quinta-feira, outubro 18, 2018

Oi, gente! Viajei. E dessa vez eu quase não fiz um diário de viagem, mas me senti obrigado a manter a tradição. Vamos? Vamos.

Pra quem não sabe como funcionam os meus diários: São diários físicos que vou escrevendo durante as viagens, depois eu chego em casa, edito e posto no blog. Então aqui estamos.

Destino: Penedo!


1) Dia desses me bateu um fogo no rabo incrível e eu cismei que ia aproveitar os feriadões pra viajar. Pra onde eu iria? Não sabia. Com quem? Também não sabia. Só sabia o quando e que eu iria de qualquer jeito. Tenta daqui, tenta dali, gente topa, gente desiste, escolhe lugar, troca lugar, mas, com muita força de vontade, agarrei na mão de Taiany e FOMOS. Não sem antes pegar Kelly, que é doida o suficiente pra viajar com gente que ela mal conhece, e Arthur, o menino que eu gosto, que estavam dando bobeira e caíram nessa cilada do bem.


2) PENEDO!!! Confesso que essa cidade no RJ foi escolhida em matérias naipe "dicas de viagens para gente sem muito dinheiro" e "viagens curtas demais que cabem em um final de semana". Eu só sabia que tinha um monte de papai noel e sei lá o quê da Finlândia (???). O fato é que eu pouco me importo com o destino, gosto é da experiência de me mover até outra cidade, dormir em lugares chiques demais para serem a minha casa e a companhia dos meus amigos.

3) Estou fingindo que estou ótimo, mas, ok, não vou só jogar o nome do Arthur aqui como se não fosse nada demais. ESTOU VIAJANDO COM O MENINO QUE EU GOSTO!!! Pois é, quem diria. Praticamente nenhum amigo meu teve a oportunidade de conhecer meu consagrado e claro que meu jeitinho foi meter ele numa VIAGEM DE TRÊS DIAS pra forçar uma convivência direta com as amigas. Tô apostando que vai dar tudo certo.

4) Isso de ainda não ter apresentado o menino que eu gosto aos meus amigos gera uma outra questão: Não sei como me comporto em grupo tendo um interesse romântico ali segurando minha mão. Será que sou daquelas pessoas que abandonam os amigos quando namoram? PIOR, que ficam se pegando em público constrangendo todo o grupo? Taiany me mata se eu deixar ela e Kelly largadas pra dar beijos no Arthur, então estou consciente de ser um amigo decente. Também não posso deixar Arthur de lado pra ficar com as meninas. OU SEJA. Preciso de clones.


5) Não há Uber em Penedo. As pessoas são ricas o suficiente pra andarem de carro o tempo todo ou se hospedarem bem no centro mesmo pra poderem passear pela cidade a pé. Tem, sei lá, 1 carro rodando pela região que deve ser do Seu Zé da Esquina (Na verdade, depois descobrimos motoristas particulares que não atendem pelo nome de Uber, mas sim como "transporte privado especial". Ok)

6) Assim que descemos do ônibus, eu esperava já encontrar uma cidade toda trabalhada em detalhes com madeira, neve, renas, talvez um papai noel cruzando a rua num trenó, coisas básicas de uma cidade com temática de Natal. Talvez finlandeses nativos querendo trocar experiências culturais com a gente, uma dança típica, sei lá. De cara, não é tão Tumblr assim. Sinceramente, não vi ninguém com cara de finlandês, todos poderiam ser meus ex-vizinhos lá de Nova Iguaçu. Não vi trenós.

7) Andamos como condenados (quarenta minutos) pra chegar até nossa pousada e, meu deus do céu, eu tenho que me ligar mais nessas coisas. A gente fez praticamente uma trilha com subidas e descidas, morrendo de fome na cidade gastronômica. Eu só queria BANHO e COMER, o que viesse primeiro, mas o que tinha era caminhar.


8) Graças a Deus a Pousada Bela Vista é um amor. Não vou mentir, de cara assim parece uma grande casa de vó católica, mas olhando mais de perto você vê que essa vó católica é rica, tem bom gosto e tem sauna em casa. Recomendo! Principalmente se você gosta da sua vó católica (eu gosto).


9) Tava todo mundo meio desanimado com a loooonga caminhada até a pousada e tenho que admitir que eu já estava quase pedindo desculpas pra todo mundo. Uma coisa sobre as ciladas do bem é que elas são um sucesso em 99% das vezes. Eu achava que estava diante de um 1%. Só faltava todo mundo se odiar e o quarto ser um cocô mole. PLOT TWIST: O quarto era ótimo! Era um chalé, na verdade. Amo que eu pago pelas coisas sem saber. Quarto grande, banheiro gostoso, tinha até cozinha! Com geladeira, fogão, panelas, tudo que tinha direito. Ficou todo mundo feliz. Taiany ficou gritando PANELAAAAAAS na cozinha e jurou que vamos cozinhar [Vim do futuro pra dizer que não cozinhamos nenhum dia]


10) Era de se esperar que uma cidade conhecida por sua gastronomia fosse rica em opções de lugares para comer, né? Ok, há muitos restaurantes até, mas onde se paga 50 reais numa pizza de mussarela. Não tem condições, gente. Mussarela é só a massa!!! Alguns lugares chiquérrimos, que dariam fotos ótimas, mas só dando na cara de quem escreveu o "dicas de viagens para gente sem muito dinheiro". VOU FALAR A VERDADE NESSE DIÁRIO: Se puder, não coma. Brincadeira, mas, sério, gente, caro demais pra uma comida que não parece justificar o preço. 

11) Foi uma BENÇÃO encontrar o "Crepes e Sabores", que vendiam almoço completo por 16 reais. Repetindo: DEZESSEIS REAIS!!! É menos do que se paga no Rio de Janeiro. E não fomos almoçar crepes! Comi um bife ENORME, com arroz, feijão, salada de alface, tomate e pepino, farofa e batata frita. E tudo muito gostoso! A gente estava até na dúvida se a comida era muito boa de verdade ou se a gente que estava passando muita fome e comendo até pedra, mas chegamos à conclusão de que "Crepes e Sabores" é O MELHOR RESTAURANTE DE PENEDO (segundo o blog Não Sei Lidar & amigos).

16 reais!!!


12) Já com a paz no coração que só um bucho cheio dá, fomos passear! Achei a cidade mais bonitinha à noite. De fato, a rua principal é toda tumblrzinha, tem muita loja de doce e lembrancinhas diversas. Penedo também é destino de lua-de-mel, então tem muita coisa com corações pros casais tirarem foto. Acho meio cafona, mas tudo bem. Pode ser meio ofensivo pra quem está sozinho (pedindo perdão às minhas amigas pessoais e solteiras Kelly e Taiany)

Amor próprio é tudo

13) Não resisti e fiquei um NOJO grudado com Arthur pra cima e pra baixo. Eu até me controlei bastante, mas, gente, vocês precisam me dar uma colher de chá. Eu nunca tive isso! NUNCA. Andar em público de mãos dadas, poder abraçar a hora que quiser, chamar de bb... Eu não sei explicar. E ver todos aqueles casais héteros ali como se demonstrar afeto em público fosse algo natural... Seria uma injustiça a gente se privar disso.



14) Arthur no começo tava meio "Ain, talvez finlandeses votam no Bolsoniron" e eu tentei respeitar, mantendo uma distância segura. Fiquei ATENTO ao redor pra sondar qual era a das pessoas. Minha primeira impressão foi que não havia gays em Penedo. Nem umzinho. Me senti LEVANDO A CULTURA GAY para aquele lugar, tipo um REPRESENTANTE OFICIAL. Mas aí comecei a notar as bermudas curtas, as brusinhas floridas, as mangas de camisa dobradas e amigos que andavam colados demais. Eu e Arthur não estávamos só.



15) Fui pra outra cidade cometer esse crime. Achei fofíssimo que todas as taças tinham nome de princesas Disney. Esse aí é o cadáver da Jasmine.



16) Tinha um Papai Noel em tamanho real que tocava uma musiquinha chatérrima 24h por dia. Sentamos perto dele por meia hora e eu já estava prestes a agredir um idoso de mentirinha. A dona do Papai Noel veio conversar com a gente quando ouviu a gente comentando sobre o dito cujo. "Ah, AQUELA MERDA ALI foi eu que coloquei. Minha loja é muito escondidinha e é ESTA MERDA que atrai as pessoas até aqui. Também não aguento mais ESTA MERDA". Feliz Natal, gente.

17) Uma coisa curiosa é que a audição das pessoas de Penedo é MUITO BOA. Não importa quão baixo você fala, não adianta sussurrar longe dos vendedores, ELES VÃO TE OUVIR. Se você vira pra sua amiga e fala baixinho "Só coisa feia nessa loja", com certeza algum vendedor vai surgir de trás da parede pra dizer "MAS TEM MUITA GENTE QUE GOSTA". Passamos por isso uma dúzia de vezes, pode confiar. Cale a boca quando entrar numa loja.

18) Achamos uma lojinha de enfeites muito Tumblr e ficamos fascinados, dessas que vendem coisinhas fofas e lindas que só fazem sentido na loja mesmo, mas, se você levar pra casa, perde o encanto pois sua casa é feia. De qualquer forma, dava vontade de ficar tirando foto com TUDO de lá, eu encheria meu Instagram de fotos se tivesse um. Minha foto favorita seria com o aviso passivo-agressivo "QUEBROU, PAGOU", que eu li e imediatamente fiquei imóvel com minha mochila enorme, me senti num campo minado. Todos nós compramos ímãs de geladeira de 10 reais. [Aparentemente, decorei o nome da loja e agora trago para vocês a página no Facebook da Pasevida!!!] 





19) Na hora de dormir, eu e Arthur já estávamos sem vergonha nenhuma, certamente que dobraríamos bolsomilhos no braço, ÉRAMOS UM CASAL, SIM, O MUNDO PODE SABER. Até tínhamos uma cama de casal no quarto com as meninas. Eu particularmente acho que me comportei ou pelo menos aparentei me comportar. Que difícil essa coisa de viajar com homem pra uma cidade romântica e não ficar se pegando em tudo que é canto. Sou um vencedor.

20) O plano do dia seguinte é ANDAR A CAVALO. Gente, nunca andei! Muito bobinho você que pensou que eu vim pra Penedo só passear. Vim pela aventura. Cilada do bem!

Continua...





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Posted on quinta-feira, outubro 18, 2018 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, setembro 05, 2018

Parece que só agora estou tendo que aprender a namorar. Chega a ser engraçado dizer isso, porque a impressão que há é que é aquele tipo de coisa que todo mundo sabe ou, se não sabe, aprende naturalmente. Deixa acontecer na-tu-ral-men-te. É um conselho que talvez eu nunca tenha seguido na vida.


Fui um adolescente que não pensava em relacionamentos. Assim, é meio impossível não ser afetado pela nossa sociedade, que o tempo todo joga casais e casamentos na nossa cara, é fácil se sentir sozinho e rejeitado e talvez vez ou outra eu tenha me sentido assim. Porém, era raro. Não que eu desprezasse romances, mas eu simplesmente me interessava mais por outras coisas e lá no fundo eu sentia que comigo era diferente.

Só fui conhecer a assexualidade um pouco mais tarde e aí fiquei Ah, agora tudo faz sentido. Eu já tinha percebido observando os relacionamentos dos amigos que se relacionar com outras pessoas não é tão fácil e legal como pregam. Às vezes, é melhor ficar sozinho, gente. Eu não entendia por que as pessoas beijavam na boca e nem como elas tinham coragem de tirar a roupa e se enfiar uma dentro da outra. Eram coisas tão íntimas. Eu me achava incapaz. Aí abri mão.

Meu pensamento era bem simples: Eu estou de boas sozinho + não sinto muita vontade de me relacionar com ninguém + todo mundo gosta de coisas que acho intrigantes + Deus me livre ter que fazer o que todo mundo faz. Aí deixei essa parte da minha vida pra lá. Isso já faz tanto tempo que a sensação é de que sempre foi assim. Eu não conseguia nem visualizar eu namorando alguém. Planos de casamento? Nunca fiz. Sonhar com família, morar junto, ter bebês? Nunca cogitei.

Lembro de ter ido ao Google várias vezes pesquisar Pessoas que não se casam, como fazem na velhice?, Pessoas solteiras 60+ são felizes?, Estilos de vida na terceira idade sem casamento envolvido. Achei algumas histórias e depoimentos que me deixaram mais em paz. Realmente não é obrigatório se envolver com pessoas e é possível ser feliz sem um interesse romântico. Então tava bom. Resolvi focar no meu trabalho, nos meus amigos, um pouco na minha família, nos meus mil projetos pessoais...

Enquanto as pessoas estavam aprendendo como beijar na boca, como se comportar durante um namoro, como lidar com mais de um contatinho entre outras coisas, eu estava matando essas aulas todas. Não estava prestando atenção. Como eu achava que pra mim não ia rolar mesmo, não fazia sentido perder meu tempo com algo que eu nunca ia viver.

Mas aí rolou.


Não sei direito como namorar, gente. Nunca me identifiquei com aquela música dos Tribalistas, até porque antes nem beijar de língua eu sabia também. Não tem como deixar acontecer na-tu-ral-men-te porque não tem nada de natural. Cada dia mais eu percebo que o molde de relacionamento que a gente tem é uma construção social, porque eu não consigo ainda absorver por osmose. Existem regras que as pessoas não me contaram. Eu fico o tempo todo perguntando para os amigos "Num namoro, pode isso? E aquilo? Se acontecer X, eu posso fazer Y? É obrigatório fazer A? E B? Dá pra ter A, B e C ao mesmo tempo?". E olha que eu nem estou falando de sexo (mesmo também tendo muitas questões).

Sinto que não tenho muito espaço para um namorado porque preenchi cada pedacinho da minha vida com outras coisas. Como assim abrir todo um espaço livre na minha agenda para atender uma pessoa? E meus amigos? E minha família? E os livros todos que quero ler? Quem vai colocar minhas séries em dia? E as ciladas do bem que adoro criar? Quem vai escrever meus livros? Vocês sabiam que manter um blog ativo consome tempo pra caramba? Essa é uma questão.

A outra é que, gente, eu quero namorar? Geralmente gente que já namorou muito ou sonhou demais com comédias românticas tem um resposta pronta, mas eu não sei... Será que funciona comigo? Já vi tanto namoro dando super errado... Fico sempre pensando no fator exclusividade, no tempo que a gente precisa ceder, nas diferenças básicas da vida de solteiro pra vida de alguém que namora... Além disso, eu sinto que tô formando minha identidade sexual agora (2018). Antes eu não queria ninguém, agora eu sei que TODOS OS GAYS DO MUNDO são uma possibilidade. Na verdade, TODOS OS RAPAZES QUE GOSTAM DE RAPAZES. É muita gente, são muitas opções. O tanto de realidade de vida disponível. Como escolher só um?

Tava conversando com o menino que eu gosto que eu talvez queira ser que nem a Glória Maria, que tem um namorado em cada país. Ela diz que é fiel a eles, mas só quando está viajando pelos respectivos países. Ela não casa, não mora junto, mas tá aí namorando horrores. O menino que eu gosto prontamente respondeu ENTÃO EU SOU O DO BRASIL. Risos.

Eu tenho vários amigos, por exemplo, e gosto de todos. Eles não ficam o tempo todo comigo e nem ocupam o mesmo espaço na minha vida. Alguns são mais próximos, outros aparecem com menos frequência. Além disso, nem todo amigo eu vou, sei lá, chamar pra fazer uma trilha. Tem amigo que é de trilha, mas tem outros que são de ir ao cinema, de ficar conversando muito, de passeios de aventura, de contar segredos, de desabafar, de pedir conselho, de viajar... Não faço tudo com todos e alguns são melhores do que outros nessa ou naquela atividade. Não é um problema. Todos continuam sendo meus amigos e amo todos. Será que dá pra namorar assim?

É como se o modelo de namoro mais pregado por aí não encaixasse muito com minha rotina. Acho que pessoas em geral não refletem muito sobre isso, pois com 14 anos ou até menos já estão namorando e comprando esse esquema pra si, mas eu tive muuuuuuuito tempo pra pensar. Estou até dando uma olhada em coisas como relacionamento aberto, poliamor, mas até esses formatos que parecem mais moderninhos não me deram ainda a certeza de que são o que estou procurando pra mim.

Eu sei que gosto das pessoas que eu gosto. Gosto de carinho, de atenção, de companheirismo. Descobri que também gosto de beijar na boca e otras cositas más. Amo gente que se interessa pelas minhas coisas. Amo ser amado e poder amar de volta.

Preciso pra ontem aprender a namorar de um jeito que funcione.



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Posted on quarta-feira, setembro 05, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, agosto 21, 2018

Minha virilha ainda dói depois de eu ter feito o que fiz. Eu não sabia se estava preparado, mas acabei topando. Pra tudo tem uma primeira vez, né? Já haviam me feito a proposta antes e eu já quase tinha cedido no calor no momento, mas recusei. Sei lá, por medo, por vergonha. Talvez doesse... Essa experiência já estava na Lista desde os primórdios, mas a coragem nunca vinha. Só que, poxa, tanta gente faz! A oportunidade surgiu novamente e resolvi aceitar.

É isso mesmo que vocês estão pensando: Montei num touro mecânico.



GENTE, PELO AMOR DE DEUS, OLHA ESSE ROXO, MINHA VIRILHA UM DIA VOLTARÁ AO NORMAL? Espero descobrir em breve, pois também a uso para outras funções (não disse quais).

Eu tinha acabado de voltar de uma Bubble Fest, ela mesma, a cilada do bem com o melhor custo-beneficio de todo o Rio de Janeiro, quando anunciaram OUTRA logo no dia seguinte. Eu falei DEUS ME LIVRE porque é uma delicia, mas cansa pra caramba, e nem tava dando bola para os anúncios quando vi o touro mecânico. AH, PRONTO. Me senti na obrigação de ir porque ONDE eu encontraria um troço desses? (Na verdade, depois eu descobri que em vários lugares, mas na hora eu apenas senti que aquele touro era o meu touro e comprei o ingresso). Touro mecânico está há SECULOS na minha lista de experiências para viver antes de morrer e talvez eu morreria já ali sobre aquela máquina hostil. Achei poético.

Uma coisa que sempre me afastou de touros mecânicos é que eles são projetados para te derrotar. Que nem teste ergométrico. Não há como vencer um touro mecânico, ele sempre te derruba no final, nem que seja te vencendo pelo cansaço. Ele não cansa. Assim... Até aí TUDO BEM, mas meu maior medo na vida ainda é a humilhação pública e eu conseguia imaginar, sem nem me esforçar muito, eu, todo magrelinho, desajeitado e 57% gay, servindo de chacota pra plateia hétero que geralmente acompanha esse tipo de brinquedo. Não sei por que exatamente tive coragem dessa vez, mas o fogo no rabo foi maior que o medo e MONTEI.



3 vezes. A primeira vez foi uma derrota e não falaremos dela, mas na segunda eu nem sei se podia, mas agarrei nos CHIFRES do anima1-robô e durei mais. Caí rápido também e, de alguma forma, é como se aquele bicho espancasse a gente com poder da mente,  então... ok. Fiquei ok. Tava bom já. Risquei 1 item da Lista, uhull, tem outros brinquedos nessa Bubble Fest. Fim.

Mas lá no finalzinho da festa, EU VOLTEI. Ah, mas eu voltei. Nem tinha fila, mal tinha plateia, acho que todo mundo já tinha sacado o nível de hostilidade daquele monstro e ninguém tinha ido ali na Bubble Fest pra ser agredido. Aí eu fui, né, meu jeitinho. Juro pra vocês que estava sem expectativa nenhuma. Até falei para os amigos que não precisava tirar foto nem nada, já que já tinha foto das outras vezes. Montei, bocejei, agarrei, esperei. O moço ligou o touro.



Ele começa bem gostosinho e a gente pensa, ah, nem é tão ruim, dá pra ficar meia hora aqui, mas eu já sabia o que estava por vir e desde o começo já abracei o pescoço da besta-fera. Não demorou 3 segundos pro inferno começar. Gente, eu não sei. Não é possível, MAS AQUILO PULA, AQUILO VOA, SAPATEIA, vai além das leis da física e das leis que regem animais com chifres. Aquilo me deu UM ÓDIO que me fez me atracar com aquele bicho e não soltar mais. EU LUTEI PELA MINHA PRÓPRIA VIDA, ME ATRAQUEI GOSTOSO, CRAVEI AS PERNAS, CHEIREI Ο CANGOTE. NINGUÉM ME TIRA DAQUI MAIS, EU NÃO VOU SAIR, EU VOU DERRUBAR ESSE DEMÔNIO. Ouvi as pessoas falando NOSSAAAAAAAAA e ESSE MOLEQUE É BOM. Eu ia caindo de um lado, me jogava pro outro. Me salvei uma meia dúzia de vezes. Na minha mente eu tava falando NÃO É JUSTO, EU TENHO QUE VENCER, ALGUÉM DESLIGA ESSE BICHO, SERA SE JÁ PASSOU UMA HORA???



Caí feliz, mas acho que não passaram nem 10 segundos. Mas em anos de touro com certeza foi um recorde e levantei me sentindo UM VENCEDOR. EU VENCI. EU DOMEI A FERA. "Ah, mas você caiu igual todo mundo". EU NÃO QUERO SABER. Aposto que fiquei mais tempo do que todo mundo na festa (quem foi comigo favor não me desmentir, na minha cabeça e no meu coração foi assim). ARRASEI, GENTE.




Recomendo esse tombo a todos.



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Posted on terça-feira, agosto 21, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, julho 31, 2018

Estava lembrando de um texto que li ano passado em que pessoas de uma redação de revista refletiam sobre o fato de que só tinha gente branca trabalhando com eles. E todo mundo era do eixo Rio-SP. Era um texto sobre representatividade e tal, e eles queriam fazer um esforço real para mudar esse quadro. A motivação deles não era só preencher cota e satisfazer, sei lá, a galera da internet. Eles, como jornalistas, estavam se perguntando o que estavam perdendo deixando de abraçar outras realidades de vida, outras perspectivas. A gente, principalmente homens e brancos, tende a pensar que a nossa realidade é a realidade padrão. Que todo mundo vive o mesmo, que nossa vivência é universal. Por isso que há uma resistência em acreditar nas falas sobre racismo, acreditar nos discursos feministas entre outras pautas. A gente não vive, daí os problemas dos outros parecem surreais e inventados. Isso tudo só pra dizer que tem muita coisa que eu não sei.

É spoiler pra quem não leu NS1 (meu livro), mas tem umas cenas lá no final em que a Melodee e o Arthur terminam o namoro e ela vai embora para o Canadá. Daí ele vai atrás dela para tentar reconquista-la. Na minha cabeça, isso era uma prova de amor incontestável: um homem indo atrás de sua amada, atravessando terras e céus em nome da paixão e outras cafonices. Óbvio que com ele chegando lá, ela fica balançada, surpresa, grata e feliz. Que homem fofo! Ele a ama mesmo! Daí eles reatam e fim.

Eu devo ter escrito isso em 2014, 2015... Jurava que estava abafando nas cenas românticas.

Quando postei no Wattpad, consegui alcançar muuuuuitas adolescentes e mulheres adultas. Essa e outras atitudes do Arthur geraram debates e comecei a reparar em vários comentários de meninas dizendo ter ranço do Arthur, que ele era abusivo, que a Melodee merecia coisa melhor... A princípio, fiquei meio COMO ASSIM? ELE É UM AMORZINHO! Mas depois eu continuei lendo e percebi.



Gente, vocês já viram o tanto de notícia de homem que, após o término do namoro/casamento, vai atrás da ex e tira a vida dela com crueldade? Mete bala, facadas, dizima uma família inteira, atropela... É assustador. Eu nunca tinha reparado nesse padrão. Seu ex ir atrás de você assim do nada é invasivo, é de deixar com um pé atrás. Acredito que essas vítimas também não esperavam serem assassinadas pelos homens que um dia elas amaram.

Uma amiga minha viveu uma coisa parecida. Namorava à distância um menino de outro estado, as coisas não estavam indo muito bem, ela resolveu terminar. Ele ficou chateado, mas, beleza, vida que segue, término não é fácil mesmo. Até que um dia do nada o lindo diz que está A CAMINHO DA CASA DELA pois PRECISAMOS CONVERSAR.· Fiquei imediatamente preocupado com a integridade física dela assim que ela me contou. Não foi à toa que os amigos todos se juntaram e fomos juntos marcar um encontro dela com ele. Não que isso fosse salvar a vida dela de um cara realmente decidido (ainda ia matar a gente), mas pelo menos desencorajaria um fulano inseguro.

Ele achou ruim.

Achou que era um absurdo ela pensar algo assim dele, disse que ele jamais seria capaz de machucar ela e que só queria conversar. Assim, eu também ficaria meio chateado se alguém pensasse isso de mim, mas eu que não arriscaria minha própria vida pelo ego ferido de outra pessoa. Cheguei a refletir se era paranoia da nossa parte, mas, caramba, acontece tanto.

É uma coisa que eu, como homem, jamais temeria caso uma ex fosse atrás de mim. Mesmo um ex homem não me deixaria alerta, porque quem traz a desgraça geralmente é o homem hétero que acha que a mulher não pode ser feliz sem ele.

No livro, eu meio que validei esse comportamento. Como se a menina fosse até obrigada a aceitar o ex só porque ele foi atrás dela. Imagina dizer não para um cara agressivo que atravessou um continente pra te ver. Corrigi isso depois, de certa forma. No conto "Os Quatro e o Fusca" rola uma pequena reflexão sobre o assunto. Sei que não farei mais nas minhas próximas histórias.

Mas quantas coisas eu ainda não sei? Quantas ideias equivocadas eu repasso por falta de conhecimento? Sei que só posso aprender mais conhecendo pessoas diferentes de mim. De outras idades, outros lugares, outra classe social, de outras religiões... Não quero perder nada.



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Posted on terça-feira, julho 31, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, julho 16, 2018

Eu amo vocês.

Acho importante terem isso em mente enquanto leem esse texto, porque vocês não estão acostumados a serem confrontados nesse sentido, já que todo mundo na bolha de vocês é homofóbico também. Convenhamos, vocês não conhecem de verdade 1 (UM) (Literalmente UM) gay. Talvez vocês pensem que estou com raiva, ódio, mágoa ou sei lá o quê, mas eu já estive aí desse lado e sei como é. Eu nem estaria aqui escrevendo isso se quisesse cortar vocês de vez da minha vida.


Eu amo vocês, mas não gosto mais de conversar com vocês. Também não sinto mais ânimo de compartilhar nada da minha vida, porque já sei mais ou menos como serão as suas reações. Não consigo mais chamar vocês para saírem comigo e com meus outros amigos ou mesmo aceitar convites, porque sei que em algum momento do rolê vou me sentir desconfortável.

Foi mais ou menos uma surpresa pra vocês, eu sei, foi pra mim também. Eu queria que a gente trabalhasse esse choque juntos, porque, do jeito que nossa amizade funcionava antes, já não funciona mais pra mim. Ou eu volto ao que era antes ou vocês dão um passo pra frente, mas todos nós sabemos que não vou voltar.

Vocês lembram quando estavam na dúvida se estavam apaixonados ou não? Lembram quando não sabiam se o namoro estava indo bem? E daquele dilema de qual pessoa vocês realmente amavam? Lembram? E de quando machucaram vocês? Lembram quando vocês já não sabiam mais o que fazer e precisaram de um conselho sobre como lidar com a pessoa que vocês amam? Lembram quando vocês estavam com medo do julgamento alheio e precisaram de alguém de confiança pra desabafar? E da dúvida na hora de casar? E dos desabafos? E daquelas horas em que vocês estavam muito tristes porque tinham brigado com as pessoa que vocês gostam? Vocês lembram?

Porque eu lembro. Eu estava lá.

Mesmo sem ter experiência nenhuma em relacionamentos amorosos, eu ficava horas ouvindo vocês. Por telefone, por mensagens, pessoalmente, de dia, de noite, até uma vez de madrugada. Eu acompanhei relacionamentos inteiros de vocês. Eu aconselhei, dei força, abri olhos, mandei a real, "Acho que essa pessoa não é pra você", "Esse relacionamento não está muito abusivo?", dei ideias, sugeri soluções, comemorei as pequenas vitórias ou apenas fiquei quietinho ouvindo, quando sabia que vocês só queriam falar.

Estão lembrando?

Aí, agora que eu FINALMENTE tenho 1 história pra contar e também tenho dúvidas, inseguranças, necessidade de desabafar e comemorar, vocês não estão aqui pra mim.

Eu: a

Vocês: Desconforto, piadas homofóbicas, inferno, "Não sei o que dizer"

Isso parece justo? Era de se esperar que vocês já soubessem o que dizer depois do tanto que já ouviram de mim. Não é difícil de entender. Sério, é praticamente igual. Só duas pessoas descobrindo o que sentem uma pela outra e que de vez em quando pisam na bola e pedem desculpas e querem agradar e querem ficar juntas e querem apoio. Não é difícil mesmo, vocês já viveram isso mais vezes do que eu.

Sei que não posso andar esse caminho por vocês. Só estou de longe dizendo "É por aqui ó". Espero que vocês queiram caminhar e cheguem até o final.

Estarei por aqui, como sempre.



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Posted on segunda-feira, julho 16, 2018 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, julho 13, 2018

É incrível como estou tentando escrever desde o final do ano passado. Consegui alcançar minha meta de ter um livro novo escrito antes da metade do ano? Não consegui e falhei miseravelmente. Mas, gente, vocês têm que me dar algum crédito.


Entra mês e sai mês e vejo um monte de blog morrendo, newsletters nascendo pra meia dúzia de edições e nunca mais, histórias inacabadas mil, mas eu tô aqui post atrás de post. Diminuí o ritmo e mal consigo emplacar 1 post por semana, mas parando eu não estou. Acho que tudo bem se eu quisesse parar de escrever para o blog também, mas eu não quero e hoje só passei aqui pra dizer que escrever é uma parte de mim. Uma parte importante, se já não está óbvio. Acho que já perdi a conta de quantos "Oi, gente, eu sumi, né? rsrsr" já vi por aí, e os motivos geralmente são faculdade, trabalho e vida acontecendo, mas, mesmo com trabalho, faculdade e vida acontecendo, eu nunca abandonei escrever de vez. Tem o blog, tem meu livro novo (Final de 2018, será que rola?), tem a série de novelas Não Sei Lidar... Se eu não estou aqui, eu estou lá e vice-versa.

Não consigo parar, mas, nos últimos seis meses, olha, quase parei. Gente, a vida aconteceu demais e teve uma fase aí que eu até fiquei triste porque não conseguia mais escrever. Não tinha tempo, não tinha cabeça, não tinha corpo. A vontade nunca me abandonou, mas não havia condições e passei esse tempo me arrastando tentando digitar uma letrinha por vez.

O Allan comentou comigo que pra ele minha vida sempre pareceu uma montanha-russa, porque eu não sossego o facho nem um segundo e, se você acompanha esse blog, deve ter notado como as coisas realmente andaram agitadas. Troquei de emprego, saí da casa da minha mãe, troquei de cidade, fui morar por minha própria conta, fiquei desgraçado da cabeça na Firma nova, PERDI O EMPREGO, conheci 1 rapaz pela primeira vez, beijei esse rapaz, terminei com esse mesmo rapaz e daí conheci outro rapaz, arrumei um emprego novo, INVENTEI UM EMPREGO NOVO e agora tô me mudando mais uma vez pra uma casa cheia de gente. E isso comigo presente para os meus amigos, tocando o Saia da Rotina e tentando manter o blog ativo.

Sobrou só um trapinho de espírito para a escrita criativa, e eu já estava me sentindo um fracasso de escritor.

Só fui me recuperando agora, vendo gente falar sobre escrever. Nossa, é a melhor coisa. Fica aí a dica pra quem escreve: Siga escritores nas redes sociais, acompanhe o trabalho deles, frequente eventos literários. Eu fico MUITO inspirado vendo pessoas contarem suas conquistas, falarem sobre o processo de criação e ouvir leitores explicando como uma história específica os impactou. Na minha timeline do Twitter, todo dia alguém lança um livro, consegue um agente, fala que faltam X palavras pra bater a meta, dizem que escrever é horrível, dizem que escrever é incrível (a mesma pessoa)... Isso me deixa com vontade de não parar nunca.

Eu em todos os eventos literários que vou

Pra completar minha ressurreição, aconteceu outro BOOM de leitores de NS1 no Wattpad (eu realmente não sei como essa plataforma opera) e eu recebi muuuuitos comentários e depoimentos legais. Mas, assim, muito legais mesmo! Fiquei bestinha e com o coração em chamas. Me senti muito querido e é sempre bom lembrar que existe gente que ama minhas histórias. Eu esqueço às vezes, depois de muito tempo sem publicar nada novo.

Movido exclusivamente pelo fogo no rabo, me empolguei e escrevi um conto, especial do mês dos namorados! Já leu? É uma sequência de NS1, é uma coisa mais para quem leu o livro e estava com saudade dos personagens. Tem um milhão de spoilers. Mas é fofinho, engraçado e tô orgulhoso de ter escrito isso depois de meses sem finalizar nenhuma história.



Pra encerrar, agora é isso: Tenho essa meta não muito firme de escrever um livro novo até o final de 2018 (pelo menos o primeiro rascunho!), mas agora estou empenhado em criar um terceiro volume para a série Não Sei Lidar. Prontos para mais uma história orbitando ao redor dos personagens de Gênios e Malas? Eu estou prontíssimo e dessa vez tenho grandes planos. Vamos acompanhar!



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Posted on sexta-feira, julho 13, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, julho 10, 2018

Tava rolando minha timeline do Facebook dia desses, e vi uma dessas imagens genéricas com a frase "Gentileza gera Gentileza". Até curti, mas aí vi que a pessoa que tinha postado estava fazendo uma crítica. "É desumano vc querer que vítimas de estupro sejam gentis com seus estupradores". No Twitter, acontece muito que qualquer frase motivacional do tipo "Corra atrás dos seus sonhos!" recebe respostas como "E morra de fome porque você tem 3 filhos pra cuidar, o tiro tá comendo na favela, você trabalha em dois empregos de merda. Gente branca é muito sem noção". Estava até em alta aconselhar as pessoas a se afastarem das pessoas tóxicas, o que eu acho muito válido, mas a onda morreu quando começaram a rebater com "As pessoas com depressão e vocês chamando de tóxicas, que gente lixo, depressão é doença".

Tipo... Gente???

Estariam as minhas amadas cafonices do bem sendo atacadas?

É como se as pessoas agora fizessem um esforço real pra invalidar qualquer faísca de positividade que surja na internet, tirando da caçamba de lixo o pior contexto possível onde claramente aquela frase inocente e bobinha não se aplica. Vocês já repararam? E esses são apenas alguns exemplos, eu poderia citar outros cem. Um a de luz que você posta, já surge alguém de um bueiro pra lacrar em cima e invalidar tudo.


Não é mesmo difícil derrubar uma cafonice do bem, porque cafonice não tem contexto. Geralmente, é só uma mensagem avulsa que a gente vê. O contexto até existiu na cabeça da pessoa que postou, mas ele se perde assim que a cafonice é postada. Se você parar pra pensar, toda cafonice faz sentido em algum cenário, mas não faz em milhões de outros. Às vezes gentileza gera gentileza, sim, e provavelmente gerou pra essa pessoa que postou, mas é óbvio que nem sempre. Às vezes você tem que ser firme e até rude pra resolver as coisas. Às vezes ser gentil só vai fazer que pessoas folgadas montem em você. Mesmo assim a cafonice ainda faz sentido pra alguém. É justo que sejam combatidas caso estejam sendo forçadas sobre todo mundo, mas é aquela coisa: Pega o que te serve, ignora o resto.

É diferente se alguém virar pra mãe solteira com 3 filhos e desempregada e falar "Corra atrás dos sonhos! Faça o que ama! Apenas seja feliz!", aí até eu vou lá xingar também, mas, fora isso, catar um contexto cagado só pra dizer que a mensagem é mentira é o cúmulo da negatividade. Cafonices são como conto de fadas, não são a realidade, todo mundo sabe, mas nem por isso deixam de entreter e fazer a gente sonhar.

Eu entendo que existem privilégios, que a vida adulta é puxada e que muita gente se esforça e não consegue, mas, pra alguns, é importante acreditar. Ou nem tanto, são só frases na internet pra galera curtir e compartilhar, pelo amor de Deus.

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Eu gosto de viver num mundo em que as cafonices existem. Porque, ai, gente, tão bom de vez em quando ler uma frase com menos de dez palavras que de repente faz todo sentido e joga uma luz nas suas angústias! Ou ler uma tirinha cafonérrima, mas que te deixa bestinha. Aquele poeminha brega da Rupi Kaur, aquela frase na camiseta (STAY COOL) na C&A, aquele post no blog Não Sei Lidar que você fica NOSSA, o conselho certeiro que um filme da Disney te deu... A vida real da maioria das pessoas é mais pesada do que isso, mas acho que esse é bem o motivo que faz um pouco de leveza ser bem-vindo.



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Posted on terça-feira, julho 10, 2018 by Felipe Fagundes

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terça-feira, junho 26, 2018

Tem uma parte no A Arte de Pedir que a Amanda Palmer comenta que, em alguns casos, principalmente quando se é artista, não existe validação no mundo para o que você faz. Tipo, se você é advogado, médico, professor de matemática, etc, existe o diploma que você ganha no final da faculdade. Às vezes a profissão escrita na sua carteira de trabalho já vale. Você sabe que seu trabalho existe. Mas artistas e similares ficam sempre na dúvida se estão trabalhando de verdade ou só sendo ridículos, daí a Amanda diz que temos que criar nossa própria varinha mágica da legitimidade e bater com ela na nossa própria cabeça.

Posso dizer que funciona.


Fiquei uma semana trabalhando o conceito do Saia da Rotina, porque eu queria uma alternativa de renda e experiência de trabalho ao que eu já tinha na vida. Depois de tanto juntar meus amigos e conhecidos para passear e viver coisas doidas e de tanto ouvir que eu era bom nisso, eu acreditei. Sou desses que acredita nos elogios que ouve sei lá o quê em Leão. Aí, bom, por que não juntar o útil ao agradável, né? Bolei a ideia, fiz site, criei página, escolhi o pacote que eu achava mais fácil de divulgar e fui. Fui quase como um hobbie, coloquei um valor bem baixo (10 reais!!!) porque eu não estava pensando em ganhar dinheiro, só ver se o conceito funcionava. Se flopasse, eu apagaria tudo e ninguém teria morrido, só minha autoestima.

Procurei clientes nas redes sociais, as pessoas começaram a responder, tive ajuda na divulgação do Pacote do Clube do Livro, de repente eu tinha mais gente do que conseguia lidar, criei uma fila de espera, criei dois clubes do livro e, gente, socorro, a coisa estava viva. Acho que a primeira pessoa com mais de mil seguidores que divulgou meus clubes no Twitter me matou de vergonha, eu quase gritei, porque eles estavam falando "OLHA, GENTE, ESSE FELIPE AQUI TEM UM PROJETO LEGAL" e eu "MEU DEUS, PARA DE ME EXPOR, AS PESSOAS VÃO FICAR SABENDO O QUE ANDO FAZENDO", mas, depois de meia hora de surto, eu fiquei "Pera, é isso mesmo que eu quero. Eu tenho uma ideia, eu tenho um serviço. Respira, meu anjo. São só mil pessoas. Eita, dez mil agora que outra pessoa ainda mais famosa deu RT também".

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Você mora na cidade do Rio de Janeiro e está disposto a conhecer novas pessoas, talvez fazer novas amizades, e viver experiências fora da sua rotina? Então é você que eu estou procurando. O conceito é simples: Você escolhe uma dentre as mais de dez experiências disponíveis, paga por esse pacote, eu reúno um grupo de 6 a 10 pessoas interessadas na mesma coisa que você e VAMOS. Antes da experiência em si, eu dou oportunidade das pessoas interagirem em um grupo do whatsapp, aprendo mais sobre a vida delas, escuto o que elas têm a  dizer, quem elas são, do que gostam, do que não gostam, divulgo passeios gratuitos e acessíveis, marco alguns encontros informais pelo RJ e é isso aí. No dia da experiência, seja um clube do livro, seja andar de kart ou uma escalada indoor, ninguém se trata mais como desconhecido.

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MEU DEUS, GENTE, O CLUBE DO LIVRO DEU TÃO CERTO! EU MORRI E ESTOU NO CÉU???

Simplesmente superou todas as minhas expectativas. Claro que eu sou suspeito pra falar, mas o feedback que recebi me deu segurança e acho que acertei o alvo. Lembram que anunciei o Clube do Livro aqui? Então, aconteceu. O Quinze Dias (livro do Vitor Martins) brilhou entre as opções e disparou como favorito, por isso foquei nele. 

Depois de uns dois meses de interação virtual, eu já sentia que eu era amigo de todo mundo e cheguei lá ansioso pra ver de perto o rosto de cada um e ouvir as vozes. Como fui o mediador, preparei uma lista com os tópicos a serem debatidos para guiar a conversa, mas tudo fluiu muito naturalmente. Fizemos um piquenique no Bosque da Barra (lugar que eu nem conhecia) e, gente, tantas risadas! Que conversas! Falamos sobre gordofobia, sobre como é se entender gay, falamos sobre transtornos psicológicos, dilemas da amizade, questões de relacionamentos, signos (kkkkk), bullying, ditadura da beleza e outras coisas que eu nem tinha planejado. Adorei ouvir os depoimentos de todo mundo, os causos, cada um teve alguma coisa a acrescentar e o grupo se deu tão bem! Eu não poderia sair de lá mais feliz. Quero mais.





Galera ficou me agradecendo, mas, anjos, eu que agradeço. Vocês não sabem como fizeram um millennial 200% feliz. Saí do piquenique me sentindo magicamente legitimado demais.

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Bom, depois desse imenso sinal verde, óbvio que o Saia da Rotina vai dar mais alguns passinhos. Já há um segundo clube do livro em andamento, a fila de espera me dá vontade de criar um terceiro... Mas também quero experimentar atividades novas. Pretendo ir abrindo os pacotes aos pouquinhos, vendo o que funciona e o que não funciona tanto, já estou quase no pontapé inicial do pacote de Kart e o de Patinação no Gelo.

Quem tiver interesse me chama! Vai ser um prazer encontrar mais uma pessoa pra fazer da comunidade de gente legal que quero criar.

Vamos acompanhar! Aguardem e confiem :)

(Antes de escrever esse texto, eu estava pensando se não deveria divulgar o Saia da Rotina de uma forma mais profissional e menos pessoal. Será que assusto uma pessoa que for no Google e cair aqui? Mas, bom, vulnerabilidade é outra lição de Amanda Palmer. Não sou uma empresa, sou uma pessoa. Interagir comigo é outra parte dos pacotes. Juro que sou legal)



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Posted on terça-feira, junho 26, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, junho 18, 2018

E pensar que esse match quase não aconteceu. 

Nossa, sério, sei que eu não paro de repetir isso, mas é que aconteceu por tão pouquinho que ainda hoje a possibilidade de eu viver num mundo em que ele não tenha acontecido me causa desconforto. Sabe essas coisas pequenas que causam um grande impacto? Eu não sabia na hora, claro, a gente nunca sabe, mas aquele meu like hesitante foi uma dessas coisas.

Não hesitei por sua causa, muito pelo contrário. Eu não queria usar o Tinder. Ai, gente, eu deveria estar no Tinder? Eu sei usar o Tinder? Seria Tinder o lugar adequado para o jovem assexual carente estar quase à meia-noite procurando romance? Fui e voltei umas três vezes. O dedo do like coçando pra ir lá e clicar no coração. Você acertava em todos os lugares que tinha pra acertar.

Eu tenho muito orgulho da minha força de vontade, mas graças a Deus fui fraco naquela noite.


Lembro das duas primeiras coisas que pensei quando te vi: Humn, mais bonito que nas fotos e Ah, 9 cm a menos não é tão mais baixo assim.

Claro que eu tinha que te chamar pra uma Cilada do Bem no nosso primeiro encontro. Estava com essa ideia na cabeça fazia um tempo e acho que o conselho mais valioso que me deram sobre encontros é que eu devo focar em me divertir neles. Então, bom, se você fosse uma perda de tempo, eu pelo menos estaria riscando a montanha-russa da minha Lista

(Desculpa)

Hoje que eu te conheço um pouco melhor, fico pensando coitado. Você tem tudo pra ter medo de montanha-russa. Acho até que você estava um pouco nervoso enquanto a gente esperava na fila. Eu estava de boas. Uma vida de ciladas do bem me fez maluco corajoso pra esse tipo de situação. Daí sentamos no carrinho, que não parecia nada seguro, e o troço começou a andar devagarzinho, subindo, dava para eu ver a queda livre e o loop que viriam depois e logo tratei de oferecer minha mão. Acho que você achou romântico, mas, meu anjo, eu tava me cagando de medo. Eu fiquei apavorado de verdade e naquela subidinha em câmera lenta eu já tava falando EU QUERO DESCEEEEEER. Logo eu, que vergonha. Não durou 1 minuto a aventura, mas eu desci do carrinho com as pernas bambas. Foi legal, gostei! Foi o que você me disse e francamente. Mas eu super repetiria se fosse pra segurar sua mão de novo.

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Na roda gigante, eu já estava criando mil cenas de beijo na minha cabeça, porque todo mundo sabe que roda gigante foi projetada pra isso. Eu ainda sabia beijar? Eu achava que não. Não é como se eu tivesse uma loooooonga vivência e muitos anos de prática. Você pegou minha mão quando estávamos lá em cima e, gente, que vista, que cenário. A noite, as luzes do parque, os carros passando na pista lá embaixo... Parecia perfeito. Eu sei que eu que te dei uma olhada. A gente reconhece esse tipo de olhar, e você perguntou se eu queria beijar. Eu queria, né, mas na hora eu só ri. E você viu que tinha uma menininha com a mãe bem na nossa frente? A mãe estava tranquilona, mas aquela criança encarava a gente, emburrada. Eu, hein, garota, sai daqui. Fiquei tímido.

***

Nunca tinha pensado em estacionamentos como lugares divertidos, mas, menino, provavelmente foi a melhor parte do encontro. Acho que você concorda. Poder te abraçar e te beijar com alguma privacidade foi maravilhoso, mas você me fez feliz bem antes quando andou de mãos dadas comigo por lá. Eu nunca tinha feito isso. Um mês depois estaríamos fazendo isso totalmente em público, mas naquele primeiro encontro eu senti que estava vivendo numa realidade paralela, em San Junipero, sei lá. Várias pessoas viram a gente e eu nem liguei. Aquele casal de adolescentes que ficou super sem graça quando foi se enfiar no mesmo canto onde estávamos, o segurança do estacionamento que tava fazendo a ronda e jogou uma luz na gente ("BANDIDOS, ah, não, só dois meninos de amorzinho", imagino), sem contar aquele auê do carro parado.

Tinha um carro com os vidros pretos estacionado perto da gente e teve uma hora que do nada ele ligou. Não vimos quem entrou, mas o carro ligou e pensamos que ia sair. Mas não saiu. Ficou lá por vários minutos, com aquele barulho de motor, mas nada de meter o pé. A gente até esqueceu do carro, porque tínhamos coisas mais interessantes pra fazer. Lembro que até brinquei "Já pensou se tem gente dentro vendo a gente dar beijos? kkkk". O final é quase óbvio. Pois depois de uns vinte minutos o carro DESLIGOU, a gente se assustou, A PORTA SE ABRIU, SAIU UM CASAL LÁ DE DENTRO e eu fiquei PASSADO. Você me pegou pela mão e saiu varado Hahahah Na minha cabeça, eu já estava sendo testemunha de cena de adultério de pessoas importantes e logo seria apagado como queima de arquivo. Ai, não resisti e olhei pra ver quem era direito.

ERAM DOIS HOMENS KKKKKKK Que saíram do carro ajeitando o cabelo e fechando o zíper da calça. Eu tive um ataque de riso e jamais vou superar isso.

Versão em gif do episódio do carro

O Brasil que eu quero é esse mesmo.

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Infelizmente, não posso prever o futuro, mas estou adorando o que a gente tem. Eu costumava apontar esse e aquele casal como casos de sucesso do Tinder, mas agora confesso que penso na gente. Não digo em voz alta com um medo bobo de estragar tudo. Eu já vi situações que mudam do dia pra noite. Mas também não tenho culpa se você parece ser uma pessoa que inventei. Lembro que perguntamos um para o outro o que mudou desde que nos conhecemos, qual a diferença do que achávamos no começo para o que achamos agora. Como falei, você parecia acertar em todos os lugares e, menino, não é que acerta mesmo? Eu te achava fofo, agora te acho mais. Te achava bonito, agora fico maravilhado toda vez que observo seu corpo. Te achava tranquilo, agora é essa confiança e segurança que me deixa com vontade de ficar mais tempo.

Sei que querer não é poder, mas quero continuar andando sem rumo contigo, me perder e descobrir pracinhas reservadas que ninguém sabia que existiam. Quero aprender mais sobre mim ao mesmo tempo que você aprende sobre você. Quero te arrastar pra esse tipo de situação que só acontece comigo, porque daí vai passar a acontecer com a gente, e é tão bom ter com quem morrer de rir ao vivo...

E pensar que esse match quase não aconteceu. Meu Deus.



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Posted on segunda-feira, junho 18, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, junho 04, 2018

Eu amo discursos de empoderamento, sejam eles quais forem. Gosto da boa vibe, gosto da mágica de fazer alguém que antes se sentia um lixo se sentir querido, adoro isso de cultivar amor-próprio e todos os desdobramentos que isso traz. Caramba, a gente precisa. Deus abençoe quem se tocou que empoderar pessoas era mais sadio que fazer chacota delas. A única coisa que eu esbarro nesses discursos é o fato de, no fim das contas, sempre apontarem para o fato de que a pessoa tem que se sentir linda. Óbvio que empoderamento trata de mil outras coisas, mas beleza parece ser fundamental. 

Uma mulher empoderada é uma mulher que se sente bonita. Uma pessoa gorda e empoderada se acha linda. Eu compreendo que a sociedade é horrível em dizer todo dia que só tem beleza quem é do jeito X e daí há uma leva gigantesca de pessoas que fica de fora. Uma vida inteira se sentindo feio e sem valor. Eu entendo. Então vem o empoderamento pra levantar essa autoestima e dizer que, ei, deixa esse povo pra lá, você é bonito, sim! Você é lindo do jeito que você é!

Eu só quero ser feio em paz, gente.


Confesso que não sei bem por que tratamos beleza como algo essencial. Tipo, parece que o amor-próprio é automaticamente relacionado a isso. Se você se ama, você tem que se achar lindo. Eu já acho que tudo bem ser feio. Eu acho que ser e estar bonito cansa, ainda mais pra quem não faz parte do grupinho aí privilegiado. Compreendo que para algumas pessoas seja importante ser bonito, mas para todas?

É engraçado que, com outras características que eu também considero importantes, a roda não gira assim. Por exemplo, ser engraçado. Tem gente que não é. E tá tudo bem. Nunca vi ninguém dizer que não é engraçado e surgir uma pessoa do bueiro pra falar "PARA COM ISSO, VOCÊ É ENGRAÇADO, SIM! APRENDA A SE AMAR". Muita gente diz que é péssima em matemática e também fica tudo bem. Eu sou um pouco desastrado, não ajo bem sob pressão e não sou a pessoa mais eloquente do mundo, mas não me sinto um lixo por causa disso. Tá tudo bem não ser perfeito. Mas aí vem o ser feio.

Não pode ser feio.

É muito mais prático viver num mundo em que é ok ser feio do que em um em que TODO MUNDO tem que ser bonito. O natural geralmente é considerado feio. Se a pessoa não fizer nenhuma firula estética básica, é feia. Pra se sentirem bonitas, as pessoas usam maquiagem, fazem algum penteado diferente, colocam aquela ou essa roupa, essas coisinhas. Até em programas tipo Queer Eye, em que pegam uma pessoa super comum e até fora do padrão e fazem uma transformação básica para a pessoa se enxergar como bonita, há essas alterações mínimas para obter o efeito desejado. Aí eu fico pensando que, quando o programa acaba, a pessoa ainda tem que ficar pelo resto da vida executando aqueles procedimentos para manter a beleza recém-alcançada. Cansa.

Não me acho grandes coisas no quesito beleza e admito que há dias em que quero me sentir bonito. Mas também há os dias em que fico de boas com ser/estar feio. Tipo, ok, eu sou feio, mas também sou engraçado, inteligente, criativo e boa companhia. Não conta? Já expliquei minha teoria do potencial de beleza e, por causa disso, nossa, beleza é algo tão subjetivo! Acho muito complexo querer agradar a todos, ainda que esse todos seja nós mesmos (que na verdade somos influenciados por esse todos).

Realmente entendo que os discursos de empoderamento batem nas teclas que precisam ser batidas. Alguém ouviu que é feio a vida toda e está precisando se achar bonito. Pessoas do tipo Y também podem ser lindas. É uma causa nobre. Apesar da diferença ser um tanto sutil, acho que a pessoa ficar o dia todo lutando contra discursos contrários e tentando se afirmar como bonita é mais penoso do que trabalhar a ideia de que tudo bem ser feio. Porque está tudo bem, ninguém tem nada com isso.


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Posted on segunda-feira, junho 04, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 28, 2018

Acabou do jeito que começou: Comigo tomando uma atitude que mudou tudo. Acho até bem simbólico.


Sim, gente, tô dizendo que a minha história com o @ encerrou. Foram quase três meses de uma montanha-russa de emoções, e eu sei que essa expressão é um clichê batidíssimo, mas aqui eu me sinto obrigado a usá-la. Ainda mais que agora eu já fui numa montanha-russa e sei do que estou falando. Muitos altos, muitos baixos, curvas de acelerar o coração, momentos de desespero e velocidade o tempo todo. O começo da montanha-russa sempre engana, porque ela começa andando devagarzinho até que vem o primeiro precipício e aí não para mais. Também já faz quase três semanas que acabou, eu juro que estou bem. Vocês não precisam me consolar nem me mandar encher a cara de sorvete ou sei lá.

Acho que eu e ele, nós dois, entendemos que agora não dá pra gente. Talvez daqui a um ano ou dois. Talvez nunca. Mas eu tinha um milhão de motivos para não me permitir viver isso, ele também tinha os dele, mas insistimos, arriscamos, fomos bem felizes por uns momentos, até que eu não fui mais. Não me arrependo, faria quase tudo do mesmo jeito de novo e estou muito satisfeito com finalmente ter atravessado essa linha da vida afetiva. Também tenho orgulho de ter identificado que estava na hora de acabar antes que acabasse de uma forma ruim.

Não acabou de uma forma ruim.

Eu chamei para conversar, sentamos um de frente para o outro, eu olhei no fundo daqueles olhos e disse. Ok, não foi bem assim, porque era difícil pra mim encarar aqueles olhos. Eu enrolei pra dizer, eu desviei o assunto, eu tentei dizer aquelas palavras finais umas três vezes. Eu comecei a chorar antes de conseguir dizer e, meu Deus, gente, eu nunca choro. Acho que foi a primeira vez que chorei nesse ano. Eu nem lembro qual foi a última vez que chorei antes dessa, porque eu realmente nunca choro. Mas eu chorei e continuei chorando e, nossa, que experiência. Eu nem sabia que esse negócio de voz embargada era real. A gente tenta falar e não consegue. Fui tão pego de surpresa pelas minhas próprias lágrimas que comecei a rir dizendo "Eu nunca choro kkkkk Sério, nunca, não sei o que tá havendo kkkk". Patético e maravilhoso.

Ficou claro pra mim que eu gostava muito dele e que, quando eu dissesse "Acho que devemos ser só amigos" em voz alta, eu estaria abrindo mão daquela pessoa.

Sou um caso raríssimo de página em branco, sabe? Sou livre o suficiente pra gostar de uma pessoa e só dela e ter muitos sentimentos por ela e demonstrar isso e contar na internet. Eu era e ainda sou 100% disponível e pronto pra tudo. Ele era, sei lá, 50% disponível, meio preso em histórias do passado, meio sem saber o que queria, meio querendo... Sinto que ele até queria me entregar mais, ele sabe que eu mereço mais e se desculpou por isso, mas não tinha pra dar. Acho que, se eu continuasse insistindo, seria um eterno eu me sentindo deixado de lado e ele se sentindo cobrado. Foi melhor pôr um ponto final enquanto a gente ainda se gosta como pessoa.

Mas, aí, claro que eu chorei, porque eu estava com meu pássaro na mão, e era um pássaro bonito, legal, compreensivo e honesto, um senhor pássaro, mas iria trocá-lo por dois pássaros voando. Porque eu mereço aqueles dois pássaros voando. Nossa, eu mereço todos os pássaros do mundo. Eu não aceito menos que dois pássaros. E se o @ no momento só tem um pássaro pra me dar... É matemática básica, gente. Mas coração não sabe fazer conta. Chorei, respirei, me recompus e falei. Só amigos.

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Ninguém morreu, ninguém brigou, a Terra continuou girando pro mesmo lado. Acho que saímos de lá melhor do que entramos.

As lembranças boas são mais numerosas que as não tão boas assim. A animação para o primeiro encontro da minha vida, aquele momento inesquecível na torre, as experiências que tive guiadas pelos nossos desejos, as coisas bonitas que a gente disse e todas as vezes que cheguei em casa com um sorriso bobo no rosto. Foi bom enquanto durou, ainda é bom agora que não dura mais.

Realmente espero que a gente siga em frente do melhor jeito possível. Até porque, agora que comecei, não tenho mesmo nenhuma intenção de parar.




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Posted on segunda-feira, maio 28, 2018 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 14, 2018

Acho que, de todas as histórias de término de namoro que já ouvi, menos de meia dúzia foram tranquilas e fáceis. Pela minha pesquisa de campo, términos são mesmo uma morte horrível, mas uma morte que faz parte da vida e, em 99% das vezes, ninguém morre de verdade. Esse que é o bom, sabe. A única coisa que morre é um relacionamento que já não era lá grandes coisas. Quase sempre há dor para os dois lados, mas depois bate aquele alívio e a vida segue, a fila anda. Términos de namoro são necessários porque finais bem fechados são necessários.


Já faz um tempo que ando pesquisando no Google como se terminar uma amizade. Muitos não sabem ou fingem que não sabem, porém, feliz ou infelizmente, amizades acabam também. Só que não tem nem um jeito horrível de terminar, muito menos um tranquilo e fácil. Amizades acabam, mas não acabam direito. Ou é uma briga tensa que deixa muitos feridos ou as pessoas simplesmente param de se falar e dois anos depois é como se elas nem se conhecessem, mas elas se conhecem. Então fica todo mundo confuso.

Pior ainda é que a gente entende que, se a pessoa que terminou com você entrou num relacionamento monogâmico, ela não está mais disponível. Vocês não vão acontecer por agora. Mas, numa amizade, tecnicamente não há nada impeça duas pessoas de serem amigas para sempre, então sempre há uma promessa de retorno da amizade pairando no ar após a perda do vínculo.

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Admito que tenho minha cota de amizades perdidas. Umas a vida carregou sem nenhum esforço meu, outras me deixaram falando sozinho, algumas eu que corri pra bem longe pela minha própria sobrevivência. Ainda teve aquelas que acabaram do nada e, quando eu percebi, já havia passado muito tempo e senti que era tarde demais. O término vem, mas a gente não sente direito que veio. A ficha não cai.

Tinha dois amigos que se mudaram pra longe e nunca mais tive o que falar com eles. Tinha outro amigo que foi muito importante pra mim em várias fases da minha vida, mas me puxava tanto pra baixo com comentários irritantes que foi uma das decisões mais difíceis da minha vida dizer adeus. Teve uma amiga que fez eu me sentir tão usado que o ranço foi demais. Já bloqueei um grupo inteiro de pessoas. Tem uns que com o tempo ficaram muito diferentes e viraram pessoas que eu não reconhecia mais. Alguns eu ainda tenho vontade de ter por perto de volta, mas a vontade morre quando lembro por que acabou. Tenho amigos que viraram conhecidos. Pessoas com as quais simplesmente parei de me esforçar para estar presente, ninguém veio me procurar também. Alguns me chamaram de volta, contudo, eu não quis mesmo, porque doía muito.

Viu? É péssimo.

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Confesso que já fiz ghosting. Você sabe, o famoso ir saindo de fininho. Responder cada vez menos, com menos entusiasmo, furar os rolês, não interagir nas redes sociais, deixar pra lá datas importantes, não ter nada de novo pra contar... É o afastamento por desinteresse. Algumas pessoas se tocam que você não quer mais nada, outras ficam remoendo e insistindo. Eu fico muito em dúvida se as pessoas merecem uma explicação em nome da amizade, se elas precisam saber mesmo o que houve, mas às vezes a explicação não existe ou é só "Não quero mais". Enjoei. Você ficou chato. Não tenho mais vontade de ouvir nada do que você fala. Aí fica aquela agonia de coisa mal terminada, a amizade morta como uma alma penada.

Também já disse com todas as letras que queria me afastar e que cada um seguisse seu rumo. Funcionou tão mal quanto o ghosting. O que não era para acabar numa briga hostil, porque eu queria um final pacífico, acabou. Foi horrível pra mim e pra pessoa, porque eu não queria machucar ninguém. Não imagine que te quero mal, apenas não te quero mais.

Não sei qual seria minha escolha se eu tivesse que decidir como meus amigos deveriam terminar comigo. De qual tiro eu me recuperaria mais rápido?

***

Simplesmente não existe um jeito bom de terminar uma coisa que não precisa nunca terminar. Num namoro, a gente entende. Você quer novas experiências, novos ares, vocês pensam o futuro de forma diferente, você tem interesse em outras pessoas, não tá funcionando, você não sabia que morar junto ia ser tão puxado... Aí você termina. Mas na amizade... Você pode ter quantos amigos quiser, vocês não precisam nem ter gostos parecidos, não precisam se ver com muita frequência, não tem que se falar todo dia. É um relacionamento de baixa manutenção se for comparar com um namoro ou um casamento. Aí, MESMO ASSIM, você quer terminar? Parece um drama ridículo. Ninguém recebe bem.

Não estou planejando terminar nenhuma das minhas amizades, mas a gente nunca sabe quando vai precisar se afastar e deixar aquela pessoa que agora é muito legal ir embora. Se algum dia vocês descobrirem o jeito mais fácil, ou melhor, menos difícil de terminar uma amizade, me contem.

Por favor.



OUTROS TEXTOS


Posted on segunda-feira, maio 14, 2018 by Felipe Fagundes

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