Vamos começar com um exemplo para facilitar: Na primeira vez que a gente se encontrou pessoalmente, eu, Cíntia, Annie e Rute fomos passear na orla do Rio. Um dia maravilhoso do qual eu me lembro apenas 37% por motivos de memória péssima, mas que teve momentos inesquecíveis. A gente topou com um daqueles painéis pra tirar foto, sabe? Aqueles em que as pessoas colocam a cara no corpo do desenho que estiver lá. Era um painel da novela global Flor do Caribe, uma que tinha Grazi Massafera de protagonista. Daí eu e as meninas ficamos meio VAMOS, mas me bateu uma vergonha daquele trem... que eu recusei.

Mas eu sabia que ia ser legal. Só que micão. Daria uma foto divertidíssima, porém, ai, todo mundo olhando.

- Vai, Felipe! Você e Rute!
- Quero não :-/
- Tem certeza?
- Tenho

Vida que segue, mas que ia ser legal ia. Tipo, apesar do micão. Daria a melhor foto, embora todo mundo fosse ficar olhando mesmo. Mas ia ser tão legal... A gente deu uns vinte passos, e eu:

- VAMOS TIRAR AQUELA FOTO.
- Mas gente
- VAMOS

Tivemos que voltar lá, mas tiramos a foto e eu estava certo. Ficou surreal de tão boa.

***

Acontece também quando minha mãe parece que quer me engordar para me servir num banquete depois, uma coisa meio bruxa de João e Maria.

- Oi, filho, vai jantar?
- Não estou com fome, obrigado.
- Tem certeza?
- Tenho
- Mas a comida está tão gostosinha
- Eu realmente não quero
- Vou botar
- Mãe. Se eu quiser, eu vou lá e ponho pra mim
- Mas você não quer
- Não quero mesmo
- Você quer comer, sim
- Mãe! Para! Gente, se eu estou falando que eu não quero!
- AH, VAI CAGAR ENTÃO
- ME OUVE, PLMDDS
- NÃO VOU BOTAR COMIDA PRA NINGUÉM MAIS
- EU NEM QUERO COMER!!!

Passa 5 minutos e eu estou lá jantando cheio de fome.

***

Eu odeio decidir, mas, DEPOIS QUE EU DECIDO... nada acontece, fica tudo na mesma, porque é como se eu não tivesse decidido coisa nenhuma e fico mudando de opção até o último segundo possível. Às vezes, eu até prefiro aquelas decisões irreversíveis que, se for pra derrubar, que caia logo de uma vez. Eu mudo muito de ideia. Mas muito mesmo, de um jeito que vai te irritar se você depende da minha decisão.

Quando eu vou comprar roupa e fico entre duas peças, até eu passar meu cartão pra pagar, já rolou muita troca de escolha. Às vezes, eu chego no caixa, desisto e pego a outra. Às vezes, eu desisto de todas e não levo nenhuma, porque eu nem precisava delas mesmo. Eu digo NÃO para os rolês com os amigos e depois fico morrendo em casa porque deveria com certeza ter dito SIM. Eu sou aquela pessoa que de cara recusa e depois liga perguntando "Ainda tem vaga? rsrsr". O tanto de coisa que eu jurava que ia ficar de fora e acabei topando de última hora...

Eu gargalhei quando me achei na Bíblia um dia desses: Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas, depois, mudou de ideia e foi (Mateus 21:28,29). AMIGO, TAMO JUNTO.

***

Irritante ou não, eu adoro mudar de ideia E você que é chato? Gente, é o verdadeiro poder, sabe? Ainda mais quando seu tomador de decisões interior não é lá muito confiável. Parece que eu sempre escolho errado de começo. É tipo aquele caso das três portas que suas chances de acertar realmente aumentam se você decide trocar de opção (sério). Poder mudar de opinião, de escolha, de opção, é uma das coisas que me faz mais humano. Ainda mais que eu sei que há pessoas que tem problemas com isso. Gente que fica agarrada nas próprias escolhas só porque lá em 1868 decidiu alguma coisa.

(Eu exagero um pouco, MAS ME DEIXEM)
(fonte)

Teve um livro que eu nem consegui chegar no final, abandonei, mas que sei que marcou, porque até hoje lembro de umas coisas dele. Lembro que, no Como manipular pessoas (um guia para pessoas de bem!), dizem que as pessoas de fato tendem a manter suas posições, mesmo quando podem mudar e a decisão não está dando muito resultado. Daí elas ficam lá colhendo as agruras. Eu sou totalmente oposto a isso largo até as decisões boas, risos (mentira). Eu sou mais do tipo que se esforça para estar num lugar, mas, quando chega, acha chato e vai embora 5 minutos depois. Se eu escolho ficar, penso "Eu deveria ter ido embora mais cedo...". Ou "Talvez desse pra ficar lá um pouco mais..." quando desisto. E, às vezes, eu fico indo e vindo hahahah

Mas eu posso, não posso? Talvez eu tenha que dar uma maneirada no quesito metamorfose ambulante pra evitar umas gasturas, mas tão boa a sensação de ser livre.