segunda-feira, maio 30, 2016

Acho que o principal motivo que me fez desistir da igreja foi uma inquietação que, DO NADA, se apoderou da minha pessoa. Uma agonia que foi crescendo devagar, sabe? Uma coisa meio estranha aqui, um julgamento meio esquisito ali, um amor seletivo acolá e uma inércia disfarçada por toda parte. E, claro, toda hora aquele choque de "Ué, mas Jesus não disse X? Por que estamos fazendo Y e achando ok?". Mas eu fui praticamente criado dentro de uma igreja, então entendam que demorou muito tempo para minha ficha cair.

Depois, vocês sabem, eu parei de frequentar cultos, fiquei um tempo sem saber o que fazer, topei com esse livro necessário e encontrei uma direção, um caminho: Jesus. Não sei se vocês sabem, mas Jesus na Bíblia fica o tempo todo dizendo que é "o caminho, a verdade e a vida", então eu fiquei todo "Ah, meu querido, então você vai ter que ser o caminho mesmo. Tipo, AGORA. Porque eu já estou sem opção". 



Na verdade, me pareceu até bem lógico que, ao sair da igreja, ainda querendo ser um cristão, não existia outra opção a não ser seguir a Cristo. Jesus era o melhor caminho e único possível. Se você quer seguir os passos de uma pessoa e ser muito bom nisso, o mínimo que você precisa é saber quem essa pessoa é. E, logo depois, conhecer o que ela faz, o que ela fez, o que ela disse, o que ela gosta, não gosta, quais conselhos que ela dá. Foi aí que eu tive a >>>EPIFANIA<<< de que a inquietação e agonia que eu sentia era a constatação de que a igreja não conhece Jesus. Não sabe quem ele é, o que ele fez, o que ele disse etc. Foi um choque. E dos grandes, porque eu também constatei que eu era parte do problema.


Umas perguntas básicas para os amigos cristãos lendo o texto: Vocês DE FATO conhecem Jesus? Tem certeza? Vocês já leram tudo o que ele fez e disse? Vocês já pararam para refletir se estão tentando conscientemente ser como ele foi?

Porque eu acho que respondi NÃO para todas elas. Me senti na obrigação de ir atrás desse conhecimento, sabe? Chega a ser uma falha de caráter. Na igreja, eu sinto que ficamos anestesiados, porque de certa forma estamos ali consumindo toda essa cultura crente, então PARECE que a gente conhece, mas, se paramos para avaliar algumas atitudes, a gente vê que está bem longe do padrão de Jesus. E não está dando a mínima pra isso. Daí eu fui atrás.

***

Gente, foram semanas em que eu me foquei nos 4 evangelhos e fui catando tudo o que Jesus disse. Pra facilitar, eu fui separando em temas, porque, ao olhar para um tema específico, eu conseguiria enxergar melhor o ensinamento por completo. Salvação, união, não violência, oração, humildade, bens materiais... Eu reuni bastante coisa, deu 33 páginas essa brincadeira. E, nossa, cada vez que eu coletava uma palavra dele e comparava com o que eu já tinha achado, eu me sentia mais próximo. Foi muito interessante. E chocante, porque eu estava encontrando coisas que eu nem sabia que estavam ali! Tipo, mais de dez anos de crente que eu tenho!!!

Todo mundo conhece pelo menos ALGUMA COISA sobre Jesus. Nem que seja um fato ou dois. Mas, sendo cristão ou não, a visão das pessoas é um tanto limitada, porque, caramba, que homem profundo. A maioria das pessoas enxerga Jesus como "um cara bom", "ele fez o bem" ou, e esta usam muito para criticar a postura da igreja, "ele mandou amar a todos". São definições bem vagas. Gente, eu preciso contar pra vocês, Jesus é mais que isso.

Jesus não é só BOM. Quer dizer, ele até é bom, sim, mas não esse bom que a gente imagina. Não é só "ser legal e respeitar". Até quando as pessoas usam esse "Jesus mandou amar" dá pra ver que entendem esse amor como "Trate bem quem faz coisas boas, trate mal que faz coisas ruins". O nome disso é JUSTIÇA, gente, o amor de Jesus é outra coisa. Não é nem um sentimento, digamos assim. É muito mais forte, mais amplo e te desgraça a cabeça todinha, porque Jesus é muito revolucionário. MUITO, gente, acreditem. A gente tem que dar um passo de cada vez, tem que abrir mão de várias coisas que aprendemos ao longo da vida e acreditar e experimentar que o caminho dele é realmente melhor. Jesus inverte as nossas prioridades todas e acho que é esse pulo do gato que a igreja não pegou. Ficamos só no "Jesus é bom", mas não nos aprofundamos. A gente conhece (e inventa) muita coisa em volta de Jesus, mas sobre ele mesmo... fuén.

(Só para exemplificar, eu fui num culto dia desses e falaram de Jesus só duas vezes. DUAS VEZES. O resto mal tinha a ver com ele. Experimentem qualquer dia fazer essa contagem na igreja de vocês)

Daí que, nessa minha jornada em busca do Jesus há muito perdido, eu tomei vários tapas da cara, aconteceram vários queixos caídos e muito samba da parte da nossa divindade favorita. Teve momentos em que eu tive que parar pra respirar, em outros eu senti as lágrimas vindo. Confesso que gargalhei muito também. Foi esse desequilíbrio emocional todo mesmo.

Eu sei, e você deveria saber também, que texto sem contexto é uma praga, mas preciso deixar aqui algumas coisas que encontrei e que me deixaram um pouco embasbacado. Qualquer coisa vocês olhem direito numa Bíblia aí perto de vocês.

E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

GENTE. Eu nunca tinha lido isso, juro pra vocês. Nunca tinha nem ouvido falar desse versículo e tá ele aí na nossa cara. Isso aí é um discurso que saiu da boca de Jesus. Olha que postura. Jesus estava mais preocupado em ajudar e salvar as pessoas do que julgá-las e condená-las. Quer interferir na vida de alguém? Interfere fazendo algo de bom para elas.

Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses;
E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir.
E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira lhes fazei vós, também.
E se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam.
E se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo.
E se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto.
Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus.

Que desapego, minha gente, que nível de desapego! Essa é uma passagem até bem famosa, mas é daquele naipe que as pessoas falam "Não sou Jesus pra agir desse jeito", como se fosse algo impossível de alcançar. Nem tentam. É um pouco mais "bom" do que você imaginava, não é mesmo?

E dizia também ao que o tinha convidado: Quando deres um jantar, ou uma ceia, não chames os teus amigos, nem os teus irmãos, nem os teus parentes, nem vizinhos ricos, para que não suceda que também eles te tornem a convidar, e te seja isso recompensado.
Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos e cegos,
E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te recompensar;

Quantas vezes eu já vi uma pessoa ou igreja fazendo isso? Zero.

***

Eu podia ficar aqui pra sempre mostrando os atos e palavras de Jesus. Baque atrás de baque. Estamos tão longe da realidade dele. É só ver o jeito que ele lidava com as pessoas, em como ele fazia questão de se sentar com as desprezadas e criticava exclusivamente os religiosos hipócritas, o modo com que ele tratava as mulheres numa sociedade ainda mais machista que a nossa, os discursos dele de amor e hospitalidade, de desapego das coisas materiais (enquanto as igrejas estão cada vez mais apegadas a dinheiro), de como a salvação é relacionamento e não regras opressoras... Jesus me fez ver que eu preciso praticar mais o amor dele.


Muita gente vê o cristão como alguém que NÃO FAZ coisas. Não bebe, não fuma, não transa, não vê TV, não escuta música, não faz tatuagem, não usa certas roupas, não vai à praia, não joga futebol, não xinga... Ok, ok, a maioria nem é verdade, mas o que o cristão faz? Se empenha em NÃO FAZER coisas.  A igreja fica parecendo um lugar em que, quando a pessoa se converte, ela apenas fica obrigada a cumprir uma série de proibições. Qual é a vantagem, não é mesmo?

Jesus mandou a gente FAZER. Amor é prática. Jesus disse Ide, Ame, Visite, Doe, Empreste, Alimente, Sacie, Agasalhe, Aprenda, Lave os pés alheios, Faça o bem, Seja. Como ouvi certa vez, fazer é a causa, não fazer é a consequência. Quanto mais amor você pratica, mais desamor você deixa pra trás. O que te faz mal você joga fora. Uma igreja parada só acumula coisas ruins.

ENFIM.

Eu sabia que não era maluco. Existe algo muito mais profundo do que essa religião superficial que só vacila hoje em dia, realmente existe um caminho em Jesus e eu quero caminhar mais nele. Vai ter Jesus, sim, e, se reclamar, vai ter mais.

Posted on segunda-feira, maio 30, 2016 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, maio 25, 2016

E, pra vocês verem que eu realmente devo morar numa série de TV, antes de pegar o ônibus pra casa dela, eu fui parado por crentes evangelizando. Achei que fossem me dar um papel e repetir o mantra que Jesus me ama, mas crente também inova e eles me deram uma bola dessas de festa, de encher. Tinha um papel dentro.

- Estoura, aí você vai ver o que Deus está falando com você
- Tipo um biscoito da sorte? (fui abusado, perdão, irmãos)
- MELHOR que um biscoito da sorte
- Como melhor se nem é de comer?
- ¬¬
- Obrigado :DDD

Porque eu fiquei realmente grato pela bola, vai que tem uma mensagem importante sobre a visita que eu estava prestes a fazer, uma coisa meio mística. Tipo "Amai ao próximo como a ti mesmo", daí eu ia entender que estava fazendo a coisa certa. Ou "NÃO MATARÁS", que acho que também é um bom conselho nesse caso de visitas. Acontece que quem me conhece sabe que tenho uns traumas relacionados a bolas de festa e sou incapaz de tentar encher uma com medo de estourar. Você estouraram aquela bola? Porque eu também não. Fui levando na mão mesmo até que eu percebi que seria meio ridículo chegar na casa da minha vó carregando uma bola de festa que nem era pra ela nem nada. Daí eu guardei uma bola cheia na minha mochila. Pois é.

(Esse introdução não tem nada a ver com a história, eu só queria contar o causo mesmo. O blog é meu)

***

- Oi, será que eu ainda posso entrar?

Foi assim que eu cheguei falando com um tio meu que abriu o portão. Confesso que eu estava esperando hostilidade, porque, convenhamos, na lógica de Família É Tudo, eu era o neto ingrato e sem coração. A Paula comentou no outro post que, pra quem está doente, a visita faz uma diferença enorme. Eu fui pensando nisso, sabe? Se ia deixar minha vó um pouquinho mais feliz, valia tentar.

- Quem sou pra impedir alguém de entrar, né? :)

Aí vi minha vó sentada na sala. SENTADA! Ela nem conseguia sentar antes. Quem sabe mais o que aquela senhora já era capaz de fazer? Eu estava tipo aqueles pais negligentes que não acompanham o crescimento dos filhos, perdem os primeiros passos e tudo. Mas, gente, mesmo eu ignorando praticamente TODOS os conselhos que vocês me deram, deu tudo certo. Me receberam bem, eu tive mil assuntos e coisas para contar, a peteca da conversa não caiu em nenhum momento. NENHUM.

Eu falhei total na cartilha da visita. A Aline disse para eu levar uma lembrancinha, e eu fui de mãos abanando. A Fernanda foi enfática dizendo para eu evitar falar de religião, política e futebol, porém, só futebol mesmo que não rolou Hahahah Não tinha como sair futebol de mim mesmo.

 Avisar, outra regra que eu também quebrei
Nossa, tanto pra aprender

Eu queria contar em detalhes, porque a experiência foi muito cômica. Uma família meio introvertida, cheia de mau visitadores, sem saber fazer sala para ninguém, sendo visitada pela minha pessoa. A gente foi praticamente um time que eu já cheguei motivando "Ok, não sei como a gente vai fazer nas próximas horas, porque eu sou PÉSSIMO em visitar e ter assunto, mas vamos tentar", e eles "A gente também kkkk". Ou seja. Pra vocês terem noção, os dois primeiros assuntos foram câncer e Alzheimer. "Nossa, a gente só fala de doença. Somos ruins mesmo nisso". Mas depois a coisa toda simplesmente andou. Tive como dar atenção pra todo mundo da casa e foi bem melhor do que eu pensava. Os meus assuntos todos doidos, mas foi. Falei da Lista, dos livros e das músicas com meu tio, falei das 5 linguagens do amor com a minha madrinha, falei do Trilha Radical e dos meus planos de dominação mundial resgatar a visão de quem Jesus é (falo em breve!)... Se tem uma coisa que eu fiz, essa coisa foi falar. E ouvir também, porque eles tinham muita história pra contar, devia estar tudo guardado há anos naquelas bocas fechadas. Aparentemente, eu sou um ótimo conversador.

Eu saí de lá tão REALIZADO. Quer dizer, nem foi difícil, nem desgastante. Foi BOM. Eu gostei de ter ido, de ter conversado, de ter visto todo mundo. Saí de lá prometendo um retorno que não demorará mais dez meses talvez uns sete? mas realmente querendo não perder esse contato. Eles são legais, eles me fazem bem, acho que podemos ser uma família sim.

- Vó, eu prometo que não perderei o contato novamente. Eu vou ligar todo dia e... Ah, mas a senhora odeia telefone também, né?
- Sim
- Aff. Vamos dar um jeito, vó.

(Gente, vocês acreditam que eles acharam uma das minhas músicas? Eu não mostrei pra ninguém, mas de alguma forma misteriosa eles ligaram pra contar que amaram, que alguém chorou, pra dizer que ficaram encantados Hahahahah Eu tô morrendo de vergonha. Ainda mais que devem ter encontrado aqui no blog, onde inclusive tem várias groselhas, posts sobre eles e neste exato momento devem estar me lendo também. OI, FAMÍLIA, TUDO BEM COM VOCÊS?)

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Por último, mas não menos importante, eu tenho que destacar que eu amo Jesus, ainda mais depois de ter me empurrado para essa visita. Não é da boca pra fora. Ele SEMPRE acerta. Eu nunca fui na onda dele e me dei mal. E, sabe, com ou sem a religião, com ou sem uma igreja, acreditando ou não em Jardim do Éden, Arca de Noé, naquela novela horrível da Record ou no Apocalipse, Jesus é INCRÍVEL. Ah, mas é tudo lorota e esse cara nunca existiu. Honestamente? Eu só sei que confio e não me arrependo. Se um dia der ruim, a gente repensa o relacionamento.

Um dos meus versículos favoritos é um que diz que a vida eterna, na verdade, é conhecer Jesus. Não é "fazer coisas boas e ir para o Céu" ou "frequentar uma igreja" ou "seguir regras". É um relacionamento pessoal com Jesus, onde a gente aprende dele e com ele e coloca em prática amando as pessoas de um jeito que ninguém espera. Eu recomendo a todos.

Adoro como eu pareço cagado da mente falando essas coisas, mas ¯\_(ツ)_/¯

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Por último de verdade agora, obrigado a todo mundo que comentou no blog, mandou e-mail (eles serão respondidos, eu juro) e deu pitaco nas redes sociais. Vocês são muito legais comigo. Jamais parem :)

Posted on quarta-feira, maio 25, 2016 by Felipe Fagundes

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terça-feira, maio 24, 2016

Logo depois de vulnerabilidade, reality shows e Jesus (não disse a ordem), Sinusite vem ganhando força como um dos meus assuntos mais frequentes, desde O Final De Semana Em Que Tudo Deu Errado. Gente, ela simplesmente não vai embora. Já me disseram que não tem cura, mas eu custo em acreditar em coisas sem cura. Quer dizer, eu vivi minha vida inteira sabendo o que era respirar e agora tenho que me contentar com congestionamento nasal? Eu nem sabia que tinha gente que vivia assim todo entupido. Estou em negação ainda.

Mas aí a Aline* dia desses fez uma intervenção por e-mail e jogou casualmente na conversa algo como "Você já experimentou usar lota?". E eu fiquei meio, gente, será que é uma nova droga? EU NÃO SOU CRACUDO, ALINE. Mas nem era. Ela me explicou mais ou menos do que se tratava, e eu fiquei NÃO É POSSÍVEL, porque, gente, é fascinante. Sério.

(* Eu costumo linkar as pessoas que dão pitacos, mas, Aline, só agora me dei conta que não faço ideia de quem é vocês nas internetes! oO)

Eu não tinha nada contra a lota (nem era amigo de nenhuma), até porque nunca tinha ouvido falar, mas, quando eu pesquisei, gente, QUANDO EU PESQUISEI, um mundo se abriu.

Se você não sabe o que é, é isso aqui.



Pois é, uma chaleira que você enfia no nariz, não há definição melhor. Não sei se existem outras ~receitas~ pela internet, mas você joga uma colher rasa de sal em água morna, põe na lota, enfia numa narina e aguarda feliz sair tudo e mais um pouco pela outra.

Sério, gente, há mais evidências. Pessoas REALMENTE fazem isso.




Foi nesse vídeo que eu definitivamente me apaixonei. A moça tão didática explicando a coisa toda, nos fazendo esquecer do surrealismo da situação. Quem consegue manter essa serenidade no olhar quando há uma cachoeira saindo do seu nariz num vídeo público no Youtube? QUEM? Ela, essa moça, ela consegue. Mas não foi pela melhor garota propaganda que me apaixonei, foi pelo Narin mesmo.


Gente, eu preciso de um Narin na minha vida. Imaginem! Essa água toda lavando você por dentro, pensem comigo, pensem na desobstrução das vias nasais, pensem em respirar, sintam o ar entrando e saindo. Te queremos, Narin! SOMOS TODOS NARIN! Ok, me excedi um pouco. Mas eu acabei de criar uma wishlist que ficou mais ou menos assim:

1. Narin
2. Narin reserva (nunca se sabe quando o outro pode sumir e a vida em mim desaparecer junto com ele)
3. Narin pra minha mãe (porque sei que ela vai querer e não vou emprestar)
4. Narin pra sortear no blog e no Twitter (porque vocês merecem)
5. Narin meramente decorativo

Eu nem usei, mas já posso me imaginar como um revendedor Narin. Eu poderia largar meu emprego agora, porque não tem como dar errado ganhar dinheiro convencendo as pessoas do BEM MAIOR. A empresa que vende o Narin poderia me patrocinar. Poderia me dar um desconto nas compras acima de dezessete Narins. Ou me convidar para uma participação especial no próximo vídeo comercial dando meu testemunho de fé e poder sobre o Narin milagroso. Eu poderia fazer camisetas. Já me vejo batendo na porta das casas e parando pessoas na rua para dizer "Você tem um minutinho para ouvir a palavra do Narin?". Eu quero viver nesse futuro glorioso, gente, eu sou facinho assim.

Mas, TALVEZ, eu esteja com expectativas um pouco altas sobre uma chaleira de nariz. Talvez. Porém estou confiando na moça da propaganda. Eu comentei no Twitter e até apareceu gente dizendo que já usou lota e é maravilhoso mesmo. Vou ter que comprar pra experimentar. Vamos acompanhar.

(Este poderia ser um lindo e remunerado publipost, mas não é, então NÃO COMPREM NARIN. Deixa eu ir na frente de cobaia por vocês e ver se o trem é bom mesmo, depois eu volto aqui pra contar a experiência)

Posted on terça-feira, maio 24, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 16, 2016

(Ou: Maggies do mundo)

Eu nem estava dando muita bola para a personagem, mas tem uma cena em que Maggie Pierce está super triste com uma notícia que ela recebeu no começo do episódio. Ela não conta para ninguém, nem para quem está assistindo o final dessa temporada de Grey's Anatomy cheia de dramas, tragédias e mortes injustas, embora a gente veja ela sofrendo com isso o episódio todinho. Só no final que ela desiste de guardar a dor e dá uma chorada básica na frente da Meredith, nossa amada e odiada PhD em DESGRAÇAS, e conta o causo todo. Era um problema no casamento dos pais dela. E a Meredith fica "Mas, gente, por que você não me contou antes?".

A resposta da Maggie não poderia ser diferente da que ela deu. "Como falar com você de problemas triviais, SE SUA VIDA É TÃO DESGRAÇADA E TODO MUNDO AO SEU REDOR MORRE?". Ok, ela não disse exatamente isso mas deveria ter dito, pois é a verdade.


"Não cresci como você. Nunca perdi alguém. Nunca nem um gato meu morreu, ainda tenho todos os meus avós. Nunca houve escuridão em minha vida, nada aconteceu na minha vida, então não posso falar disso com você"

MAGGIE, ME ABRAÇA, VEM FALAR COMIGO. Posso dizer com segurança que nunca vi esse discurso na ficção, porque, ouvindo a Maggie desabafar, eu senti aquele >>>EXATAMENTE ISSO<<< que só acontece na primeira vez que alguém realmente te entende. E, nessa cena, eu entendi a Maggie e sei que ela me entenderia se pudesse me ouvir. Talvez um de vocês lendo esse post saiba do que estou falando e se sinta representado também.

Se vocês perguntarem o motivo, eu não saberei responder, mas, gente, é bem isso aí, "nunca houve escuridão na minha vida". Não tem Hello Darkness My Old Friend e nem Queria Estar Morta do lado de cá. Eu sempre me senti amado por alguém. Pessoas em geral sempre me elogiaram por uma coisa ou outra. Tudo bem que tenho ambições baixíssimas na vida, mas sempre pude ter o que eu queria ter naquele momento. Eu nunca passei por uma dificuldade financeira. Nunca fiquei com fome ou frio, e nem desesperado, por não ter dinheiro. Eu nunca perdi um ente querido. Eu ainda não sei o que é lidar com o luto, eu não sei o que é sofrer com a ausência de uma pessoa que nunca mais estará ali de volta. Eu fico até com vergonha de falar nas conversas sobre perdas difíceis, porque o mais próximo que tenho de uma referência é a morte do meu primeiro cachorro. Eu posso contar nos dedos de uma mão só as pessoas muito horríveis que já apareceram no meu caminho (talvez zero). Eu nunca passei por nenhum trauma, não tenho nenhum transtorno psicológico, não me considero triste. Não tenho problemas com a minha aparência, nunca sofri uma desilusão amorosa. Não faço parte de nenhuma minoria que é alvo de preconceito, de forma que nunca me senti prejudicado/injustiçado por ser quem eu sou. Nunca sofri violência por conta disso. Eu muito raramente passo por essas emoções negativas fortes de sentir muita raiva, chorar escondido, entrar em pânico. Os meus dramas são facilmente transformados em piadas por mim mesmo, porque de fato dá para rir de tudo. Parece OSTENTAR felicidade, mas são apenas fatos. Às vezes, eu me sinto até culpado de estar feliz com a minha vida quando outros penam tanto. Então, Maggie, eu te entendo demais.

 (Aparentemente, poucos podem dizer isso)

Veja bem, eu não estou reclamando, pois não sou idiota. Deus, se você estiver lendo esse post, favor não entender que quero ter um câncer. É só que é desconfortável falar em qualquer lugar com qualquer pessoa, porque todo mundo JÁ SOFREU TANTO. Na internet em geral, eu mal consigo me identificar. É tanta evidência de depressão, de família bosta, de racismo, machismo, homofobia, desemprego, gente tomando altas bandas da vida. É até complicado chegar numa pessoa dessa e dizer PENSE POSITIVO! PARE DE RECLAMAR! Não fale de crise, trabalhe! Por que o que eu sei da vida, né? Mas também Deus me livre ser inconveniente assim. O problema é que nem de consolo eu sirvo. Eu não entendo aquela dor. Nem a pontezinha da vulnerabilidade e da empatia que surge com o "Já estive no seu lugar, sei como é" eu consigo erguer.

E eu até tenho alguns problemas, sabe? Rola umas crises doidonas de vez em quando. Mas... como você que é magro reclama de estar engordando para pessoas que estão há séculos com dificuldade para emagrecer? Como você reclama do seu salário pra gente que nem emprego tem? Como você vai chorar que perdeu seu cachorro pra alguém que acabou de perder os pais num acidente de carro? Como reclamar de um dia chatinho pra alguém que odeia a própria vida? Eu prefiro nem falar, né, porque tudo soa como classe média sofre, male tears, reclamar de barriga cheia etc, então apenas... fico quietinho.

Diz a Meredith que o bom é justamente você se abrir, porque essas pessoas vão poder te dizer que dá para sobreviver, que existe luz no fim do nosso túnel, já que eles passaram por coisa pior. Eu nem sei dizer se ela está realmente certa, mas gostaria que estivesse. Não estamos competindo pra ver quem sofre mais. Eu fico perplexo quando vejo gente fazendo chacota dos problemas alheios, sem demonstrar nenhuma empatia, ou ainda passa por cima da pessoa. "Ah, você tomou um tiro? Grande coisa. E eu que já tomei TRÊS TIROS?". E olha que até eu caio nisso às vezes. Acho que a gente tinha que repensar isso aí.

Até porque eu adoro uma ceninha assim.


Posted on segunda-feira, maio 16, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, maio 12, 2016

Vocês lembram que eu indiquei o Day Zero Project como uma ótima fonte de inspiração para preencher vossas listas? Então. A Helena foi lá dar uma olhada e encontrou o ranking com os 101 itens que mais aparecem nas listas das pessoas. No momento em que acesso esse ranking, está lá em quinto lugar: "Responder As Cinquenta Questões Que Libertarão A Sua Mente". Meio dramático, mas está lá. Eu lembro que, quando topei com isso a primeira vez, fiquei curioso para saber que cinquenta perguntas eram essas. Dei uma googlada, vi que era um questionário até bem famoso, li algumas das perguntas e deixei de lado.

É até legal, mas dá para perceber que as perguntas foram lindamente projetadas para te entregar a seguinte mensagem motivacional: SUA VIDA É UMA BOSTA, melhore. Bem capaz de nem ser mentira, visto que as pessoas costumam viver mais a vida que os outros querem que elas vivam do que a que elas realmente querem, mas eu ando numa fase tão boa que as perguntas não estavam surtindo o efeito e eu cansei na sétima questão, risos.

 Essa preguiça representa meu estado de espírito em 90% do tempo
"Apenas de boas"

Mas, voltando à Helena, ela foi até o fim e respondeu as 50 questões (inclusive, ela que traduziu) (muito vitoriosa, gente) e eu finalmente li o questionário todo. A minha opinião sobre ele não mudou, continuou não causando muitos baques em mim. Tipo:

Se a vida é tão curta, por que fazemos tanta coisa que não gostamos e não fazemos tanta coisa das quais gostamos? Fale por você, meu amigo. Eu ando me divertindo PRA CARAMBA, ainda mais depois de ter criado A Lista. Juro pra vocês que estou tentando pensar em uma coisa que eu realmente não gosto e sou obrigado a fazer, mas nada me vem à mente.

Você está almoçando com três pessoas que respeita e admira. Todos eles começam a criticar uma amiga íntima sua, sem saber que ela é sua amiga. A crítica é de mau gosto e injustificada. O que você faz? Eu defendo até meus reality shows favoritos, não vou defender gente?

Você tem sido o tipo de amigo que você desejaria ter como amigo? Sim. Inclusive, me orgulho disso.

¯\_(ツ)_/¯

Não que minha vida seja perfeita e eu seja um ser iluminado, mas essas perguntas não são muito fortes para me derrubar, eu acho. Talvez se as tivesse conhecido uns 5 anos atrás...

Eu gostei particularmente dessa: Quando foi a ultima vez que você andou na escuridão apenas com o brilho fraco de uma ideia que você acreditava firmemente? Aqui. Porque eu total sou esse tipo de pessoa que, quando acredita numa coisa, não consegue viver como se não acreditasse.

Pra não dizer que nenhuma das perguntas me balançou, eu ficaria bem desgraçado da cabeça se alguém me propusesse esta pra valer: Você aceitaria reduzir sua expectativa de vida em 10 anos para se tornar extremamente atraente ou famoso?

Eu gargalhei com a resposta da Helena. A fama não é algo que me atraia, e quem por Deus faria isso??? Porque eu faria, Helena. De cara, eu pensei que COM CERTEZA toparia. Quando se é famoso, sempre há uma multidão olhando para você e qualquer coisa legal que você faça, qualquer projeto especial, terá público. Eu não queria ser famoso por ter escrito 1 livro ou por 1 música, por meu trabalho, nada disso. Eu gostaria de ser famoso só por ser eu mesmo. Ter, tipo, milhões de pessoas que gostassem de mim, do que eu falo, das coisas que eu faço. Eu total daria 10 anos meus para ter isso.

Mas depois eu fiquei pensando: Imagina se eu já ia mesmo viver realmente pouco e daí morro AMANHÃ? Essa possibilidade ia me matar por dentro até eu desistir de escolher e deixar para outra pessoa mais esperta e menos medrosa. Fuén.

***

Fica aí o mistério se as Cinquenta Questões Que Libertarão A Sua Mente realmente libertam a sua mente. Eu perguntei pra Helena como ela ficou e, aparentemente, continua a mesma. Mas vocês acreditam em signos e em sarcasmo, eu acredito em Adão, Eva e final feliz em Grey's Anatomy, então talvez um de nós fique muito curioso e tente chegar até o fim. Tem em inglês aqui e traduzido pela Helena aqui. Façam bom proveito :)

Posted on quinta-feira, maio 12, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 09, 2016

"A Patrulha da Fraude são as forças imaginárias e aterrorizantes dos adultos "reais" que você acredita - em algum nível subconsciente - que virão bater à sua porta no meio da noite para dizer: Estamos de olho e temos provas de que você não tem A MENOR IDEIA DO QUE ESTÁ FAZENDO. Você é acusado do crime de dar um jeitinho, culpado de só inventar merda, e na verdade você nem merece seu emprego, vamos levar tudo embora e CONTAR PARA TODO MUNDO" 
(A Arte de Pedir, pág 46, 47)

Gente, eu sou muito culpado. A Patrulha da Fraude nem ia ter muito trabalho em juntar provas contra minha pessoa, porque eu dou tudo de bandeja mesmo. Eles iam ver as discussões infantis que ainda tenho com a minha mãe, iam vasculhar meu celular todinho e achar os episódios de My Mad Fat Diary e Skins nele. Iam achar as meias coloridas que eu gosto de usar na minha gaveta e descobrir como eu ajo dramaticamente quando fico doente. Eles COM CERTEZA iam tirar meu emprego de mim, porque, gente, quem emprega pessoas que escrevem blogs pessoais? Eu posto coração na internet, onde que um adulto com um diploma em seu nome faz isso? Eu ia estar no meio de uma reunião com meu chefe, e a Patrulha da Fraude chegaria gritando SABIA QUE ELE GOSTA DE LIVROS PARA ADOLESCENTES? SABIA QUE ELE GOSTA DE TODDYNHO?


Numa conversa com a Anna Vitória, eu disse que gosto quando as pessoas conseguem ver quem eu realmente sou, whole-hearted total (como Brené Brown diz), e ela me respondeu: "Felipe, só agora me ocorreu que eu não tenho a MENOR IDEIA do que você faz da vida, que tipo de whole-hearted cê tá pensando que é? #misterioso #felipemente" Hahahahahah Eu sou de Exatas, gente. Analista desenvolvedor. Eu faço sites,  desenvolvo serviços online, conserto erros em sistemas, essas coisas todas. Tudo a ver com escrever livros e ser compositor, não é mesmo? Risos. Eu sou a pessoa de Exatas mais de Humanas que conheço. Imaginem como a Patrulha da Fraude fica atiçada.

Teve uma vez em que eu estava procurando emprego e tinha encontrado uma vaga numa empresa que me parecia maravilhosa. Me inscrevi, torci e finalmente aconteceu de me chamarem para uma entrevista. E, nossa, foi uma entrevista mesmo. Me perguntaram de tudo, e eu só ali sentindo a ~falsidade~. Vocês já sentiram isso? Principalmente em entrevista de emprego, eu sinto demais aquela sensação de que você está tentando se passar por alguém que você definitivamente não é. A gente soa mais organizado, mais apaixonado pelo que faz, usa palavras como "pró-ativo" e "perfeccionismo" e diz frases do naipe de "trabalho em equipe é essencial". Nem é exatamente contar uma mentira, sabe? É mais como omitir todos os seus defeitos e varrer a poeira pra baixo do tapete. Ah, qual é, vocês sabem.

Daí que o cara me perguntou o que eu gostava de fazer no meu tempo livre.

- Bom, eu... gosto de ficar na internet.
- Mas fazendo o quê exatamente?

Gente. VENDO PORNOGRAFIA, CARAMBA. Quis responder só pra causar um choque. Naquele momento, a Patrulha da Fraude estava na porta da sala só esperando eu falar algo como "Pesquisando novas tecnologias" ou "Me atualizando sobre o mercado da Informática" ou "Lendo notícias do mundo digital", mas cansei, sabe.

- Ah, eu gosto de ler e escrever. Blogs, sites, redes sociais em geral, e-mails... Eu amo e-mails.
- Humn... Mas blogs e sites de quê? Tecnologia?

Risos.

- Não, pessoais mesmo. Ou de entretenimento.
- Ah... Mas, assim, Felipe, ontem por exemplo (tinha sido feriado), o que você fez?
- Ontem? Eu...

Confesso que fiquei uns segundos pensando em como responder, e ele se adiantou.

- Porque você sabe, né? Nós geeks gostamos de programar, de trabalhar. Ontem eu fiquei em casa codificando.


Eu quase gargalhei. De alguma forma, a entrevista desviou do foco e eu nem tive que dar essa resposta, mas sabem o que eu tinha feito no dia anterior? Isso mesmo, IDO PARA A PRAIA COM OS AMIGOS. Gente, pelo amor de Deus, né? Era feriado. FERIADO!!! Meu amigo, o que você estava fazendo trabalhando? Não existe um Nós Geeks, só vocês mesmo, me deixa fora disso.

***

De vez em quando, eu tomo esses choques de realidade, principalmente quando estou na Firma atuando com outros adultos. As roupas, as conversas, os assuntos, a seriedade dos e-mails profissionais, o objetivo de gerar um bom produto que vai impactar diretamente na vida de outras pessoas... Aquele baile de máscaras todo. A gente é tão A GENTE ao mesmo tempo que tem várias responsabilidades. Diz Amanda Palmer que todo mundo ali está dando um jeitinho também. Diz ela que essa "síndrome do impostor" é um sentimento universal. Acontece até com policiais. E com a Amelia operando aquele tumor gigante da Herman em Grey's Anatomy neurocirurgiões. E com o seu chefe. E com o presidente dos EUA. Gente, imagina a Patrulha da Fraude intensa que não deve estar apitando no ouvido do presidente dos EUA. Pode ferrar nossa cabeça às vezes, mas eu tento não deixar isso acontecer. Primeiro porque eu ando gostando muito de quem eu sou e me RECUSO a sentir vergonha a ponto de negar minha personalidade e meus gostos. Segundo porque, bom, se a síndrome pega todo mundo, mas todo mundo MESMO, estamos no mesmo barco. O mundo seria um lugar melhor se todos reconhecessem isso e parassem de "Noooossa, fulana é advogada e faz isso?" ou "Não acredito que ele, sendo um PROFESSOR, gosta daquilo". Somos só pessoas, gente. Ninguém aqui é robô não (perdão pelos robôs que acompanham o blog). Não somos o nosso trabalho. A gente tenta dar o nosso melhor, mesmo sendo do jeito que somos, e isso é o suficiente. Tem que ser.

Confesso que não consegui aquele emprego da entrevista. Mas também confesso que já dispensei outros que me queriam porque eu teria que ser outra pessoa pra lidar com eles. Mas deve haver um equilíbrio entre ser você mesmo e conseguir pagar as suas contas, eu acredito. O mais importante é não deixar a Patrulha da Fraude te derrubar. Eles vão te apontar sempre, mas, ah, manda ir cagar no mato, todo mundo tem que sair da cama pra ganhar a vida e há coisas mais importantes para se preocupar do que descobrirem seu grande segredo: você é uma pessoa.

***

Só se você quiser, tem 2 coisas que você pode fazer por mim caso tenha lido e gostado desse texto. A primeira é ler esta lista maravilhosa do Buzzfeed com 17 dicas úteis para lidar com a síndrome do impostor (sério, vocês merecem ter esta lista na vida de vocês). A segunda é compartilhar este post nas suas redes sociais para espalhar a palavra da sábia Amanda Palmer que outras pessoas se toquem de que a Patrulha da Fraude é uma bostinha e cheguem aqui no blog para, quem sabe, bater papo comigo. Agradeço demais :)

Posted on segunda-feira, maio 09, 2016 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, maio 06, 2016

Não sei quando aconteceu, mas em algum momento da minha vida o meu senso de obrigação deu defeito, eu tentei consertar, mas nunca mais foi o mesmo. Só funciona quando quer, e isso raramente coincide com quando ele deveria funcionar. Sou partidário de dizer um NÃO bem grande quando você definitivamente não quer fazer uma coisa que acham que você deve. Vai ver é a mesma lógica do meu senso de obrigação, risos.

Acontece que existe uma coisa chamada família tradicional brasileira e, bom, família a gente cuida, família é de casa, família é sempre pela família. Uma pessoa parida pelas mesmas vias que você é automaticamente seu melhor amigo. Aquela outra gerada por uma série de coitos passeando pela sua árvore genealógica merece, no mínimo, algum apoio seu, afinal, ela é da família também. Ah, se um papel diz que aquela pessoa é da sua família agora, então é mesmo. É assim que a coisa toda funciona e está aí desde bem antes das pessoas chamarem sexo de coito. Podem pesquisar.

Agora vem alguém aqui me obrigar a aceitar isso. Sempre uma dificuldade, porque é assim que eu vejo as pessoas da minha família:



Como eu vejo as pessoas do meu círculo de amizade:


Como eu vejo as pessoas que trabalham comigo:



Como eu vejo as pessoas que me fazem fingir que não vi pra não ter que parar e conversar na rua:


Como eu vejo as pessoas:



Acho que deu para entender o espírito da coisa, mas vamos repetir só mais uma vez porque essa imagem é muito fascinante (Se alguém souber que empresa é essa, favor enviar meu currículo pra lá, porque essa gente é muito feliz).



Ah, mas então você trata todo mundo igual? Sim e não. Sim, eu tento tratar todo mundo como gente (e gente extraordinária!), porque isso todo mundo merece mesmo, mas, não, nem todo mundo vai ser meu melhor amigo, receber meu apoio ou merecer algo de mim. Isso vai depender de uma série de outras coisas, como amor, minha vontade e minha gratidão, mas obrigação não entra nessa lista.

Se existe mesmo um rótulo de família, o meu é quem manda amor gratuito pra mim. É quem me abraça quando eu preciso, é quem me ouve e compreende quando estou todo atrapalhado das ideias. É quem me ajuda apoiando alguma ideia maluca minha e faz de tudo pra facilitar meu caminho na vida, mesmo quando eu não peço. É quem me presenteia quando eu nem esperava receber nada e diz as coisas certas nas horas certas, seja para me encorajar ou para falar que eu talvez esteja equivocado. Essa é a minha família.

Imagine o drama quando um parente de sangue não se encaixa nessa definição particular.

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Não precisa imaginar, eu vou contar aqui.

Tenho um relacionamento aceitável com a família da minha mãe, até conheço e falo com bastante gente. Mas com a família do meu pai... Gente, nem com o meu pai eu tenho muito contato. Eles não frequentam os mesmos lugares que eu, eles não aparecem nas minhas redes sociais, eu não sei de nada que temos em comum, eles não me visitam, e eu também nem saberia como lidar se um dia viessem me visitar. Não há telefonemas nem em datas comemorativas. Todo mundo sabe onde todo mundo mora, mas nada acontece, nem uma feijoadinha para unir as tribos. E, assim, TÁ TUDO OK. Veja bem, a gente não brigou nem nada. Eu não odeio ninguém de lá. Até GOSTO deles. Não me fazem mal, nunca me maltrataram, nadica. A gente simplesmente não existe muito na vida do outro. Mas são família. Sempre rolou uma pressãozinha da parte da minha mãe de "Hoje é aniversário do fulano!" ou "Liga pra sua vó!" e coisas assim que, na minha cabeça, não fazem muito sentido. Quer dizer, eu nem espero que eles me liguem no meu aniversário! E eles não ligam mesmo, corretíssimo. Não ter motivação para interagir com essa parte da família não é vingança da minha parte, juro pra vocês, é só que... É como se estivessem falando: "Hoje é aniversário daquela sua coleguinha da 4º série, lembra dela? Liga pra ela" ou "Alguém no Japão deve estar fazendo aniversário hoje, descubra quem é e dê os parabéns".

Acontece que minha vó sofreu um acidente e teve que ficar de cama, um tanto incapacitada. Foi um baque pra família toda, essa vó é um amor de pessoa, sempre cuidou das próprias coisas, sustentou a própria casa e, agora, ficou com 0 condições de sequer levantar pra beber um copo d'água.

Realmente preocupado, mas meio hesitante, fui visitar, ofereci a ajuda que eu podia oferecer, me mostrei disponível. Eu via um futuro de neto e avó se aproximando no meio dessa crise. Ela cuidou de mim quando eu era criança. O laço foi embora depois que cresci, por conta da vida mesmo, mas agora eu estava ali por ela e ia dar tudo certo.

Faz uns 10 meses que não vejo minha vó. RYSOS. Tenho esparsas notícias e esqueci de continuar ajudando. Juro, gente, ESQUECI. 10 meses. Isso porque antes do acidente a gente estava ONZE MESES sem ver e falar um com o outro. Sabe aquelas amizades que simplesmente desaparecem do nada? A vida acontece, ninguém brigou, não houve um momento de ruptura, mas vai cada um para um lado e tá tudo ok? Foi assim. Sempre foi assim. Não sei se estou sendo claro. Eu gosto dela. Eu gosto muito. Sei que ela gosta de mim também, mas tanto eu quanto ela somos... reservados, digamos assim.

(Até comentei com algumas pessoas na comunidade hippie (<3) sobre esse dilema da Vó Acamada Vs você não ser obrigado e parece que todo mundo tem um probleminha ou outro similar a esse)

Com um pouco de vergonha, receio da hostilidade dos parentes e o poder básico da inércia, eu estava pensando em deixar pra lá. É muito difícil pra mim chegar lá e:

"Oi, gente! Oi, vó! Desculpa, não sei se contaram pra vocês, mas eu estava em coma durante esses 10 meses. Que coisa, né?"

"Oi, vó! Nossa, 10 meses. Eu estava na África ajudando crianças carentes numa missão global, nem sabia que ia voltar. O lugar é tão isolado, recebi 0 notícias. A senhora já está andando?"

Não sei com que cara se reverte uma situação dessas, apesar de saber, SIM, que comigo só rola honestidade. Eu inclusive ando numa busca minuciosa por Jesus (explico em breve) e dia desses estava lendo uma parábola que ele contou:

"Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim."
(Mateus 25:34-45)


ESTIVE ENFERMO E NÃO ME VISITASTES!!!

Gente. Este homem me bagunça todinho e não é pouco não. Percebam que eu tenho toda uma filosofia de vida, super funcional, daí ele vem, lança a bomba e inverte a coisa toda. Talvez vocês estejam pensando, Ah, manda esse cara ir cagar no mato, ele não manda em você!!! Não vou mentir, o primeiro impulso é esse mesmo. O segundo é OLHA AQUI, MEU QUERIDO, O SENHOR ME RESPEITE, mas, lá no fundo, eu sei que ele está certo e que o caminho dele é o melhor. APESAR DE. E nem é por medo do >>>FOGO ETERNO<<<, deste mal não padeço, mas rola toda uma confiança na pessoa que nunca me decepcionou, então eu sei que tenho que, pelo menos, tentar. Mas como exatamente você faz pra visitar uma pessoa enferma com a qual você não tem um relacionamento decente e meio que dez meses de dívida este Senhor não conta. É bem do jeitinho segura na mão de Deus e vai mesmo. Seja bem vindo à realidade do mundo crente :DDD

Jesus é minha avó esse tempo todo, quem diria, se outra pessoa me contasse eu nem ia acreditar

Então, gente, fica aqui registrado que darei um jeito de visitar casualmente esta mulher o quanto antes. PORQUE EU QUERO. E não me deixarei enganar novamente, só me darei por satisfeito quando fizermos tatuagens idênticas criar um laço real com essa pessoa que já gosto. Nem que eu tenha que ligar pra ela todos os dias, mandar carta, ~chamar no zap~, SEI LÁ.

Vó, me aguarde.

(Tô aceitando todas as dicas possíveis de como se comportar durante uma visita, que assuntos puxar com a sua avó há muito abandonada e como fugir se a coisa toda desandar)

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UPDATE: Visitei!

Posted on sexta-feira, maio 06, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, maio 02, 2016

Tem uma fase em Grey's Anatomy em que a Meredith está super apagada, apenas existindo, vendo as pessoas ao redor dela conquistarem coisas e ela ficando pra trás. Até o marido dela recebe uma proposta de trabalho maravilhosa para trabalhar fora daquele hospital amaldiçoado por Deus, e a Meredith cogita largar a carreira dela para acompanhá-lo, recomeçar a vida em outro lugar e tal. 

Acontece que a Cristina, bff da Meredith, diz a ela: "Don't let what he wants eclipse what you need. He's very dreamy, but he's not the sun. You are" ("Não deixe que o que ele quer ofusque o que você precisa. Ele é muito ~sonhador~, mas ele não é o sol. Você é") (favor ignorar o que foi traduzido livre e porcamente). E daí em diante a Meredith vira o jogo e começa a se dar algum valor na história toda. Ok que ela exagera um pouquinho, mas funciona.


A sinusite me deixou de um jeito péssimo, gente. Foram só dois dias com os sintomas mais comuns, fiquei acamado mesmo, mas depois passou e eu, do nada, piorei. Quer dizer, eu estava ok, mas um cansaço absurdo tomou conta de mim. Não sei se vocês sabem como é dormir e acordar cansado, e eu espero que não saibam, porque eu não sabia e preferia ter continuado sem saber. Zero vontade de sair da cama, de viver o dia. Zero vontade de existir na internet e interagir com pessoas offline. Eu fiquei muito triste com a situação e vocês sabem que eu desapareço na tristeza. Eu até fiquei "Gente, será que é depressão? Porque parece com depressão". Olhei na bula do remédio que eu estava tomando e dizia assim: "Este remédio não foi testado o suficiente. Qualquer sintoma incomum favor entrar em contato com os fabricantes" Hahahahahah Juro. E entre os efeitos colaterais já descobertos do remédio estava DEPRESSÃO. Aí que eu morri por dentro mesmo, eu sempre acho que estou de fato morrendo.

Estava falando com a Cíntia que eu estava bem triste por estar feito um zumbi o dia todo, que aquilo não era eu. "Eu preciso ser THE SUN novamente, mas estou triste por... estar triste". Porque, gente, se vocês me conhecem de algum lugar, sabem que eu não posso ser classificado exatamente como uma pessoa depressiva. Aí Cíntia me disse "Bom, você não é o sol de qualquer forma".

Continuei remoendo para mim mesmo minhas lamúrias, mas só pensando nisso de não ser o sol. Eu não sou o sol... Eu não sou o sol... Mas aí os astros se alinharam e eu vi um vídeo da Jout Jout, cujo título nunca diz nada mesmo ("Puberdade, postura e uma cubana"). No vídeo, ela fala sobre como, na infância, era um pecado mortal a pessoa se achar. "Está se achando" era a pior coisa que poderiam falar de você. Daí tudo se encaixou aqui do meu lado.


Cíntia, me desculpa, mas eu tenho que me explicar: EU SOU O SOL, SIM. E, nossa, não é pouco sol não, eu sou MUITO sol. É sol de segunda a segunda, de manhã, de tarde e de noite. Aqui trabalhamos com 24h por dia e 365 dias por ano sendo o sol, sem esquecer do diazinho extra quando o ano é bissexto. THE SUN. Eu nem sei ser de outro jeito.

Eu tenho muitos defeitos, mas ser o sol é reconhecer as minhas qualidades. É me achar o tempo todo, mesmo que as outras pessoas estejam perdidas. É olhar no espelho e dizer "Tá gatão hoje, parabéns". É ter a plena certeza de que sou legal, engraçado, boa companhia e a melhor pessoa que posso ser no momento. É me ter em alta conta e ser o protagonista da minha própria história etc. A minha história não acontece sem mim, da mesma forma que o Sistema Solar fica cagadíssimo sem o sol.

Não é necessário pisar em outras pessoas para gostar de si mesmo. Diminuir os outros não altera em nada o meu tamanho. Não tem nada a ver com eles, como eles me enxergam, o que pensam de mim. Ser o sol é dar a valor a si mesmo, é gostar da própria companhia, é ser gentil consigo mesmo e comemorar nossas pequenas conquistas. Nós precisamos de luz, gente, e o sol tem luz própria. Nós somos o holofote e a pessoa no palco. Quando você mira em si mesmo, você gosta do que vê? Porque eu gosto. E, se eu não estou gostando, se eu não me sinto eu mesmo, então tem algo errado.

Mesmo quando você cede o protagonismo da sua vida (temporariamente ou não, há casos válidos) para outra pessoa, faça isso porque quer e não porque você TEM QUE.



Sério, gente, seja mais sol. Chega de viver apagado, como um zumbi, como se fosse lixo. Só dá ruim quando você transforma amor próprio em egoísmo, mas saiba: VOCÊ NÃO É UM LIXO. Você é capaz, você tem qualidades, existem pessoas que amam você, você é bom em várias coisas, você é o protagonista da sua vida. Você é o sol.

Posted on segunda-feira, maio 02, 2016 by Felipe Fagundes

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