Dia desses a Ju comentou no Twitter que guarda muito rancor. Seria coisa de signo? Não faço ideia do que significa, mas ambos somos de câncer e rancor parece ser uma característica das pessoas que nascem sob esse estigma. Drama, rancor e chantagem emocional. Eu até brinquei que já tinha tirado a chantagem e o rancor da minha vida, mas o drama JAMAIS.

Me ensina o seu macete pra se livrar do rancor, Felipe!

Foi o que a Ju disse, e a aqui estamos nós. Rancor nada mais é que um ódio que perdura, certo? A pessoa faz algo que te magoa e te fere de alguma forma, e você NUNCA MAIS esquece aquilo, levando direto para o seu túmulo. Você sente aquele ódio de início e resolve carregar pra vida e pra sempre. Eu já senti um rancor violento certa vez, do naipe ficar feliz quando algo de ruim acontecia com meu desafeto, e, olha, é horrível. Eu já escrevi vários posts sobre o ódio e como ele funciona aqui no blog, inclusive como eu decidi quebrar o ciclo. Pra matar o rancor, é não deixar o ódio acontecer. Simples.

Ok, não é simples, mas tenho um exemplo prático.

Tem um certo político que me dá uma agonia imensa. Eu não consigo nem acompanhar notícias sobre o fulano, independentemente do teor. Fulano criou um novo projeto de lei? Não quero saber. Fulano foi vaiado na rua? Não quero saber. Fulano fez uma declaração polêmica? Não adianta, definitivamente não quero saber. Tudo o que envolve a pessoa me dá um desgaste emocional e nem só por causa do político em si, mas de todo ódio que rola entre os fãs e os opositores.

Teve uma vez que o político disse que preferia ver um filho MORTO a ter um filho gay. Repetindo: Ele disse que preferia que o filho dele MORRESSE num acidente de carro do que se assumisse gay. Tipo, gente, UM FILHO. O político disse que seria INCAPAZ de amá-lo. Me parte o coração de mil formas imaginar um adolescente gay que porventura venha a existir nessa família. Que barra.

Se você já lê esse blog faz algum tempo, eu acredito que você concorde comigo, independentemente da sua opinião sobre a homossexualidade, quando digo que essa declaração do político é um tanto exagerada. Chega ser surreal. Se você é gay ou convive com gays, você deve enxergar que alguma coisa não se encaixa.

Gente, é só uma pessoa que tá ali amando na dela quem ela quer amar.............................................

O que o tal político recebe de volta (ele praticamente pede por isso, né) é uma CHUVA DE ÓDIO SEM LIMITES. Ele é xingado, vaiado, atacado, é alvo de textão, de humilhação pública, etc. Teve um dia que até pipocou na minha timeline um tweet dele dizendo "Mais amor por favor kkkk" com um print de várias pessoas mandando ele tomar naquele lugar. Galera quer pregar amor, mas reage com ódio, risos. O ódio circula etc.

Só li verdades

Eu só consegui parar o ódio e o rancor quando fui na onda de: Ele não sabe o que faz. Pra uma pessoa preferir que o filho esteja MORTO a ser gay, não vejo como ela pode enxergar o que é um gay. O ódio é não saber, é não ver as pessoas, é uma falta de conhecimento que cega. Então, agora, eu só penso que ele não sabe do que está falando e bola pra frente. Não estou dizendo que aceito tudo passivamente ou que eu o considero inocente... Na verdade, o meu papel nem é julgar. Ao invés de atacar o alvo de ódio, eu prefiro fazer qualquer outra coisa que demonstre amor e traga o conhecimento que falta nas pessoas. Odiar de volta seria como se vingar de uma criança de 2 anos por ter, sei lá, quebrado algo meu.

E eu uso essa "técnica" pra tudo, sabe? Comentarista de portal, gente falando groselha no Facebook, religião sem amor, terrorismo, pessoa grosseira na condução, gente que me hostiliza sem motivo algum... Se eles soubessem como a atitude deles machuca... Se eles soubessem o tanto que a vítima já sofreu na vida... Se eles soubessem que existe um caminho muito melhor onde todos ficam felizes... Mas eles não sabem. Ainda. Então, eu não posso me cansar de mostrar.