Quem leu leu, que não leu não lê mais, pois acabo de guardar nos rascunhos aquele post pré primeiro date da minha vida. Ele é só meu agora.

Gente, esse negócio de sentimentos. Que coisa, né.


Ai, transbordei mesmo. Esse lance de eu me interessar por uma pessoa já interessada em mim ainda é tão novo que acho que me apaixonei pela situação. Sabe, idealizei bastante, me apropriei de tudo que aprendi na TV e nos livros, me enchi de, sei lá, efusividade e pari aquele texto.

Voltei pra ler aquilo que escrevi e achei assustador. Acho que se o @ cai naquele texto, foge pra bem longe. Eu menti naquele texto? Não menti. Mas dois encontros depois, muitas conversas honestas, propostas indecentes que eu adorei e uma DR, acho que já estou mais tranquilo e posso entender melhor meus sentimentos.

É uma morte tão horrível e maravilhosa que eu nem sei que conselho daria pra quem por acaso estivesse pensando "Humn... Será que esse negócio de sentimentos românticos vale a pena?". Não sei mesmo.

***

Ele pegou minha mão no cinema.

A gente estava dividindo uma pipoca e por uns vinte minutos de filme eu tinha até esquecido que estava num date e acho que, se não fosse aquela mão procurando pela minha de repente, acho que era capaz de continuar tudo na mesma até o final. Deus abençoe aquela mão desesperada. Eu agarrei com vontade, foi meio estranho, os dedos não estavam bem posicionados e eu tive vergonha de não saber nem segurar uma mão. Teve um momento que eu falei "Meu Deus, pera" e devagarzinho ajeitei os dedos. Primeiro um dedo dele, depois um meu, um dele, um meu. Organizando direitinho, deu espaço pra todo mundo.

Talvez vocês que já estão acostumados a pegar nas mãos das pessoas achem isso meio idiota, mas, nossa, eu adorei. Duas mãos. Juntas. Dedos acariciando minha pele, eu copiando movimentos, como sempre.

Não lembro bem como a coisa evoluiu, mas em nenhum momento reclamei por ela ter evoluído, ainda mais que tive várias primeiras vezes. Primeira vez que acaricio o braço de alguém. Primeira vez que colocam o braço em volta de mim no cinema. Primeira vez que deitei romanticamente num ombro. Primeira vez que alguém segura meu queixo.

- Isso foi um selinho?
- Foi.

Primeira vez que dou um selinho.

***

Saí daquele cinema achando que podia TUDO. Só fui descobrir um pouco depois, para minha tristeza, que não podia muito não. Demonstração de afeto em público se você e sua pessoa são do mesmo gênero ainda é uma questão em 2018. Eu não tinha ideia. Admito que achei meio bobagem no começo, porque, pelo amor de Deus, a gente só queria se abraçar! Mas notei que o @ ficou tenso em alguns momentos, olhava pra todo lado, esperava as pessoas passarem para me tocar... A gente literalmente teve que caçar lugar pra continuar o que o fim do filme parou. Até eu fiquei com medo depois de surgir um maluco e quebrar uma lâmpada nas minhas costas. Onde estou me metendo, gente?

***

Não sei se existe um deus ou santo LGBT, mas, se existe, aquele parque é abençoado por ele, porque eu pesquisei muito onde rapazes que beijam rapazes podiam ser felizes em paz e várias fontes me indicaram o parque. Não estavam enganados.

Antes eu estava só procurando um lugar mais reservado no meio daquelas trilhas e ruínas, mas acabamos entrando numa torre e, CARAMBA, aquela torre. Era coisa de filme. O parque todo parece coisa de um filme que eu escrevi pra eu mesmo protagonizar. Existe essa torre no meio do nada, de um cômodo só, bem rústica. Mas em cada pedacinho de parede há mensagens de amor escritas por visitantes. Letras diferentes, cores diferentes, romances diferentes. Eu fiquei doido querendo ler tudo. Poemas, letras de músicas, frases cafonas, mas que ali dentro pareciam lindas, pedidos de volta-pra-mim... Algumas eram meio diretas tipo "ADORO PICA ME ADD NO ZAP", mas tudo bem, eu ri. Tinha até um Fora Temer, talvez uma mensagem de amor pelo Brasil. O @ pegou na minha mão de novo e me tirou da realidade, porque eu fiquei que nem um panaca olhando paras as paredes e para o teto, quando tinha o @ o tempo todo ali, que era muito mais interessante.

Meu primeiro beijo de verdade foi numa torre cheia de mensagens de amor. VOCÊS TÊM NOÇÃO?

O segundo foi também, o terceiro, o quarto. De vez em quando surgia uma pessoa aleatória, e a gente ficava NOSSA, OLHA ESSA PAREDE, daí a pessoa ia embora e continuávamos no quinto, no sexto e no sétimo beijo.

Alguns acontecimentos dessa torre eu quero só pra mim.

***

A parte ruim é o depois. A incerteza. Eu sempre bati no peito pra dizer que o ÚNICO jeito possível de eu me envolver com alguém seria através de uma amizade, porque não tem como criar nada com gente desconhecida e que não me conhece. Errei feio. Mas com uma pessoa que faz parte da minha realidade seria muito mais fácil. Um amigo que mora na minha rua, alguém que trabalha comigo, alguém que vejo com frequência e sei que amanhã estará lá pra mim querendo ou não. Não foi nada como planejei. Já entrei numas paranoias de achar que acabou tudo, de que não vai pra frente, de que somos muito diferentes... Às vezes eu acho que ele não quer mais nada. Em outras, parece que EU é que perdi o pique e enjoei. É chato porque não dá pra fazer muitos planos, e eu AMO planos, mas é o que tem.

Quando a gente conversa, tudo volta ao lugar. Mas depois sai. E se ajeita de novo. É um inferno bem gostosinho.

***

Não sei mesmo para onde a coisa toda vai. Vocês que já estão calejados dessa vida de romance e encontros devem saber melhor do que eu. Estou gostando, mas, caramba, tão difícil às vezes. O conselho que mais de uma pessoa me deu foi o de curtir o momento. Ainda é tempo de pensar só no agora. Um dia de cada vez. Curta os encontros. Viva o que tiver para viver. Ninguém vai morrer se acabar, e existem um milhão de coisas que podem dar um fim em tudo, mas eu vou sobreviver. É assim esquisito mesmo, me disseram. Eu sei que eu quero mais e não é pouco mais não. É muito mais. Se o @ quiser, eu quero. Se ele não quiser, paciência.

Me surpreende que pessoas comecem a namorar já na adolescência. Isso é coisa que nem adulto sabe lidar direito.


UPDATE: Tirei o tal post dos rascunhos porque o @ já tinha lido tudo sem eu saber. RISOS. Bom, ele não fugiu.



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