segunda-feira, junho 04, 2018

Eu amo discursos de empoderamento, sejam eles quais forem. Gosto da boa vibe, gosto da mágica de fazer alguém que antes se sentia um lixo se sentir querido, adoro isso de cultivar amor-próprio e todos os desdobramentos que isso traz. Caramba, a gente precisa. Deus abençoe quem se tocou que empoderar pessoas era mais sadio que fazer chacota delas. A única coisa que eu esbarro nesses discursos é o fato de, no fim das contas, sempre apontarem para o fato de que a pessoa tem que se sentir linda. Óbvio que empoderamento trata de mil outras coisas, mas beleza parece ser fundamental. 

Uma mulher empoderada é uma mulher que se sente bonita. Uma pessoa gorda e empoderada se acha linda. Eu compreendo que a sociedade é horrível em dizer todo dia que só tem beleza quem é do jeito X e daí há uma leva gigantesca de pessoas que fica de fora. Uma vida inteira se sentindo feio e sem valor. Eu entendo. Então vem o empoderamento pra levantar essa autoestima e dizer que, ei, deixa esse povo pra lá, você é bonito, sim! Você é lindo do jeito que você é!

Eu só quero ser feio em paz, gente.


Confesso que não sei bem por que tratamos beleza como algo essencial. Tipo, parece que o amor-próprio é automaticamente relacionado a isso. Se você se ama, você tem que se achar lindo. Eu já acho que tudo bem ser feio. Eu acho que ser e estar bonito cansa, ainda mais pra quem não faz parte do grupinho aí privilegiado. Compreendo que para algumas pessoas seja importante ser bonito, mas para todas?

É engraçado que, com outras características que eu também considero importantes, a roda não gira assim. Por exemplo, ser engraçado. Tem gente que não é. E tá tudo bem. Nunca vi ninguém dizer que não é engraçado e surgir uma pessoa do bueiro pra falar "PARA COM ISSO, VOCÊ É ENGRAÇADO, SIM! APRENDA A SE AMAR". Muita gente diz que é péssima em matemática e também fica tudo bem. Eu sou um pouco desastrado, não ajo bem sob pressão e não sou a pessoa mais eloquente do mundo, mas não me sinto um lixo por causa disso. Tá tudo bem não ser perfeito. Mas aí vem o ser feio.

Não pode ser feio.

É muito mais prático viver num mundo em que é ok ser feio do que em um em que TODO MUNDO tem que ser bonito. O natural geralmente é considerado feio. Se a pessoa não fizer nenhuma firula estética básica, é feia. Pra se sentirem bonitas, as pessoas usam maquiagem, fazem algum penteado diferente, colocam aquela ou essa roupa, essas coisinhas. Até em programas tipo Queer Eye, em que pegam uma pessoa super comum e até fora do padrão e fazem uma transformação básica para a pessoa se enxergar como bonita, há essas alterações mínimas para obter o efeito desejado. Aí eu fico pensando que, quando o programa acaba, a pessoa ainda tem que ficar pelo resto da vida executando aqueles procedimentos para manter a beleza recém-alcançada. Cansa.

Não me acho grandes coisas no quesito beleza e admito que há dias em que quero me sentir bonito. Mas também há os dias em que fico de boas com ser/estar feio. Tipo, ok, eu sou feio, mas também sou engraçado, inteligente, criativo e boa companhia. Não conta? Já expliquei minha teoria do potencial de beleza e, por causa disso, nossa, beleza é algo tão subjetivo! Acho muito complexo querer agradar a todos, ainda que esse todos seja nós mesmos (que na verdade somos influenciados por esse todos).

Realmente entendo que os discursos de empoderamento batem nas teclas que precisam ser batidas. Alguém ouviu que é feio a vida toda e está precisando se achar bonito. Pessoas do tipo Y também podem ser lindas. É uma causa nobre. Apesar da diferença ser um tanto sutil, acho que a pessoa ficar o dia todo lutando contra discursos contrários e tentando se afirmar como bonita é mais penoso do que trabalhar a ideia de que tudo bem ser feio. Porque está tudo bem, ninguém tem nada com isso.


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Posted on segunda-feira, junho 04, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 28, 2018

Acabou do jeito que começou: Comigo tomando uma atitude que mudou tudo. Acho até bem simbólico.


Sim, gente, tô dizendo que a minha história com o @ encerrou. Foram quase três meses de uma montanha-russa de emoções, e eu sei que essa expressão é um clichê batidíssimo, mas aqui eu me sinto obrigado a usá-la. Ainda mais que agora eu já fui numa montanha-russa e sei do que estou falando. Muitos altos, muitos baixos, curvas de acelerar o coração, momentos de desespero e velocidade o tempo todo. O começo da montanha-russa sempre engana, porque ela começa andando devagarzinho até que vem o primeiro precipício e aí não para mais. Também já faz quase três semanas que acabou, eu juro que estou bem. Vocês não precisam me consolar nem me mandar encher a cara de sorvete ou sei lá.

Acho que eu e ele, nós dois, entendemos que agora não dá pra gente. Talvez daqui a um ano ou dois. Talvez nunca. Mas eu tinha um milhão de motivos para não me permitir viver isso, ele também tinha os dele, mas insistimos, arriscamos, fomos bem felizes por uns momentos, até que eu não fui mais. Não me arrependo, faria quase tudo do mesmo jeito de novo e estou muito satisfeito com finalmente ter atravessado essa linha da vida afetiva. Também tenho orgulho de ter identificado que estava na hora de acabar antes que acabasse de uma forma ruim.

Não acabou de uma forma ruim.

Eu chamei para conversar, sentamos um de frente para o outro, eu olhei no fundo daqueles olhos e disse. Ok, não foi bem assim, porque era difícil pra mim encarar aqueles olhos. Eu enrolei pra dizer, eu desviei o assunto, eu tentei dizer aquelas palavras finais umas três vezes. Eu comecei a chorar antes de conseguir dizer e, meu Deus, gente, eu nunca choro. Acho que foi a primeira vez que chorei nesse ano. Eu nem lembro qual foi a última vez que chorei antes dessa, porque eu realmente nunca choro. Mas eu chorei e continuei chorando e, nossa, que experiência. Eu nem sabia que esse negócio de voz embargada era real. A gente tenta falar e não consegue. Fui tão pego de surpresa pelas minhas próprias lágrimas que comecei a rir dizendo "Eu nunca choro kkkkk Sério, nunca, não sei o que tá havendo kkkk". Patético e maravilhoso.

Ficou claro pra mim que eu gostava muito dele e que, quando eu dissesse "Acho que devemos ser só amigos" em voz alta, eu estaria abrindo mão daquela pessoa.

Sou um caso raríssimo de página em branco, sabe? Sou livre o suficiente pra gostar de uma pessoa e só dela e ter muitos sentimentos por ela e demonstrar isso e contar na internet. Eu era e ainda sou 100% disponível e pronto pra tudo. Ele era, sei lá, 50% disponível, meio preso em histórias do passado, meio sem saber o que queria, meio querendo... Sinto que ele até queria me entregar mais, ele sabe que eu mereço mais e se desculpou por isso, mas não tinha pra dar. Acho que, se eu continuasse insistindo, seria um eterno eu me sentindo deixado de lado e ele se sentindo cobrado. Foi melhor pôr um ponto final enquanto a gente ainda se gosta como pessoa.

Mas, aí, claro que eu chorei, porque eu estava com meu pássaro na mão, e era um pássaro bonito, legal, compreensivo e honesto, um senhor pássaro, mas iria trocá-lo por dois pássaros voando. Porque eu mereço aqueles dois pássaros voando. Nossa, eu mereço todos os pássaros do mundo. Eu não aceito menos que dois pássaros. E se o @ no momento só tem um pássaro pra me dar... É matemática básica, gente. Mas coração não sabe fazer conta. Chorei, respirei, me recompus e falei. Só amigos.

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Ninguém morreu, ninguém brigou, a Terra continuou girando pro mesmo lado. Acho que saímos de lá melhor do que entramos.

As lembranças boas são mais numerosas que as não tão boas assim. A animação para o primeiro encontro da minha vida, aquele momento inesquecível na torre, as experiências que tive guiadas pelos nossos desejos, as coisas bonitas que a gente disse e todas as vezes que cheguei em casa com um sorriso bobo no rosto. Foi bom enquanto durou, ainda é bom agora que não dura mais.

Realmente espero que a gente siga em frente do melhor jeito possível. Até porque, agora que comecei, não tenho mesmo nenhuma intenção de parar.




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Posted on segunda-feira, maio 28, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 14, 2018

Acho que, de todas as histórias de término de namoro que já ouvi, menos de meia dúzia foram tranquilas e fáceis. Pela minha pesquisa de campo, términos são mesmo uma morte horrível, mas uma morte que faz parte da vida e, em 99% das vezes, ninguém morre de verdade. Esse que é o bom, sabe. A única coisa que morre é um relacionamento que já não era lá grandes coisas. Quase sempre há dor para os dois lados, mas depois bate aquele alívio e a vida segue, a fila anda. Términos de namoro são necessários porque finais bem fechados são necessários.


Já faz um tempo que ando pesquisando no Google como se terminar uma amizade. Muitos não sabem ou fingem que não sabem, porém, feliz ou infelizmente, amizades acabam também. Só que não tem nem um jeito horrível de terminar, muito menos um tranquilo e fácil. Amizades acabam, mas não acabam direito. Ou é uma briga tensa que deixa muitos feridos ou as pessoas simplesmente param de se falar e dois anos depois é como se elas nem se conhecessem, mas elas se conhecem. Então fica todo mundo confuso.

Pior ainda é que a gente entende que, se a pessoa que terminou com você entrou num relacionamento monogâmico, ela não está mais disponível. Vocês não vão acontecer por agora. Mas, numa amizade, tecnicamente não há nada impeça duas pessoas de serem amigas para sempre, então sempre há uma promessa de retorno da amizade pairando no ar após a perda do vínculo.

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Admito que tenho minha cota de amizades perdidas. Umas a vida carregou sem nenhum esforço meu, outras me deixaram falando sozinho, algumas eu que corri pra bem longe pela minha própria sobrevivência. Ainda teve aquelas que acabaram do nada e, quando eu percebi, já havia passado muito tempo e senti que era tarde demais. O término vem, mas a gente não sente direito que veio. A ficha não cai.

Tinha dois amigos que se mudaram pra longe e nunca mais tive o que falar com eles. Tinha outro amigo que foi muito importante pra mim em várias fases da minha vida, mas me puxava tanto pra baixo com comentários irritantes que foi uma das decisões mais difíceis da minha vida dizer adeus. Teve uma amiga que fez eu me sentir tão usado que o ranço foi demais. Já bloqueei um grupo inteiro de pessoas. Tem uns que com o tempo ficaram muito diferentes e viraram pessoas que eu não reconhecia mais. Alguns eu ainda tenho vontade de ter por perto de volta, mas a vontade morre quando lembro por que acabou. Tenho amigos que viraram conhecidos. Pessoas com as quais simplesmente parei de me esforçar para estar presente, ninguém veio me procurar também. Alguns me chamaram de volta, contudo, eu não quis mesmo, porque doía muito.

Viu? É péssimo.

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Confesso que já fiz ghosting. Você sabe, o famoso ir saindo de fininho. Responder cada vez menos, com menos entusiasmo, furar os rolês, não interagir nas redes sociais, deixar pra lá datas importantes, não ter nada de novo pra contar... É o afastamento por desinteresse. Algumas pessoas se tocam que você não quer mais nada, outras ficam remoendo e insistindo. Eu fico muito em dúvida se as pessoas merecem uma explicação em nome da amizade, se elas precisam saber mesmo o que houve, mas às vezes a explicação não existe ou é só "Não quero mais". Enjoei. Você ficou chato. Não tenho mais vontade de ouvir nada do que você fala. Aí fica aquela agonia de coisa mal terminada, a amizade morta como uma alma penada.

Também já disse com todas as letras que queria me afastar e que cada um seguisse seu rumo. Funcionou tão mal quanto o ghosting. O que não era para acabar numa briga hostil, porque eu queria um final pacífico, acabou. Foi horrível pra mim e pra pessoa, porque eu não queria machucar ninguém. Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais.

Não sei qual seria minha escolha se eu tivesse que decidir como meus amigos deveriam terminar comigo. De qual tiro eu me recuperaria mais rápido?

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Simplesmente não existe um jeito bom de terminar uma coisa que não precisa nunca terminar. Num namoro, a gente entende. Você quer novas experiências, novos ares, vocês pensam o futuro de forma diferente, você tem interesse em outras pessoas, não tá funcionando, você não sabia que morar junto ia ser tão puxado... Aí você termina. Mas na amizade... Você pode ter quantos amigos quiser, vocês não precisam nem ter gostos parecidos, não precisam se ver com muita frequência, não tem que se falar todo dia. É um relacionamento de baixa manutenção se for comparar com um namoro ou um casamento. Aí, MESMO ASSIM, você quer terminar? Parece um drama ridículo. Ninguém recebe bem.

Não estou planejando terminar nenhuma das minhas amizades, mas a gente nunca sabe quando vai precisar se afastar e deixar aquela pessoa que agora é muito legal ir embora. Se algum dia vocês descobrirem o jeito mais fácil, ou melhor, menos difícil de terminar uma amizade, me contem.

Por favor.



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Posted on segunda-feira, maio 14, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 08, 2018

Pra quem tá chegando agora, vamos recapitular? Vamos.

Eu tinha um emprego legal. Daí enjoei dele e troquei por outro. Eu mudei de cidade por causa desse emprego novo, eu vivi com todo meu coração, eu tive umas crises por causa da pressão e por não me achar bom o bastante. Aí fui demitido. Risos. E fiquei sem nada. Nem a casa na cidade nova dava para manter, porque, né, sem dinheiro.

Ainda bem que a minha vida pelo menos é uma caixinha de surpresas.



Eu tenho uma amiga Jéssica. Aquela amiga Jéssica. Daí que Jéssica é da mesma área que eu e também estava procurando emprego. Foi numa entrevista, o pessoal gostou dela, mas... acho que ela não gostou do pessoal Hahahahah Recusou a vaga, mas mandou um "Olha, não tenho interesse, mas eu tenho um amigo...". Quiseram conhecer o amigo dela. Sim, eu mesmo. Mandei meu currículo com o assunto "Indicação da Jéssica", sendo que ELA NEM TRABALHA LÁ.

Fui pra entrevista me sentindo o rei do networking. Gente, dispensem os contatinhos. Vamos investir no contatos profissionais pois rendem bem mais.

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Na entrevista, respondi todas as perguntas da moça do RH. Contei da minha história de derrota e demissão, mas obviamente jogando a luz positiva do EU ASSUMI RISCOS e FUI ATRÁS DO QUE EU QUERIA. Acho que colou. Não é mentira, aliás. Só sei que no meio da entrevista rolou um:

- Eu vejo em você esse ar aventureiro e desbravador. Dá pra sentir.

Gente Hahahah Todo um perfil psicológico traçado ali. Eu desmenti? Não desmenti. Inclusive assumi o papel. Ela continuou.

- Você me lembra muito minha filha.
- Oi?
- Minha filha também é assim, uma aventureira, que corre atrás dos próprios sonhos!

Juro pra vocês que a mulher ficou uns 10 minutos contando das aventuras da filha dela. Teve uma hora que eu fiquei pensando "Gente, não era pra estarmos falando sobre mim?", mas tava amando a história e a intimidade. Tava esperando que a mulher não eliminasse do processo seletivo a própria filha, né.

Teve um segundo entrevistador que veio com a camisa do avesso. Acho que meu cérebro ficou 50% focado em responder as perguntas técnicas e 50% intrigado com a possibilidade daquela camisa do avesso ser um teste. Aviso ou não aviso? O QUE ISSO DIZ SOBRE MIM? Ninguém prepara a gente para esses dilemas da vida adulta.

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Gente, vocês acreditam que CONSEGUI UM EMPREGO NOVO? Não apenas isso, mas MELHOR que o anterior? Melhor em tudo. Benefícios, salário, atividade, saúde mental... Parece até mentira. É CARTEIRA ASSINADA QUE FALAAAAAA.

A Firma anterior era muito popzinha e desafiadora, mas eu me sentia o BURRO da equipe. Agora meu líder me chama de criança prodígio, porque voltei a trabalhar com algo que conheço e honestamente me sinto arrasando mesmo. Eu tô mais tranquilo, mais feliz e mais animado com a minha carreira. Sei que, quando se fala de trabalho, nunca que tudo será flores, mas tô achando promissor.

No meu primeiro dia na empresa, eu cheguei falando para minha bff do RH "Oi, Fulana, tudo bem? Como vai sua filha?".

Rolam coisas desse tipo também:




Então acho que é bom.

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Ainda não passei do período de experiência, portanto tudo pode acontecer. Mas sinto que não virá um tombo (na Firma anterior, toda semana tava lá eu achando que ia ser demitido). Já assumi umas posições importantes, dá pra ver que contam comigo e até se preocupam se estou gostando do trabalho (isso porque eu contei que pulei fora daquela primeira Firma porque estava entediado). Acho que agora vai.

O melhor de tudo é que minha permanência no Rio de Janeiro está garantida. Minha casa, meus amigos, meus novos negócios... Gosto assim.



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Posted on terça-feira, maio 08, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 16, 2018

Lógico que eu ia entrar numa crise de identidade depois de ter beijado na boca.


Uma coisa que é muito difícil pra mim, como introvertido e planejador, é "curtir o momento" e "ver no que vai dar". Eu quero entender tudo, quero rotular tudo, quero planejar os detalhes e, mesmo que o planejamento vá por água abaixo por causa de imprevistos, eu me sinto bem só de ter tentado prever as coisas. Gosto de saber onde estou pisando e isso de vez em quando me põe na categoria dos doidos. Frequentemente amigos viram pra mim e dizem RELAXA, PELO AMOR DE DEUS.

Mas aí eu passei os primeiros vinte anos da minha vida sem sentir nada por ninguém e do nada beijei na boca. Não apenas beijei, eu gostei de ter beijado. E de abraçar e ser abraçado, de ficar juntinho, de segurar na mão, de ter a liberdade de tocar num outro corpo que não o meu. Eu gostei e quis mais, e até o momento não parei de querer. Parece que ter me colocado nessa situação ativou várias células adormecidas do meu organismo e agora eu tenho superpoderes sensoriais. O efeito colateral é que estou viciado em sentir.

Vocês estão transando bastante? Pois eu não estou. Eu mal sei se quero, mas só de eu cogitar que talvez eu queira, só dessa possibilidade existir, já é algo que faz eu pôr minha assexualidade em cheque.

Meu eu interior parte pra agressão se alguém ousar me questionar dessa forma, mas eu posso. Será que me confundi e não sou assexual? Existem gays tão tardios assim? Por que eu demorei tanto? Será que dentro de mim eu sempre soube que queria fazer sexo com alguém, mas não notei? Eu quero fazer sexo com alguém? Só o fato de eu não ter certeza sobre sexo já não me torna assexual?

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Vocês entendem de sexo? Vocês sabem o que é? É onde eu esbarro quando tento me entender. A definição mais básica de assexual é "pessoa que sente baixa ou nenhuma atração sexual". Beleza. Mas o que é atração sexual? "Vontade de fazer sexo". Então eu preciso saber o que é sexo, para saber se tenho vontade.

Acho que, desde que o li pela primeira vez, eu volto a cada 6 meses no texto do Alex Castro sobre a definição de sexo.

"Como definir uma trepada? Se chupei, beijei seus pés e lambi seus mamilos, mas não penetrei, é sexo? Se lambi entre seus dedos dos pés enquanto ela se masturbava, mas nunca nos beijamos, é uma ficada? Se houve penetração, mas foi dela em mim, seja com um consolo ou fazendo fio-terra, é sexo? Um boquete, pura e simples, é uma ficada, uma transada, ou nenhuma das opções acima? Passei a noite inteira dedando a moça por debaixo da mesa: uma ficada, ou nem isso? Os dois se masturbarem juntos é sexo? Um masturbar o outro, com dedo, língua ou consolo, é sexo?"

Eu amo esse parágrafo de todo o meu coração, pois é justamente disso que estou falando. Não teve piroco entrando em ninguém e, mesmo assim, parecem ter sido noites maravilhosas de tão prazerosas. A questão do tato anda mexendo muito comigo. Vocês não sabem o quanto eu amei ganhar um beijo no pescoço ou eu mesmo dar o tal beijo, ou ainda sentir com o próprio corpo os pelos do @... É tão BOM notar que a outra pessoa está sentindo tanto prazer quanto você... Será que isso é atração sexual? ALGUÉM ME AJUDA.

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Quando falam de virgindade, perder a virgindade, fica claro que estão falando de penetração. Acho que nunca ouvi alguém dizer que deixou de ser virgem com sexo oral. Tem gente que faz oral, anal, ouvidal, narigal e jura de pé junto que ainda é virgem só porque não foi visitada por pirocos na via mais comum. Nem sei dizer se a pessoa está certa ou sendo muito ridícula.

Uma conhecida minha, evangélica, supostamente tinha perdido a virgindade com o primeiro namorado. Depois terminaram e tal, e ela ficou noiva de outro cara. Ele não ligou para o fato de que ela não era mais virgem (evangélicos geralmente ligam). Beleza. Ela foi ao médico fazer um exame sei lá de quê e por acaso descobriu que o hímen dela AINDA ESTAVA LÁ. Foi motivo de comemoração NA FAMÍLIA. O marido ficou todo bobo e feliz. Aparentemente, estava realizando o sonho cristão de casar com uma mulher virgem. Juro pra vocês.

É só o hímen que conta? Dá para perder a virgindade com um consolo? E qual é o equivalente para pessoas com pênis? Lésbicas e gays passivos são virgens para sempre? Fica aí o suspense.

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A definição que mais serviu pra mim foi a que eu mesmo inventei. Risos. Sexo tem a ver com mexer nas partes. Pra ter sexo, tem que ter pelo menos uma vagina, um pênis ou um ânus em cena. Não importa muito o como, mas tem que ter, desde que uma pessoa toque a outra. Duas ou mais pessoas interagindo da cintura pra baixo ou fazendo a malandra brincando com o bumbum? Pra mim, estão fazendo sexo.

Alex Castro diz que definir é castrar. Eu acho libertador.

Todo mundo fica meio confuso quando assexuais admitem sentirem prazer com orgasmos, mas convenhamos que existem formas de chegar nesse ápice sem precisar de uma outra pessoa interagindo com os seus genitais. Atração sexual, aparentemente, é isso: vontade de interagir com os órgãos sexuais de outra pessoa ou que alguém, nem precisa ser uma pessoa específica, venha interagir com os seus. Talvez você só ache a pessoa muito bonita ou muito legal ou até gostaria de dar uns beijos, gostaria de abraçar... Mas, se não há vontade de brincar dentro das calças, não é atração sexual. Posso estar equivocado, mas me atende.

Sabe quando você acorda com AQUELA vontade? Eu não sei.



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Posted on segunda-feira, abril 16, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 09, 2018

Demorei, mas voltei com a parte 2! Pra quem perdeu a parte 1, onde encarei animais hostis e deixei um livro erótico acidentalmente cair nas mãos de uma tia crente, só ler aqui. Lembrando que não trabalhamos com cronologia nesse diário, já que não sei mais o que aconteceu que dia, mas vamos que vamos.



17) A gente já tinha ido em duas praias e, no terceiro dia, eu já tava POR FAVOR, NÃO ME OBRIGUEM. Bells, principalmente, que leva esse negócio de ser filha de Poseidon muito a sério, não pode ver uma água que já fica ME SEGURA SENÃO VOU ENTRAR. Eu tava maravilhoso à toa em casa.

Parece uma foto de tédio, mas esse é meu Nirvana

18) Aí sei lá como surgiu um passeio pra Casimiro, que é uma cidade jeitosinha lá perto de Rio das Ostras e, aparentemente, onde viveu o poeta (o Casimiro de Abreu). Eu adoro andar e foi ótimo pra isso. A gente só bateu perna, tirou umas fotinhas despretensiosas e umas fotos muito doidas que até agora seguem sem explicação.



Como diz a Bells, todo domingo um Felipe caído no chão
(Eu realmente tenho todo um histórico de fotos desse naipe)


ABDUÇÃO? FAZENDO A JEAN GREY?


19) A convivência na casa com os parentes da Bells foi um capítulo à parte. Foram tantos momentos que eu nem sei se consigo listar e também tenho medo de acabar ofendendo as pessoas. RISOS. Mas vou me expor um pouquinho.

20) Cara, a criança hiperativa. Muito fofo de longe o menino. Até que de perto também, mas, gente, NÃO PARAVA DE FALAR. Queria brincar de pique, fazia mil perguntas, corria, pulava, chamava pra brincar de pique, arrumava jogos, queria comer o tempo todo, queria saber por que ninguém tava brincando de pique, aaaahhhhhhh. Teve uma hora que até eu cedi e ficamos todos na cama jogando Cara a Cara com ele. Não foi ruim. Teve até um momento de EMOÇÃO em que o menino tava sentado na cama alta e, de repente, ESCORREGOU DE COSTAS PARA O CHÃO. Eu literalmente movi 1 dedo pra tentar amparar uma criança que se bobear pesa mais do que eu, e ele não se machucou. Foi só um susto. Muitos dirão que não, mas tenho pra mim que foi meu 1 dedo que salvou o dia. Ficou doendo o resto da viagem toda.

Eu SALVANDO A VIDA da criança

21) Não me orgulho do que fiz naquela noite, mas precisei tomar uma medida drástica. Eu tava lá dormindo na sala, né. As meninas lá no quarto com ar-condicionado, a tia Florzinha, dona da casa, no quarto privado dela com ventilador... Eu não tinha nada, só os mosquitos e o gato encapetado me fazendo companhia. TUDO BEM. Sério, eu tinha superado isso. Dava pra dormir. Mas aí tinha Florzinha começou a roncar alto lá do quarto privado dela. A porta dela estava aberta. Ela tinha pedido expressamente pra não fecharem a porta dela por causa do calor. MAS AQUELE RONCO, GENTE.

MOSQUITO.
GATO.
CALOR.
RONCO.

COMO EU IA DORMIR?

Todo mundo sabe que dormir bem é minha verdadeira religião, então deixar um ronco alheio atrapalhar minha noite era praticamente um pecado contra os deuses do sono. Sorrateiramente no meio da noite, fui lá e fechei a porta. Silêncio. Paz. Dormi muito bem, obrigado.

No dia seguinte, Tia Florzinha tava meio puta de manhã falando "Poxa, gente, quem fechou minha porta??? Não fecha não, por favor! É muito quente lá dentro". Fiquei com pena porque ela é um amor de pessoa, mas não me entreguei Hahahah Não fechei a porta dela nas outras noites, mas ela também não roncou, então ficamos quites.

22) Praia do Cemitério! Pra uma praia com esse nome, até que tinha muita gente viva lá. Foi um custo convencer Tia Florzinha a ir à praia com a gente, porque ela quase nunca sai de casa. Pra essa praia, ainda andamos uma boa meia hora e nem sei como ela teve forças pra largar o habitat natural dela. Mas foi. PORÉM, assim que chegamos lá naquela praia LOTADA, Tia Florzinha só falou "Meu Deus" e foi embora.

Tipo, ela literalmente VIU a praia, falou "Meu Deus" ou algo assim, VIROU AS COSTAS e foi embora.

DEPOIS DE MEIA HORA ANDANDO.

ELA NEM FALOU TCHAU PRA GENTE.

Todo mundo ficou: ????????

Confesso que não julguei. Na verdade, eu, Taiany e Bells rimos muito e até admiramos a atitude. Cunhamos a expressão "Fazer a Tia Florzinha", esse grande ícone introvertido, que é quando você chega num lugar que não quer estar e, ao invés de ficar lá sofrendo sei lá por que, você simplesmente vira as costas e vai embora, não importando o que passou para chegar até lá. Admiro demais.

Aquela praia foi um cocô mole mesmo, olha minha cara

23) Sei que o grande tchan de ir para Rio das Ostras são as praias, mas acho que o apelo principal de qualquer viagem pra mim é a convivência com os amigos. Tipo, de dividir quarto, ficar na mesma casa, essas coisas simples, mas que a gente não faz todo dia com as nossas amizades. A Bells vendo a novela turca dela, por exemplo. Eu NEM SABIA que existia uma novela turca no ar na tv aberta brasileira. Entendi alguma coisa? Não entendi, mas tão bonitinho a Bells vendo. Novela turca tem mais dramalhão que novela mexicana, cada cena parece estar acontecendo um GRANDE momento. Outra coisa que ADOREI foi poder assistir BBB ao lado da Taiany. A gente comenta essa temporada por whatsapp desde que começou, mas assistir um do lado do outro foi TÃO HINO. Nossas piadas, os comentários, poder ouvir a risada um do outro, mandar as tias calarem a boca, foi muito especial pra mim.

24) Praia da Joana! Cara, deu um AUÊ pra chegar nessa praia. Ninguém sabia como chegar. A gente sabia que existia no mapa e que era perto, mas cada pessoa que surgia na casa dizia que a praia era para um lado. As tias começaram a brigar entre si tentando ensinar pra gente. Chegou uma hora que Bells ficou doida e berrou CHEGA! PRONTO, NINGUÉM VAI MAIS. Se trancou no banheiro. Ficou maior climão. Eu e Taiany pianinhos, né, aquela situação tipo quando os pais do seu amigo brigavam com ele na sua frente quando você tava na casa dele. Mas por dentro eu tava AH, MAS VAMOS SIM, SÓ DE RAIVA, EU HEIN, eu nem gosto de praia, MAS VOU NESSA SIM, NEM QUE SEJA MOVIDO PELO ÓDIO. Sei lá como a situação se resolveu, mas FOMOS. E, gente, melhor praia. Foi literalmente a praia mais bonitinha, mais legal, altas fotos. Achei um sucesso.



25) Rio das Ostras é um lugar excelente para imagens doidas.

Tipo essa loja da Apple. Não, pera.

Ou os funcionários dessa farmácia que sinto que conheço todos de ALGUM LUGAR

Ou ainda esse caixão que me representa sendo vendido numa loja de lembrancinhas

26) Nossa, essa viagem foi muito especial pra mim. É surreal que ela tenha sequer acontecido. Vocês viram COMO e QUANDO minha amizade com Bells e Taiany realmente começou, mal tem 1 ano, uma coisa por causa de blog e Twitter, que só aconteceu por conta de um convite corajoso. Que eu aceitei. E agora a gente se fala todo dia e VIAJAMOS JUNTOS. E foi tão bom! E queremos mais! Gosto assim <3

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Foi bom pra você? Pra mim foi. Voltem sempre :)



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Posted on segunda-feira, abril 09, 2018 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 05, 2018

Não que seja uma das minhas prioridades enquanto Blogueiro, mas ando sem conseguir manter alguma linearidade entre os assuntos dos textos do Não Sei Lidar. Acho que todos concordam que a editoria desse blog é DOIDA. Tanto que eu estava adiando fazer esse texto, meio que esperando o melhor momento, pra quando tudo estivesse mais organizado na minha cabeça, mas aí eu chorei no metrô e acho que esse é um bom gancho pra qualquer texto.

Ainda mais que eu nunca choro.



Eu tentei fazer parte de uma igreja. Tentei mesmo, tentei HARD. Me sentia armado e preparado, estava com muita boa vontade em junho de 2016 e meu relacionamento com Jesus nunca tinha sido melhor. Achei que realmente fosse dar certo, mas não deu. Me cansei um pouco menos de um ano depois. Meu deus, gente, é muita TRETA. Vi meus amigos irem desanimando um por um, vi algumas coisas saindo do controle, vi que a água que eu tinha era mole demais para cabeças de pedras muito duras. Acho até engraçado que as pessoas associem meu estilo de vida e o fato da minha sexualidade não ser um exemplo de padrão cristão com minha falta de entendimento com igrejas. Porque todo mundo fica "Mas é tão simples! É só IR! Eu vou lá todo domingo, oro, falo com os irmãos, escuto a pregação, canto. O que tem difícil?". Não é suficiente pra mim. Não é a vida cristã que eu quero pra mim. Honestamente, acho que não é a vida que Deus quer pra ninguém, mas sei que cada um faz do jeito que quer e sabe, então me contento em decidir pelo menos a minha vida. Não é possível que Jesus passou um livro inteiro falando palavras incríveis pra isso. 

Chegou uma hora que eu já não via mais tantos motivos para lutar, não tinha mais certeza de nada e até meu relacionamento com Deus ficou meio abalado pelo desânimo. Em algum momento que nem percebi, eu desisti. Em outro momento, parei de frequentar de vez.

Ainda falo com Jesus ocasionalmente, mas nunca mais parei para orar com pompa e circunstância. Não leio a Bíblia. Trouxe duas para a casa nova, porém, ainda não as abri. Não me meto mais em debates cristãos. Só gosto de falar de Jesus e religião com quem não é cristão. Evito com afinco o assunto igreja. Já proibi praticamente todos os meus amigos crentes de tocarem nesse assunto comigo. Pra quem pergunta se eu me desviei, eu digo que estou dando um tempo. Brinco que estou de férias. Pra quem me pede para fazer uma visita na igreja X, eu respondo que Deus me livre "Humn... Não gosto muito de igrejas, não é nada pessoal". Faço de tudo para não pisar numa igreja novamente, porque surgem um milhão de más lembranças, a sensação de falha, de impotência, de perda de tempo. Eu me sinto praticamente pecando se passo duas horas dentro de um templo.

Eu nem ia falar nada disso.

Estava no metrô e chorei porque vi uma matéria sobre esse filme novo do Edir Macedo e todo esse cheiro de LAVAGEM DE DINHEIRO que está levantando aí. O filme tem a maior bilheteria do Brasil ou sei lá, mas, se você paga pra ver, encontra o cinema praticamente vazio. Acho que nem quero me aprofundar e investigar essa treta, mas... mas... CARAMBA, IGREJA, VOCÊ TINHA UM - UM - TRABALHO. E NÃO ERA FAZER FILME SUSPEITO SEI LÁ PRA QUÊ.

Chorei porque Jesus não merece. Sei que na internet é facinho xingar cristão, e na maioria das vezes eu nem tiro a razão das pessoas, mas isso me machuca ao pensar que Jesus fez todo um esforço pra abraçar o mundo inteiro com o amor dele e, por causa de pessoas, a mensagem dele não chegue onde deveria chegar. Ou haja resistência pesada. Ou as pessoas que mais precisam recusam. Tipo, ele realmente não merece. Mal estamos nos falando, mas eu gosto tanto desse homem, gente. Queria que desse pra separar a imagem dele da imagem que a igreja assumiu nos dias de hoje. Queria que a igreja limpasse sua barra ou então que afundasse de vez e surgisse um novo modelo de igreja ou sei lá. Não sei se tenho mais fé nisso, mas antes eu tinha. Sei que quero fazer parte de alguma coisa, mas de uma coisa boa. Viva, saudável, alinhada, inteligente. Amorosa. Mas também sei que não adianta nada eu criticar sem mover uma palha pra fazer minha parte. Por isso não ando tocando no assunto.

Já contei que estou de férias?



OUTROS TEXTOS


Posted on quinta-feira, abril 05, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, março 26, 2018

Quem leu leu, que não leu não lê mais, pois acabo de guardar nos rascunhos aquele post pré primeiro date da minha vida. Ele é só meu agora.

Gente, esse negócio de sentimentos. Que coisa, né.


Ai, transbordei mesmo. Esse lance de eu me interessar por uma pessoa já interessada em mim ainda é tão novo que acho que me apaixonei pela situação. Sabe, idealizei bastante, me apropriei de tudo que aprendi na TV e nos livros, me enchi de, sei lá, efusividade e pari aquele texto.

Voltei pra ler aquilo que escrevi e achei assustador. Acho que se o @ cai naquele texto, foge pra bem longe. Eu menti naquele texto? Não menti. Mas dois encontros depois, muitas conversas honestas, propostas indecentes que eu adorei e uma DR, acho que já estou mais tranquilo e posso entender melhor meus sentimentos.

É uma morte tão horrível e maravilhosa que eu nem sei que conselho daria pra quem por acaso estivesse pensando "Humn... Será que esse negócio de sentimentos românticos vale a pena?". Não sei mesmo.

***

Ele pegou minha mão no cinema.

A gente estava dividindo uma pipoca e por uns vinte minutos de filme eu tinha até esquecido que estava num date e acho que, se não fosse aquela mão procurando pela minha de repente, acho que era capaz de continuar tudo na mesma até o final. Deus abençoe aquela mão desesperada. Eu agarrei com vontade, foi meio estranho, os dedos não estavam bem posicionados e eu tive vergonha de não saber nem segurar uma mão. Teve um momento que eu falei "Meu Deus, pera" e devagarzinho ajeitei os dedos. Primeiro um dedo dele, depois um meu, um dele, um meu. Organizando direitinho, deu espaço pra todo mundo.

Talvez vocês que já estão acostumados a pegar nas mãos das pessoas achem isso meio idiota, mas, nossa, eu adorei. Duas mãos. Juntas. Dedos acariciando minha pele, eu copiando movimentos, como sempre.

Não lembro bem como a coisa evoluiu, mas em nenhum momento reclamei por ela ter evoluído, ainda mais que tive várias primeiras vezes. Primeira vez que acaricio o braço de alguém. Primeira vez que colocam o braço em volta de mim no cinema. Primeira vez que deitei romanticamente num ombro. Primeira vez que alguém segura meu queixo.

- Isso foi um selinho?
- Foi.

Primeira vez que dou um selinho.

***

Saí daquele cinema achando que podia TUDO. Só fui descobrir um pouco depois, para minha tristeza, que não podia muito não. Demonstração de afeto em público se você e sua pessoa são do mesmo gênero ainda é uma questão em 2018. Eu não tinha ideia. Admito que achei meio bobagem no começo, porque, pelo amor de Deus, a gente só queria se abraçar! Mas notei que o @ ficou tenso em alguns momentos, olhava pra todo lado, esperava as pessoas passarem para me tocar... A gente literalmente teve que caçar lugar pra continuar o que o fim do filme parou. Até eu fiquei com medo depois de surgir um maluco e quebrar uma lâmpada nas minhas costas. Onde estou me metendo, gente?

***

Não sei se existe um deus ou santo LGBT, mas, se existe, aquele parque é abençoado por ele, porque eu pesquisei muito onde rapazes que beijam rapazes podiam ser felizes em paz e várias fontes me indicaram o parque. Não estavam enganados.

Antes eu estava só procurando um lugar mais reservado no meio daquelas trilhas e ruínas, mas acabamos entrando numa torre e, CARAMBA, aquela torre. Era coisa de filme. O parque todo parece coisa de um filme que eu escrevi pra eu mesmo protagonizar. Existe essa torre no meio do nada, de um cômodo só, bem rústica. Mas em cada pedacinho de parede há mensagens de amor escritas por visitantes. Letras diferentes, cores diferentes, romances diferentes. Eu fiquei doido querendo ler tudo. Poemas, letras de músicas, frases cafonas, mas que ali dentro pareciam lindas, pedidos de volta-pra-mim... Algumas eram meio diretas tipo "ADORO PICA ME ADD NO ZAP", mas tudo bem, eu ri. Tinha até um Fora Temer, talvez uma mensagem de amor pelo Brasil. O @ pegou na minha mão de novo e me tirou da realidade, porque eu fiquei que nem um panaca olhando paras as paredes e para o teto, quando tinha o @ o tempo todo ali, que era muito mais interessante.

Meu primeiro beijo de verdade foi numa torre cheia de mensagens de amor. VOCÊS TÊM NOÇÃO?

O segundo foi também, o terceiro, o quarto. De vez em quando surgia uma pessoa aleatória, e a gente ficava NOSSA, OLHA ESSA PAREDE, daí a pessoa ia embora e continuávamos no quinto, no sexto e no sétimo beijo.

Alguns acontecimentos dessa torre eu quero só pra mim.

***

A parte ruim é o depois. A incerteza. Eu sempre bati no peito pra dizer que o ÚNICO jeito possível de eu me envolver com alguém seria através de uma amizade, porque não tem como criar nada com gente desconhecida e que não me conhece. Errei feio. Mas com uma pessoa que faz parte da minha realidade seria muito mais fácil. Um amigo que mora na minha rua, alguém que trabalha comigo, alguém que vejo com frequência e sei que amanhã estará lá pra mim querendo ou não. Não foi nada como planejei. Já entrei numas paranoias de achar que acabou tudo, de que não vai pra frente, de que somos muito diferentes... Às vezes eu acho que ele não quer mais nada. Em outras, parece que EU é que perdi o pique e enjoei. É chato porque não dá pra fazer muitos planos, e eu AMO planos, mas é o que tem.

Quando a gente conversa, tudo volta ao lugar. Mas depois sai. E se ajeita de novo. É um inferno bem gostosinho.

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Não sei mesmo para onde a coisa toda vai. Vocês que já estão calejados dessa vida de romance e encontros devem saber melhor do que eu. Estou gostando, mas, caramba, tão difícil às vezes. O conselho que mais de uma pessoa me deu foi o de curtir o momento. Ainda é tempo de pensar só no agora. Um dia de cada vez. Curta os encontros. Viva o que tiver para viver. Ninguém vai morrer se acabar, e existem um milhão de coisas que podem dar um fim em tudo, mas eu vou sobreviver. É assim esquisito mesmo, me disseram. Eu sei que eu quero mais e não é pouco mais não. É muito mais. Se o @ quiser, eu quero. Se ele não quiser, paciência.

Me surpreende que pessoas comecem a namorar já na adolescência. Isso é coisa que nem adulto sabe lidar direito.


UPDATE: Tirei o tal post dos rascunhos porque o @ já tinha lido tudo sem eu saber. RISOS. Bom, ele não fugiu.



OUTROS TEXTOS E LINKS


Posted on segunda-feira, março 26, 2018 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, março 14, 2018

É uma verdade universalmente conhecida que eu não sei ficar inerte. Quer dizer, depende. Sou muito bom em ficar imóvel, refletindo, lendo um livro, à toa em casa, mas ficar sem nenhuma expectativa na vida, sem nenhum plano, só deixando a vida me levar, é algo que eu não sei fazer. Eu sempre tenho coisas rolando nos bastidores. Algumas grandes, algumas pequenas, outras muito ridículas e umas que dão realmente certo às vezes. Eu nunca sei antes de tentar.

Ficar sem emprego é uma morte horrível, ainda mais quando não foi ideia nossa, mas, dessa vez, eu fiz TANTOS planos que praticamente nem senti o ócio. Eu acho que até TRABALHEI MAIS. Ganhei dinheiro? Não ganhei. Mas é justamente essa parte que estou aqui contando com vocês.


Eu sempre quis participar de um clube do livro. Sei lá, acho que é o sonho de 76% dos leitores assíduos. A gente já fica todo feliz quando conhece alguém que também tem o hábito da leitura, imagina participar de um grupo de amigos que se reúne pra conversar sobre livros? Melhor ainda, que está ali para comentar o mesmo livro que você? É o nirvana literário.

Mas você já tentou montar um clube do livro? Seus amigos não curtem tanto ler assim, é difícil marcar com todo mundo, galera esquece de ler o livro, tem gente que some no meio do processo, 1 mês depois ninguém lembra mais que tinha topado participar do clube. Eu conheço 0 pessoas que já participaram de um clube do livro. Todo mundo quer, mas ninguém faz. É um mistério.

Contudo, sou teimoso.

E é por isso que hoje trago à existência O MAGNÍFICO CLUBE DO LIVRO DE FELIPE FAGUNDES NO RIO DE JANEIRO. Brincadeira, o nome não é esse, mas a ideia é tão legal quanto.


Gente, tô aqui unindo o útil ao agradável. Gosto muito de ler, quero conversar sobre livros, sou bom em bater papo, excelente em organizar coisas, quero ter uma renda extra e conhecer novas pessoas. Então, CLUBE DO LIVRO!

É um negócio mesmo: Você que mora no RJ entra com 10 reais e informa em quais leituras você tem interesse. Eu corro atrás de gente com os mesmos interesses, tento montar um grupo de 5 a 10 pessoas, posso emprestar livros e sugerir meios de consegui-los, organizo tudo, marco um dia, faço o dever de casa pra ser um bom mediador e, de 30 a 45 dias depois, a gente se encontra onde for legal pra todo mundo para comentar, debater, rir e se divertir com uma conversa sobre o livro escolhido e histórias em geral. É algo bem com a minha cara de conhecer novas pessoas e quem sabe fazer novas amizades. Você só precisa ler o livro e comparecer. O resto do trabalho é todo meu.

A minha função exatamente é fundar os clubes, organizar a primeira reunião e garantir que a galera consiga seguir em frente sem depender de mim.

Quem me acompanha mais de perto, mas beeeem de perto mesmo, sabe que já estou com esse projeto em andamento há algum tempinho, então já tenho algumas pessoas interessadas e prontas pra me apoiar nisso. Eu juro que não é cilada! Nem tô planejando sumir com seu dinheiro.

***

Separei essas sugestões de livros que estão na imagem só como ponto de partida e sugestão mesmo. Assim que eu conseguir encontrar um grupo legal, seja lá de qual livro for, fecho o clube e começo os trabalhos. Você pode saber mais dos livros sugeridos clicando no link para a página deles no Skoob. São todos livros curtos, leves e divertidos.

1) Nimona (Noelle Stevenson)
2) O ano em que disse sim (Shonda Rhimes)
3) Simon vs A Agenda Homo Sapiens (Becky Albertalli)
4) Tá todo mundo mal (Jout Jout)
6) Quinze Dias (Vitor Martins)


***

Infelizmente, é só pra quem é do Rio de Janeiro mesmo (cidade e arredores), não rola não ser presencial. Então, se você mora em outro estado, mas conhece alguém aqui no RJ que ia adorar participar, pode recomendar!

Se você é curioso e/ou precisa sentir que a coisa é séria mesmo, esse clube do livro faz parte de uma iniciativa maior, um projetão que tomou conta da minha vida no último mês e já está em andamento. Tem site e tudo (www.saiadarotinarj.com.br), fique de olho na página do Facebook também! Pra quem é leitor desse blog, juro que em breve explico tudo com mais detalhes. É muita novidade!

***

Bom, é isso.

Interessados, só me procurar em qualquer lugar. Aí nos comentários do blog, pode usar o formulário de contato, pode me chamar no Twitter, na minha página no Facebook ou pelos contatos oficiais do Saia da Rotina.

(Toda minha gratidão pra quem compartilhar esse post nas redes sociais e a imagem com os amigos no whatsapp)

Posted on quarta-feira, março 14, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, março 06, 2018

Alô, Brasil, estamos prontos pra mais um diário de viagem? Pois eu estou. Ok, ok, eu sei que quem acompanha o blog semana após semana talvez tenha mais interesse em saber de c e r t a s coisas que foram citadas em posts passados, mas feliz ou infelizmente eu que mando, então é diário de viagem que tem hoje mesmo. Me perdoem.

Pra quem não sabe como funcionam os meus diários: São diários físicos que vou escrevendo durante as viagens, depois eu chego em casa, edito e posto no blog. Então aqui estamos.

Destino: Rio das Ostras!



1) DEUS AGIU, e finalmente consegui quebrar o ciclo e fugir da igreja. Todos os meus carnavais foram passados em retiros e, gente, não dava mais. Não gosto de farra, de bloco, de samba nem nada, mas não fazia ideia do que pessoas que não frequentam igrejas nem blocos fazem. Ficam em casa trancadas? Mas tô muito orgulhoso do meu networking que me fez ficar amigo de menina Isabelle e, PLAH, aqui estou indo para RIO DAS OSTRAS passar o Carnaval inteiro na casa das tias da Bells, vivendo de sol, ventinho gostoso e praia.

2) Até a instituição trio que eu tanto prezo se fez presente, pois Taiany veio junto e ficou tudo perfeito.

Bells e vó da Bells na frente, Taiany e eu atrás

3) SOCORRO que me tornei aquilo que sempre odiei: gente que não cala a boca dentro da condução. Eu literalmente fiquei 3 horas tagarelando no banco de trás com Taiany e aposto que estava sendo alvo de ódio dos demais. Mas conversar é tão bom!

4) Inclusive, fui vítima do PODER DO ÓDIO quando a mochila de Taiany caiu do bagageiro NA MINHA CABEÇA. Sério, gente! Simplesmente CAIU. Nenhum passageiro demonstrou o mínimo de preocupação e compaixão (nem Bells, todos riram). Me vinguei de todos e não me calei até o final da viagem, pois sou ruim agora.

5) Várias pessoas seminuas no centro de Rio das Ostras, recomendo.

6) As tias da Bells são todas crentes. RISOS de nervoso. Eu estava meio ressabiado com isso, pois aparentemente desenvolvi trauma do universo cristão. Até tenho amigos que são, mas evito entrar em discussões. Outra coisa é que as tias tem nomes super fofinhos, vamos aqui chamar de Florzinha e Lindinha, então eu tava esperando chegar numa casa decorada que nem o escritório da Dolores Umbridge.



7) Tem uns 10 seres humanos na casa e, além das tias, há uma criança hiperativa, um gato possuído pelo capeta que rouba a atenção de todos e uns parentes avulsos que acho que só aparecem pra comer. Não julgo, pois estou fazendo o mesmo. As tias são ótimas.

8) Confesso que acho praias lugares superestimadíssimos, então não sei bem como vou me comportar aqui, onde TUDO é praia. De dia, de tarde, de noite, praia perto, praia longe, a gente tropeça e cai numa praia. Ainda tenho umas memórias meio desagradáveis de quando uma praia tentou me assassinar e de quando minha bunda foi exposta.

9) Praia do Bosque! Gente, que água gelada, puta merda. Infelizmente, minhas acompanhantes são ratas de praia e acharam a água "gostosinha" e, no máximo, "um pouco fria". Desisti meia hora depois e fiquei na areia. Iam me deixar cuidando das bolsas, mas logo perceberam que sou desses que deitam na canga, dormem e deixam o ladrão levar tudo.

Eu dormindo na Praia do Bosque, cenas reais

10) Eu tinha esquecido da dinâmica nas casas de gente crente. Homens e mulheres não se misturam nos quartos. Às vezes, nem os casados. Só que, né, estou socado numa casa com 200 mulheres, então as bonitas ficaram com todos os ventiladores e com o quarto do ar-condicionado. QUE MUNDO MISÂNDRICO. Me restou dormir sozinho na sala com os mosquitos e, óbvio, o gato encapetado.

11) SOCORRO, esse gato. Já convivi com alguns gatos hostis, mas esse supera todos. O bicho é super alucinado, não pode ver NADA se movendo que PULA pra atacar com garras e dentes. A criatura ainda tem um brilho natural que seduz todas as pessoas, mas não me engana. Tipo, gente, o bicho mordeu o peito da Taiany! E rasgou o braço da vó da Bells com a unha!!! Todo mundo: Nossa, que fofinho.

12) Perguntamos pra tia Florzinha de onde veio o nome do gato. É árabe. O nome do diacho do bicho significa "Abençoado". Gritei.

A-ham. Abençoadíssimo.

13) Apenas meu pé foi atacado à noite, mas passo bem. Não posso dizer o mesmo do gato. Brincadeira. Infelizmente, nós dois saímos vivos daquela primeira noite.

14) Acho que foi eu emanando bad vibes na sala que fez o ar-condicionado pifar e começar a pingar em cima da cama alheia Hahahahahah No dia seguinte, além de calor, tava todo mundo reclamando de ronco e peido, então acho que sofrer ataques do gato de madrugada não foi tão ruim assim.

15) Praia da Baleia! Outra banheira de gelo. Eu literalmente fiquei tremendo e com os lábios roxos, mas adorei as fotos. Eu tô acostumado com as praias da Costa Verde, que são meio que selvagens e um pouco mais vazias. Rio das Ostras no Carnaval é um FERVO, porém, o plano de 5 praias em 5 dias estava de pé.

Hangloose em homenagem à Carol, sempre em nossos corações
Parece que a Carol morreu, né. Ele está viva

16) Já contei no Twitter, mas quero deixar registrado em todos os lugares possíveis que esse causo aconteceu. O fato das tias serem crentes realmente não afetou em nada as good vibes da viagem, não teve mesmo nenhum problema, apenas um leve constrangimento quando eu lembrei que tinha levado na mala um livro chamado PRAZERES MALDITOS. Isso mesmo: PRAZERES MALDITOS. Gente, eu tenho esse livro há tanto tempo e NÃO SEI POR QUE escolhi ele pra levar. Não foi a melhor das minhas decisões. Daí eu sou do tipo que deixa a mala arreganhada e as coisas jogadas por aí, então calhava do meu livro sempre estar à mostra. Às vezes ele sumia, aí aparecia do nada misteriosamente. Pois teve um dia que Tia Lindinha entrou no banheiro, e Bells veio correndo contar "GENTE, TIA LINDINHA LEVOU O PRAZERES PRO BANHEIRO". Eu GELEI. E gargalhei e infartei. Foi, tipo, TÃO SURREAL.

ESSA MULÉ VAI QUEIMAR MEU LIVRO? VAI RASGAR? DAR DESCARGA NELE?

OU PEGOU PRA LER? KKKKK

Gente, sério, Prazeres Malditos. Eu tinha lido umas 10 páginas só, nem sabia direito do que se tratava, não leio sinopse. Sabe Deus o que tava escrito ali dentro. E a tia crente lendo.

Daí, SUSPENSE, Tia Lindinha sai do banheiro e conta pra Bells "Ah rsrsr Achei que fosse minha Bíblia rsrsrsr Peguei pra meditar rsrsrsr"

Pensa numa meditação gostosa

A Bíblia da mulher tem o dobro do tamanho e é rosa. ME ENGANA QUE EU GOSTO, LINDONA. Pior que depois achei o livro chato pra caramba e abandonei, podia ter deixado lá em Rio das Ostras.

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Socorro que já tá muito grande e vou deixar para finalizar em outro post. Eu juro que continua.



OUTROS TEXTOS E LINKS


Posted on terça-feira, março 06, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Recapitulando fatos importantes: Eu tenho 26 anos, sou assexual, nunca me relacionei romanticamente com ninguém, nunca beijei na boca. Obviamente, sou virgem de todas as formas possíveis. Nunca senti falta de nada disso.

Aí não sei por que marquei esse date.



Nem acho que vou morrer nem nada, inclusive já sobrevivi a situações mais adversas, porém tô nervoso como nunca. Eu sempre fugi de dates. Essa coisa de você deixar evidente que quer um relacionamento, de tentar impressionar a outra pessoa, essa pressão de se vai ter beijo, se não vai, se vai ter segundo encontro, se vai rolar química... Só a teoria já me mata, e eu jamais em sã consciência me colocaria numa situação dessas. É muita exposição, é muito ser o centro das atenções, eu não sei, a minha cara arde só de imaginar. Eu até evito sair em dupla com amigos, sempre monto trios ou grupos, não sei se vocês já repararam. Mas aí tem esse date e muitas questões.

Primeiro, eu já disse que vou nesse date com um rapaz? Pois vou com um rapaz. Não sei se é um choque pra alguém.

Nunca saí com rapazes, mas também nunca saí com moças. Risos. Algumas pessoas juram de pé junto que sou gay, e eu até acreditei por um tempo. Acho que já falei com uma dúzia de pessoas que acho rapazes interessantes. Mas aí eu conheci gays de verdade e, gente, acho que não funciona pra mim não. Óbvio que conheci héteros e definitivamente não funcionou também. Sempre existe um vão imenso e, mesmo sabendo que alguns assexuais conseguem se identificar como homo/heterorromântico, eu nunca me classifiquei nessas categorias, até porque nunca precisei. Tava aqui esperando, né: o dia que rolar um sentimento, rolou. Aí estou lidando com esses dilemas de, oh, meu Deus, rapazes, o que vão pensar, serei obrigado a ver a mangueira entrar? socorro preconceito e blábláblá.

Eu quando converso com amigos gays sobre dates


Eu quando o amigo é hétero

Tem também a questão de que eu nunca estive nessa posição de gostar e ter interesse nas pessoas. As pessoas que sempre gostam de mim. Risos. Mas é sério. Um dos dramas menores da minha vida é esse de eu nunca ter sido capaz de retribuir de verdade os flertes e as investidas que recebi ao longo da vida. Parece ridículo da minha parte dizer isso, mas, em quase todo lugar que eu vou, tem uma pessoa apaixonadinha por mim sei lá por que. Tanto meninas quanto meninos já pediram pra namorar comigo, já fui pedido em CASAMENTO, já quebrei o coração de alguns, já vi gente CHORAR por causa de um não meu, também passei pela saia justa de ouvir um "Você quer me beijar?" meio safadinho e ter que responder com um "QUE??? Não!". Enfim. Não que eu me ache o rei da cocada preta, são apenas os fatos. Também não entendo esse sucesso. Deve ser meu brilho natural.

Mas aí surgiu esse rapaz do nada, fez umas investidas, eu recusei gentilmente e comentei sobre assexualidade. Ele ficou animado e disse que é demissexual. Papo vai, papo vem e ficou por isso mesmo. Só que aparentemente fiquei falando do moço o tempo todo, e meus amigos ficaram meio:

- Felipe??? Você está apaixonado por este rapaz?
- EU??? kkkkkk Claro que não kkkkkkkk Ai, ai kkkkkkkkkk
- ...
- Nossa, gente, só por que eu cito o nome dele de hora em hora e às vezes desejo que ele estivesse aqui perto de mim e gosto de ficar olhando as fotos dele e acho ele bonito e amo a voz dele e existe alguma coisa misteriosa acontecendo dentro de mim que me faz ter sentimentos que nunca tive e está me consumindo?
- ...
- Eita, ferrou.

Então, SEI LÁ, marquei o date. Já me arrependi umas 10 vezes e no momento me pergunto se é socialmente aceitável fingir que morri pra não ter que aparecer.

SERÁ QUE É AMOR? TÁ TÃO DIFÍCIL DE ESCONDEEEEER, OOOOOH, OLHA O QUE O AMOR ME FAZ, ME DEIXA SEM SABER COMO AGIR, OOOOOHHHH, é o que fica tocando na minha cabeça o tempo todo enquanto vou ao shopping comprar uma brusinha nova para o date. Fui no Google pesquisar "Como agir num primeiro encontro no cinema" (inclusive, achei dicas kkkkk) Eu me sinto muito ridículo quando vejo que rapaz não está online e permaneço encarando a tela do computador, esperando a bolinha ficar verde. Fico vermelho se tiver que contar pessoalmente essa história toda pra alguém. Todo mundo acha fofo enquanto reflito se quero morrer. Eu tô muito "Pai, afasta de mim esse cálice, mas, se quiser, aproxima".

Não sei mesmo como vai ser. É um sentimento muito novo pra mim, eu nem sabia que era capaz de sentir isso, gente. Então é ASSIM que aquelas pessoas otárias nos livros, filmes e na vida real se sentem o tempo todo? SOCORRO. Eu e rapaz nos vimos pessoalmente uma única vez, trocamos 5 palavras. Acho que nem temos um vínculo forte. Eu consigo fazer um top 5 amigos com quem converso e compartilho coisas mais do que com ele. Há vários obstáculos entre a gente (lugares onde moramos, diferença de idade, orientações sexuais tecnicamente desfavoráveis, eu ser maluco etc) e eu não sei por que tô me prestando a esse papel, mas existe essa ATRAÇÃO MISTERIOSA que eu não sei explicar. Ou vai ser muito bom ou vai ser muito ruim, uma fonte eterna de dor e sofrimento.

Vai ver é karma voltando depois da meia dúzia de corações que sem querer já parti.

Se hoje for segunda-feira, dia 19/02/2018, o date é hoje à tarde e aceito todas as dicas possíveis. ME SALVEM. Se eu sobreviver, volto num futuro próximo com mais notícias.



OUTROS TEXTOS E LINKS


Posted on segunda-feira, fevereiro 19, 2018 by Felipe Fagundes

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