E, pra vocês verem que eu realmente devo morar numa série de TV, antes de pegar o ônibus pra casa dela, eu fui parado por crentes evangelizando. Achei que fossem me dar um papel e repetir o mantra que Jesus me ama, mas crente também inova e eles me deram uma bola dessas de festa, de encher. Tinha um papel dentro.

- Estoura, aí você vai ver o que Deus está falando com você
- Tipo um biscoito da sorte? (fui abusado, perdão, irmãos)
- MELHOR que um biscoito da sorte
- Como melhor se nem é de comer?
- ¬¬
- Obrigado :DDD

Porque eu fiquei realmente grato pela bola, vai que tem uma mensagem importante sobre a visita que eu estava prestes a fazer, uma coisa meio mística. Tipo "Amai ao próximo como a ti mesmo", daí eu ia entender que estava fazendo a coisa certa. Ou "NÃO MATARÁS", que acho que também é um bom conselho nesse caso de visitas. Acontece que quem me conhece sabe que tenho uns traumas relacionados a bolas de festa e sou incapaz de tentar encher uma com medo de estourar. Você estouraram aquela bola? Porque eu também não. Fui levando na mão mesmo até que eu percebi que seria meio ridículo chegar na casa da minha vó carregando uma bola de festa que nem era pra ela nem nada. Daí eu guardei uma bola cheia na minha mochila. Pois é.

(Esse introdução não tem nada a ver com a história, eu só queria contar o causo mesmo. O blog é meu)

***

- Oi, será que eu ainda posso entrar?

Foi assim que eu cheguei falando com um tio meu que abriu o portão. Confesso que eu estava esperando hostilidade, porque, convenhamos, na lógica de Família É Tudo, eu era o neto ingrato e sem coração. A Paula comentou no outro post que, pra quem está doente, a visita faz uma diferença enorme. Eu fui pensando nisso, sabe? Se ia deixar minha vó um pouquinho mais feliz, valia tentar.

- Quem sou pra impedir alguém de entrar, né? :)

Aí vi minha vó sentada na sala. SENTADA! Ela nem conseguia sentar antes. Quem sabe mais o que aquela senhora já era capaz de fazer? Eu estava tipo aqueles pais negligentes que não acompanham o crescimento dos filhos, perdem os primeiros passos e tudo. Mas, gente, mesmo eu ignorando praticamente TODOS os conselhos que vocês me deram, deu tudo certo. Me receberam bem, eu tive mil assuntos e coisas para contar, a peteca da conversa não caiu em nenhum momento. NENHUM.

Eu falhei total na cartilha da visita. A Aline disse para eu levar uma lembrancinha, e eu fui de mãos abanando. A Fernanda foi enfática dizendo para eu evitar falar de religião, política e futebol, porém, só futebol mesmo que não rolou Hahahah Não tinha como sair futebol de mim mesmo.

 Avisar, outra regra que eu também quebrei
Nossa, tanto pra aprender

Eu queria contar em detalhes, porque a experiência foi muito cômica. Uma família meio introvertida, cheia de mau visitadores, sem saber fazer sala para ninguém, sendo visitada pela minha pessoa. A gente foi praticamente um time que eu já cheguei motivando "Ok, não sei como a gente vai fazer nas próximas horas, porque eu sou PÉSSIMO em visitar e ter assunto, mas vamos tentar", e eles "A gente também kkkk". Ou seja. Pra vocês terem noção, os dois primeiros assuntos foram câncer e Alzheimer. "Nossa, a gente só fala de doença. Somos ruins mesmo nisso". Mas depois a coisa toda simplesmente andou. Tive como dar atenção pra todo mundo da casa e foi bem melhor do que eu pensava. Os meus assuntos todos doidos, mas foi. Falei da Lista, dos livros e das músicas com meu tio, falei das 5 linguagens do amor com a minha madrinha, falei do Trilha Radical e dos meus planos de dominação mundial resgatar a visão de quem Jesus é (falo em breve!)... Se tem uma coisa que eu fiz, essa coisa foi falar. E ouvir também, porque eles tinham muita história pra contar, devia estar tudo guardado há anos naquelas bocas fechadas. Aparentemente, eu sou um ótimo conversador.

Eu saí de lá tão REALIZADO. Quer dizer, nem foi difícil, nem desgastante. Foi BOM. Eu gostei de ter ido, de ter conversado, de ter visto todo mundo. Saí de lá prometendo um retorno que não demorará mais dez meses talvez uns sete? mas realmente querendo não perder esse contato. Eles são legais, eles me fazem bem, acho que podemos ser uma família sim.

- Vó, eu prometo que não perderei o contato novamente. Eu vou ligar todo dia e... Ah, mas a senhora odeia telefone também, né?
- Sim
- Aff. Vamos dar um jeito, vó.

(Gente, vocês acreditam que eles acharam uma das minhas músicas? Eu não mostrei pra ninguém, mas de alguma forma misteriosa eles ligaram pra contar que amaram, que alguém chorou, pra dizer que ficaram encantados Hahahahah Eu tô morrendo de vergonha. Ainda mais que devem ter encontrado aqui no blog, onde inclusive tem várias groselhas, posts sobre eles e neste exato momento devem estar me lendo também. OI, FAMÍLIA, TUDO BEM COM VOCÊS?)

***

Por último, mas não menos importante, eu tenho que destacar que eu amo Jesus, ainda mais depois de ter me empurrado para essa visita. Não é da boca pra fora. Ele SEMPRE acerta. Eu nunca fui na onda dele e me dei mal. E, sabe, com ou sem a religião, com ou sem uma igreja, acreditando ou não em Jardim do Éden, Arca de Noé, naquela novela horrível da Record ou no Apocalipse, Jesus é INCRÍVEL. Ah, mas é tudo lorota e esse cara nunca existiu. Honestamente? Eu só sei que confio e não me arrependo. Se um dia der ruim, a gente repensa o relacionamento.

Um dos meus versículos favoritos é um que diz que a vida eterna, na verdade, é conhecer Jesus. Não é "fazer coisas boas e ir para o Céu" ou "frequentar uma igreja" ou "seguir regras". É um relacionamento pessoal com Jesus, onde a gente aprende dele e com ele e coloca em prática amando as pessoas de um jeito que ninguém espera. Eu recomendo a todos.

Adoro como eu pareço cagado da mente falando essas coisas, mas ¯\_(ツ)_/¯

***

Por último de verdade agora, obrigado a todo mundo que comentou no blog, mandou e-mail (eles serão respondidos, eu juro) e deu pitaco nas redes sociais. Vocês são muito legais comigo. Jamais parem :)