Eu sempre fui uma pessoa distante, mas não no sentido afetivo da coisa. Eu tento responder todas as mensagens que quero responder, dou atenção quando posso e me faço presente nas coisas que são importantes para os meus amigos. Eu acho que sou uma pessoa com a qual os outros podem contar se eu digo que podem. Mas sempre fui distante no sentido físico. Digo, de encostar nas pessoas e ter pessoas encostando em mim.

Já observei que, enquanto para algumas pessoas ficar abraçado com alguém é super comum, para mim é um grande acontecimento. Nunca fui de ficar agarrado com ninguém. Nas raras vezes em que isso aconteceu, pode ter certeza de que a iniciativa não foi minha, e a cena foi tão marcante pra mim que lembro até hoje.



Na adolescência, eu fazia o tipo que não gostava de contatos físicos. Recusava abraços, fugia daqueles momentos que fica todo mundo pulando, abraçados, comemorando alguma coisa, evitava encostar em todo mundo sei lá por que, mas depois eu reparei que gostava, sim! Mas eles pedem uma naturalidade que eu não sei lidar (ainda fico perdido nesse da galera pulando e evito). Fico meio constrangido, que nem quando pessoas me abraçam e às vezes saem uns abraços estranhos. É como se me faltasse prática.

No começo, parecia mais uma "coisa de homem". Se você reparar, melhores amigas tendem a andar grudadas uma com a outra. Se abraçam, se beijam, deitam uma na outra, andam de braços dados, seguram as mãos. Homens geralmente não fazem isso. Eu pelo menos nunca vi dois amigos andando de mãos dadas. Só que, depois, reparei que até homens tem lá seu jeito de se encostarem, principalmente em dia de jogo de futebol. Os beijos no rosto, os tapas nas costas, os abraços violentos. Gays inclusive tendem a ser bem mais de boas com isso. Eu, como sempre, fiquei de avulso aí no rolê.

O contato físico também tem uma coisa meio romântica, não tem? Não é à toa que ele é uma das cinco linguagens do amor, e eu custei para achar uma imagem decente sobre toque que não fosse a de um casal se pegando para pôr nesse post. Sempre rola na ficção aquele momento em que os mocinhos se encostam casualmente e, mais tarde, eles já estão enroscados. Casais ficam agarradinhos, e o próprio sexo é todo sobre contato. Daí fico achando que minha assexualidade tem algum papel nisso. Eu não tenho vontade de me relacionar sexualmente com ninguém, então por isso eu não invisto tanto em contato físico. Não sei, é só uma hipótese furada.

Eu nunca, e vocês?
Acho essa jogada de braço por cima dos ombros e por trás do pescoço particularmente difícil

O que eu sei é que agora que percebi que existe toda uma experiência sensorial da qual nunca fiz parte, fico meio curioso com as formas de contato físico. Tipo, logo eu que amo uma experiência doida! Semanas atrás, a Bells perguntou se podia morder meu braço, e eu fiquei "Oi???". Mas deixei. Teve um dia que fui visitar uns amigos meus, daí sentei no chão com a cabeça encostada no sofá e eles começaram a fazer cafuné em mim. Eu adoro cafuné. Às vezes, crianças aparecem do nada e me abraçam, se jogam em mim e tal. Eu fico sem graça de não retribuir, porque abraço de criança é uma coisa tão pura. Eu adoro abraçar pessoas mais baixas do que eu, porque meu queixo encosta na cabeça delas. Também amo ser abraçado por pessoas maiores e mais gordas, me sinto protegido. Agora tô lembrando que, na Bravus Race, um amigo teve que literalmente me carregar no colo. Também teve o dia que, pra vocês verem como a coisa toda é muito básica, eu estava sentado no chão assistindo um jogo, e um menino que eu nem conhecia direito estava sentado perto de mim e o joelho dele encostou no meu. Ele estava, tipo, cagando para aquele contato, mas eu até deixei de prestar atenção no jogo para sentir aquele joelho. O meu primeiro impulso foi mover minha perna, mas depois eu refleti e deixei lá. Aliás, meu primeiro impulso sempre é desencostar. Eu na hora peço desculpas se encosto em alguém sem querer.

Tem gente que acha fofo. Contei essa história do joelho para algumas pessoas e ficou todo mundo NOSSA, VOCÊS SE AMAM TANTO. Um menino que eu nem conhecia e nunca mais vi. Eu mal lembro da cara dele, MAS O JOELHO. Eu, por exemplo, nunca fiquei abraçado no sofá com alguém que não fosse minha mãe assistindo alguma coisa. NÃO TEM COMO eu não dar importância a isso quando acontecer.

Acho o máximo quando alguém diz pra eu deitar a cabeça em seu colo ou vice-versa. Às vezes eu calculo demais se posso ou não encostar a cabeça no ombro de alguém. Eu nem preciso, mas vou lá e faço só porque quero. Acho que eu vou ser obrigado a me apaixonar pela primeira pessoa que me beijar no pescoço, independentemente de gênero. Gosto de fazer carinho no braço das pessoas quando peço pra elas se acalmarem, porque li sei lá onde que isso de fato acalma. Às vezes eu uso meus amigos como experiências científicas do tipo "Posso encostar nessa parte mole da sua orelha?" e "Posso encostar no seu rosto enquanto você franze a sobrancelha?". Ninguém nunca recusou. Nem no dia que acho que fui longe demais, mas isso eu não vou contar, pra não chocar vocês.

Será que um dia eu irei me acostumar e achar banal?



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