Acabou do jeito que começou: Comigo tomando uma atitude que mudou tudo. Acho até bem simbólico.


Sim, gente, tô dizendo que a minha história com o @ encerrou. Foram quase três meses de uma montanha-russa de emoções, e eu sei que essa expressão é um clichê batidíssimo, mas aqui eu me sinto obrigado a usá-la. Ainda mais que agora eu já fui numa montanha-russa e sei do que estou falando. Muitos altos, muitos baixos, curvas de acelerar o coração, momentos de desespero e velocidade o tempo todo. O começo da montanha-russa sempre engana, porque ela começa andando devagarzinho até que vem o primeiro precipício e aí não para mais. Também já faz quase três semanas que acabou, eu juro que estou bem. Vocês não precisam me consolar nem me mandar encher a cara de sorvete ou sei lá.

Acho que eu e ele, nós dois, entendemos que agora não dá pra gente. Talvez daqui a um ano ou dois. Talvez nunca. Mas eu tinha um milhão de motivos para não me permitir viver isso, ele também tinha os dele, mas insistimos, arriscamos, fomos bem felizes por uns momentos, até que eu não fui mais. Não me arrependo, faria quase tudo do mesmo jeito de novo e estou muito satisfeito com finalmente ter atravessado essa linha da vida afetiva. Também tenho orgulho de ter identificado que estava na hora de acabar antes que acabasse de uma forma ruim.

Não acabou de uma forma ruim.

Eu chamei para conversar, sentamos um de frente para o outro, eu olhei no fundo daqueles olhos e disse. Ok, não foi bem assim, porque era difícil pra mim encarar aqueles olhos. Eu enrolei pra dizer, eu desviei o assunto, eu tentei dizer aquelas palavras finais umas três vezes. Eu comecei a chorar antes de conseguir dizer e, meu Deus, gente, eu nunca choro. Acho que foi a primeira vez que chorei nesse ano. Eu nem lembro qual foi a última vez que chorei antes dessa, porque eu realmente nunca choro. Mas eu chorei e continuei chorando e, nossa, que experiência. Eu nem sabia que esse negócio de voz embargada era real. A gente tenta falar e não consegue. Fui tão pego de surpresa pelas minhas próprias lágrimas que comecei a rir dizendo "Eu nunca choro kkkkk Sério, nunca, não sei o que tá havendo kkkk". Patético e maravilhoso.

Ficou claro pra mim que eu gostava muito dele e que, quando eu dissesse "Acho que devemos ser só amigos" em voz alta, eu estaria abrindo mão daquela pessoa.

Sou um caso raríssimo de página em branco, sabe? Sou livre o suficiente pra gostar de uma pessoa e só dela e ter muitos sentimentos por ela e demonstrar isso e contar na internet. Eu era e ainda sou 100% disponível e pronto pra tudo. Ele era, sei lá, 50% disponível, meio preso em histórias do passado, meio sem saber o que queria, meio querendo... Sinto que ele até queria me entregar mais, ele sabe que eu mereço mais e se desculpou por isso, mas não tinha pra dar. Acho que, se eu continuasse insistindo, seria um eterno eu me sentindo deixado de lado e ele se sentindo cobrado. Foi melhor pôr um ponto final enquanto a gente ainda se gosta como pessoa.

Mas, aí, claro que eu chorei, porque eu estava com meu pássaro na mão, e era um pássaro bonito, legal, compreensivo e honesto, um senhor pássaro, mas iria trocá-lo por dois pássaros voando. Porque eu mereço aqueles dois pássaros voando. Nossa, eu mereço todos os pássaros do mundo. Eu não aceito menos que dois pássaros. E se o @ no momento só tem um pássaro pra me dar... É matemática básica, gente. Mas coração não sabe fazer conta. Chorei, respirei, me recompus e falei. Só amigos.

***

Ninguém morreu, ninguém brigou, a Terra continuou girando pro mesmo lado. Acho que saímos de lá melhor do que entramos.

As lembranças boas são mais numerosas que as não tão boas assim. A animação para o primeiro encontro da minha vida, aquele momento inesquecível na torre, as experiências que tive guiadas pelos nossos desejos, as coisas bonitas que a gente disse e todas as vezes que cheguei em casa com um sorriso bobo no rosto. Foi bom enquanto durou, ainda é bom agora que não dura mais.

Realmente espero que a gente siga em frente do melhor jeito possível. Até porque, agora que comecei, não tenho mesmo nenhuma intenção de parar.




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