segunda-feira, maio 14, 2018

Acho que, de todas as histórias de término de namoro que já ouvi, menos de meia dúzia foram tranquilas e fáceis. Pela minha pesquisa de campo, términos são mesmo uma morte horrível, mas uma morte que faz parte da vida e, em 99% das vezes, ninguém morre de verdade. Esse que é o bom, sabe. A única coisa que morre é um relacionamento que já não era lá grandes coisas. Quase sempre há dor para os dois lados, mas depois bate aquele alívio e a vida segue, a fila anda. Términos de namoro são necessários porque finais bem fechados são necessários.


Já faz um tempo que ando pesquisando no Google como se terminar uma amizade. Muitos não sabem ou fingem que não sabem, porém, feliz ou infelizmente, amizades acabam também. Só que não tem nem um jeito horrível de terminar, muito menos um tranquilo e fácil. Amizades acabam, mas não acabam direito. Ou é uma briga tensa que deixa muitos feridos ou as pessoas simplesmente param de se falar e dois anos depois é como se elas nem se conhecessem, mas elas se conhecem. Então fica todo mundo confuso.

Pior ainda é que a gente entende que, se a pessoa que terminou com você entrou num relacionamento monogâmico, ela não está mais disponível. Vocês não vão acontecer por agora. Mas, numa amizade, tecnicamente não há nada impeça duas pessoas de serem amigas para sempre, então sempre há uma promessa de retorno da amizade pairando no ar após a perda do vínculo.

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Admito que tenho minha cota de amizades perdidas. Umas a vida carregou sem nenhum esforço meu, outras me deixaram falando sozinho, algumas eu que corri pra bem longe pela minha própria sobrevivência. Ainda teve aquelas que acabaram do nada e, quando eu percebi, já havia passado muito tempo e senti que era tarde demais. O término vem, mas a gente não sente direito que veio. A ficha não cai.

Tinha dois amigos que se mudaram pra longe e nunca mais tive o que falar com eles. Tinha outro amigo que foi muito importante pra mim em várias fases da minha vida, mas me puxava tanto pra baixo com comentários irritantes que foi uma das decisões mais difíceis da minha vida dizer adeus. Teve uma amiga que fez eu me sentir tão usado que o ranço foi demais. Já bloqueei um grupo inteiro de pessoas. Tem uns que com o tempo ficaram muito diferentes e viraram pessoas que eu não reconhecia mais. Alguns eu ainda tenho vontade de ter por perto de volta, mas a vontade morre quando lembro por que acabou. Tenho amigos que viraram conhecidos. Pessoas com as quais simplesmente parei de me esforçar para estar presente, ninguém veio me procurar também. Alguns me chamaram de volta, contudo, eu não quis mesmo, porque doía muito.

Viu? É péssimo.

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Confesso que já fiz ghosting. Você sabe, o famoso ir saindo de fininho. Responder cada vez menos, com menos entusiasmo, furar os rolês, não interagir nas redes sociais, deixar pra lá datas importantes, não ter nada de novo pra contar... É o afastamento por desinteresse. Algumas pessoas se tocam que você não quer mais nada, outras ficam remoendo e insistindo. Eu fico muito em dúvida se as pessoas merecem uma explicação em nome da amizade, se elas precisam saber mesmo o que houve, mas às vezes a explicação não existe ou é só "Não quero mais". Enjoei. Você ficou chato. Não tenho mais vontade de ouvir nada do que você fala. Aí fica aquela agonia de coisa mal terminada, a amizade morta como uma alma penada.

Também já disse com todas as letras que queria me afastar e que cada um seguisse seu rumo. Funcionou tão mal quanto o ghosting. O que não era para acabar numa briga hostil, porque eu queria um final pacífico, acabou. Foi horrível pra mim e pra pessoa, porque eu não queria machucar ninguém. Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais.

Não sei qual seria minha escolha se eu tivesse que decidir como meus amigos deveriam terminar comigo. De qual tiro eu me recuperaria mais rápido?

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Simplesmente não existe um jeito bom de terminar uma coisa que não precisa nunca terminar. Num namoro, a gente entende. Você quer novas experiências, novos ares, vocês pensam o futuro de forma diferente, você tem interesse em outras pessoas, não tá funcionando, você não sabia que morar junto ia ser tão puxado... Aí você termina. Mas na amizade... Você pode ter quantos amigos quiser, vocês não precisam nem ter gostos parecidos, não precisam se ver com muita frequência, não tem que se falar todo dia. É um relacionamento de baixa manutenção se for comparar com um namoro ou um casamento. Aí, MESMO ASSIM, você quer terminar? Parece um drama ridículo. Ninguém recebe bem.

Não estou planejando terminar nenhuma das minhas amizades, mas a gente nunca sabe quando vai precisar se afastar e deixar aquela pessoa que agora é muito legal ir embora. Se algum dia vocês descobrirem o jeito mais fácil, ou melhor, menos difícil de terminar uma amizade, me contem.

Por favor.



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, maio 14, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 08, 2018

Pra quem tá chegando agora, vamos recapitular? Vamos.

Eu tinha um emprego legal. Daí enjoei dele e troquei por outro. Eu mudei de cidade por causa desse emprego novo, eu vivi com todo meu coração, eu tive umas crises por causa da pressão e por não me achar bom o bastante. Aí fui demitido. Risos. E fiquei sem nada. Nem a casa na cidade nova dava para manter, porque, né, sem dinheiro.

Ainda bem que a minha vida pelo menos é uma caixinha de surpresas.



Eu tenho uma amiga Jéssica. Aquela amiga Jéssica. Daí que Jéssica é da mesma área que eu e também estava procurando emprego. Foi numa entrevista, o pessoal gostou dela, mas... acho que ela não gostou do pessoal Hahahahah Recusou a vaga, mas mandou um "Olha, não tenho interesse, mas eu tenho um amigo...". Quiseram conhecer o amigo dela. Sim, eu mesmo. Mandei meu currículo com o assunto "Indicação da Jéssica", sendo que ELA NEM TRABALHA LÁ.

Fui pra entrevista me sentindo o rei do networking. Gente, dispensem os contatinhos. Vamos investir no contatos profissionais pois rendem bem mais.

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Na entrevista, respondi todas as perguntas da moça do RH. Contei da minha história de derrota e demissão, mas obviamente jogando a luz positiva do EU ASSUMI RISCOS e FUI ATRÁS DO QUE EU QUERIA. Acho que colou. Não é mentira, aliás. Só sei que no meio da entrevista rolou um:

- Eu vejo em você esse ar aventureiro e desbravador. Dá pra sentir.

Gente Hahahah Todo um perfil psicológico traçado ali. Eu desmenti? Não desmenti. Inclusive assumi o papel. Ela continuou.

- Você me lembra muito minha filha.
- Oi?
- Minha filha também é assim, uma aventureira, que corre atrás dos próprios sonhos!

Juro pra vocês que a mulher ficou uns 10 minutos contando das aventuras da filha dela. Teve uma hora que eu fiquei pensando "Gente, não era pra estarmos falando sobre mim?", mas tava amando a história e a intimidade. Tava esperando que a mulher não eliminasse do processo seletivo a própria filha, né.

Teve um segundo entrevistador que veio com a camisa do avesso. Acho que meu cérebro ficou 50% focado em responder as perguntas técnicas e 50% intrigado com a possibilidade daquela camisa do avesso ser um teste. Aviso ou não aviso? O QUE ISSO DIZ SOBRE MIM? Ninguém prepara a gente para esses dilemas da vida adulta.

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Gente, vocês acreditam que CONSEGUI UM EMPREGO NOVO? Não apenas isso, mas MELHOR que o anterior? Melhor em tudo. Benefícios, salário, atividade, saúde mental... Parece até mentira. É CARTEIRA ASSINADA QUE FALAAAAAA.

A Firma anterior era muito popzinha e desafiadora, mas eu me sentia o BURRO da equipe. Agora meu líder me chama de criança prodígio, porque voltei a trabalhar com algo que conheço e honestamente me sinto arrasando mesmo. Eu tô mais tranquilo, mais feliz e mais animado com a minha carreira. Sei que, quando se fala de trabalho, nunca que tudo será flores, mas tô achando promissor.

No meu primeiro dia na empresa, eu cheguei falando para minha bff do RH "Oi, Fulana, tudo bem? Como vai sua filha?".

Rolam coisas desse tipo também:




Então acho que é bom.

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Ainda não passei do período de experiência, portanto tudo pode acontecer. Mas sinto que não virá um tombo (na Firma anterior, toda semana tava lá eu achando que ia ser demitido). Já assumi umas posições importantes, dá pra ver que contam comigo e até se preocupam se estou gostando do trabalho (isso porque eu contei que pulei fora daquela primeira Firma porque estava entediado). Acho que agora vai.

O melhor de tudo é que minha permanência no Rio de Janeiro está garantida. Minha casa, meus amigos, meus novos negócios... Gosto assim.



OUTROS TEXTOS

Posted on terça-feira, maio 08, 2018 by Felipe Fagundes

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