Um tempinho atrás eu comentei aqui no blog que eu não sabia namorar. Parece que o mundo gira, né, menina? Talvez eu continue não sabendo, mas agora tô no mínimo me esforçando pra aprender.


Ainda acho estranho quando abro a boca e solto casualmente no meio de uma conversa com amigos "Ah, outro dia eu tava com o meu namorado e...". Ainda não fizemos aparições públicas pra eu ter que apresentar "Esse daqui é o meu namorado", mas eu já estou ansioso por este momento. Acho que preciso de prática.

Eu sei que namoros, namoradas e namorados fazem parte da vida de todo mundo desde a adolescência, mas, pra mim, com 27 anos, é uma coisa completamente nova. Às vezes eu tô com ele e me dá um estalo. AI, MEU DEUS, você é meu namorado??? Sim, Felipe. E eu sou o seu??? Sim também.

Quando ele me pediu em namoro, eu hesitei muito. Pedi tempo pra pensar. Dias. Entrei numa espiral de desespero. Chorei ao telefone, e é impressionante como em 2018 eu chorei exclusivamente por causa de homem. Não era porque eu não queria me relacionar com ele. Eu AMO este homem e já estávamos juntos há um tempo razoável. Cinco meses de conversas maravilhosas, de encontros divertidos, de carinho, de abraços, de sinceridade, de DRs deliciosas. Cinco meses desse trem cafona de bom dia bb que é uma coisa que descobri que amo. Nada contra Arthur, tudo contra namorar.

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Cresci rodeado por uma comunidade cristã, digamos assim. Todo meu círculo social mais próximo vinha de lá. Eu acompanhei mais de uma dúzia de relacionamentos e, gente, até hoje não me parecem bons. Casais que brigam TODO DIA, mulheres implorando migalhas de carinho, homens sendo obrigados a fazerem coisas que não querem, gente ciumenta do naipe o fulano não poder sair com amigas e a fulana ter que excluir todos os homens do Facebook. O tanto de discussão ridícula entre namorados que já presenciei não está no gibi. Os dois lados tristes, mas ninguém largando o osso. Só fotão e declaração romântica no Facebook. Deus me livre DEMAIS.

Falei tudo isso pro Arthur, porque esse é meu jeitinho. Derramar tudo na conversa. A resposta dele me faz rir até hoje.

- Felipe, você só conhece relacionamentos héteros. Somos GAYS. Não fazemos assim.

BERRO.

Então resolvi pagar pra ver.

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Arthur ama Pokémon e, num dia qualquer aí, eu e ele fizemos um teste no Buzzfeed: Qual Pokémon te representa? Um clássico. O dele deu Pikachu, o meu deu Machamp. Quando eu já estava SEM IDEIAS do que dar de presente de aniversário a ele, recorri a isso. Foi mesmo uma medida desesperada, porque eu não sei dar qualquer presente assim. Estava quase não dando nada, mas ele tinha me dado o melhor presente que alguém poderia me dar (meias felpudas de bichinho), então eu tive que me ESFORÇAR. Fui até o INFERNO buscar um ilustrador de pokémons e pela primeira vez na vida contratei um. Achei chiquérrimo.

Arte do Luve! Recomendo demais!

Nosso primeiro encontro foi numa roda gigante. Valeu cada centavo pelo brilho no olho do Arthur. Ele agora acha que sou atencioso e romântico.

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Pra história ficar mais fofinha, eu geralmente omito que o teste na verdade era qual Pokémon te representa na cama. Com que cara eu ia contar isso pro ilustrador?

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Achei que eu fosse ser um expert em namoro, que faria tudo certo logo de cara pelo tanto que já observei dos meus amigos. Ledo engano. Mas vou me dar algum crédito porque acho que eu e Arthur desviamos dos erros mais comuns, tipo tratar o outro como se fosse uma propriedade e não saber conversar. Fora isso, já cometi uns deslizes, mas conversamos e nos resolvemos (Arthur, favor não me desmentir em público). Namorar também desencadeou em mim umas coisas que eu nem sabia que eram questões pra mim e que com certeza vou levar pra terapia. E olha que eu nem faço terapia, gente.

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Eu ponderei tudo e aceitei. No fim das contas, é tão legal! Eu amo a intimidade que se cria em tão pouco tempo. Não sei explicar. Não estou falando de sexo e afins, mas tem coisas que eu só tenho coragem de fazer e dizer em voz alta na frente do Arthur. Acho que nos respeitamos muito bem. Não sei o que ele está aprendendo comigo, mas aprendi com ele a comer cebola e assistir Netflix. Às vezes é simplesmente necessário ter alguém por perto a quem você pode abraçar.

Estamos há quase 7 meses juntos e não sei mesmo o que o futuro nos reserva. Dá um frio na barriga, gente. Tenho medo de estragar tudo. Ele diz que eu penso demais no futuro e que é bom vivermos o presente. É claro que eu penso DEMAIS, essa talvez seja minha característica principal.

Me desejem sorte no amor. Nunca fui de ligar pra jogo mesmo.



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