Fiz uma trilha com a rapeize dia desses e não sei explicar como eu, dentre todos, sou o mais aventureiro. Eu sou 0% atlético, tenho 1,73 de altura e, risos, peso 56 kg, daí vocês façam as contas e imaginem a largura do meu braço. Amo andar, escalar, explorar, mas só de teimosia mesmo.

Foi a primeira trilha deles. Daí que dois inventaram de levar uma bolsa ridícula que todo mundo sabe que não é legal de levar pra trilha (eu tinha avisado). Pesada, ruim de carregar, molhada porque tinha suco de caju (???) dentro dela vazando... Um fardo mesmo.

Eles combinaram de cada um carregar metade do caminho, mas já tinha dado metade do caminho e um deles não queria levar de jeito nenhum ("Pô, cara, continua com ela, tá chegando já, você já se acostumou ao peso"). E eu tô lá só vendo o outro carregando a bolsa, ficando pra trás. Ele tentou repassar três vezes, e o outro amigo cagando, sabe?

Eu teria largado aquela joça no chão, sinceramente.

Achei aquilo um abuso TÃO GRANDE que tentei mandar um comentário passivo-agressivo ("Acho que já tá na hora de vc carregar, né?"), mas que não teve efeito algum ("Ele tá de boa com a bolsa").

Tava uma ova. Eu estava quase pegando em armas, mas resolvi dar uma de Martin Luther King Jr. O que eu fiz? Isso mesmo, peguei a bolsa. Rodeado de fulanos com quase o dobro do meu peso, gente de academia, eu fui lá e peguei o raio da bolsa pra carregar junto com a minha mochila.

Confesso que adorei o choque, vivo pra isso. Não demorou nem 2 minutos pro amigo sem noção pegar a bolsa da minha mão. Aí ficou todo mundo:

- É SÉRIO QUE VOCÊ IA DEIXAR O FELIPE CARREGAR A BOLSA? O FELIPE???

Ninguém põe fé em mim Hahahah

- EU JÁ IA PEGAR ALI NA FRENTE.

Tá que ia. Eu não levantei a voz nenhuma vez, achei sucesso. O lance da Não-Violência é ousado, no fim das contas. É um risco. É tentar algo diferente, sem nenhuma garantia, esperando pelo melhor e crendo numa bondade inerente que existe em todo mundo. A gente aceita o ônus até essa atitude despertar a consciência das pessoas.


É aquele tipo de coisa que não dá para exigir das outras pessoas. "Amigo, sofre um pouquinho aqui que depois, talvez, a coisa toda acabe". Mas tô aqui só pra dizer que esse caminho existe. Vai que você é que nem eu que está cansado de brigar, gritar e de fazer o ódio circular. Quero aprender mais dessa alternativa para vencer as minhas guerras.