Todo começo de ano eu sou iluminado misteriosamente por um guia espiritual da cultura pop, e, se 2018 parece que é o ano da dark!Taylor, 2017 com certeza foi o ano da Moana. Sim, a da Disney. Você lembra? De repente, eu descobri dentro de mim toda essa vontade de conhecer lugares e gente nova, de sair da minha bolha de amizades e rotina. Chutei o pau da barraca em alguns sentidos e perto do final do ano eu já estava todo AGORA SOU UM SER LIVRE, mas foi em dezembro, aos 45 do segundo tempo, que fiz a maior moanice de todas: Saí da casa da minha mãe e fui atrás do meu próprio lugar. E veio do nada, eu nem estava exatamente esperando.

Eu me dou super bem com minha mãe, somos carinhosos um com o outro, ela sempre me apoiou em tudo e trabalhou até mais do que deveria para me dar as condições que tenho hoje. Se eu fosse esperar por uma real necessidade de sair de casa, era capaz de eu nunca sair. Morar com ela era até bem confortável. Só que, SEI LÁ, a Moana bateu. Eu simplesmente quis. Num dia, a ideia me pareceu possível; no outro, eu já estava fazendo contas para saber se era realmente viável e, um mês depois, tchau, mãe, vou morar no Rio!



Minha família ficou meio chocada. Até eu achava que ia viver e morrer naquela casa, então foi meio que OI??? Como assim você vai sair de casa? Você vai casar? Mas com quem? Você vai abandonar sua mãe? O que ela te fez??? Ainda teve tia crente dizendo que primeiro eu larguei a igreja e agora estava indo atrás dos prazeres do mundo. QUE PRAZERES, GENTE? Eu só queria me mudar! Mas essas e outras reações foram o que me deu mais força para prosseguir, porque o lance todo da Moana querer sair da ilha dela é que 1) o mundo parece tão cheio de possibilidades! e 2) eu não tenho nada a ver com essa galera da ilha. Por um momento a minha bolha havia sido muito legal, mas agora não era mais e eu precisava sair. Às vezes a gente acha que nossa realidade é pra sempre, mas, ei, você não tem ideia do TANTO de possibilidade que existe. Fora isso, chega a ser engraçado como minha mãe foi a que mais me apoiou em todas as etapas da mudança.

Um dia peguei minha mochila e fui.

Eu sempre achei maravilhoso o apartamento da Ju Fina Flor, e os planetas se alinharam para que ela estivesse procurando por um novo roommate ao mesmo tempo em que eu estava querendo um lugar para começar minha vida 100% independente. FECHOU. Hoje faz quase dois meses que saí de Nova Iguaçu e moro num bairro gostosinho do Rio de Janeiro. EU TÔ TÃO EM PAZ.


Ok, a vida espiritual não está tão boa quanto eu gostaria e nem ligo para restaurante caro, mas, gente, como é precioso morar num lugar SEU. Como aumenta a qualidade de vida! Como é maravilhoso fazer as coisas na hora que você quiser, sem ter obrigação nenhuma com ninguém!

Eu me sinto rico morando nesse apartamento com a Ju. Ela vai falar que é bobagem, e eu sei que não somos ricos, mas também sei de onde vim e ela não tem noção.

O Rio de Janeiro é lindo e vou protegê-lo.

Eu na verdade fiquei mais pobre agora por ter que pagar aluguel, mas, sinceramente, não vejo problema nenhum nisso. Tudo compensa.

Antes eu levava 2h30 para ir de casa para o trabalho (repetindo: DUAS HORAS E MEIA), agora eu chego em 40 minutos ou menos. Moro perto de shopping. Eu nunca morei perto de shopping, gente! Antes, se eu quisesse ir ao cinema, comprar roupas, usar bancos, dar rolês nas praças de alimentação etc, eu tinha que pegar um ônibus que levava meia hora para chegar no shopping mais próximo. Agora eu vou andando e chego no shopping em menos de 10 min. Agora eu tenho Farmácias! Supermercados! Padaria que aceita VR! Caixas eletrônicos! Tudo perto de mim e isso me economiza um tempo e paz de espírito que graças a Deus o dinheiro comprou. Aqui passa ônibus TODA HORA, antes eu sofria com aquele 1 ônibus com intervalo de mais de meia hora. O tanto que já mofei em ponto pra pegar ônibus lotadaço. Até os ônibus lotados daqui são ridículos se comparados aos lotados da onde eu morava. Eu até dou uma risada quando escuto gente aqui no RJ reclamando como o ônibus tá cheio. Meu anjo, você não sabe de nada. Eu acordo de manhã e faço várias coisas antes de ir para o trabalho. Esse post mesmo está sendo escrito antes de eu chegar na Firma de manhã. Eu chego em casa e, se quiser, ainda posso passar no mercado, ir ao shopping, sair com meus amigos e fazer mil coisas em casa antes de eu ter que dormir, porque agora tenho tempo e não estou morto com farofa e cansaço. Sempre tem um ônibus que me pega aqui na porta e me leva até a porta do outrao lugar que preciso ir. Eu já fazia de tudo no RJ, minha vida era mais aqui do que em NI, então agora eu cortei 200 horas perdidas de deslocamento. Sou o primeiro a chegar em casa após os rolês, sempre fui o último que deixava todo mundo preocupado porque nunca que avisava que estava seguro no conforto do lar. O Rio de Janeiro é perigoso e tem violência? Sim, mas, se você não mora numa comunidade dominada pelo tráfico ou sei lá, é tão perigoso e violento quanto qualquer outra cidade. Eu ando pelas ruas muito tranquilo e morro de rir de quem vem de fora e acha que o Rio está em guerra.

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Tenho vergonha de admitir isso, mas agora na era vilanesca eu posso: sempre deixei minha mãe fazer todas as tarefas domésticas em casa. Nunca movi um dedo. Eu meio que pagava minha mãe para fazer isso, mas foi assim que eu me tornei, no jargão da internet, um desses machos escrotos que todo mundo odeia. E um ser de 26 anos que não sabe FAZER NADA em casa. Nem minhas cuecas eu lavava, puta merda, gente. Tinham que ter me interditado. MÃE, EU TE PEÇO PERDÃO. Acho que eu devia cuidar da casa dela pelos próximos 26 anos para compensar.

Agora quem faz tudo pra mim é a Ju.

MENTIRA KKKKKKKKK

Por mais folgado e deitado que eu fosse, eu sempre tive a consciência de que o dia que eu precisasse fazer tarefas domésticas, eu iria aprender. Nunca foi um problema ou algo que eu achasse um absurdo de homem fazer. Só que nunca precisei, né. Mas saí de casa disposto a aprender tudo. Juliana tava meio ressabiada, eu acho, achando que eu ia deitar dela ou que eu ia sofrer para pegar o jeito, mas, rá, quando eu quero eu consigo. E, convenhamos, não é nenhum bicho de 7 cabeças.

Eu varro minha casa dia sim dia não, e adoro ver a sujeira sendo carregada pela vassoura. Sempre amei lavar louça, mas amo principalmente agora que uso um detergente que eu mesmo fui no supermercado comprar. E lavar roupa, gente? Seria magia? A gente põe na máquina, e a roupa já sai praticamente seca com cheirinho gostoso. Adoro produtos de limpeza e coisas práticas tipo aquele varal portátil que fica preso no teto e aquele produto Pato de passar no vaso. Não curti lavar o banheiro, confesso. Mas amei fazer café. Me sinto muito alquimista passando café. E arroz! Que é a única coisa que sei cozinhar no momento, mas tô aprendendo aos pouquinhos. Eu tiro pó, eu troco o lixo, eu encho as garrafas d'água, eu arrumo minha cama. Nada mais que minha obrigação, eu sei. E nada me dói. Não é custoso, não é difícil de aprender, não há nesse mundo desculpa para uma pessoa saudável e capaz de pegar numa vassoura que não faz as tarefas domésticas. Se você não faz, é porque você não quer e tem quem faça. Simples assim.

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O fato é que agora estou muito de boas e feliz. Final de ano foi muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, tanto que nem no blog escrevi, mas agora voltou tudo ao normal, só que melhor. Estou podendo curtir minha casa e retomar meu ritmo de escrita aos poucos. Se tudo der certo, vai ter livro novo em 2018! E ele vai ter sido majoritariamente escrito do meu quarto no Rio de Janeiro, enquanto curto o silêncio e minha janela maravilhosa.

Eu AMO uma janela



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