terça-feira, julho 31, 2018

Estava lembrando de um texto que li ano passado em que pessoas de uma redação de revista refletiam sobre o fato de que só tinha gente branca trabalhando com eles. E todo mundo era do eixo Rio-SP. Era um texto sobre representatividade e tal, e eles queriam fazer um esforço real para mudar esse quadro. A motivação deles não era só preencher cota e satisfazer, sei lá, a galera da internet. Eles, como jornalistas, estavam se perguntando o que estavam perdendo deixando de abraçar outras realidades de vida, outras perspectivas. A gente, principalmente homens e brancos, tende a pensar que a nossa realidade é a realidade padrão. Que todo mundo vive o mesmo, que nossa vivência é universal. Por isso que há uma resistência em acreditar nas falas sobre racismo, acreditar nos discursos feministas entre outras pautas. A gente não vive, daí os problemas dos outros parecem surreais e inventados. Isso tudo só pra dizer que tem muita coisa que eu não sei.

É spoiler pra quem não leu NS1 (meu livro), mas tem umas cenas lá no final em que a Melodee e o Arthur terminam o namoro e ela vai embora para o Canadá. Daí ele vai atrás dela para tentar reconquista-la. Na minha cabeça, isso era uma prova de amor incontestável: um homem indo atrás de sua amada, atravessando terras e céus em nome da paixão e outras cafonices. Óbvio que com ele chegando lá, ela fica balançada, surpresa, grata e feliz. Que homem fofo! Ele a ama mesmo! Daí eles reatam e fim.

Eu devo ter escrito isso em 2014, 2015... Jurava que estava abafando nas cenas românticas.

Quando postei no Wattpad, consegui alcançar muuuuuitas adolescentes e mulheres adultas. Essa e outras atitudes do Arthur geraram debates e comecei a reparar em vários comentários de meninas dizendo ter ranço do Arthur, que ele era abusivo, que a Melodee merecia coisa melhor... A princípio, fiquei meio COMO ASSIM? ELE É UM AMORZINHO! Mas depois eu continuei lendo e percebi.



Gente, vocês já viram o tanto de notícia de homem que, após o término do namoro/casamento, vai atrás da ex e tira a vida dela com crueldade? Mete bala, facadas, dizima uma família inteira, atropela... É assustador. Eu nunca tinha reparado nesse padrão. Seu ex ir atrás de você assim do nada é invasivo, é de deixar com um pé atrás. Acredito que essas vítimas também não esperavam serem assassinadas pelos homens que um dia elas amaram.

Uma amiga minha viveu uma coisa parecida. Namorava à distância um menino de outro estado, as coisas não estavam indo muito bem, ela resolveu terminar. Ele ficou chateado, mas, beleza, vida que segue, término não é fácil mesmo. Até que um dia do nada o lindo diz que está A CAMINHO DA CASA DELA pois PRECISAMOS CONVERSAR.· Fiquei imediatamente preocupado com a integridade física dela assim que ela me contou. Não foi à toa que os amigos todos se juntaram e fomos juntos marcar um encontro dela com ele. Não que isso fosse salvar a vida dela de um cara realmente decidido (ainda ia matar a gente), mas pelo menos desencorajaria um fulano inseguro.

Ele achou ruim.

Achou que era um absurdo ela pensar algo assim dele, disse que ele jamais seria capaz de machucar ela e que só queria conversar. Assim, eu também ficaria meio chateado se alguém pensasse isso de mim, mas eu que não arriscaria minha própria vida pelo ego ferido de outra pessoa. Cheguei a refletir se era paranoia da nossa parte, mas, caramba, acontece tanto.

É uma coisa que eu, como homem, jamais temeria caso uma ex fosse atrás de mim. Mesmo um ex homem não me deixaria alerta, porque quem traz a desgraça geralmente é o homem hétero que acha que a mulher não pode ser feliz sem ele.

No livro, eu meio que validei esse comportamento. Como se a menina fosse até obrigada a aceitar o ex só porque ele foi atrás dela. Imagina dizer não para um cara agressivo que atravessou um continente pra te ver. Corrigi isso depois, de certa forma. No conto "Os Quatro e o Fusca" rola uma pequena reflexão sobre o assunto. Sei que não farei mais nas minhas próximas histórias.

Mas quantas coisas eu ainda não sei? Quantas ideias equivocadas eu repasso por falta de conhecimento? Sei que só posso aprender mais conhecendo pessoas diferentes de mim. De outras idades, outros lugares, outra classe social, de outras religiões... Não quero perder nada.



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Posted on terça-feira, julho 31, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, julho 16, 2018

Eu amo vocês.

Acho importante terem isso em mente enquanto leem esse texto, porque vocês não estão acostumados a serem confrontados nesse sentido, já que todo mundo na bolha de vocês é homofóbico também. Convenhamos, vocês não conhecem de verdade 1 (UM) (Literalmente UM) gay. Talvez vocês pensem que estou com raiva, ódio, mágoa ou sei lá o quê, mas eu já estive aí desse lado e sei como é. Eu nem estaria aqui escrevendo isso se quisesse cortar vocês de vez da minha vida.


Eu amo vocês, mas não gosto mais de conversar com vocês. Também não sinto mais ânimo de compartilhar nada da minha vida, porque já sei mais ou menos como serão as suas reações. Não consigo mais chamar vocês para saírem comigo e com meus outros amigos ou mesmo aceitar convites, porque sei que em algum momento do rolê vou me sentir desconfortável.

Foi mais ou menos uma surpresa pra vocês, eu sei, foi pra mim também. Eu queria que a gente trabalhasse esse choque juntos, porque, do jeito que nossa amizade funcionava antes, já não funciona mais pra mim. Ou eu volto ao que era antes ou vocês dão um passo pra frente, mas todos nós sabemos que não vou voltar.

Vocês lembram quando estavam na dúvida se estavam apaixonados ou não? Lembram quando não sabiam se o namoro estava indo bem? E daquele dilema de qual pessoa vocês realmente amavam? Lembram? E de quando machucaram vocês? Lembram quando vocês já não sabiam mais o que fazer e precisaram de um conselho sobre como lidar com a pessoa que vocês amam? Lembram quando vocês estavam com medo do julgamento alheio e precisaram de alguém de confiança pra desabafar? E da dúvida na hora de casar? E dos desabafos? E daquelas horas em que vocês estavam muito tristes porque tinham brigado com as pessoa que vocês gostam? Vocês lembram?

Porque eu lembro. Eu estava lá.

Mesmo sem ter experiência nenhuma em relacionamentos amorosos, eu ficava horas ouvindo vocês. Por telefone, por mensagens, pessoalmente, de dia, de noite, até uma vez de madrugada. Eu acompanhei relacionamentos inteiros de vocês. Eu aconselhei, dei força, abri olhos, mandei a real, "Acho que essa pessoa não é pra você", "Esse relacionamento não está muito abusivo?", dei ideias, sugeri soluções, comemorei as pequenas vitórias ou apenas fiquei quietinho ouvindo, quando sabia que vocês só queriam falar.

Estão lembrando?

Aí, agora que eu FINALMENTE tenho 1 história pra contar e também tenho dúvidas, inseguranças, necessidade de desabafar e comemorar, vocês não estão aqui pra mim.

Eu: a

Vocês: Desconforto, piadas homofóbicas, inferno, "Não sei o que dizer"

Isso parece justo? Era de se esperar que vocês já soubessem o que dizer depois do tanto que já ouviram de mim. Não é difícil de entender. Sério, é praticamente igual. Só duas pessoas descobrindo o que sentem uma pela outra e que de vez em quando pisam na bola e pedem desculpas e querem agradar e querem ficar juntas e querem apoio. Não é difícil mesmo, vocês já viveram isso mais vezes do que eu.

Sei que não posso andar esse caminho por vocês. Só estou de longe dizendo "É por aqui ó". Espero que vocês queiram caminhar e cheguem até o final.

Estarei por aqui, como sempre.



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Posted on segunda-feira, julho 16, 2018 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, julho 13, 2018

É incrível como estou tentando escrever desde o final do ano passado. Consegui alcançar minha meta de ter um livro novo escrito antes da metade do ano? Não consegui e falhei miseravelmente. Mas, gente, vocês têm que me dar algum crédito.


Entra mês e sai mês e vejo um monte de blog morrendo, newsletters nascendo pra meia dúzia de edições e nunca mais, histórias inacabadas mil, mas eu tô aqui post atrás de post. Diminuí o ritmo e mal consigo emplacar 1 post por semana, mas parando eu não estou. Acho que tudo bem se eu quisesse parar de escrever para o blog também, mas eu não quero e hoje só passei aqui pra dizer que escrever é uma parte de mim. Uma parte importante, se já não está óbvio. Acho que já perdi a conta de quantos "Oi, gente, eu sumi, né? rsrsr" já vi por aí, e os motivos geralmente são faculdade, trabalho e vida acontecendo, mas, mesmo com trabalho, faculdade e vida acontecendo, eu nunca abandonei escrever de vez. Tem o blog, tem meu livro novo (Final de 2018, será que rola?), tem a série de novelas Não Sei Lidar... Se eu não estou aqui, eu estou lá e vice-versa.

Não consigo parar, mas, nos últimos seis meses, olha, quase parei. Gente, a vida aconteceu demais e teve uma fase aí que eu até fiquei triste porque não conseguia mais escrever. Não tinha tempo, não tinha cabeça, não tinha corpo. A vontade nunca me abandonou, mas não havia condições e passei esse tempo me arrastando tentando digitar uma letrinha por vez.

O Allan comentou comigo que pra ele minha vida sempre pareceu uma montanha-russa, porque eu não sossego o facho nem um segundo e, se você acompanha esse blog, deve ter notado como as coisas realmente andaram agitadas. Troquei de emprego, saí da casa da minha mãe, troquei de cidade, fui morar por minha própria conta, fiquei desgraçado da cabeça na Firma nova, PERDI O EMPREGO, conheci 1 rapaz pela primeira vez, beijei esse rapaz, terminei com esse mesmo rapaz e daí conheci outro rapaz, arrumei um emprego novo, INVENTEI UM EMPREGO NOVO e agora tô me mudando mais uma vez pra uma casa cheia de gente. E isso comigo presente para os meus amigos, tocando o Saia da Rotina e tentando manter o blog ativo.

Sobrou só um trapinho de espírito para a escrita criativa, e eu já estava me sentindo um fracasso de escritor.

Só fui me recuperando agora, vendo gente falar sobre escrever. Nossa, é a melhor coisa. Fica aí a dica pra quem escreve: Siga escritores nas redes sociais, acompanhe o trabalho deles, frequente eventos literários. Eu fico MUITO inspirado vendo pessoas contarem suas conquistas, falarem sobre o processo de criação e ouvir leitores explicando como uma história específica os impactou. Na minha timeline do Twitter, todo dia alguém lança um livro, consegue um agente, fala que faltam X palavras pra bater a meta, dizem que escrever é horrível, dizem que escrever é incrível (a mesma pessoa)... Isso me deixa com vontade de não parar nunca.

Eu em todos os eventos literários que vou

Pra completar minha ressurreição, aconteceu outro BOOM de leitores de NS1 no Wattpad (eu realmente não sei como essa plataforma opera) e eu recebi muuuuitos comentários e depoimentos legais. Mas, assim, muito legais mesmo! Fiquei bestinha e com o coração em chamas. Me senti muito querido e é sempre bom lembrar que existe gente que ama minhas histórias. Eu esqueço às vezes, depois de muito tempo sem publicar nada novo.

Movido exclusivamente pelo fogo no rabo, me empolguei e escrevi um conto, especial do mês dos namorados! Já leu? É uma sequência de NS1, é uma coisa mais para quem leu o livro e estava com saudade dos personagens. Tem um milhão de spoilers. Mas é fofinho, engraçado e tô orgulhoso de ter escrito isso depois de meses sem finalizar nenhuma história.



Pra encerrar, agora é isso: Tenho essa meta não muito firme de escrever um livro novo até o final de 2018 (pelo menos o primeiro rascunho!), mas agora estou empenhado em criar um terceiro volume para a série Não Sei Lidar. Prontos para mais uma história orbitando ao redor dos personagens de Gênios e Malas? Eu estou prontíssimo e dessa vez tenho grandes planos. Vamos acompanhar!



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Posted on sexta-feira, julho 13, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, julho 10, 2018

Tava rolando minha timeline do Facebook dia desses, e vi uma dessas imagens genéricas com a frase "Gentileza gera Gentileza". Até curti, mas aí vi que a pessoa que tinha postado estava fazendo uma crítica. "É desumano vc querer que vítimas de estupro sejam gentis com seus estupradores". No Twitter, acontece muito que qualquer frase motivacional do tipo "Corra atrás dos seus sonhos!" recebe respostas como "E morra de fome porque você tem 3 filhos pra cuidar, o tiro tá comendo na favela, você trabalha em dois empregos de merda. Gente branca é muito sem noção". Estava até em alta aconselhar as pessoas a se afastarem das pessoas tóxicas, o que eu acho muito válido, mas a onda morreu quando começaram a rebater com "As pessoas com depressão e vocês chamando de tóxicas, que gente lixo, depressão é doença".

Tipo... Gente???

Estariam as minhas amadas cafonices do bem sendo atacadas?

É como se as pessoas agora fizessem um esforço real pra invalidar qualquer faísca de positividade que surja na internet, tirando da caçamba de lixo o pior contexto possível onde claramente aquela frase inocente e bobinha não se aplica. Vocês já repararam? E esses são apenas alguns exemplos, eu poderia citar outros cem. Um a de luz que você posta, já surge alguém de um bueiro pra lacrar em cima e invalidar tudo.


Não é mesmo difícil derrubar uma cafonice do bem, porque cafonice não tem contexto. Geralmente, é só uma mensagem avulsa que a gente vê. O contexto até existiu na cabeça da pessoa que postou, mas ele se perde assim que a cafonice é postada. Se você parar pra pensar, toda cafonice faz sentido em algum cenário, mas não faz em milhões de outros. Às vezes gentileza gera gentileza, sim, e provavelmente gerou pra essa pessoa que postou, mas é óbvio que nem sempre. Às vezes você tem que ser firme e até rude pra resolver as coisas. Às vezes ser gentil só vai fazer que pessoas folgadas montem em você. Mesmo assim a cafonice ainda faz sentido pra alguém. É justo que sejam combatidas caso estejam sendo forçadas sobre todo mundo, mas é aquela coisa: Pega o que te serve, ignora o resto.

É diferente se alguém virar pra mãe solteira com 3 filhos e desempregada e falar "Corra atrás dos sonhos! Faça o que ama! Apenas seja feliz!", aí até eu vou lá xingar também, mas, fora isso, catar um contexto cagado só pra dizer que a mensagem é mentira é o cúmulo da negatividade. Cafonices são como conto de fadas, não são a realidade, todo mundo sabe, mas nem por isso deixam de entreter e fazer a gente sonhar.

Eu entendo que existem privilégios, que a vida adulta é puxada e que muita gente se esforça e não consegue, mas, pra alguns, é importante acreditar. Ou nem tanto, são só frases na internet pra galera curtir e compartilhar, pelo amor de Deus.

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Eu gosto de viver num mundo em que as cafonices existem. Porque, ai, gente, tão bom de vez em quando ler uma frase com menos de dez palavras que de repente faz todo sentido e joga uma luz nas suas angústias! Ou ler uma tirinha cafonérrima, mas que te deixa bestinha. Aquele poeminha brega da Rupi Kaur, aquela frase na camiseta (STAY COOL) na C&A, aquele post no blog Não Sei Lidar que você fica NOSSA, o conselho certeiro que um filme da Disney te deu... A vida real da maioria das pessoas é mais pesada do que isso, mas acho que esse é bem o motivo que faz um pouco de leveza ser bem-vindo.



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Posted on terça-feira, julho 10, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, junho 26, 2018

Tem uma parte no A Arte de Pedir que a Amanda Palmer comenta que, em alguns casos, principalmente quando se é artista, não existe validação no mundo para o que você faz. Tipo, se você é advogado, médico, professor de matemática, etc, existe o diploma que você ganha no final da faculdade. Às vezes a profissão escrita na sua carteira de trabalho já vale. Você sabe que seu trabalho existe. Mas artistas e similares ficam sempre na dúvida se estão trabalhando de verdade ou só sendo ridículos, daí a Amanda diz que temos que criar nossa própria varinha mágica da legitimidade e bater com ela na nossa própria cabeça.

Posso dizer que funciona.


Fiquei uma semana trabalhando o conceito do Saia da Rotina, porque eu queria uma alternativa de renda e experiência de trabalho ao que eu já tinha na vida. Depois de tanto juntar meus amigos e conhecidos para passear e viver coisas doidas e de tanto ouvir que eu era bom nisso, eu acreditei. Sou desses que acredita nos elogios que ouve sei lá o quê em Leão. Aí, bom, por que não juntar o útil ao agradável, né? Bolei a ideia, fiz site, criei página, escolhi o pacote que eu achava mais fácil de divulgar e fui. Fui quase como um hobbie, coloquei um valor bem baixo (10 reais!!!) porque eu não estava pensando em ganhar dinheiro, só ver se o conceito funcionava. Se flopasse, eu apagaria tudo e ninguém teria morrido, só minha autoestima.

Procurei clientes nas redes sociais, as pessoas começaram a responder, tive ajuda na divulgação do Pacote do Clube do Livro, de repente eu tinha mais gente do que conseguia lidar, criei uma fila de espera, criei dois clubes do livro e, gente, socorro, a coisa estava viva. Acho que a primeira pessoa com mais de mil seguidores que divulgou meus clubes no Twitter me matou de vergonha, eu quase gritei, porque eles estavam falando "OLHA, GENTE, ESSE FELIPE AQUI TEM UM PROJETO LEGAL" e eu "MEU DEUS, PARA DE ME EXPOR, AS PESSOAS VÃO FICAR SABENDO O QUE ANDO FAZENDO", mas, depois de meia hora de surto, eu fiquei "Pera, é isso mesmo que eu quero. Eu tenho uma ideia, eu tenho um serviço. Respira, meu anjo. São só mil pessoas. Eita, dez mil agora que outra pessoa ainda mais famosa deu RT também".

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Você mora na cidade do Rio de Janeiro e está disposto a conhecer novas pessoas, talvez fazer novas amizades, e viver experiências fora da sua rotina? Então é você que eu estou procurando. O conceito é simples: Você escolhe uma dentre as mais de dez experiências disponíveis, paga por esse pacote, eu reúno um grupo de 6 a 10 pessoas interessadas na mesma coisa que você e VAMOS. Antes da experiência em si, eu dou oportunidade das pessoas interagirem em um grupo do whatsapp, aprendo mais sobre a vida delas, escuto o que elas têm a  dizer, quem elas são, do que gostam, do que não gostam, divulgo passeios gratuitos e acessíveis, marco alguns encontros informais pelo RJ e é isso aí. No dia da experiência, seja um clube do livro, seja andar de kart ou uma escalada indoor, ninguém se trata mais como desconhecido.

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MEU DEUS, GENTE, O CLUBE DO LIVRO DEU TÃO CERTO! EU MORRI E ESTOU NO CÉU???

Simplesmente superou todas as minhas expectativas. Claro que eu sou suspeito pra falar, mas o feedback que recebi me deu segurança e acho que acertei o alvo. Lembram que anunciei o Clube do Livro aqui? Então, aconteceu. O Quinze Dias (livro do Vitor Martins) brilhou entre as opções e disparou como favorito, por isso foquei nele. 

Depois de uns dois meses de interação virtual, eu já sentia que eu era amigo de todo mundo e cheguei lá ansioso pra ver de perto o rosto de cada um e ouvir as vozes. Como fui o mediador, preparei uma lista com os tópicos a serem debatidos para guiar a conversa, mas tudo fluiu muito naturalmente. Fizemos um piquenique no Bosque da Barra (lugar que eu nem conhecia) e, gente, tantas risadas! Que conversas! Falamos sobre gordofobia, sobre como é se entender gay, falamos sobre transtornos psicológicos, dilemas da amizade, questões de relacionamentos, signos (kkkkk), bullying, ditadura da beleza e outras coisas que eu nem tinha planejado. Adorei ouvir os depoimentos de todo mundo, os causos, cada um teve alguma coisa a acrescentar e o grupo se deu tão bem! Eu não poderia sair de lá mais feliz. Quero mais.





Galera ficou me agradecendo, mas, anjos, eu que agradeço. Vocês não sabem como fizeram um millennial 200% feliz. Saí do piquenique me sentindo magicamente legitimado demais.

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Bom, depois desse imenso sinal verde, óbvio que o Saia da Rotina vai dar mais alguns passinhos. Já há um segundo clube do livro em andamento, a fila de espera me dá vontade de criar um terceiro... Mas também quero experimentar atividades novas. Pretendo ir abrindo os pacotes aos pouquinhos, vendo o que funciona e o que não funciona tanto, já estou quase no pontapé inicial do pacote de Kart e o de Patinação no Gelo.

Quem tiver interesse me chama! Vai ser um prazer encontrar mais uma pessoa pra fazer da comunidade de gente legal que quero criar.

Vamos acompanhar! Aguardem e confiem :)

(Antes de escrever esse texto, eu estava pensando se não deveria divulgar o Saia da Rotina de uma forma mais profissional e menos pessoal. Será que assusto uma pessoa que for no Google e cair aqui? Mas, bom, vulnerabilidade é outra lição de Amanda Palmer. Não sou uma empresa, sou uma pessoa. Interagir comigo é outra parte dos pacotes. Juro que sou legal)



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Posted on terça-feira, junho 26, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, junho 18, 2018

E pensar que esse match quase não aconteceu. 

Nossa, sério, sei que eu não paro de repetir isso, mas é que aconteceu por tão pouquinho que ainda hoje a possibilidade de eu viver num mundo em que ele não tenha acontecido me causa desconforto. Sabe essas coisas pequenas que causam um grande impacto? Eu não sabia na hora, claro, a gente nunca sabe, mas aquele meu like hesitante foi uma dessas coisas.

Não hesitei por sua causa, muito pelo contrário. Eu não queria usar o Tinder. Ai, gente, eu deveria estar no Tinder? Eu sei usar o Tinder? Seria Tinder o lugar adequado para o jovem assexual carente estar quase à meia-noite procurando romance? Fui e voltei umas três vezes. O dedo do like coçando pra ir lá e clicar no coração. Você acertava em todos os lugares que tinha pra acertar.

Eu tenho muito orgulho da minha força de vontade, mas graças a Deus fui fraco naquela noite.


Lembro das duas primeiras coisas que pensei quando te vi: Humn, mais bonito que nas fotos e Ah, 9 cm a menos não é tão mais baixo assim.

Claro que eu tinha que te chamar pra uma Cilada do Bem no nosso primeiro encontro. Estava com essa ideia na cabeça fazia um tempo e acho que o conselho mais valioso que me deram sobre encontros é que eu devo focar em me divertir neles. Então, bom, se você fosse uma perda de tempo, eu pelo menos estaria riscando a montanha-russa da minha Lista

(Desculpa)

Hoje que eu te conheço um pouco melhor, fico pensando coitado. Você tem tudo pra ter medo de montanha-russa. Acho até que você estava um pouco nervoso enquanto a gente esperava na fila. Eu estava de boas. Uma vida de ciladas do bem me fez maluco corajoso pra esse tipo de situação. Daí sentamos no carrinho, que não parecia nada seguro, e o troço começou a andar devagarzinho, subindo, dava para eu ver a queda livre e o loop que viriam depois e logo tratei de oferecer minha mão. Acho que você achou romântico, mas, meu anjo, eu tava me cagando de medo. Eu fiquei apavorado de verdade e naquela subidinha em câmera lenta eu já tava falando EU QUERO DESCEEEEEER. Logo eu, que vergonha. Não durou 1 minuto a aventura, mas eu desci do carrinho com as pernas bambas. Foi legal, gostei! Foi o que você me disse e francamente. Mas eu super repetiria se fosse pra segurar sua mão de novo.

***

Na roda gigante, eu já estava criando mil cenas de beijo na minha cabeça, porque todo mundo sabe que roda gigante foi projetada pra isso. Eu ainda sabia beijar? Eu achava que não. Não é como se eu tivesse uma loooooonga vivência e muitos anos de prática. Você pegou minha mão quando estávamos lá em cima e, gente, que vista, que cenário. A noite, as luzes do parque, os carros passando na pista lá embaixo... Parecia perfeito. Eu sei que eu que te dei uma olhada. A gente reconhece esse tipo de olhar, e você perguntou se eu queria beijar. Eu queria, né, mas na hora eu só ri. E você viu que tinha uma menininha com a mãe bem na nossa frente? A mãe estava tranquilona, mas aquela criança encarava a gente, emburrada. Eu, hein, garota, sai daqui. Fiquei tímido.

***

Nunca tinha pensado em estacionamentos como lugares divertidos, mas, menino, provavelmente foi a melhor parte do encontro. Acho que você concorda. Poder te abraçar e te beijar com alguma privacidade foi maravilhoso, mas você me fez feliz bem antes quando andou de mãos dadas comigo por lá. Eu nunca tinha feito isso. Um mês depois estaríamos fazendo isso totalmente em público, mas naquele primeiro encontro eu senti que estava vivendo numa realidade paralela, em San Junipero, sei lá. Várias pessoas viram a gente e eu nem liguei. Aquele casal de adolescentes que ficou super sem graça quando foi se enfiar no mesmo canto onde estávamos, o segurança do estacionamento que tava fazendo a ronda e jogou uma luz na gente ("BANDIDOS, ah, não, só dois meninos de amorzinho", imagino), sem contar aquele auê do carro parado.

Tinha um carro com os vidros pretos estacionado perto da gente e teve uma hora que do nada ele ligou. Não vimos quem entrou, mas o carro ligou e pensamos que ia sair. Mas não saiu. Ficou lá por vários minutos, com aquele barulho de motor, mas nada de meter o pé. A gente até esqueceu do carro, porque tínhamos coisas mais interessantes pra fazer. Lembro que até brinquei "Já pensou se tem gente dentro vendo a gente dar beijos? kkkk". O final é quase óbvio. Pois depois de uns vinte minutos o carro DESLIGOU, a gente se assustou, A PORTA SE ABRIU, SAIU UM CASAL LÁ DE DENTRO e eu fiquei PASSADO. Você me pegou pela mão e saiu varado Hahahah Na minha cabeça, eu já estava sendo testemunha de cena de adultério de pessoas importantes e logo seria apagado como queima de arquivo. Ai, não resisti e olhei pra ver quem era direito.

ERAM DOIS HOMENS KKKKKKK Que saíram do carro ajeitando o cabelo e fechando o zíper da calça. Eu tive um ataque de riso e jamais vou superar isso.

Versão em gif do episódio do carro

O Brasil que eu quero é esse mesmo.

***

Infelizmente, não posso prever o futuro, mas estou adorando o que a gente tem. Eu costumava apontar esse e aquele casal como casos de sucesso do Tinder, mas agora confesso que penso na gente. Não digo em voz alta com um medo bobo de estragar tudo. Eu já vi situações que mudam do dia pra noite. Mas também não tenho culpa se você parece ser uma pessoa que inventei. Lembro que perguntamos um para o outro o que mudou desde que nos conhecemos, qual a diferença do que achávamos no começo para o que achamos agora. Como falei, você parecia acertar em todos os lugares e, menino, não é que acerta mesmo? Eu te achava fofo, agora te acho mais. Te achava bonito, agora fico maravilhado toda vez que observo seu corpo. Te achava tranquilo, agora é essa confiança e segurança que me deixa com vontade de ficar mais tempo.

Sei que querer não é poder, mas quero continuar andando sem rumo contigo, me perder e descobrir pracinhas reservadas que ninguém sabia que existiam. Quero aprender mais sobre mim ao mesmo tempo que você aprende sobre você. Quero te arrastar pra esse tipo de situação que só acontece comigo, porque daí vai passar a acontecer com a gente, e é tão bom ter com quem morrer de rir ao vivo...

E pensar que esse match quase não aconteceu. Meu Deus.



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Posted on segunda-feira, junho 18, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, junho 04, 2018

Eu amo discursos de empoderamento, sejam eles quais forem. Gosto da boa vibe, gosto da mágica de fazer alguém que antes se sentia um lixo se sentir querido, adoro isso de cultivar amor-próprio e todos os desdobramentos que isso traz. Caramba, a gente precisa. Deus abençoe quem se tocou que empoderar pessoas era mais sadio que fazer chacota delas. A única coisa que eu esbarro nesses discursos é o fato de, no fim das contas, sempre apontarem para o fato de que a pessoa tem que se sentir linda. Óbvio que empoderamento trata de mil outras coisas, mas beleza parece ser fundamental. 

Uma mulher empoderada é uma mulher que se sente bonita. Uma pessoa gorda e empoderada se acha linda. Eu compreendo que a sociedade é horrível em dizer todo dia que só tem beleza quem é do jeito X e daí há uma leva gigantesca de pessoas que fica de fora. Uma vida inteira se sentindo feio e sem valor. Eu entendo. Então vem o empoderamento pra levantar essa autoestima e dizer que, ei, deixa esse povo pra lá, você é bonito, sim! Você é lindo do jeito que você é!

Eu só quero ser feio em paz, gente.


Confesso que não sei bem por que tratamos beleza como algo essencial. Tipo, parece que o amor-próprio é automaticamente relacionado a isso. Se você se ama, você tem que se achar lindo. Eu já acho que tudo bem ser feio. Eu acho que ser e estar bonito cansa, ainda mais pra quem não faz parte do grupinho aí privilegiado. Compreendo que para algumas pessoas seja importante ser bonito, mas para todas?

É engraçado que, com outras características que eu também considero importantes, a roda não gira assim. Por exemplo, ser engraçado. Tem gente que não é. E tá tudo bem. Nunca vi ninguém dizer que não é engraçado e surgir uma pessoa do bueiro pra falar "PARA COM ISSO, VOCÊ É ENGRAÇADO, SIM! APRENDA A SE AMAR". Muita gente diz que é péssima em matemática e também fica tudo bem. Eu sou um pouco desastrado, não ajo bem sob pressão e não sou a pessoa mais eloquente do mundo, mas não me sinto um lixo por causa disso. Tá tudo bem não ser perfeito. Mas aí vem o ser feio.

Não pode ser feio.

É muito mais prático viver num mundo em que é ok ser feio do que em um em que TODO MUNDO tem que ser bonito. O natural geralmente é considerado feio. Se a pessoa não fizer nenhuma firula estética básica, é feia. Pra se sentirem bonitas, as pessoas usam maquiagem, fazem algum penteado diferente, colocam aquela ou essa roupa, essas coisinhas. Até em programas tipo Queer Eye, em que pegam uma pessoa super comum e até fora do padrão e fazem uma transformação básica para a pessoa se enxergar como bonita, há essas alterações mínimas para obter o efeito desejado. Aí eu fico pensando que, quando o programa acaba, a pessoa ainda tem que ficar pelo resto da vida executando aqueles procedimentos para manter a beleza recém-alcançada. Cansa.

Não me acho grandes coisas no quesito beleza e admito que há dias em que quero me sentir bonito. Mas também há os dias em que fico de boas com ser/estar feio. Tipo, ok, eu sou feio, mas também sou engraçado, inteligente, criativo e boa companhia. Não conta? Já expliquei minha teoria do potencial de beleza e, por causa disso, nossa, beleza é algo tão subjetivo! Acho muito complexo querer agradar a todos, ainda que esse todos seja nós mesmos (que na verdade somos influenciados por esse todos).

Realmente entendo que os discursos de empoderamento batem nas teclas que precisam ser batidas. Alguém ouviu que é feio a vida toda e está precisando se achar bonito. Pessoas do tipo Y também podem ser lindas. É uma causa nobre. Apesar da diferença ser um tanto sutil, acho que a pessoa ficar o dia todo lutando contra discursos contrários e tentando se afirmar como bonita é mais penoso do que trabalhar a ideia de que tudo bem ser feio. Porque está tudo bem, ninguém tem nada com isso.


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Posted on segunda-feira, junho 04, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 28, 2018

Acabou do jeito que começou: Comigo tomando uma atitude que mudou tudo. Acho até bem simbólico.


Sim, gente, tô dizendo que a minha história com o @ encerrou. Foram quase três meses de uma montanha-russa de emoções, e eu sei que essa expressão é um clichê batidíssimo, mas aqui eu me sinto obrigado a usá-la. Ainda mais que agora eu já fui numa montanha-russa e sei do que estou falando. Muitos altos, muitos baixos, curvas de acelerar o coração, momentos de desespero e velocidade o tempo todo. O começo da montanha-russa sempre engana, porque ela começa andando devagarzinho até que vem o primeiro precipício e aí não para mais. Também já faz quase três semanas que acabou, eu juro que estou bem. Vocês não precisam me consolar nem me mandar encher a cara de sorvete ou sei lá.

Acho que eu e ele, nós dois, entendemos que agora não dá pra gente. Talvez daqui a um ano ou dois. Talvez nunca. Mas eu tinha um milhão de motivos para não me permitir viver isso, ele também tinha os dele, mas insistimos, arriscamos, fomos bem felizes por uns momentos, até que eu não fui mais. Não me arrependo, faria quase tudo do mesmo jeito de novo e estou muito satisfeito com finalmente ter atravessado essa linha da vida afetiva. Também tenho orgulho de ter identificado que estava na hora de acabar antes que acabasse de uma forma ruim.

Não acabou de uma forma ruim.

Eu chamei para conversar, sentamos um de frente para o outro, eu olhei no fundo daqueles olhos e disse. Ok, não foi bem assim, porque era difícil pra mim encarar aqueles olhos. Eu enrolei pra dizer, eu desviei o assunto, eu tentei dizer aquelas palavras finais umas três vezes. Eu comecei a chorar antes de conseguir dizer e, meu Deus, gente, eu nunca choro. Acho que foi a primeira vez que chorei nesse ano. Eu nem lembro qual foi a última vez que chorei antes dessa, porque eu realmente nunca choro. Mas eu chorei e continuei chorando e, nossa, que experiência. Eu nem sabia que esse negócio de voz embargada era real. A gente tenta falar e não consegue. Fui tão pego de surpresa pelas minhas próprias lágrimas que comecei a rir dizendo "Eu nunca choro kkkkk Sério, nunca, não sei o que tá havendo kkkk". Patético e maravilhoso.

Ficou claro pra mim que eu gostava muito dele e que, quando eu dissesse "Acho que devemos ser só amigos" em voz alta, eu estaria abrindo mão daquela pessoa.

Sou um caso raríssimo de página em branco, sabe? Sou livre o suficiente pra gostar de uma pessoa e só dela e ter muitos sentimentos por ela e demonstrar isso e contar na internet. Eu era e ainda sou 100% disponível e pronto pra tudo. Ele era, sei lá, 50% disponível, meio preso em histórias do passado, meio sem saber o que queria, meio querendo... Sinto que ele até queria me entregar mais, ele sabe que eu mereço mais e se desculpou por isso, mas não tinha pra dar. Acho que, se eu continuasse insistindo, seria um eterno eu me sentindo deixado de lado e ele se sentindo cobrado. Foi melhor pôr um ponto final enquanto a gente ainda se gosta como pessoa.

Mas, aí, claro que eu chorei, porque eu estava com meu pássaro na mão, e era um pássaro bonito, legal, compreensivo e honesto, um senhor pássaro, mas iria trocá-lo por dois pássaros voando. Porque eu mereço aqueles dois pássaros voando. Nossa, eu mereço todos os pássaros do mundo. Eu não aceito menos que dois pássaros. E se o @ no momento só tem um pássaro pra me dar... É matemática básica, gente. Mas coração não sabe fazer conta. Chorei, respirei, me recompus e falei. Só amigos.

***

Ninguém morreu, ninguém brigou, a Terra continuou girando pro mesmo lado. Acho que saímos de lá melhor do que entramos.

As lembranças boas são mais numerosas que as não tão boas assim. A animação para o primeiro encontro da minha vida, aquele momento inesquecível na torre, as experiências que tive guiadas pelos nossos desejos, as coisas bonitas que a gente disse e todas as vezes que cheguei em casa com um sorriso bobo no rosto. Foi bom enquanto durou, ainda é bom agora que não dura mais.

Realmente espero que a gente siga em frente do melhor jeito possível. Até porque, agora que comecei, não tenho mesmo nenhuma intenção de parar.




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Posted on segunda-feira, maio 28, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 14, 2018

Acho que, de todas as histórias de término de namoro que já ouvi, menos de meia dúzia foram tranquilas e fáceis. Pela minha pesquisa de campo, términos são mesmo uma morte horrível, mas uma morte que faz parte da vida e, em 99% das vezes, ninguém morre de verdade. Esse que é o bom, sabe. A única coisa que morre é um relacionamento que já não era lá grandes coisas. Quase sempre há dor para os dois lados, mas depois bate aquele alívio e a vida segue, a fila anda. Términos de namoro são necessários porque finais bem fechados são necessários.


Já faz um tempo que ando pesquisando no Google como se terminar uma amizade. Muitos não sabem ou fingem que não sabem, porém, feliz ou infelizmente, amizades acabam também. Só que não tem nem um jeito horrível de terminar, muito menos um tranquilo e fácil. Amizades acabam, mas não acabam direito. Ou é uma briga tensa que deixa muitos feridos ou as pessoas simplesmente param de se falar e dois anos depois é como se elas nem se conhecessem, mas elas se conhecem. Então fica todo mundo confuso.

Pior ainda é que a gente entende que, se a pessoa que terminou com você entrou num relacionamento monogâmico, ela não está mais disponível. Vocês não vão acontecer por agora. Mas, numa amizade, tecnicamente não há nada impeça duas pessoas de serem amigas para sempre, então sempre há uma promessa de retorno da amizade pairando no ar após a perda do vínculo.

***

Admito que tenho minha cota de amizades perdidas. Umas a vida carregou sem nenhum esforço meu, outras me deixaram falando sozinho, algumas eu que corri pra bem longe pela minha própria sobrevivência. Ainda teve aquelas que acabaram do nada e, quando eu percebi, já havia passado muito tempo e senti que era tarde demais. O término vem, mas a gente não sente direito que veio. A ficha não cai.

Tinha dois amigos que se mudaram pra longe e nunca mais tive o que falar com eles. Tinha outro amigo que foi muito importante pra mim em várias fases da minha vida, mas me puxava tanto pra baixo com comentários irritantes que foi uma das decisões mais difíceis da minha vida dizer adeus. Teve uma amiga que fez eu me sentir tão usado que o ranço foi demais. Já bloqueei um grupo inteiro de pessoas. Tem uns que com o tempo ficaram muito diferentes e viraram pessoas que eu não reconhecia mais. Alguns eu ainda tenho vontade de ter por perto de volta, mas a vontade morre quando lembro por que acabou. Tenho amigos que viraram conhecidos. Pessoas com as quais simplesmente parei de me esforçar para estar presente, ninguém veio me procurar também. Alguns me chamaram de volta, contudo, eu não quis mesmo, porque doía muito.

Viu? É péssimo.

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Confesso que já fiz ghosting. Você sabe, o famoso ir saindo de fininho. Responder cada vez menos, com menos entusiasmo, furar os rolês, não interagir nas redes sociais, deixar pra lá datas importantes, não ter nada de novo pra contar... É o afastamento por desinteresse. Algumas pessoas se tocam que você não quer mais nada, outras ficam remoendo e insistindo. Eu fico muito em dúvida se as pessoas merecem uma explicação em nome da amizade, se elas precisam saber mesmo o que houve, mas às vezes a explicação não existe ou é só "Não quero mais". Enjoei. Você ficou chato. Não tenho mais vontade de ouvir nada do que você fala. Aí fica aquela agonia de coisa mal terminada, a amizade morta como uma alma penada.

Também já disse com todas as letras que queria me afastar e que cada um seguisse seu rumo. Funcionou tão mal quanto o ghosting. O que não era para acabar numa briga hostil, porque eu queria um final pacífico, acabou. Foi horrível pra mim e pra pessoa, porque eu não queria machucar ninguém. Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais.

Não sei qual seria minha escolha se eu tivesse que decidir como meus amigos deveriam terminar comigo. De qual tiro eu me recuperaria mais rápido?

***

Simplesmente não existe um jeito bom de terminar uma coisa que não precisa nunca terminar. Num namoro, a gente entende. Você quer novas experiências, novos ares, vocês pensam o futuro de forma diferente, você tem interesse em outras pessoas, não tá funcionando, você não sabia que morar junto ia ser tão puxado... Aí você termina. Mas na amizade... Você pode ter quantos amigos quiser, vocês não precisam nem ter gostos parecidos, não precisam se ver com muita frequência, não tem que se falar todo dia. É um relacionamento de baixa manutenção se for comparar com um namoro ou um casamento. Aí, MESMO ASSIM, você quer terminar? Parece um drama ridículo. Ninguém recebe bem.

Não estou planejando terminar nenhuma das minhas amizades, mas a gente nunca sabe quando vai precisar se afastar e deixar aquela pessoa que agora é muito legal ir embora. Se algum dia vocês descobrirem o jeito mais fácil, ou melhor, menos difícil de terminar uma amizade, me contem.

Por favor.



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, maio 14, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 08, 2018

Pra quem tá chegando agora, vamos recapitular? Vamos.

Eu tinha um emprego legal. Daí enjoei dele e troquei por outro. Eu mudei de cidade por causa desse emprego novo, eu vivi com todo meu coração, eu tive umas crises por causa da pressão e por não me achar bom o bastante. Aí fui demitido. Risos. E fiquei sem nada. Nem a casa na cidade nova dava para manter, porque, né, sem dinheiro.

Ainda bem que a minha vida pelo menos é uma caixinha de surpresas.



Eu tenho uma amiga Jéssica. Aquela amiga Jéssica. Daí que Jéssica é da mesma área que eu e também estava procurando emprego. Foi numa entrevista, o pessoal gostou dela, mas... acho que ela não gostou do pessoal Hahahahah Recusou a vaga, mas mandou um "Olha, não tenho interesse, mas eu tenho um amigo...". Quiseram conhecer o amigo dela. Sim, eu mesmo. Mandei meu currículo com o assunto "Indicação da Jéssica", sendo que ELA NEM TRABALHA LÁ.

Fui pra entrevista me sentindo o rei do networking. Gente, dispensem os contatinhos. Vamos investir no contatos profissionais pois rendem bem mais.

***

Na entrevista, respondi todas as perguntas da moça do RH. Contei da minha história de derrota e demissão, mas obviamente jogando a luz positiva do EU ASSUMI RISCOS e FUI ATRÁS DO QUE EU QUERIA. Acho que colou. Não é mentira, aliás. Só sei que no meio da entrevista rolou um:

- Eu vejo em você esse ar aventureiro e desbravador. Dá pra sentir.

Gente Hahahah Todo um perfil psicológico traçado ali. Eu desmenti? Não desmenti. Inclusive assumi o papel. Ela continuou.

- Você me lembra muito minha filha.
- Oi?
- Minha filha também é assim, uma aventureira, que corre atrás dos próprios sonhos!

Juro pra vocês que a mulher ficou uns 10 minutos contando das aventuras da filha dela. Teve uma hora que eu fiquei pensando "Gente, não era pra estarmos falando sobre mim?", mas tava amando a história e a intimidade. Tava esperando que a mulher não eliminasse do processo seletivo a própria filha, né.

Teve um segundo entrevistador que veio com a camisa do avesso. Acho que meu cérebro ficou 50% focado em responder as perguntas técnicas e 50% intrigado com a possibilidade daquela camisa do avesso ser um teste. Aviso ou não aviso? O QUE ISSO DIZ SOBRE MIM? Ninguém prepara a gente para esses dilemas da vida adulta.

***

Gente, vocês acreditam que CONSEGUI UM EMPREGO NOVO? Não apenas isso, mas MELHOR que o anterior? Melhor em tudo. Benefícios, salário, atividade, saúde mental... Parece até mentira. É CARTEIRA ASSINADA QUE FALAAAAAA.

A Firma anterior era muito popzinha e desafiadora, mas eu me sentia o BURRO da equipe. Agora meu líder me chama de criança prodígio, porque voltei a trabalhar com algo que conheço e honestamente me sinto arrasando mesmo. Eu tô mais tranquilo, mais feliz e mais animado com a minha carreira. Sei que, quando se fala de trabalho, nunca que tudo será flores, mas tô achando promissor.

No meu primeiro dia na empresa, eu cheguei falando para minha bff do RH "Oi, Fulana, tudo bem? Como vai sua filha?".

Rolam coisas desse tipo também:




Então acho que é bom.

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Ainda não passei do período de experiência, portanto tudo pode acontecer. Mas sinto que não virá um tombo (na Firma anterior, toda semana tava lá eu achando que ia ser demitido). Já assumi umas posições importantes, dá pra ver que contam comigo e até se preocupam se estou gostando do trabalho (isso porque eu contei que pulei fora daquela primeira Firma porque estava entediado). Acho que agora vai.

O melhor de tudo é que minha permanência no Rio de Janeiro está garantida. Minha casa, meus amigos, meus novos negócios... Gosto assim.



OUTROS TEXTOS

Posted on terça-feira, maio 08, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 16, 2018

Lógico que eu ia entrar numa crise de identidade depois de ter beijado na boca.


Uma coisa que é muito difícil pra mim, como introvertido e planejador, é "curtir o momento" e "ver no que vai dar". Eu quero entender tudo, quero rotular tudo, quero planejar os detalhes e, mesmo que o planejamento vá por água abaixo por causa de imprevistos, eu me sinto bem só de ter tentado prever as coisas. Gosto de saber onde estou pisando e isso de vez em quando me põe na categoria dos doidos. Frequentemente amigos viram pra mim e dizem RELAXA, PELO AMOR DE DEUS.

Mas aí eu passei os primeiros vinte anos da minha vida sem sentir nada por ninguém e do nada beijei na boca. Não apenas beijei, eu gostei de ter beijado. E de abraçar e ser abraçado, de ficar juntinho, de segurar na mão, de ter a liberdade de tocar num outro corpo que não o meu. Eu gostei e quis mais, e até o momento não parei de querer. Parece que ter me colocado nessa situação ativou várias células adormecidas do meu organismo e agora eu tenho superpoderes sensoriais. O efeito colateral é que estou viciado em sentir.

Vocês estão transando bastante? Pois eu não estou. Eu mal sei se quero, mas só de eu cogitar que talvez eu queira, só dessa possibilidade existir, já é algo que faz eu pôr minha assexualidade em cheque.

Meu eu interior parte pra agressão se alguém ousar me questionar dessa forma, mas eu posso. Será que me confundi e não sou assexual? Existem gays tão tardios assim? Por que eu demorei tanto? Será que dentro de mim eu sempre soube que queria fazer sexo com alguém, mas não notei? Eu quero fazer sexo com alguém? Só o fato de eu não ter certeza sobre sexo já não me torna assexual?

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Vocês entendem de sexo? Vocês sabem o que é? É onde eu esbarro quando tento me entender. A definição mais básica de assexual é "pessoa que sente baixa ou nenhuma atração sexual". Beleza. Mas o que é atração sexual? "Vontade de fazer sexo". Então eu preciso saber o que é sexo, para saber se tenho vontade.

Acho que, desde que o li pela primeira vez, eu volto a cada 6 meses no texto do Alex Castro sobre a definição de sexo.

"Como definir uma trepada? Se chupei, beijei seus pés e lambi seus mamilos, mas não penetrei, é sexo? Se lambi entre seus dedos dos pés enquanto ela se masturbava, mas nunca nos beijamos, é uma ficada? Se houve penetração, mas foi dela em mim, seja com um consolo ou fazendo fio-terra, é sexo? Um boquete, pura e simples, é uma ficada, uma transada, ou nenhuma das opções acima? Passei a noite inteira dedando a moça por debaixo da mesa: uma ficada, ou nem isso? Os dois se masturbarem juntos é sexo? Um masturbar o outro, com dedo, língua ou consolo, é sexo?"

Eu amo esse parágrafo de todo o meu coração, pois é justamente disso que estou falando. Não teve piroco entrando em ninguém e, mesmo assim, parecem ter sido noites maravilhosas de tão prazerosas. A questão do tato anda mexendo muito comigo. Vocês não sabem o quanto eu amei ganhar um beijo no pescoço ou eu mesmo dar o tal beijo, ou ainda sentir com o próprio corpo os pelos do @... É tão BOM notar que a outra pessoa está sentindo tanto prazer quanto você... Será que isso é atração sexual? ALGUÉM ME AJUDA.

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Quando falam de virgindade, perder a virgindade, fica claro que estão falando de penetração. Acho que nunca ouvi alguém dizer que deixou de ser virgem com sexo oral. Tem gente que faz oral, anal, ouvidal, narigal e jura de pé junto que ainda é virgem só porque não foi visitada por pirocos na via mais comum. Nem sei dizer se a pessoa está certa ou sendo muito ridícula.

Uma conhecida minha, evangélica, supostamente tinha perdido a virgindade com o primeiro namorado. Depois terminaram e tal, e ela ficou noiva de outro cara. Ele não ligou para o fato de que ela não era mais virgem (evangélicos geralmente ligam). Beleza. Ela foi ao médico fazer um exame sei lá de quê e por acaso descobriu que o hímen dela AINDA ESTAVA LÁ. Foi motivo de comemoração NA FAMÍLIA. O marido ficou todo bobo e feliz. Aparentemente, estava realizando o sonho cristão de casar com uma mulher virgem. Juro pra vocês.

É só o hímen que conta? Dá para perder a virgindade com um consolo? E qual é o equivalente para pessoas com pênis? Lésbicas e gays passivos são virgens para sempre? Fica aí o suspense.

***

A definição que mais serviu pra mim foi a que eu mesmo inventei. Risos. Sexo tem a ver com mexer nas partes. Pra ter sexo, tem que ter pelo menos uma vagina, um pênis ou um ânus em cena. Não importa muito o como, mas tem que ter, desde que uma pessoa toque a outra. Duas ou mais pessoas interagindo da cintura pra baixo ou fazendo a malandra brincando com o bumbum? Pra mim, estão fazendo sexo.

Alex Castro diz que definir é castrar. Eu acho libertador.

Todo mundo fica meio confuso quando assexuais admitem sentirem prazer com orgasmos, mas convenhamos que existem formas de chegar nesse ápice sem precisar de uma outra pessoa interagindo com os seus genitais. Atração sexual, aparentemente, é isso: vontade de interagir com os órgãos sexuais de outra pessoa ou que alguém, nem precisa ser uma pessoa específica, venha interagir com os seus. Talvez você só ache a pessoa muito bonita ou muito legal ou até gostaria de dar uns beijos, gostaria de abraçar... Mas, se não há vontade de brincar dentro das calças, não é atração sexual. Posso estar equivocado, mas me atende.

Sabe quando você acorda com AQUELA vontade? Eu não sei.



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, abril 16, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, abril 09, 2018

Demorei, mas voltei com a parte 2! Pra quem perdeu a parte 1, onde encarei animais hostis e deixei um livro erótico acidentalmente cair nas mãos de uma tia crente, só ler aqui. Lembrando que não trabalhamos com cronologia nesse diário, já que não sei mais o que aconteceu que dia, mas vamos que vamos.



17) A gente já tinha ido em duas praias e, no terceiro dia, eu já tava POR FAVOR, NÃO ME OBRIGUEM. Bells, principalmente, que leva esse negócio de ser filha de Poseidon muito a sério, não pode ver uma água que já fica ME SEGURA SENÃO VOU ENTRAR. Eu tava maravilhoso à toa em casa.

Parece uma foto de tédio, mas esse é meu Nirvana

18) Aí sei lá como surgiu um passeio pra Casimiro, que é uma cidade jeitosinha lá perto de Rio das Ostras e, aparentemente, onde viveu o poeta (o Casimiro de Abreu). Eu adoro andar e foi ótimo pra isso. A gente só bateu perna, tirou umas fotinhas despretensiosas e umas fotos muito doidas que até agora seguem sem explicação.



Como diz a Bells, todo domingo um Felipe caído no chão
(Eu realmente tenho todo um histórico de fotos desse naipe)


ABDUÇÃO? FAZENDO A JEAN GREY?


19) A convivência na casa com os parentes da Bells foi um capítulo à parte. Foram tantos momentos que eu nem sei se consigo listar e também tenho medo de acabar ofendendo as pessoas. RISOS. Mas vou me expor um pouquinho.

20) Cara, a criança hiperativa. Muito fofo de longe o menino. Até que de perto também, mas, gente, NÃO PARAVA DE FALAR. Queria brincar de pique, fazia mil perguntas, corria, pulava, chamava pra brincar de pique, arrumava jogos, queria comer o tempo todo, queria saber por que ninguém tava brincando de pique, aaaahhhhhhh. Teve uma hora que até eu cedi e ficamos todos na cama jogando Cara a Cara com ele. Não foi ruim. Teve até um momento de EMOÇÃO em que o menino tava sentado na cama alta e, de repente, ESCORREGOU DE COSTAS PARA O CHÃO. Eu literalmente movi 1 dedo pra tentar amparar uma criança que se bobear pesa mais do que eu, e ele não se machucou. Foi só um susto. Muitos dirão que não, mas tenho pra mim que foi meu 1 dedo que salvou o dia. Ficou doendo o resto da viagem toda.

Eu SALVANDO A VIDA da criança

21) Não me orgulho do que fiz naquela noite, mas precisei tomar uma medida drástica. Eu tava lá dormindo na sala, né. As meninas lá no quarto com ar-condicionado, a tia Florzinha, dona da casa, no quarto privado dela com ventilador... Eu não tinha nada, só os mosquitos e o gato encapetado me fazendo companhia. TUDO BEM. Sério, eu tinha superado isso. Dava pra dormir. Mas aí tinha Florzinha começou a roncar alto lá do quarto privado dela. A porta dela estava aberta. Ela tinha pedido expressamente pra não fecharem a porta dela por causa do calor. MAS AQUELE RONCO, GENTE.

MOSQUITO.
GATO.
CALOR.
RONCO.

COMO EU IA DORMIR?

Todo mundo sabe que dormir bem é minha verdadeira religião, então deixar um ronco alheio atrapalhar minha noite era praticamente um pecado contra os deuses do sono. Sorrateiramente no meio da noite, fui lá e fechei a porta. Silêncio. Paz. Dormi muito bem, obrigado.

No dia seguinte, Tia Florzinha tava meio puta de manhã falando "Poxa, gente, quem fechou minha porta??? Não fecha não, por favor! É muito quente lá dentro". Fiquei com pena porque ela é um amor de pessoa, mas não me entreguei Hahahah Não fechei a porta dela nas outras noites, mas ela também não roncou, então ficamos quites.

22) Praia do Cemitério! Pra uma praia com esse nome, até que tinha muita gente viva lá. Foi um custo convencer Tia Florzinha a ir à praia com a gente, porque ela quase nunca sai de casa. Pra essa praia, ainda andamos uma boa meia hora e nem sei como ela teve forças pra largar o habitat natural dela. Mas foi. PORÉM, assim que chegamos lá naquela praia LOTADA, Tia Florzinha só falou "Meu Deus" e foi embora.

Tipo, ela literalmente VIU a praia, falou "Meu Deus" ou algo assim, VIROU AS COSTAS e foi embora.

DEPOIS DE MEIA HORA ANDANDO.

ELA NEM FALOU TCHAU PRA GENTE.

Todo mundo ficou: ????????

Confesso que não julguei. Na verdade, eu, Taiany e Bells rimos muito e até admiramos a atitude. Cunhamos a expressão "Fazer a Tia Florzinha", esse grande ícone introvertido, que é quando você chega num lugar que não quer estar e, ao invés de ficar lá sofrendo sei lá por que, você simplesmente vira as costas e vai embora, não importando o que passou para chegar até lá. Admiro demais.

Aquela praia foi um cocô mole mesmo, olha minha cara

23) Sei que o grande tchan de ir para Rio das Ostras são as praias, mas acho que o apelo principal de qualquer viagem pra mim é a convivência com os amigos. Tipo, de dividir quarto, ficar na mesma casa, essas coisas simples, mas que a gente não faz todo dia com as nossas amizades. A Bells vendo a novela turca dela, por exemplo. Eu NEM SABIA que existia uma novela turca no ar na tv aberta brasileira. Entendi alguma coisa? Não entendi, mas tão bonitinho a Bells vendo. Novela turca tem mais dramalhão que novela mexicana, cada cena parece estar acontecendo um GRANDE momento. Outra coisa que ADOREI foi poder assistir BBB ao lado da Taiany. A gente comenta essa temporada por whatsapp desde que começou, mas assistir um do lado do outro foi TÃO HINO. Nossas piadas, os comentários, poder ouvir a risada um do outro, mandar as tias calarem a boca, foi muito especial pra mim.

24) Praia da Joana! Cara, deu um AUÊ pra chegar nessa praia. Ninguém sabia como chegar. A gente sabia que existia no mapa e que era perto, mas cada pessoa que surgia na casa dizia que a praia era para um lado. As tias começaram a brigar entre si tentando ensinar pra gente. Chegou uma hora que Bells ficou doida e berrou CHEGA! PRONTO, NINGUÉM VAI MAIS. Se trancou no banheiro. Ficou maior climão. Eu e Taiany pianinhos, né, aquela situação tipo quando os pais do seu amigo brigavam com ele na sua frente quando você tava na casa dele. Mas por dentro eu tava AH, MAS VAMOS SIM, SÓ DE RAIVA, EU HEIN, eu nem gosto de praia, MAS VOU NESSA SIM, NEM QUE SEJA MOVIDO PELO ÓDIO. Sei lá como a situação se resolveu, mas FOMOS. E, gente, melhor praia. Foi literalmente a praia mais bonitinha, mais legal, altas fotos. Achei um sucesso.



25) Rio das Ostras é um lugar excelente para imagens doidas.

Tipo essa loja da Apple. Não, pera.

Ou os funcionários dessa farmácia que sinto que conheço todos de ALGUM LUGAR

Ou ainda esse caixão que me representa sendo vendido numa loja de lembrancinhas

26) Nossa, essa viagem foi muito especial pra mim. É surreal que ela tenha sequer acontecido. Vocês viram COMO e QUANDO minha amizade com Bells e Taiany realmente começou, mal tem 1 ano, uma coisa por causa de blog e Twitter, que só aconteceu por conta de um convite corajoso. Que eu aceitei. E agora a gente se fala todo dia e VIAJAMOS JUNTOS. E foi tão bom! E queremos mais! Gosto assim <3

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Foi bom pra você? Pra mim foi. Voltem sempre :)



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, abril 09, 2018 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 05, 2018

Não que seja uma das minhas prioridades enquanto Blogueiro, mas ando sem conseguir manter alguma linearidade entre os assuntos dos textos do Não Sei Lidar. Acho que todos concordam que a editoria desse blog é DOIDA. Tanto que eu estava adiando fazer esse texto, meio que esperando o melhor momento, pra quando tudo estivesse mais organizado na minha cabeça, mas aí eu chorei no metrô e acho que esse é um bom gancho pra qualquer texto.

Ainda mais que eu nunca choro.



Eu tentei fazer parte de uma igreja. Tentei mesmo, tentei HARD. Me sentia armado e preparado, estava com muita boa vontade em junho de 2016 e meu relacionamento com Jesus nunca tinha sido melhor. Achei que realmente fosse dar certo, mas não deu. Me cansei um pouco menos de um ano depois. Meu deus, gente, é muita TRETA. Vi meus amigos irem desanimando um por um, vi algumas coisas saindo do controle, vi que a água que eu tinha era mole demais para cabeças de pedras muito duras. Acho até engraçado que as pessoas associem meu estilo de vida e o fato da minha sexualidade não ser um exemplo de padrão cristão com minha falta de entendimento com igrejas. Porque todo mundo fica "Mas é tão simples! É só IR! Eu vou lá todo domingo, oro, falo com os irmãos, escuto a pregação, canto. O que tem difícil?". Não é suficiente pra mim. Não é a vida cristã que eu quero pra mim. Honestamente, acho que não é a vida que Deus quer pra ninguém, mas sei que cada um faz do jeito que quer e sabe, então me contento em decidir pelo menos a minha vida. Não é possível que Jesus passou um livro inteiro falando palavras incríveis pra isso. 

Chegou uma hora que eu já não via mais tantos motivos para lutar, não tinha mais certeza de nada e até meu relacionamento com Deus ficou meio abalado pelo desânimo. Em algum momento que nem percebi, eu desisti. Em outro momento, parei de frequentar de vez.

Ainda falo com Jesus ocasionalmente, mas nunca mais parei para orar com pompa e circunstância. Não leio a Bíblia. Trouxe duas para a casa nova, porém, ainda não as abri. Não me meto mais em debates cristãos. Só gosto de falar de Jesus e religião com quem não é cristão. Evito com afinco o assunto igreja. Já proibi praticamente todos os meus amigos crentes de tocarem nesse assunto comigo. Pra quem pergunta se eu me desviei, eu digo que estou dando um tempo. Brinco que estou de férias. Pra quem me pede para fazer uma visita na igreja X, eu respondo que Deus me livre "Humn... Não gosto muito de igrejas, não é nada pessoal". Faço de tudo para não pisar numa igreja novamente, porque surgem um milhão de más lembranças, a sensação de falha, de impotência, de perda de tempo. Eu me sinto praticamente pecando se passo duas horas dentro de um templo.

Eu nem ia falar nada disso.

Estava no metrô e chorei porque vi uma matéria sobre esse filme novo do Edir Macedo e todo esse cheiro de LAVAGEM DE DINHEIRO que está levantando aí. O filme tem a maior bilheteria do Brasil ou sei lá, mas, se você paga pra ver, encontra o cinema praticamente vazio. Acho que nem quero me aprofundar e investigar essa treta, mas... mas... CARAMBA, IGREJA, VOCÊ TINHA UM - UM - TRABALHO. E NÃO ERA FAZER FILME SUSPEITO SEI LÁ PRA QUÊ.

Chorei porque Jesus não merece. Sei que na internet é facinho xingar cristão, e na maioria das vezes eu nem tiro a razão das pessoas, mas isso me machuca ao pensar que Jesus fez todo um esforço pra abraçar o mundo inteiro com o amor dele e, por causa de pessoas, a mensagem dele não chegue onde deveria chegar. Ou haja resistência pesada. Ou as pessoas que mais precisam recusam. Tipo, ele realmente não merece. Mal estamos nos falando, mas eu gosto tanto desse homem, gente. Queria que desse pra separar a imagem dele da imagem que a igreja assumiu nos dias de hoje. Queria que a igreja limpasse sua barra ou então que afundasse de vez e surgisse um novo modelo de igreja ou sei lá. Não sei se tenho mais fé nisso, mas antes eu tinha. Sei que quero fazer parte de alguma coisa, mas de uma coisa boa. Viva, saudável, alinhada, inteligente. Amorosa. Mas também sei que não adianta nada eu criticar sem mover uma palha pra fazer minha parte. Por isso não ando tocando no assunto.

Já contei que estou de férias?



OUTROS TEXTOS


Posted on quinta-feira, abril 05, 2018 by Felipe Fagundes

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