terça-feira, abril 18, 2017

ATENÇÃO: Este texto tem spoilers de Survivor Game Changers 34x07,"What Happened on Exile, Stays on Exile".

Geralmente, quando um episódio de Survivor acaba, eu fico em choque, mas aquele choque bom, do tipo, meu deus, como essa coisa incrível acabou de acontecer? A VIDA É TÃO BOA etc. Só que nesse eu quase chorei, e de tristeza, coisa que nunca imaginei que ia viver assistindo meu reality show favorito de todos os tempos.



A gente conhece o Zeke da temporada passada, Millennials Vs Gen X, daí ele foi tão bom jogador que imediatamente o trouxeram de volta para Survivor Game Changers. O que a gente sabia dele é que ele odeia o Twitter (mas usa mesmo assim), tem 20 e poucos anos, é gay e faz um jogo muito estratégico, além de se conectar fácil com as pessoas. Outro competidor, Jeff Varner, voltou para a Game Changers depois de já ter participado duas outras vezes, é um participante que sempre PROMETE, mas acaba sendo eliminado cedo demais para fazer algo memorável. Meio que agora ele fez e foi horrível.

Varner ia ser eliminado da tribo, estava sozinho, por baixo, era um jogo de 6 contra 1, mas ele estava desesperado para fazer alguma coisa. Daí que ele mira no Zeke dizendo que ele vai passar a perna em todo mundo mais pra frente e que ele é deceitful (algo como enganador). Que o Zeke é bem capaz mesmo de ser ardiloso a gente sabe, mas aí Varner joga isso na mesa:

POR QUE VOCÊ NÃO DISSE PARA TODO MUNDO QUE É TRANSGÊNERO?


Zeke é um homem trans. A tribo não sabia. Nenhum participante no jogo sabia. A GENTE não sabia, mesmo essa sendo a segunda temporada dele. Eu mal sei como o Varner soube disso, mas agora estava ali escancarado para todo mundo. Deu pra ver o desconforto horrível na cara do Zeke.

O que Varner estava querendo dizer é que uma pessoa trans que não conta para os outros que é trans está enganando os outros ou, no mínimo, tem habilidades para isso.

Nem vou entrar nesse mérito, porque OLHA.

O ponto é que, gente, ISSO NÃO SE FAZ. Você, em hipótese alguma, tem o direito de expor uma pessoa assim, de "tirar alguém do armário" (eu nem sei se esse termo se usa para pessoas trans). E eu acho que isso é óbvio, né? Mas eu nunca tinha presenciado um fato desse acontecer e, assistindo a esse episódio, eu senti como a coisa toda é horrorosa. NÃO SE FAZ MESMO. É, tipo, irresponsável.

Graça a Deus que a tribo reagiu como pessoas decentes e TODOS apontaram o quanto a ação do Varner foi nociva e inaceitável. Saiu até alguma coisa boa depois de tanta dor. Mas mesmo assim.

***

Quando uma pessoa homossexual "sai do armário", ela está mostrando ao mundo quem ela é de verdade. Quando acontece o mesmo com uma pessoa trans, o sentimento não é igual, ela não está mostrando quem ela é de verdade, porque quem ela é de verdade é quem as pessoas já conhecem. Resgatar o passado de uma pessoa trans é trazer à tona fatos e lembranças que talvez a pessoa em questão não se sinta confortável em lidar, pode ter sido um pesadelo, pode ter sido dolorido. Só ela pode abrir essa porta. Se quiser.

E antes que venham com AH O HOMEM BRANCO CIS HET, o Varner é gay também. Fazer parte de uma minoria não diz muita coisa sobre o jeito que você trata os demais.

A gente tem essa mania de expor as pessoas, eu acho. Quando a gente descobre que um amigo ou conhecido é gay, por exemplo, nosso primeiro impulso é contar para todo mundo. Se for um desafeto então, vai até para os jornais e sites de fofoca. No próprio Twitter, em que as pessoas são supostamente desconstruídonas, rola muito disso de apontar o dedão e falar que "fulano famoso é gay! rsrsrsr", como se o tal fulano tivesse que se sentir envergonhado por causa disso. Galera quer forçar os outros a deixarem a privacidade.

Lembrei daquele jornalista que, durante as Olimpíadas, entrou num desses aplicativos de encontros LGBT para expor atletas. Tipo, gente, PRA QUÊ? Que doença é essa que a gente tem? Nem é a nossa vida. Nos afeta 0% e muda tudo para a outra pessoa na maioria das vezes. Não é uma brincadeirinha.

***

No fim das contas, até que todos lidaram muito bem, incluindo Zeke. Espero mesmo que fique tudo bem. O caso é que agora eu estou focado em colocar a mão na consciência e não me tornar o Jeff Varner da vez. Deus me livre. Recomendo o mesmo para vocês.

Posted on terça-feira, abril 18, 2017 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 13, 2017

Se você cresceu dentro de uma igreja, provavelmente já ouviu muito sobre inferno. Até contra sua vontade, você sabe bem todos os jeitos de ir para lá. Também bate aquele medo de Jesus voltar para buscar seu povo e você ficar para trás porque, bom, você sabe que disse um palavrão cabeludo dia desses. Mesmo que você nem seja mais religioso, você sente na alma quando faz alguma coisa que te manda direto para o fogo eterno.



Se você mente, culpa. Se você bebe, culpa. Culpa quando você transa antes do casamento. Culpa dupla se você for gay. Tem gente que nem consegue ouvir música além da gospel por causa dela, a culpa. É respirar, e: culpa.

Andei observando, e a culpa cristã é mesmo um sentimento quase unânime entre pessoas que frequentam igrejas, principalmente adolescentes e jovens. Inclusive aqueles que decidiram cortar os laços com esse tipo de fé e procurar novos caminhos. Dia desses li um relato sobre este assunto e foi tão bem escrito que a gente sente a agonia que é viver sob a culpa cristã. Já vi muita gente comentando no Twitter, meus próprios amigos de igreja e acho que 90% de todos os crentes com os quais bati papo na vida.

E isso me deixa REVOLTADO.

Até fiz piada com a culpa cristã em Não Sei Lidar com Gênios, porque tem algo de cômico em sentir culpa pelas coisas mais bestas, mas, ainda assim, REVOLTADO.

Vocês sabem que eu vou falar dele.

Outro dia me acusaram de ter criado um "evangelho segundo Felipe", risos, mas juro que li a mesma Bíblia que todo mundo. Jesus não tem NADA a ver com isso de culpa, gente.

Igreja tem a ver com seguir regras.
Pessoas tem que ser boas para entrar no céu.
Quem faz coisas ruins vai para o inferno.

Se você aprendeu e acredita em qualquer uma dessas coisas, você ainda não conhece Jesus do jeito que deveria. FATO. Culpa cristã é uma coisa que não existe em Jesus. Eu sei que todo mundo tem uma história triste com igrejas, eu mesmo tenho minhas desavenças, mas essa legião de pessoas culpadas e afastadas é o que mais me deixa furioso com a instituição, porque JESUS NÃO MERECE ISSO. Os seguidores estragaram o rolê.

Ser cristão, no sentido de seguir Jesus, é, veja só, liberdade. Aquele lance dele ter morrido na cruz não foi à toa. Se você merece a morte e ir para o inferno por causa de algo errado que fez, acredite, ele pagou o pato no seu lugar. Já foi. Passado. Ele te ama por você ser quem é, ele sabe que você não é perfeito e não cobra agora isso de você. Jesus não está julgando você. Se você se sente julgado, não é por Jesus. Talvez as igrejas te julguem, pessoas são doidas, mas Jesus não. Se você precisa de Bíblia, toma Bíblia:

E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo 
(João 12:46,47)

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve 
(Mateus 11:28-30)

Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele 
(João 3:17) 

De onde as pessoas tiram que seguir a Jesus é um PESO e por que elas se sentem tão culpadas o tempo todo é um mistério.

Vai muito de você acreditar que precisa de Jesus para viver. Você precisa, mas ainda não sabe, então OK, desculpa a minha condescendência. Não escrevi este texto para força nada. Se um dia você estiver interessado em saber, apenas entenda que a fé cristã baseada em Jesus diz respeito ao relacionamento com ele.

FUNCIONA ASSIM: Você resolve aprender sobre ele, você involuntariamente se apaixona por ele, você passa a acreditar nele e continua aprendendo dele. FIM.

Não é a culpa que te guia até ele. É o amor. Jesus é tão bom, MAS TÃO BOM que chega a te constranger. A gente fica "Cara, ele MORREU POR MIM, eu nem merecia, POR QUÊ?". Porque ele te ama muito assim. E não estou dizendo que é fácil, mas a dificuldade toda é que desde pequenos somos ensinados a dar valor a certas coisas que não possuem valor algum, daí Jesus chega e põe tudo de cabeça para baixo. É um desapego intenso, o tempo todo você se sente desafiado a se tornar uma pessoa que você mesmo reconhece como melhor.

Talvez apareça um crente aqui dizendo AH, MAS A GENTE TEM QUE SER SANTO, TEM QUE FAZER AS COISAS CERTAS, SIM.

E quem segue Jesus vai fazer algumas coisas certas e boas. Duvido que todas, mas algumas. Porque ele te muda. Não de um jeito abusivo, mas de uma forma que você QUER que ele te transforme, de um jeito que você fica feliz quando acontece. Se existem (e existem) coisas em você que não fazem bem à sua própria pessoa e aos outros, você e Jesus vão trabalhar juntos para fazer melhor. Mas um dia é inevitável que seus dias na Terra acabem, então talvez não dê tempo de você resolver todas as suas questões e ficar 100% tinindo na perfeição, mas Jesus não liga.

Porque não é sobre as coisas que você faz, é tudo sobre o que ele fez e é. Pelo amor de Deus, deixe de ser egocêntrico.

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Se você acha que Jesus é lorota, que não precisa dele na sua vida e tal, beleza, vida que segue. Mas, se você é desses que vive debaixo da culpa, que teve que abandonar a fé porque achou que era impossível de seguir, se você é desses que chutou o balde porque a igreja te bagunçou todo, AMIGO, essas são as boas novas. Jesus te livrou da culpa.

Posted on quinta-feira, abril 13, 2017 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, abril 06, 2017

Eu tô me sentindo meio assim no rolê de 13 Porquês (Ou 13 Reasons Why).




Mas acontece que eu já li o livro há séculos, e aquele troço, apesar de bom, me deixou muito mal das ideias, então estou evitando a série. Recomendo esta estratégia. A história é sobre Hannah Baker se suicidando, mas deixando para trás fitas cassetes contando os 13 motivos que a levaram a fazer isso. Os 13 motivos são 13 pessoas, então vocês já imaginem aí as bad vibes nas pessoas que vão ouvir as fitas. Apenas: DEUS ME LIVRE.

Dana me representando


Aí rola a galera se identificando muito com a Hannah, porque eu acho que todo mundo alguma vez na vida já se sentiu brutalmente excluído ou sofreu bullying ou se sentiu um peso para todos e tal, porque é meio que um sentimento universal, mas acho que o que a história grita mesmo é OLHA COMO VOCÊ TRATA AS PESSOAS.



E de uns tempos pra cá eu tenho olhado MUITO para a forma com que eu trato as pessoas e, gente, é muito cansativo. Eu estou pertinho de achar que é uma tarefa impossível. A própria Hannah Baker já teve ter cagado pra alguém vez ou outra.

Existem vários motivos para uma pessoa cometer suicídio, mas, exceto pelos que envolvem transtornos psicológicos, acho que podemos resumir em falta de se sentir amado (inclusive por si mesmo) e solidão. Estou vendo os comentários no Twitter, e a galera tirando lições de vida, tipo "Seja gentil", "Dê valor às pessoas", "Escute os outros", "Saiba que todo mundo vive uma luta", "Dê atenção"etc, tudo isso é muito bom, mas você já tentou fazer isso 24 horas por dia? Tenta lá e depois me fala.

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Uma coisa é que minha lista de Viver Pessoas vai muito bem, obrigado, só que eu tive que fazer uns ajustes. Na empolgação, eu saí colocando o nome de várias pessoas que amo e acho legais, mesmo de longe, pessoas que eu queria que SOUBESSEM que são amadas por mim. Não queria ver nenhum dos nomes da lista se sentindo sozinho, queria ser amigo de todos, bater papos profundos, jogar conversa fora, compartilhar risadas, sair junto, apoiar no que fosse preciso... Deu quase 50 nomes. Daí comecei a mandar mensagens, puxar assunto, interagir nas redes sociais, convidar para rolês e tal, e o resultado foi que...

... eu quase morri de exaustão.

Eu não consigo dar atenção para 46 pessoas do jeito que eu queria e que acho que elas merecem. Não consigo ver e ouvir todas elas, não consigo ficar batendo papo, não tenho tempo para encontrar com todas com frequência, mal acho que seja possível rolar um "Tudo bem?", "Tudo" diário. NÃO DÁ. É muita gente para pouco Felipe. Todo mundo tem mesmo uma luta, e a gente não consegue se enfiar em todas as batalhas.

Com dor no coração, eu tive que cortar nomes. E depois cortei mais. E depois mais! Agora eu tenho menos da metade do que eu inicialmente queria e ainda acho que é muito.




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Outra coisa é que gente chata existe e eu passo por um dilema moral enorme toda vez que tenho que lidar com uma. Principalmente depois que encontrei Jesus em todos os lugares possíveis, eu ganhei respeito por todas as pessoas, porque Jesus as ama, então eu amo também. Elas são importantes. Não quero que ninguém sofra. Então eu faço de tudo para não deixar ninguém para baixo. Eu tento ouvir, eu tento dar atenção, tento ser o ombro amigo, o porto seguro, tento ser aquela única pessoa que se importa mesmo quando ninguém dá a mínima...

Mas vocês já pararam para pensar: E se Hannah Baker fosse uma mala sem alça?

Pessoa com papo chato, folgada, abusada, que te irrita por N motivos, que bagunça com a sua sanidade mental, que não parece se importar com você da mesma forma que quer que se importem com ela ou simplesmente aquele santo que não bate... Por mais que eu queira que a pessoa seja feliz, eu quero que ela seja feliz longe de mim. Mas vai que é essa pessoa que está cogitando suicídio?

Aí penso no que Jesus faria, em 13 Reasons Why e em gente se sentindo solitária e não amada e o que rola é que eu acabo virando refém das pessoas. É tipo aqueles relacionamentos abusivos que uma pessoa fala SE VOCÊ TERMINAR COMIGO, EU ME MATO, só que apenas na minha cabeça. E eu vou arrastando isso por muito tempo, vai me matando aos pouquinhos até que um dia eu dou um BASTA e fico me sentindo culpado porque acabei de matar a Hannah Baker.

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Em algum lugar aí eu sei que a gente tem que enfiar um equilíbrio. Não tem como tratar todo mundo como um bibelô de porcelana, mas a gente tem que saber quando aquela chacoalhada nos sentimentos vai ser DEMAIS. Mas nós que somos duros ou a pessoa que é mole? Ou cada um é de um jeito? Ai, as questões são tantas para colocar tudo numa série...



Não tem nada a ver com o post, mas adivinha quem postou vídeo novo essa semana? EU MESMO. Me deu vontade de falar sobre aquele desconforto não tão leve assim que alguns (eu) sentem ao comer na frente de outras pessoas, então falei. Também teve eu morrendo de vergonha da minha vizinha estar escutando tudo, tenho que me adaptar a essa vida de Youtuber :P


Posted on quinta-feira, abril 06, 2017 by Felipe Fagundes

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