Vocês sabem que eu não sou muito de apreciar museu (só tem aquele monte de coisa pra VER), mas eu fui dar um olá para o Museu do Amanhã por dois motivos. Primeiro, a Ju me chamou, e Ju é uma das minhas pessoas favoritas. Além disso, uma das pessoas favoritas dela (Jaqueline) ia também, então já visualizei o sucesso. Segundo, muita gente falou mal do tal do museu, da mesma forma que criticam o Museu de Telecomunicações (que eu AMEI), e esse é meu parâmetro para avaliar o potencial de um museu: se quem gosta de museu não curte, é capaz de eu gostar. E vice-versa.

Mas acho que as pessoas estão certas dessa vez.

Amo que ele parece um ventilador gigante da ARNO

O caso do Museu do Amanhã é que ele já começa todo errado com esse papo de ser do AMANHÃ. Não dá para defender muito, a menos que ele fosse um museu com exposições de objetos fictícios do futuro. Isso sim seria digno do nome e juro que ia render mais dinheiro. Fica aí a dica para quem projeta novos museus (esse com certeza é o trabalho de alguém no Rio de Janeiro, tem um monte de museu aqui).

Eu sinto que a ideia que brotou no fundo do coração de quem primeiro sonhou com esse museu foi a de um lugar em que a galera entra sem propósito e sai de mãos dadas dizendo VAMOS SALVAR O MUNDO. Cafona e linda, do jeito que eu gosto. Porém, sinceramente, não sei que ruim deu lá no meio, mas o museu me pareceu muito negativo. Ele quase berra pra gente VOCÊS VÃO TODOS MORRER. Eu, hein.

Que a humanidade caga tudo em que toca, a gente já sabe, mas o Museu do Amanhã insiste em ficar "Olha quanta poluição é gerada! Em 10 anos, todo mundo terá problemas respiratórios" e "Animais! Amamos animais! Mas comemos muita carne e eles todos serão extintos até ano que vem" e "Vocês fazem tanto filho que em breve pessoas terão que lutar por um copo d'água. PAREM DE TRANSAR".

Até sei que ele diz umas verdades, mas tudo está no tom, não é mesmo? Cadê a sutileza? O Museu do Amanhã aponta muita desgraça, mas não deixa muito claro como sair dessa situação desgracenta. Poderia dar umas diquinhas básicas já que é tão espertão.

Outra coisa é que ele promete uma experiência de imersão, conexão com a vida e sei lá mais o quê, mas, quando a gente chega lá... É só um monte de tela passando vídeos que NINGUÉM tem paciência de assistir até o final. No começo, a gente vê todo mundo encarando as telas e até tenta dar uma disfarçada. A gente também para e fica "Nossa, olha essas informações sobre o DNA humano, que interessante", "Que incrível esse pesquisador falando por 10 minutos sem parar sobre um negócio que eu nem estava interessado em saber" até que finalmente "Caramba, esse vídeo não acaba? Que chatice. Isso é o quê, aula do Telecurso 2000?". Aí a gente abandona e vai para outra tela ouvir sobre, sei lá, mitocôndrias. São muitas telas. Logo no começo, há uma sala no formato de um globo, onde acontece uma projeção em todas as paredes. Daí tem gente que deita no chão e tudo para poder visualizar o teto e dá aquela sensação de "Vai ser incrível". Aí, assim, é até legalzinho, mas rolam várias imagens aleatórias e umas frases soltas que parecem super profundas na hora. O UNIVERSO. DE ONDE VIEMOS? O FUNDO DO MAR. O MEDO DO DESCONHECIDO. A CONTINÊNCIA DAS ABELHAS. REPRODUZIR! ENERGIAS. Daí saímos da sala e fica aquele "Oi? Abelhas?".

Esse negócio de deitar inclusive pode ser meio constrangedor. Enquanto a Ju e a Jaqueline estavam vendo vídeos sobre a escassez de alimentos (VOCÊS VÃO MORRER DE FOME) e a produção de tabaco (ENCHAM O PULMÃO DE CÂNCER MESMO, SEUS MISERÁVEIS), eu estava entediado olhando as pessoas deitadas no sofazinho assistindo "interessantes projeções nas telas de 3 metros". Daí gargalhei demais sozinho, tanto que Jaqueline e Ju vieram ver o que era tão interessante. Na minha opinião, foi o melhor retrato da humanidade que vi no museu. No caso, o cara deitado com as pernas arreganhadas e um rombo enorme na bermuda, bem nos fundilhos. Nenhum amigo pra avisar, coitado.

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Para não dizer que foi tudo tipo pombo, teve um joguinho no final que finalmente me animou. Uma tela (claro) que nos fazia umas perguntas até criativas ("Você trocaria todos seus dentes por próteses artificiais mais resistentes?") dava um perfil para a gente com alguns dizeres. Gente, tocou meu coração. Eu acredito mais naquele jogo do que em mapa astral. Não vou lembrar mais as exatas palavras, mas foi muito a minha cara, deu algo assim: "Você é meio hesitante, mas arrisca e vive novas experiências. Continue compartilhando suas ideias! O peso das suas experiências pode valer ouro para outras pessoas! O mundo se beneficiaria de mais pessoas como você".

GENTE!!! O MUSEU FLERTOU COMIGO. EU ME APAIXONEI. QUE MUSEU FOFO. EU ACREDITO 100% NELE.

A Jaqueline não curtiu muito, porque o jogo disse que ela é rabugenta. Risos. Eu saí de lá me sentindo uma pessoa excelente, autoestima 10/10. Recomendo a todos.


(O museu encheu tanto minha bola que depois a gente resolveu ir numa ~cafeteria gourmet~ e eu resolvi experimentar finalmente esses cafés gelados. Ainda ousei, porque no menu tinha mil tipos de cafés com descrição explicando o que vinha em cada um, mas escolhi um especial da casa cuja descrição era algo como "CAFÉ SURPRESA. PEÇA E SE SURPREENDA". Olha o risco. Mas o museu disse que minhas experiências VALEM OURO, então pedi esse mesmo. Foi um sucesso, uma delícia! Espero que essa experiência tenha agregado um valor imensurável à vida de vocês. Obrigado)

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Eu sei que o museu me ama e tal, e fiquei realmente lisonjeado, mas tenho que ser sincero. Não é grandes coisas. Não é aquele tipo de lugar que você vem de longe exclusivamente para aprecia-lo, mas pode ser legal incluí-lo num passeio com outras coisas, a Orla Conde e tal. Abaixe bastante suas expectativas. Tem muito daquela coisa de existir para agradar turista. Achei um desperdício aquela infraestrutura toda bonitona e aquele espaço todo disponível. Acho que vou mesmo enviar minha sugestão de exposição de objetos futuristas.