Como eu prefiro guardar minha tristeza e resolver tudo comigo mesmo, se tornam raros os momentos em que não estou aplaudindo o sol, amando a segunda-feira e apaixonado por todas as pessoas boas que existem no mundo. Eu sei que isso acaba passando a impressão de que vivo num reino mágico em que nunca chove, mas, pelo amor de Deus, gente, isso não existe. Minha vida é comum também. É tão comum que, apesar de eu vir aqui com uma ou outra cafonice bonita, todo bem resolvido, eu também tenho crises. Tem dias que eu tô só o meu cachorro favorito da internet.

Um dos itens da minha Lista é emoldurar esse cachorro
Amo demais

Nada chega a tirar meu sono, pois durmo como uma pedra, mas, se algo fosse capaz disso, seria a crise dos 20, que diz que estou velho demais para TUDO. Nossa, tem dias que é paralisante. Uma diferença é que a maioria das pessoas na crise dos 20 não tem ideia do que fazer. Eu já sofro do contrário: tem MUITAS coisas que quero fazer e nenhum tempo hábil para fazer isso. Quero escrever livros, negociar minhas músicas, ser bem sucedido na minha carreira, fazer uma reviravolta na minha igreja, encontrar as minhas pessoas, construir um exército de realizadores, salvar o mundo... A lista é enorme. E EU JÁ TENHO VINTE E CINCO ANOS. Toda vez que penso nisso me dá uma gastura. Eu me sinto impotente contra o tempo, não sei pra onde correr. Fico pensando em tudo que eu já deveria ter, ainda mais se caio na bobeira de ver gente mais nova do que eu conquistando coisas (sim, é mesmo uma bobeira). COMO LIDAR? Ficava aí o suspense.



Daí que, meses atrás, a Anna me indicou esse tal de A Idade Decisiva (Meg Jay), mas foi só recentemente que a crise apertou e eu disse a mim mesmo: É AGORA A HORA DESSE LIVRO. O livro da Meg Jay trata exatamente disso que eu estava sentindo e, pior, diz que estou certo. Ninguém vive pra sempre, o tempo é mesmo limitado e dos 20 aos 30 anos é a época mais favorável para se conquistar as coisas que queremos. Então por que nessa faixa etária a gente vive como se ainda não fôssemos adultos e nada fosse muito importante? POIS É IMPORTANTE, SIM. O livro joga essa pressão toda na gente, verdade, mas pelo menos dá umas dicas de como aproveitar essa fase.

E, meu deus, eu estava mesmo precisando de dicas.

A que mais me atropelou foi a da força dos vínculos fracos. Deus e vocês sabem o quanto sou entusiastas de pessoas e vínculos FORTES. O tanto que eu falo sobre a minha pessoa, sobre ser a person dos outros e sobre manter contato com as pessoas que você ama tá aí de prova. O que eu enalteço é o que a Meg Jay chama de tribo. E, risos, diz que é superestimada. Quer dizer, ela admite que essa tribo tem um papel fundamental de apoio e que rende bons momentos etc, PORÉM não são os maiores responsáveis por mudar nossa vida. A tribo urbana pode até ser quem vem trazer sopa quando estamos doentes, mas são os vínculos fracos quem geralmente nos fazem prosperar.

Aquele parente distante, aquela pessoa que você conheceu numa festa na noite passada, seus ex-colegas de trabalho, pessoas que estudaram com você, fulanos da sua mesma igreja... Esses são os vínculos fracos. São pessoas que você conhece ou já conheceu, mas vocês não têm AQUELA intimidade. Vocês têm ou tiveram uma boa relação de convivência e só. Mas esse "e só" é o suficiente para que eles apresentem a você novas oportunidades. Novos lugares, novas pessoas, novos empregos, novas ideias. E isso é transformador! O livro não diz para abrir mão dos nossos amigos. Pelo amor de Deus, gente. Só diz para não desperdiçarmos os vínculos fracos que temos.

O perigo de focar sua vida na sua tribo é que você acaba convivendo apenas com pessoas com ideias afins. Alguns gostos parecidos, visitando os mesmos lugares, enfrentando as mesmas dificuldades, as dúvidas de sempre etc. É excelente para a sanidade mental, mas nenhum dos seus amigos mais íntimos vai surgir com uma oferta de emprego maravilhosa pra você. Eles estão no mesmo barco contigo. Claro que pode acontecer, mas é improvável. Aquela tecla do networking no ambiente de trabalho que todo mundo vive batendo é super real.

Bom, eu até acho que tenho feito um bom trabalho dando chance para pessoas que de cara não têm muito a ver comigo, mas tenho 25 anos e, no quesito carreira profissional, eu ando meio travado. Se eu quero aproveitar essa fase favorável, já vi que vou ter que ativar meu networking JÁ e ver no que dá.

Eu estava muito apavorado pensando no meu futuro - já sou velho demais! -, como se estivesse à deriva só vendo a vida acontecer. Ok, esse negócio de apostar nos vínculos fracos ainda é meio assustador, mas, pelo menos, é a minha oportunidade de fazer alguma coisa. Parado, eu não fico mais. Vamos acompanhar.

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Oi!

1) Você sabe que eu preciso que a internet me dê visibilidade para eu seguir meus sonhos de escrever histórias, então... Você poderia compartilhar este texto nas suas redes sociais? Se foi interessante e/ou útil para você, claro.

2) Se você for um vínculo fraco meu e não quiser compartilhar o texto, pode pelo menos me chamar para um café? Obrigado :P