Eu estava enrolando para começar os trabalhos de 2017 aqui no blog, e, juro pra vocês, não foi por causa de procrastinação. Tenho alguns textos para postar, mas eu sempre abri o ano com Um Grande Ensinamento, que é algo que vem do além, me atropela e rege minha vida durante o ano todo. Fazer Coisas! Viver Pessoas! Não tenha vergonha! Seja vulnerável! Mas não dessa vez. Até quebrei a cabeça tentando forçar uma mensagem cafona do jeitinho que gosto, mas me toquei que, se eu estou forçando, então não é ela. Porque Um Grande Ensinamento não é uma frase de autoajuda barata. Quer dizer, pode até ser, mas ela precisa me consumir, me desafiar, me atropelar forte mesmo. Toda mudança na minha vida vem de uma catarse emocional, mas o universo ficou devendo uma dessa vez.

O que a gente faz então?  ¯\_(ツ)_/¯

2015 e 2016 foram anos muito bons para mim. Eu aprendi um tanto de coisa nova que REALMENTE mudou meu jeito de pensar e de me comportar, coisas que eu sentia falta, mas não sabia o que eram. Não tenho do que reclamar. Eu sinto que essa jornada de descoberta me fez tão bem que eu não sei mais o que enfiar nela além do que já me desafiei. Ser quem você é e enxergar as pessoas como elas são não paga as contas, mas, gente, faz muito feliz sim. Não sinto necessidade de algo novo, só quero melhorar o que já tenho.

Eu amo muito o que eu já tenho.

Na semana passada, circunstâncias inexplicáveis (mentira, foi aquela treta com a Sonserina e o Pottermore) me levaram a fazer o teste oficial para saber em qual casa de Hogwarts eu cairia se o mundo bruxo realmente existisse e eu morasse na Inglaterra (Tenho pra mim que eu seria trouxa com orgulho, mas não tem essa opção). A coisa toda é bem bobinha, mas eu também sou, então tiveram estas duas perguntas que REVELARAM MEU SER e me fizeram ter assunto para movimentar este blog. Uma perguntava como eu gostaria de ser conhecido. "O Sábio", "O Incrível", "O Poderoso", coisas assim. Marquei "O Bondoso" sem nem pensar duas vezes. A outra era sobre como eu gostaria que as pessoas lembrassem de mim após minha morte. Bom, eu nunca tinha realmente pensando sobre isso (meio que não me interessa muito, pois estarei morto???), porém gostei da "Sentiriam minha falta, mas sorririam".



Querendo ou não, a gente tem todo um legado, né? Árvores plantadas, livros escritos, bebês com nosso DNA, contribuições para a humanidade, impérios magníficos... Ou nada disso. Tudo bem que eu escrevo histórias e talvez elas fiquem aí para sempre, mas, mesmo que eu não escrevesse, eu ficaria satisfeito com este legado que é nosso impacto na vida das pessoas, esse sorrisinho saudosista pós-morte. Quer dizer, gente, estamos na Terra PRA QUÊ? Fazer a vida dos outros mais miserável? Vou deixar a glória e o poder para o Sábio e o Incrível, mas essa tentativa de bondade ninguém pode tirar de mim. Aliás, só depende de mim mesmo. É a minha escolha.

Eu li no A Idade Decisiva que é interessante você montar seu currículo como se contasse uma história que faça sentido.  A autora chama de "capital de identidade" essa história que a gente conta, que mostra quem somos. Algumas escolhas contribuem com nosso capital, outras não. O lance é sempre ir agregando conhecimento e experiências que façam sentido para a visão que temos de nós mesmos.

O meu desejo para 2017 é só esse: fazer sentido. Não é como estar preso numa jaula e não descobrir mais nada de novo sob o sol. Eu quero profundidade. Já descobri minha mina de ouro e quero cavar mais. Quanto mais fundo, mais eu sei o que combina comigo, mais eu sei do que eu gosto, mais satisfeito fico. Sorte minha que, por acaso, isso deixa todo mundo ao redor feliz.

Pra vocês que entendem de Harry Potter, caí na Lufa-Lufa. Não sei exatamente o que significa, mas me disseram que isso é óbvio, pois sou o poster boy de lá. Para quem não entende, isso tudo foi só pra dizer que quero continuar mirando naquilo que me faz bem.

VEM NI MIM, 2017!