segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Recapitulando fatos importantes: Eu tenho 26 anos, sou assexual, nunca me relacionei romanticamente com ninguém, nunca beijei na boca. Obviamente, sou virgem de todas as formas possíveis. Nunca senti falta de nada disso.

Aí não sei por que marquei esse date.



Nem acho que vou morrer nem nada, inclusive já sobrevivi a situações mais adversas, porém tô nervoso como nunca. Eu sempre fugi de dates. Essa coisa de você deixar evidente que quer um relacionamento, de tentar impressionar a outra pessoa, essa pressão de se vai ter beijo, se não vai, se vai ter segundo encontro, se vai rolar química... Só a teoria já me mata, e eu jamais em sã consciência me colocaria numa situação dessas. É muita exposição, é muito ser o centro das atenções, eu não sei, a minha cara arde só de imaginar. Eu até evito sair em dupla com amigos, sempre monto trios ou grupos, não sei se vocês já repararam. Mas aí tem esse date e muitas questões.

Primeiro, eu já disse que vou nesse date com um rapaz? Pois vou com um rapaz. Não sei se é um choque pra alguém.

Nunca saí com rapazes, mas também nunca saí com moças. Risos. Algumas pessoas juram de pé junto que sou gay, e eu até acreditei por um tempo. Acho que já falei com uma dúzia de pessoas que acho rapazes interessantes. Mas aí eu conheci gays de verdade e, gente, acho que não funciona pra mim não. Óbvio que conheci héteros e definitivamente não funcionou também. Sempre existe um vão imenso e, mesmo sabendo que alguns assexuais conseguem se identificar como homo/heterorromântico, eu nunca me classifiquei nessas categorias, até porque nunca precisei. Tava aqui esperando, né: o dia que rolar um sentimento, rolou. Aí estou lidando com esses dilemas de, oh, meu Deus, rapazes, o que vão pensar, serei obrigado a ver a mangueira entrar? socorro preconceito e blábláblá.

Eu quando converso com amigos gays sobre dates


Eu quando o amigo é hétero

Tem também a questão de que eu nunca estive nessa posição de gostar e ter interesse nas pessoas. As pessoas que sempre gostam de mim. Risos. Mas é sério. Um dos dramas menores da minha vida é esse de eu nunca ter sido capaz de retribuir de verdade os flertes e as investidas que recebi ao longo da vida. Parece ridículo da minha parte dizer isso, mas, em quase todo lugar que eu vou, tem uma pessoa apaixonadinha por mim sei lá por que. Tanto meninas quanto meninos já pediram pra namorar comigo, já fui pedido em CASAMENTO, já quebrei o coração de alguns, já vi gente CHORAR por causa de um não meu, também passei pela saia justa de ouvir um "Você quer me beijar?" meio safadinho e ter que responder com um "QUE??? Não!". Enfim. Não que eu me ache o rei da cocada preta, são apenas os fatos. Também não entendo esse sucesso. Deve ser meu brilho natural.

Mas aí surgiu esse rapaz do nada, fez umas investidas, eu recusei gentilmente e comentei sobre assexualidade. Ele ficou animado e disse que é demissexual. Papo vai, papo vem e ficou por isso mesmo. Só que aparentemente fiquei falando do moço o tempo todo, e meus amigos ficaram meio:

- Felipe??? Você está apaixonado por este rapaz?
- EU??? kkkkkk Claro que não kkkkkkkk Ai, ai kkkkkkkkkk
- ...
- Nossa, gente, só por que eu cito o nome dele de hora em hora e às vezes desejo que ele estivesse aqui perto de mim e gosto de ficar olhando as fotos dele e acho ele bonito e amo a voz dele e existe alguma coisa misteriosa acontecendo dentro de mim que me faz ter sentimentos que nunca tive e está me consumindo?
- ...
- Eita, ferrou.

Então, SEI LÁ, marquei o date. Já me arrependi umas 10 vezes e no momento me pergunto se é socialmente aceitável fingir que morri pra não ter que aparecer.

SERÁ QUE É AMOR? TÁ TÃO DIFÍCIL DE ESCONDEEEEER, OOOOOH, OLHA O QUE O AMOR ME FAZ, ME DEIXA SEM SABER COMO AGIR, OOOOOHHHH, é o que fica tocando na minha cabeça o tempo todo enquanto vou ao shopping comprar uma brusinha nova para o date. Fui no Google pesquisar "Como agir num primeiro encontro no cinema" (inclusive, achei dicas kkkkk) Eu me sinto muito ridículo quando vejo que rapaz não está online e permaneço encarando a tela do computador, esperando a bolinha ficar verde. Fico vermelho se tiver que contar pessoalmente essa história toda pra alguém. Todo mundo acha fofo enquanto reflito se quero morrer. Eu tô muito "Pai, afasta de mim esse cálice, mas, se quiser, aproxima".

Não sei mesmo como vai ser. É um sentimento muito novo pra mim, eu nem sabia que era capaz de sentir isso, gente. Então é ASSIM que aquelas pessoas otárias nos livros, filmes e na vida real se sentem o tempo todo? SOCORRO. Eu e rapaz nos vimos pessoalmente uma única vez, trocamos 5 palavras. Acho que nem temos um vínculo forte. Eu consigo fazer um top 5 amigos com quem converso e compartilho coisas mais do que com ele. Há vários obstáculos entre a gente (lugares onde moramos, diferença de idade, orientações sexuais tecnicamente desfavoráveis, eu ser maluco etc) e eu não sei por que tô me prestando a esse papel, mas existe essa ATRAÇÃO MISTERIOSA que eu não sei explicar. Ou vai ser muito bom ou vai ser muito ruim, uma fonte eterna de dor e sofrimento.

Vai ver é karma voltando depois da meia dúzia de corações que sem querer já parti.

Se hoje for segunda-feira, dia 19/02/2018, o date é hoje à tarde e aceito todas as dicas possíveis. ME SALVEM. Se eu sobreviver, volto num futuro próximo com mais notícias.



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Posted on segunda-feira, fevereiro 19, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, fevereiro 06, 2018

Foi há 84 anos que Helena me indicou para esta tag e talvez todos os envolvidos nela já estejam mortos, mas aqui estou para comentar detalhes exclusivos dessa vida de escritor cheia de glamour.



Mentira, gente, nem tem glamour nenhum, mas essa tag precisa ser respondida porque eu já estou com vergonha do tanto que posterguei. Finjam que estão muito interessados nas respostas.

(Fui verificar, e quem criou essa tag aqui no Brasil foi a Pam Gonçalves. Ela passa bem, obrigado)

ONDE EU ESCREVO?

Onde eu NÃO escrevo, né, gente? Esse lance do lugar ideal e único nunca rolou pra mim. Eu escrevo onde posso. Não sei nem dizer onde eu prefiro. Escrevia de madrugada no meu quarto em Nova Iguaçu, escrevia no trabalho antes do meu expediente começar, passei a escrever no ÔNIBUS quando não estava mais rolando as opções anteriores (app Evernote, juro) e por aí vai. Também escrevo num caderno de papel quando me dá vontade.


COMO VOCÊ SE ISOLA DO RESTO DO MUNDO ENQUANTO ESTÁ ESCREVENDO?

Fecho a porta.

COMO VOCÊ REVISA O QUE ESCREVEU NO DIA ANTERIOR?

Deus me livre revisar o que escrevi 24 horas atrás. Só reviso os capítulos quando vou enviando para as betas e depois quando já escrevi tudo e chega a hora de editar. Eu escrevo tão despreocupado que nos meus textos originais tem um monte de [DESCREVER ROUPA DE FULANA AQUI] e [CONTAR COMO CICLANO MORREU, ESTOU SEM VONTADE DE ESCREVER ISSO AGORA]


QUAL A SUA PRIMEIRA ESCOLHA DE MÚSICA QUANDO NÃO ESTÁ SE SENTINDO INSPIRADO?

Jura que música serve pra isso? O que me inspira é ver gente falando sobre escrita (Por isso que recomendo demais assistir palestras, workshops e seguir autores, principalmente iniciantes, nas redes sociais) e ler trechos dos meus livros favoritos.

O QUE VOCÊ SEMPRE FAZ QUANDO ESTÁ LUTANDO CONTRA O BLOQUEIO DE ESCRITA?

Falo AMANHÃ SERÁ MELHOR, ADEUS. Geralmente é mesmo. Mas os meus bloqueios de escrita são todos pelo mesmo motivo: estou achando a história chata. E eu achar a história chata é um problema, porque eu tenho que ser meu fã número 1. Então, antes de sentar pra escrever, eu fico o dia todo pensando em como deixar a história mais empolgante pra mim. Só escrevo quando descubro. Às vezes é inventar algo novo, cortar um personagem ou mudar o foco. Lembro que Não Sei Lidar com Malas não estava andando no começo, os protagonistas eram Breno e Maria. A parte da Maria era maravilhosa, mas a do Breno... Insisti bastante, até que desisti e promovi Lídia como protagonista. Breno virou figurante. A história voou.

Só para constar, eu tenho poucos bloqueios na hora de escrever, porque sempre planejo antes. Sou desses que planeja. Agora mesmo estou escrevendo o capítulo 11 da minha história nova e já tenho planejado até o 16.

QUAIS FERRAMENTAS VOCÊ USA ENQUANTO ESCREVE?

Google Drive, meu caderno de ideias e meus rascunhos no Gmail (nossa, uso pra criar mil fichas).

QUAL A ÚNICA COISA QUE VOCÊ NÃO PODE VIVER SEM DURANTE A SESSÃO DE ESCRITA?

Depende do momento. Teve uma vez que fiquei em pânico porque esqueci meu caderno de ideias sei lá onde e meu planejamento estava todo lá. Estava escrevendo um capítulo que eu já sabia o que acontecia, mas nos próximos eu não tinha ideia. Graças a Deus achei meu caderno antes de travar. Não sei se o caderno é a resposta, acho que é saber o que vou escrever. Esse negócio de abrir uma página em branco e ficar pensando no que escrever nem faz sentido pra mim.


COMO VOCÊ SE ABASTECE/SE ALIMENTA DURANTE UMA SESSÃO DE ESCRITA? 

Abastece??? Vocês escrevem por quantos dias seguidos, gente? Eu nem como enquanto escrevo. Até olho torto para aquelas pessoas que levam lanche pra comer durante provas. Acho SURREAL.


COMO VOCÊ SABE QUANDO TERMINOU DE ESCREVER?

Quando eu termino o Processo. Escrevo tudo o que planejei, volto revisando, editando e incorporando o feedback das betas, reviso tudo de novo e FIM. Sempre dá para melhorar. Tipo, SEMPRE. E isso é um problema, porque, se você ficar nessa de querer deixar o texto perfeito, além de nunca conseguir, ele também nunca ficará pronto. Eu poderia estar editando Não Somos Um até hoje se não tivesse alcançando essa iluminação espiritual. Dia desses, eu estava relendo Gênios e fiquei "Humn... Esses parágrafos poderiam ser melhoresNÃO". Desliguei o Kindle e fingi que não vi. Já foi, gente. Volto para trabalhar mais nessas histórias quando uma editora quiser publicá-las e algum profissional me orientar. Fora isso, está bom. Muita gente leu e gostou, a mensagem foi passada, vida que segue. Farei melhor nas próximas.

Posted on terça-feira, fevereiro 06, 2018 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Numa das temporadas de Survivor que assisti, chegou um momento em que, na hora da eliminação, os votos ficaram empatados entre dois participantes. Quando isso acontece no reality, os participantes que não foram votados precisam entrar  num consenso ou, pelo menos, tentar convencer alguém a mudar de lado e encerrar o desempate. Se o empate continuar, já era, acontece um sorteio de pedras entre todo mundo e quem pegar a pedra preta está automaticamente eliminado. É sempre um caos.

Daí que tinha essa participante Coisinha que ficou GENTE, PELO AMOR DE DEUS, VAMOS ENTRAR NUM CONSENSO, mas ninguém quis e foram para as pedras. A cara de choque de Coisinha quando tirou a pedra preta me deixa no chão até hoje.

Depois de já eliminada, foram perguntar pra Coisinha se ela se arrependia de não ter ela mesma mudado de lado, e ela disse que não, não se arrependia. Porque, se ela mudasse de lado naquele voto, sabia que seus dias no jogo estariam contados. O que adianta durar mais um pouco se não for pra vencer? Ela disse que não tinha como não agir como ela agiu. "Decisão certa, pedra errada, só isso".

Pois acabou Firma pra mim.



Sim, aquela mesma Firma pela qual eu larguei meu emprego (onde eu ganhava mais) e estava AMANDO trabalhar lá

Gente, a Firma é incrível. O RH que mima a gente, as cafonices do bem que eles inventam, o ambiente descontraído, os presentes, o plano de carreira, os benefícios... Foi por isso que larguei meu antigo emprego, porque, apesar de ganhando mais, eu não via mais como crescer na área. A Firma me dava essa oportunidade, e eu achei que iria prosperar.

Eu também trabalhei muito, principalmente depois que fui mal avaliado numa avaliação de desempenho. Eu estava acostumado com a tranquilidade do último trabalho e custei a entrar no ritmo, mas engatei. Toda semana estava lá eu lutando para fazer mais e melhor, desafiando até alguns limites meus. Também sei que desenvolvi algumas habilidades sociais. Tinha dia que eu saía de lá me sentindo derrotado, mas havia dias em que eu era a pessoa mais feliz daquele prédio.

Uma coisa que eu ainda não entendi bem é por que uma empresa que é fofinha também vem acompanhada da característica de fomentar competição/meritocracia. Já notei que esse é mesmo um padrão de empresas desse naipe. TRABALHE PARA BRILHAR. FAÇA POR MERECER. SEJA O MELHOR. O alto desempenho é muito celebrado. E daí todo mundo se dispõe a dar o melhor e trabalha até o dobro necessário para ganhar, sei lá, uma medalha. Parece que estou fazendo uma crítica negativa, mas não necessariamente. Esse modelo funciona muito bem para algumas pessoas, tanto que o clima de paz e amor da Firma é sempre muito bem avaliado pelos colaboradores, mas não funcionou pra mim.

Até com ansiedade sofri, coisa que nunca aconteceu nesse nível. Acordei uns dois dias tremendo e com muito frio por causa de uma apresentação importante que tinha que fazer. Teve semanas que fiquei no chão achando que ia ser demitido por causa de N fatores.

Particularmente, sinto que estava indo muito bem nessa reta final. Eu tinha orgulho do que estava produzindo e até esse feedback positivo me deram, mas outras coisas aconteceram. Um colega de trabalho exigiu ser promovido (ele realmente merecia), Firma disse que não dava, esse colega ameaçou sair e deram um jeito de conseguir a promoção para ele. Aí o orçamento ficou pesado para o setor. Tiveram que me cortar e provavelmente vão contratar alguém com salário menor para ocupar meu cargo. Achei até justo. Era um jogo, e eu perdi.



Não chorei, não me desesperei e, no dia seguinte, já estava até me sentindo mais positivo em relação a vida e ao futuro. Não que eu tenha uma grande maturidade e estabilidade emocional, é só meu modus operandi mesmo. Não sei explicar. Eu agora estou de boas, embora preocupado com o futuro e com as últimas coisas que conquistei.

Achei ruim? Claro, né, gente. Chato, triste, uma pena... Achei que poderia virar a situação e não consegui. Também tem aquela DOR de, caramba, eu estava na paz e tranquilidade do meu antigo emprego, ganhando mais dinheiro, e larguei tudo para ganhar menos e trabalhar mais! E AGORA FIQUEI SEM NADA. Se eu continuo pensando nisso, entro numa espiral de desgraçamento e não saio mais. Porém, aprendi com Coisinha: decisão certa, pedra errada.

NÃO TINHA COMO eu não largar meu antigo emprego. Faz praticamente parte da minha essência tomar uma decisão dessas. Não é a primeira que vez que eu, mesmo morrendo de medo do futuro incerto, largo o que tenho pra tentar algo melhor. Eu simplesmente não consigo ficar numa situação que me desagrada, sofrendo, reclamando e sem fazer nada, sabendo que lá fora podem existir realidades que funcionem melhor para mim. Eu arrisco, eu tento, eu monto um plano doido e jogo tudo para o alto. Claro que não é legal quando dou com a cara no chão, mas, quando funciona, não tem sensação mais maravilhosa do que saber que VOCÊ se colocou numa posição melhor, VOCÊ batalhou para chegar ali, VOCÊ foi vulnerável o suficiente para arriscar e conquistar o que queria.

Talvez funcionasse se eu já estivesse acostumado com o ritmo da empresa. Ou se meu colega fosse outra pessoa. Ou se ele não tivesse pedido promoção ou ainda se tivesse ido para outra empresa por causa de uma promoção negada. Se eu tivesse caído em outra equipe ou, SEI LÁ, as possibilidades são muitas. Coisinha pegou a pedra errada no meio de quase dez certas. 

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Agora, né, estamos aí desempregado e sem saber o que fazer da vida. O gerente que me demitiu me indicou para vagas de emprego, e me disseram que isso é um bom sinal: Eles gostaram do meu trabalho, mas não tinham como me manter. Se eu fosse ruim no que faço, não estariam me indicando. Estou aqui pensando no que será que o futuro me reserva. Estou enviando currículos, mas também tendo ideias variadas de como quero construir meu próprio caminho. De repente, eu dou uma virada inesperada. Sou viciado em viradas inesperadas.



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Posted on quinta-feira, fevereiro 01, 2018 by Felipe Fagundes

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