Claro que um post só não seria suficiente para toda paranoia e desgraçamento mental que enxergar a verdade causa na gente. A verdade absoluta e incontestável sendo, obviamente, que a gente não sabe de nada. Eu tento não invalidar a opinião das pessoas, mas, se você acha que sabe de tudo, meu amigo, nem sei quem você é, mas já discordo e digo que não é possível. Ah, mas eu já saquei qual é a da vida. Acredite em mim, sempre há espaço para algo que você jamais pensou existir, ser possível e sequer ouviu falar.

O mundo é feito de pessoas, e as pessoas são IMPREVISÍVEIS. Daquele jeitinho que gera medo e fascinação na gente.

Eu nem estou falando (apenas) de teorias da conspiração, sabe? Mas de estilos de vida que não são esse de acordar cedo, ir para o trabalho/escola/faculdade, voltar para casa e dormir. Nem esses de gente milionária ou artistas sem rumo como a Amanda Palmer, que podem ser distantes da nossa realidade, mas sabemos que eles existem.

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Por exemplo, no Alma Sobrevivente (que eu já li faz um tempo e talvez não lembre dos detalhes exatamente como eles são), tem uma parte em que o autor conta sobre um cara que foi pra Índia estudar as castas. Inclusive, gente, que lugar. Ele ficou anos observando a sociedade de lá e aprendendo sobre o significado, os costumes e as divisões do povo. A gente meio que já ouviu falar da casta dos Intocáveis Obrigado, Caminho das Índias, que é literalmente a casta dos que não podem ser tocados. O pessoal dessa casta pega aqueles trabalhos que ninguém quer e vivem excluídos do resto da sociedade. Quem toca neles é considerado impuro. Os próprios intocáveis acreditam nisso.


Mas, beleza, né, tá o carinha lá documentando as castas. Até que um dia, depois de ANOS de observação, eles descobre que existe uma casta abaixo dos Intocáveis: Os Invisíveis (E o nome explica por que ele demorou tanto pra descobri-la). Gente. Invisíveis! Eles são os responsáveis por limpar a latrina dos Intocáveis e, pelo que eu entendi, se consideram tão indignos que não podem nem ser vistos pelos outros. Eles vivem trancados dentro de casa quase que 100% do tempo. Imaginem a vida dessas pessoas. Imagina você nascendo numa família de Invisíveis. Imagina que neste exato momento há crianças e adolescentes invisíveis sendo treinados para o futuro trabalho deles, limpar latrinas para sempre e jamais ver a luz do sol.

Não sei o que dizer, apenas sentir (AGONIAAAAA).

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Com o pé ainda na Índia, vocês já leram sobre Gandhi? Também li sobre ele no Alma Sobrevivente (Esse livro é maravilhoso, gente). Todo mundo entende Gandhi como sinônimo de pacificador e isso é ok, mas, nossa, esse senhor teve uma vida bem doida. Eu poderia falar eternamente das ferramentas que ele descobriu e usou para quebrar o ódio, mas e estas histórias de que ele dormia com mulheres nuas para provar sua castidade? Tipo, ele não se envolvia sexualmente com elas, apenas dormia literalmente com as meninas para provar sua resistência. 

- Você trabalha com o quê, querida?
- Durmo pelada com o Gandhi

¯\_(ツ)_/¯

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A minha história favorita talvez seja uma que eu li no Razões para Acreditar e, na época, compartilhei em tudo quanto foi canto: "Freiras se passam por prostitutas para resgatar vítimas do tráfico dos bordéis" (aqui).


Gente!!! Freiras! Que lutam! Contra o crime! A matéria é uma maravilha e, lendo, eu não consegui até hoje tirar essas irmãs da cabeça. Elas tiveram a iniciativa de atacar um problema mundial, elas arriscam a vida todos os dias para salvar pessoas muitas das vezes incapazes de escapar do tráfico humano por conta própria, elas são incríveis! Se isso não é uma expressão de amor na prática, não sei mais o que pode ser. São mulheres que deixaram a vida comum se tornando freiras, mas que foram além e se transformaram praticamente em super-heroínas.

Quer dizer, gente, imagina como é triste a vida de uma menina traficada como prostituta. Neste exato momento, 1% da população mundial está sendo traficado! Está sendo mantido em cativeiro. A gente nem sabe! Daí imagina que chega sua vez de atender um, argh, cliente, aí a menina nova no bordel te chama num canto e "Vou te tirar daqui, sou uma freira disfarçada, vamos". Tinha que existir um filme contando a história desse grupo, no mínimo.

“Essas irmãs não confiam em ninguém. Elas não confiam nos governos, elas não confiam em corporações, e elas não confiam na polícia local. Em alguns casos, elas não podem confiar nem no clero masculino”

Super-heroínas da vida real!!!

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Enquanto isso, a gente fica observando a vida da galera no Facebook, assistindo coisinhas na Netflix e jurando que casamento, casa própria e estabilidade financeira são as prioridades de todo mundo. A gente não sabe de nada!