Não sei se foi dia desses ou há 84 anos, mas o Allan fez uma lista com coisas que ele gosta, não sente vergonha delas, mas as pessoas (sempre as pessoas, essas lindas) acham que ele deveria sentir (aqui). Que eu não tenho certeza se é exatamente o conceito de guilty pleasure. Porque, no guilty pleasure, quem sente vergonha é você por conta própria, tipo eu insistindo em assistir Gossip Girl até o final. A gente, de alguma forma, tá apaixonado pela bagaceira e não tem solução.

Mas enfim.

Eu estava pensado o que colocar na minha lista e até me surpreendi em como os itens foram aparecendo rápido. Notei o óbvio: minha vida é um eterno SINTA VERGONHA DISSO, FELIPE. Mas eu tomo jeito? Não tomo.


Por exemplo, eu adoro realities. Muita gente assiste reality show, verdade, mas vai falar isso numa conversa com os seus colegas de trabalho nerds que assistem coisas de super heróis e são fãs daquela série horrorosa que tinha o Charlie Sheen? Ah, mas realities são super interessantes, Felipe, tipo aqueles documentários do Discovery. Quem está falando disso, gente? Eu estou falando é de não ficar satisfeito assistindo as Kardashians à toa em casa o dia todo e ter que assistir as funcionárias da Kardashians trabalhando na loja em outro reality show. Ou aquela moça gorda que dança. Ou 20 pessoas tentando encontrar seus pares ideais, mas dando uns pegas sem nenhum critério. Ou gente que precisa de ajuda pra aprender a comer e arrumar a própria casa. Sem contar o famigerado BBB! O tanto de conversa de desprezo pelo BBB que eu já tive que transformar em apreciação...

- Ai, mas tem que ser muito otário pra ficar vendo BBB
- Ih, eu adoro (gente, eu mal vejo, mas não aguento)
- Mas
- Nossa, o jogo, as estratégias, as conversas. Vocês viram que esse ano teve um plot twist do paredão fake que blá blá blá
- Eita, aí sim vale a pena

Hahahahahahah

Mas eu sempre tenho que lembrar de que não tem nada de errado em gostar de ver esse tipo de coisa, ninguém tem nada com isso. Ok, não é muito cult, pode não ser muito edificante para a alma, mas entretenimento não está aí pra isso mesmo.

E as leituras? Eu ando numa vibe de ler uns livros crentes e estou só vendo o povo da igreja curtindo minhas leituras no Facebook, mas já estou pensando em como lidar com a comoção de quando PRAZERES MALDITOS aparecer na timeline deles. E, gente, que título péssimo, preciso reconhecer. Também bate uma vergonha quando todo mundo está falando de, sei lá, Stephen King ou esses livros de games e eu chego MAS, NOSSA, VOCÊS JÁ LERAM BECKY BLOOM? Eu amo Becky Bloom demais. Ok, a capa é rosa, cheia de brilho e outros nhén-nhén-nhén, mas não se larga uma amiga por causa da aparência dela. Que pessoa horrível eu seria se o fizesse? Também leio muito YA, romance, alguns com capas vergonhosas mesmo, do naipe que eu deixo em cima da mesa no trabalho, mas sempre com um papel ou alguma outra coisa casual e estrategicamente posicionada pra ninguém ter o panorama completo. Mas defendo até a morte se alguém vier fazer graça.

Acontece muito com série também. Os colegas de trabalho adoram um tiro, porrada, bomba, morte, sangue e zumbis, e tá eu comentando Desperate Housewives. Eles ficam todos MAS GENTE quando conversamos sobre Breaking Bad e eu acho tudo uma modorrência tirando os plots da Skyler e da Marie, que total não eram o foco da série, não é mesmo? Porém eu gosto. Draminhas de família, romance, histórias de amizade, cenas fofas, piadinhas inteligentes e besteirinhas. São coisas boas, mas talvez não muito apreciadas por pessoas que se identificam com o gênero masculino, principalmente se essas pessoas trabalham comigo. A culpa é minha? Não é. Sei que não devo sentir vergonha, não é como se eu curtisse, sei lá, aquele apresentador e comediante gentil só que não ou Cláudia Milk (tô brincando, mas não muito).

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Era para ser uma lista simples, mas saiu textão ¯\_(ツ)_/¯ Mas me contem aí como seria a lista de vocês. Vamos compartilhar nossa falta de vergonha na cara e no coração.