ser gay ainda é um princípio meu. Ser gay, na verdade, é muito bom. EU RECOMENDO A TODOS. Queria que todo mundo fosse gay o suficiente pra ser feliz que nem eu ando sendo.

De qualquer forma, fiquei orgulhoso pela Jane. Existe um equilíbrio entre manter nossa essência e ir se livrando do que não faz mais sentido. Tem coisa que eu tenho que ser teimoso mesmo, coisas que, se eu transgredir, vou me sentir mal pelo resto da vida. Mas tem outras que eu só preciso entender que não funciona. Posso aprender princípios novos com outros, posso ensinar, posso deixar pra trás... Cada um sabe de si.



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Posted on terça-feira, abril 30, 2019 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 25, 2019

Eu guardei esse segredo da internet por muito tempo, embora sempre sussurrasse para os mais íntimos nas rodas de conversa, mas agora me sinto decidido o suficiente para revelar: Eu odeio museus.


Ok, odiar é uma palavra forte demais. Eu só não gosto. Apenas desgosto muito. Eu poderia passar batido com isso se não fosse o fato de eu morar no Rio de Janeiro, que é uma cidade com um museu em cada esquina e onde as pessoas sem dinheiro gostam de passear. Um inferno.

Mas, nossa, o que os museus fizeram pra você?

Nada, esse é o problema. Eles não fazem NADA, não cumprem o básico do entretenimento. Fico mortificado quando descubro que tenho que pagar pra entrar. Não sei, gente, é como se eles não se esforçassem. Não me admira que as pessoas não gostem de museus, já que museus aparentemente também não gostam de pessoas felizes (O Museu do Amanhã é um caso à parte que realmente odeia gente).

Acho curioso que eles geralmente são bem bonitos. Limpinhos, paredes imponentes, iluminação perfeita. O chão até brilha. Certamente têm ar-condicionado. Aí você entra na sala vazia exceto que no meio dela existe uma estátua. Uma sala inteira para UMA ESTÁTUA QUE NEM É BONITA. Tipo, caramba, sabe quem não tem iluminação perfeita? ESCOLAS. E ar-condicionado? BEBÊS NO HOSPITAL. Se você apoia museus, então é a favor de bebês passando calor, ESCOLHA SEU LADO. Eu acharia muito mais interessante se entrássemos numa sala imponente de um museu e, ao invés de estátuas feias, encontrássemos bebês vivos em incubadoras, sob uma luz maravilhosa. Imagina, pessoas encantadas com os ser humaninhos, dando aquele quentinho no coração, voltando pra casa felizes. Ia suprir toda a necessidade de ter bebês próprios e resolveria a superpopulação mundial e a tristeza das almas. Pessoas pagariam horrores pra ver bebês e os pais ganhariam dinheiro! Mas os museus não pensam nisso. Esse é o problema, gente, se você apoia museus, você é a favor que pais de recém-nascidos fiquem sem dinheiro pra cuidar da criança, eu não posso concordar com isso.

Talvez eu tenha ido um pouco longe demais, mas você sabe que estou certo.

Eu consigo imaginar uma centena de coisas mais legais que poderiam estar ocupando aquele espaço exageradamente grande e que dariam mais dinheiro. MAS TUDO BEM. Digamos que museus realmente guardem coisas de valor. Como assim querem que a gente pague pra ver uma cadeira velha? Ou um pedaço de pedra? Ou quadros e rabiscos que poderiam ter sido feitos por uma criança de 5 anos, mas só porque alguém famoso fez está lá? Pelo amor de Deus, gente. Cadê as pessoas fantasiadas? Se eu fosse dono de museu (Deus me livre), ia contratar pessoas fantasiadas. Seria um HINO ir visitar o museu da família imperial e, sei lá, ver homens vestidos a caráter, mulheres com aqueles vestidões interagindo com a exposição. Talvez as pessoas pudessem pegar roupas emprestadas e tirar selfies! Perucas coloniais!!! Talvez bolaria um jogo daqueles que você tem que encontrar uma série de coisas e quem completar ganha brindes! Uma estátua sem cabeça, um quadro com as cores azul e vermelho, o cabideiro do Dom Pedro II, SERIA INCRÍVEL. As pessoas ficariam mega atentas e, se pudesse tirar fotos, poderia ser melhor ainda. Um jogo de perguntas com as respostas naquelas etiquetas que ninguém lê... As oportunidades são MUITAS. Meu Deus, eu de fato tenho que enviar essa ideia pra algum museu. Mas, como eu disse, eles não se esforçam. EU NÃO TENHO COMO ACHAR GRAÇA NUMA CADEIRA VELHA. CAGUEI QUE GETÚLIO VARGAS SENTOU NELA. QUEM QUER SABER? A menos que tivesse uma pergunta "Quem sentou na cadeira do salão 8B?" no jogo do museu e o vencedor com mais pontos ganhasse um chaveiro, AÍ EU IA FAZER QUESTÃO DE SABER.

Eu tô muito triste que isso nunca vai acontecer.

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Tem também o fato de que eu acho que as pessoas fingem que gostam. OK, alguém tem que gostar genuinamente (ou talvez sejam pagas pra isso pelos Illuminati), mas acho que a maioria só finge que acha aquele pedaço de tecido do século XV uma grande coisa. Um pano que você acharia um igual por 10 reais o metro. Eu fico muito igual o Ben com o pessoal de Pawnee idolatrando o Lil Sebastian. É SÓ UM PANO, PELO AMOR DE DEUS. 


Sei lá, museus tem essa aura de proteção mística que impede as pessoas de criticarem com a verdade de seus corações. É que nem música clássica. Difícil alguém dizer de cara que é chato, sempre vão ficar com aquele olhar de contemplação, fingindo que estão absorvendo e que é a coisa mais linda. Por dentro estão "Caramba, nunca acaba. Servem comida aqui?". Museus são iguais. DIZEM que eles são muito importantes, então a gente acaba agindo como se fossem mesmo sem saber o motivo e ficamos com vergonha de criticar. Talvez por isso eles não se esforcem, já que recebem admiração gratuitamente.

Nesses incêndios do Museu Nacional e da catedral de Notre Dame, fiquei chocado com o tanto de gente berrando em cima dos caixões. Como se todo mundo fosse mega fã de museus ou tivessem sido criados por um. Claro que foi triste por estarmos falando de incêndios e do trabalho das pessoas, mas esse escarcéu? Minha mente não conseguiu acessar ainda a importância de objetos velhos, mas estamos aqui abertos a diálogo.

Eu realmente não sei a diferença de um museu expor a Monalisa original ou uma réplica exata dela. Acho que só faz diferença porque as pessoas SABEM. Mas na prática daria tudo na mesma. Eu aposto que os Iluminatti já substituíram todas as obras mais valiosas dos museus por réplicas E VOCÊS NEM PERCEBERAM.

Acho que eu tô precisando de meia hora numa sala com bebês incubados.



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Posted on quinta-feira, abril 25, 2019 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 18, 2019

Minha família por parte de mãe veio toda de um lugar que, quando criança, eu só conhecia como "Roça". Não tinha ideia do estado, município, bairro, nada. A Roça era só um lugar genérico meio parado no tempo, onde asfalto, internet e água pra dar descarga na privada chegavam lá por último. Se você conversar com a minha mãe por uma horinha, ela vai te contar uma dúzia de histórias envolvendo espingardas e animais de fazenda. É fascinante.

Eu odiava ir pra lá visitar meus parentes, pois sempre fui mocinho da cidade, mas aí você se pergunta: Nossa, Felipe, não aguenta ficar uma semana sem internet? Gente, que internet o quê. Eu só não era muito feliz passando pela experiência de CAGAR NO MEIO DO MATO. Isso e porque eu ficava muito confuso com as pessoas chamando minha mãe de Ilza.


Minha mãe é Elza igual a Frozen, mas com Z. Tipo, sempre foi. Só lá na Roça que ela não era. Viajar pra lá era tipo entrar numa realidade paralela onde as pessoas ganhavam um novo nome e limpavam a bunda com sabugo de milho. Todo mundo só chamava ela de Ilza. As tias, minha vó, meus primos. Meu tio Edson virava Édio, minha tia Ana Gilda virava Nagilda, mas meu nome seguia o mesmo. Pessoal de lá tem um sotaque meio caipira? Tem, mas não era isso. Até minha mãe começava a chamar as pessoas pelos nomes de Roça! E minha mãe sempre morou no Rio de Janeiro.

- Mãe, por que todo mundo te chama de Ilza aqui?
- É meu nome

Não era??? Eu já tinha visto a identidade da minha mãe várias vezes e sabia que lá estava escrito Elza. Ela inclusive fora da Roça atendia como Elza. Ilza era um delírio coletivo.

- Eles um dia te chamaram pelo nome errado e você deixou pra sempre?
- Meu nome é Ilza, Elza é o errado
- O QUE???

Eu talvez fizesse parte de uma família de espiões secretos com múltiplas identidades, mas a explicação que minha mãe me deu depois serviu melhor. Gente, a explicação: O pessoal do cartório usava drogas. Minha mãe não disse isso, mas eu deduzi e sei que essa é a verdade. A revelação é que minha mãe É UMA ILZA. Meu avô foi lá registrar minha mãe bebêzinha no cartório e registrou como Ilza. Minha vó que escolheu o nome. Beleza. Os documentos só ficavam prontos um bom tempo depois, e aí quando chegou a certidão... minha mãe era uma ELZA. Mas aí todo mundo já chamava de Ilza, eles tinham escolhido Ilza, e ficou por isso mesmo. O mesmo com Édio e Nagilda.

(Eu sei, vocês devem estar se perguntando QUEM registra filhos com nomes de ÉDIO e NAGILDA. Resposta: Meus avós)

O pessoal do cartório simplesmente mudava os nomes e registrava do jeito que achavam melhor e fizesse mais sentido pra eles. Quando minha mãe, já adulta, saiu da Roça e veio para o Rio, foi um inferno ter que explicar que o nome dela era Ilza, mas nos documentos era Elza, então ela simplesmente adotou os dois. Aqui ela é Elza, na Roça ela é Ilza. Os outros irmãos fizeram o mesmo.

E isso é a cagada só dos nomes... Se eu contar que meu avô inventou um monte de sobrenome que nem existia na família e o cartório nem checou, vocês acreditam? Pois cada filho dele tem um sobrenome diferente que nem ele nem minha avó tem Hahahahahah Na mesma família somos Alves, Cruz, Francisco, Santos...

Eu morro com a Roça.

Mas, caramba, que oportunidade perdida. Se eu fosse meu avô, hoje meu nome seria Felipe Lambertini, Felipe Müller com a trema mesmo, talvez Felipe Hickmann...



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Posted on quinta-feira, abril 18, 2019 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 15, 2019

Acho que todo mundo concorda que ciúmes é uma coisa ruim. Tem aquelas pessoas que acham que um pouquinho de ciúmes é saudável e até recomendável, mas elas provavelmente cheiram cola e acessam a deep web. Agora aqui pensando rápido, não consigo imaginar nenhuma vantagem em se corroer por dentro por sentir que sua pessoa amada prefere outros a você. É uma energia muito mal gasta porque não conseguimos transformar em nada que preste, porém, entender que é ruim não faz o ciúme desaparecer magicamente, o que é uma pena.


Vou ignorar casos de violência física pra evitar pesar o assunto, mas tem essas duas histórias que acho o ÁPICE do ciúme.

O cara era casado e tinha uma amiga do trabalho com quem ele sempre conversava pelo whatsapp. Acho que existe uma linha muito tênue entre amizade e flerte, e ele e essa amiga estavam sobre essa linha, mas nunca avançaram. Apenas risadas, memes, umas fotos inocentes aqui e ali, nada demais. Mas conversavam todo santo dia, até nos finais de semana e feriados. A mulher dele odiou quando descobriu. O que ela fez? Deu uma de doida e jogou o número da amiga dele pra um monte de pervertido num site qualquer da vida aí. O marido morreu de vergonha, mas cortou o papo com a amiga.

Também teve uma conhecida minha que teve que excluir todos os homens do Facebook dela quando começou a namorar. Até eu rodei. Quando questionei o motivo, ela disse que o namorado mandou. Fiquei muito chocado. "Você não acha isso meio doentio?". A resposta: "Nah, normal, até porque primeiro eu pedi pra ele excluir todas as mulheres do Face dele".


Uma parte minha ouvindo esses contos de terror fica MEU DEUS, QUE DESGASTE EMOCIONAL, mas a outra... Gente, eu sou uma pessoa que pensa demais e, ainda mais agora que eu tô amando, eu acho que entendo a lógica do ciúme e tenho que confessar que essas pessoas estão certas em defender os seus. Se vale a pena no fim das contas já são outros 500.

Porque, pensa, eu pelo menos acho assim, não existe essa coisa de alma gêmea, não existe aquela pessoa única que é perfeita pra você, o amor da sua vida, e, se ela morrer, acabou amor pra você. Pensando na quantidade de pessoas que existem no mundo, NÃO É POSSÍVEL que só tem UMA que pode te fazer feliz. Dito isso, você pode encontrar pessoas para estarem num relacionamento com você em qualquer esquina a qualquer momento. O mesmo vale para a pessoa que você ama. Meu namorado com certeza conhece centenas de caras mais bonitos do que eu. Alguns mais engraçados, mais legais, outros com mais dinheiro, com mais interesses em comum, com mais todas essas coisinhas que a gente conta num relacionamento. Mas só eu sou a combinação de características que ele escolheu pra namorar com ele. Isso porque, TALVEZ, ele ainda não tenha conhecido alguém que encaixe melhor. E talvez jamais irá conhecer. Poder ser que essa terceira pessoa more na Índia e ele jamais pise lá. Azar o dela.    

Daí dá pra entender essas pessoas doidas de ciúme que impedem suas pessoas de conhecerem outras, porque essas outras podem mesmo ser o novo amor da vida do seu @. Quem sabe? É tudo questão de não permitir esses encontros. Se eu soubesse que a melhor pessoa pro meu namorado mora mesmo na Índia, será que eu iria sugerir esse país como destino de uma viagem nossa? Provavelmente não, pois não sou besta.

Assim, é uma estratégia que funciona pontualmente e você de fato pode estar garantindo a longevidade do seu relacionamento, mas, gente, o mundo inteiro. O mundo inteiro de gente. Excluiu os homens todos do Facebook, beleza, mas e na vida real? E os colegas de trabalho? E os homens nos ônibus? E os amigos? E o dentista dela? E os irmãos da igreja? Legal que cortou a amizade do marido com a fulana, mas e todas as outras mulheres do mundo offline e online? É um trabalho sem fim, apenas desempregados conseguem.

NÃO DÁ.

Eu particularmente acho que não vale o esforço e o desgaste mental. Pra mim é mais fácil contar com a sorte e com a confiança. Se meu namorado conhecer um cara mais legal, o que eu posso fazer? Tenho que deixar ir se ele quiser, né? Espero nunca ter que passar por isso, porém.   
             


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Posted on segunda-feira, abril 15, 2019 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 11, 2019

Falaram que, enquanto gay, meu silêncio sobre a carreira da Anitta é ensurdecedor, então vamos ter O POST SOBRE ANITTA (me informaram que é obrigatório se você é homossexual e tem mais de 25 anos, quem sou eu pra contrariar a lei).

Veio esse álbum "Kisses" e você ouviu? Eu também não, mas descobri que não precisa. Nem a Anitta faz questão.


Tenho pra mim que Anitta é a Kardashian brasileira (mulher que sai do nada, mas enriquece porque é inteligente e sabe administrar negócios) e sempre quando vejo a carreira dela dando errado, flopando, acho que na verdade é um acerto disfarçado. Ela começou muito bem, hitou pra caramba em todas as festas e charts, até que mirou nessa carteira internacional em que ela fala 3 línguas ao mesmo tempo e deixou os fãs azedos. Vem música nova, eles reclamam. Vem single, reclamam. Vem clipe milionário, reclamam. Esse "Kisses" parece ter sepultado a Anitta, porque ele não tem nada a ver com os álbuns de sucesso anteriores e os fãs já cansaram de berrar que não querem esse tipo de música. E a Anitta? Cagou. Agora eu já fico rindo quando vem textão de alguém debochando da Anitta, porque, gente, acho que, depois de tudo isso, a verdade é que...

ANITTA NÃO SE IMPORTA COM VOCÊ. Acorda, gay.

Diz meu namorado anitter que nessa biografia "não-autorizada" que saiu sobre ela pelas mãos do Léo Dias tem a info de que Anitta já planejou o fim da carreira ou algo assim. Tipo, ela já escolheu uma data pra parar de fazer música, porque não quer durar pra sempre nisso, não quer ficar se arrastando, não quer ter 50 anos e ficar rebolando por aí. Rebolar cansa, gente. Pelo que eu entendi, ela quer algo finito, marcante, pá pum e acabou. Quem quiser pode ouvir os hits antigos. Isso porque ela obviamente descobriu outras formas de fazer dinheiro e viver bem muito mais práticas do que ser artista. Ou isso ou ela já ganhou tanto dinheiro que não precisa de mais. Ser artista dá MUITO trabalho. Imagina, gente: show toda semana, ensaios sem fim todo dia, escrever música, estudar música, aula de canto, o cursinho de inglês e espanhol da FISK, administrar a carreira toda, gravar clipe, aparecer em propaganda, fazer feat, performar, mais shows... É um INFERNO. Investir dinheiro na bolsa de valores, montar uma franquia de coxinha, lançar marcas de roupa e maquiagem... Certeza que é tudo menos cansativo e se pá rende ainda mais. Vocês concordam? A Rihanna tá aí fazendo o mesmo.

Cantando agora em 3 idiomas, não me parece que Anitta esteja muito preocupada em agradar o fã Marcelo de 32 anos que mora em Curicica/RJ. Eu não me surpreenderia se o próximo cd da Anitta fosse todo instrumental com ela tocando banjo porque descobriu o instrumento numa viagem pelo mundo e quis experimentar.



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Posted on quinta-feira, abril 11, 2019 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 08, 2019

Em algum momento da vida, eu fiquei apaixonado por não-ficções. Sempre tive certo preconceito com qualquer coisa que beirasse a autoajuda, mas, de uns anos pra cá, um livro desses me marcou aqui, outro acertou em cheio ali, teve aquele que virou tudo de cabeça pra baixo... Não consigo evitar. Agora ler não-ficção pra mim é um grande momento. Sempre é um marco na minha vida, porque eu abraço os ensinamentos com todas as minhas forças e alguma coisa muda pra melhor. Fico melhor a cada livro.



Por isso, venho aqui compartilhar AS BÍBLIAS DA MINHA VIDA, meus gurus literários, os 4 livros que indico pra todo mundo + 1 bônus no final. Quase nenhum se encaixa bem na autoajuda, alguns possuem embasamento científico, a maioria dá dicas práticas e ensina pequenos ajustes que você pode fazer pra sua vida ficar melhor em diversas áreas.

Vamos lá?



1 - A Idade Decisiva (Meg Jay)

A mensagem desse livro parece bem simples: Dos 20 aos 30 anos é a fase mais importante da sua vida, saiba aproveitá-la. Ponto. Parece meio opressor, né? Mas o que a autora explica é nessa faixa etária que seu corpo está mais disposto, saudável, apto para realizar, o que também coincide com o maior número de boas oportunidades que aparecerão na sua vida. Não precisa entrar em pânico se já passou dos 30, a vida continua e também tem coisa boa pela frente. O fato é que Meg Jay explica que a maioria das pessoas vivem essa etapa da vida totalmente alheias à importância dela e quando chegam aos 30/40 se acham estagnadas na área pessoal e profissional. Pra que isso não aconteça, o livro traz dicas práticas de como orientar sua vida, fala dos vínculos fracos, que são as pessoas que podem impulsionar sua carreira, e mostra que, se você tem desejos para o futuro, seria melhor começar a correr atrás desde já.

Gente, eu acho esse livro maravilhoso. Foi por causa dele que consegui meu atual emprego e consegui tirar do além a ideia do Saia da Rotina, que hoje conta com 2 clubes do livro e 17 clientes.




2 - O Poder do Quando (Michael Breus)

Você sabe que no nosso corpo funcionam ao mesmo tempo milhares de relógios biológicos? Tudo no nosso organismo tem um horário certo pra funcionar perfeitamente e podemos aproveitar esses horários biológicos para realizar melhor nossas tarefas diárias. Existe um melhor horário pra cada tarefa nossa e, com pequenos ajustes, podemos aproveitar melhor nossa energia, nossa atenção, nosso sono e nossa saúde.

O autor é cientista do sono e divide as pessoas em quatro grupos: Leões (acordam muito cedo, dormem cedo), Ursos (vivem no horário padrão da nossa sociedade), Lobos (acordam tarde, vivem na noite), Golfinhos (pessoas com insônia e horários malucos). De acordo com seu biotime, o livro traz cronogramas específicos e muito bem detalhados sobre qual seria o melhor horário para dormir, acordar, se exercitar, trabalhar, transar, comer e uma série de outras coisas. Fazendo as coisas na hora certa, você faz melhor. Dormindo melhor, você melhora 90% da sua vida.

Foi por causa desse livro que eu diminuí meu consumo de café, passei a jantar às 18h da tarde e ganhei pelo menos 4h extras de tempo livre por dia. Consigo aproveitar muito melhor meu tempo acordado. Nada de meter o pé na jaca no domingo e se sentir um lixo na semana seguinte.

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3 - O Poder dos Quietos (Susan Cain)

Se você é uma pessoa introvertida, saiba que esse livro é o mais importante dessa lista pra você. Se puder ler só um, leia esse. Porque, gente, QUE TRANSFORMADOR. Eu comecei pensando "Ser introvertido é uma merda" e terminei berrando "EU TENHO SUPER PODERES, COITADO DE QUEM É EXTROVERTIDO KKKKK". Susan Cain traz centenas de experimentos científicos que provam por A + B que ser introvertido tem lá suas qualidades. Na verdade, muitas qualidades. É uma benção disfarçada.

O fato é que a nossa sociedade é moldada para valorizar pessoas extrovertidas e suas características, mas a verdade é que na prática a pessoa mais falante, mais sociável, mais eloquente nem sempre tem as melhores ideias ou é a mais observadora ou a melhor amiga. Geralmente esses são os introvertidos.

Não é uma guerra também. A autora deixa claro que ambas personalidades possuem vantagens e desvantagens e que o livro existe para que os introvertidos saibam das ferramentas que possuem naturalmente. O livro traz exemplos práticos e relatos pessoais sobre gente que, abraçando sua introversão, soube explorá-la ao máximo para lidar com a vida no mundo dos extrovertidos.

EU AMO ESSE LIVRO, LEIAM PELO AMOR DE DEUS.





4 - A Arte de Pedir (Amanda Palmer)

Provavelmente o mais famosinho da lista, A Arte de Pedir também é o mais coração. Não é muito do embasamento científico, é um livro pra você sentir na alma com todo seu ser. Bem além de ajudar os leitores a terem a coragem necessária para pedir o que precisam, o livro é sobre ter coragem de ser quem você já é. É sobre vulnerabilidade, sobre aceitar riscos, sobre se abrir para as pessoas e deixar elas te conhecerem de verdade.

O livro também é uma mini-biografia da Amanda Palmer. Cantora, compositora, ex-estátua viva, empreendedora, esposa do Neil Gaiman e uma das pessoas mais interessantes que já ouvi falar. Ao longo de relatos pessoais próprios, Amanda vai nos mostrando a diferença que faz abaixar um pouco nossas barreiras e aceitar as ajudas que nos oferecem.

Aliás, se você faz arte de qualquer tipo, esse é o seu livro da lista.

Se prepare pra chorar e refletir muito sobre o modo que você tem vivido até hoje. Esse é o livro que mais comprei na vida. Dou de presente e empresto pra um monte de amigo.

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BÔNUS: Alma Sobrevivente (Philip Yancey)

Bônus porque esse é um livro cristão direcionado exclusivamente para cristão e sei que a maioria das pessoas lendo aqui compartilha da mesma fé.

Alma Sobrevivente é pra quem sabe que a instituição igreja anda bem problemática e conhece de perto histórias HORRÍVEIS sobre pastores, líderes diversos e membros em geral. O que a Bíblia diz e o que a igreja faz parece meio diferente, né? Isso traz bastante desesperança.

No livro, Philip Yancey fala de cada um dos seus mentores espirituais, alguns deles nem cristãos são, mas são pessoas que ele enxerga como bons exemplos de que o mundo e a religião ainda tem salvação. É pra dar up na fé, sabe? Principalmente pra você que quer continuar conhecendo mais de Jesus, mas não sabe como já que as igrejas, ao seu ver, parecem completamente doidas.

Comprar na Amazon: em Português | em Inglês | Leitura gratuita por 30 dias


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É isto! Espero que eles façam tanta diferença na vida de vocês quanto fizeram na minha. Me contem quando estiverem lendo!

Além disso, comprando pelos links aqui do blog,  vocês fazem um blogueiro feliz (dinheiro) e, assinando o Kindle Unlimited (Mais de 8 mil ebooks pra você ler no seu Kindle/celular) gratuitamente por 30 dias, me fazem mais feliz ainda. Façam o teste gratuito do Unlimited, gente! Eu imploro. É gratuito mesmo, 0 pegadinhas.

Boa leitura!




OUTROS TEXTOS

Posted on segunda-feira, abril 08, 2019 by Felipe Fagundes

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