Estou lendo esse "Yes Please" da Amy Poehler e, sinceramente, é um livro que vocês podem deixar passar caso não sejam super fãs da comediante ou do Saturday Night Live (Só ter assistido Parks & Recreation não te torna um super fã da atriz, verifiquei). O livro fala de um monte de coisa aleatória, mas uma delas realmente me ganhou.

Num capítulo sobre saber quem a gente é, a Amy diz que, por ela, a gente parava de perguntar para as pessoas de 20 e poucos anos o que elas querem ser e começava a querer saber o que elas definitivamente não serão. Faz muito sentido, porque a gente não sabe escolher do que gosta, mas diz rapidinho do que não gosta. É um bom método para cortar opções.



Ela acha e eu acredito que quanto mais rápido a gente descobrir quem não somos, melhor. Vocês também tem essa sensação? Gente, é um atraso de vida a gente tentar ser TUDO. Primeiro porque é humanamente impossível. Segundo porque várias coisas correm em direção oposta e você fica travado no meio do caminho se quiser agarrar todas. É difícil aceitar, mas tem um monte de coisa que a gente não é e, pasmem, NUNCA VAMOS SER. Algumas coisas a gente nem quer mesmo, mas colocam na nossa cabeça que precisamos. Outras a gente até quer, mas será que vale o custo de sacrificar coisas que realmente gostamos? Nem sempre. Conhecer a nossa peça da personalidade vale muito.



A gente quer ter um bom salário, crescer profissionalmente, talvez ter o próprio negócio, então a gente estuda pra isso, faz cursos, faz faculdade, engata numa pós, pula pro mestrado e doutorado, gasta horas enfiado em livros. Aí a gente quer ter um corpo bonito e saudável (às vezes só um dos dois importa, não disse qual), tem que se alimentar bem, fazer exercícios, malhar, VEM MONSTRO, entrar nesses projetos Verão 20XX, dietas doidas. A gente quer acompanhar todas as séries do momento, ninguém desgruda da Netflix, queremos ler todos os livros, queremos viver, sair com os amigos, descobrir o mundo, viajar. Mas também, claro, montar uma família, quem não quer ter filhos? Ah, você não quer? Dane-se, quer sim, vamos fazer filhos, corre atrás de namoro, casamento, bebês. A gente quer saber dirigir, nadar, cozinhar, cuidar de animais, entender de música e cinema, assistir todos os filmes do Oscar, acompanhar memes, saber jogar xadrez, cuidar da nossa pele e do nosso cabelo, desenvolver consciência política e ambiental, salvar as baleias e o planeta, militar na internet, militar nas ruas, eu já disse que você precisa ter um filho?

GENTE, NÃO DÁ. A vida pode ser linda, mas as opções são inúmeras e o Universo é IMENSO. Infelizmente, eu não vou conseguir seguir a carreira de programador-escritor-compositor-blogueiro-youtuber-gamemaker-livreiro-cozinheiro-astronauta-psicólogo-presidente-ator-exBBB-modelo-DJ que sempre quis ter. É literalmente impossível.

Tem muita coisa boa que eu poderia fazer por mim mesmo, mas só o fato dela ser boa não é o suficiente. A gente tem que QUERER ou PRECISAR muito. Se a gente não passar nossas aspirações nessa peneira, se a gente não ficar de olho, vamos correr atrás de coisas que só roubam nosso tempo e nem dão retorno algum.

Eu sou um palito de magro e não ia reclamar se eu tivesse um corpo de Instagram, desses que postam fotos sem camisa e ganham 3 mil likes. É algo que eu poderia tentar. Eu poderia entrar numa academia, tomar bomba me alimentar melhor, fazer as dietas certas para ganhar massa muscular etc etc etc. Eu realmente poderia tentar. Sou muito disciplinado quando quero uma coisa. Mas aí eu paro pra pensar no desgaste e no tempo que vou perder e, sinceramente, que Deus drible todos nós. Eu não sou isso. Eu, na verdade, mal me importo com a minha aparência. Claro que eu sinto essa pressão para ser mais bonito, atraente e tal, mas no fundo é mais uma coisa que as pessoas me cobram do que algo que eu realmente quero. Então eu deixo pra lá. Abri mão de tentar correr atrás disso, vou fazer outras coisas.



Nessa jornada, eu já descobri muita coisa sobre quem eu não sou: Já passei tanto tédio em festa que aprendi que não gosto delas. AH, VAMOS NESSA FESTA IMPERDÍVEL. Não, obrigado. Não curto dramas pesados, nem shows, nem bares. Não quero prestar concurso público nem voltar para a faculdade. Não me importo com não saber dirigir, não quero ter um carro. Não quero filhos tão cedo. Não gosto de mandar nas pessoas, tenho horror a terno e gravata. Não sou gente que vira a noite fazendo coisa alguma.

A gente acaba forçando uns limites quando esquecemos quem não somos e isso bagunça a gente todinho. Esse emprego pode pagar muito bem, mas acaba com a sua sanidade mental. É isso mesmo que você quer? E esse relacionamento no qual você entrou, te faz mesmo bem?

Desistir de coisas que não tem a ver com você faz um bem danado, porque você economiza tempo e energia para focar no que realmente importa, nas coisas que você realmente quer e vão te dar retorno, seja dinheiro, comodidade, paz de espírito ou felicidade.  Tá tudo bem não querer o que todo mundo quer ou acha que quer. Tá tudo bem não se encaixar no modelo de sucesso dos outros. Sucesso é correr atrás dos nossos próprios sonhos.

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