Acho que é muito a cara dessa nossa geração Y essa coisa de estar no comando, ter o controle total de nossa vida e um poder de decisão que vale ouro. A gente gosta de decidir nossos próprios caminhos, descobrir alternativas, fazer do nosso jeito. A gente gosta de empreender, inovar, se reinventar, quebrar os paradigmas. A gente gosta de personalizar e, por isso, eu tenho certeza que não existe "a gente". Ou eu sou uma daquelas pessoas meio cafoninhas que falam que nasceram na geração errada.


Eu não gosto de escolher. Eu prefiro deixar tudo a cargo dos outros na esperança de que eles estão fazendo o melhor por mim. Fico sem saber lidar quando eu posso personalizar as coisas e existem 75268734 opções. Isso de eu mesmo decidir meu futuro tiraria meu sono se existisse alguma coisa no mundo capaz disso. Eu pagaria para alguém escolher minhas roupas e o que vou comer no almoço.

Isso faz de mim o cidadão perfeito das distopias. Quer decidir minha profissão? Nossa, que prático! Quer decidir com que eu vou casar? Nem tenho como te agradecer. Eu ia ficar revoltado com a Shailene Woodley querendo bagunçar meu mundo com essa bobagem de Divergente. Tá fazendo um jogo comigo, garota? E sentiria uma paz interior inimaginável por ser obrigado a pôr meu nome no sorteio dos Jogos Vorazes. Só ia desandar quando me avisassem que eu poderia colocar meu nome mais vezes no sorteio em troca de comida se eu quisesse, porque isso implica em eu afetando meu destino.

Eu fico perdido quando entro no ônibus e há lugares vazios dos dois lados, porque, bom, eu quero fugir do sol, mas nunca sei qual é o lado em que ele vai bater. Eu me sentiria melhor se só tivesse 1 lugar vazio e eu fosse obrigado a sentar nele, mesmo que ele fosse o lugar do sol.

A tela do meu celular até hoje não tem papel de parede. Nos computadores que já tive, ou o fundo era preto ou eu deixei o que veio mesmo. Sofri pra escolher uma imagem de capa no Facebook. O Twitter ainda segue sem uma.

Eu gosto de ter algum poder de decisão, como o recheio que quero no meu Subway, mas haja paciência pra ditar molho, queijo, salada e adicionais. Eu ponho minhas camisas em fila e pego sempre a da frente na hora de vestir. Pra maioria das coisas, eu uso um sorteio, inclusive pra escolher os temas de posts da semana neste blog (esse post foi o número 32 da lista). Em viagens, eu dou graças a Deus se tem alguém pra decidir trajeto, hospedagem, onde comer etc. Eu devo dar um líder horroroso, mas um seguidor 10/10.

Acho que escolhas em geral fazem pouco sucesso comigo porque, talvez, seja um medo de tomar responsabilidades. Quer dizer, se eu não tenho opção ou outra pessoa escolhe, eu não tenho culpa caso dê ruim. Eu fiz o que pude ou confiei em alguém. Se eu puder fugir, eu fujo. Ainda mais em situações realmente decisivas quando eu não sei bem o que há por trás de cada opção. O medo de me arrepender e não poder voltar atrás é enorme. Eu tenho que aprender mais sobre ser adulto.

Verdade que, na vida, não dá para não decidir o tempo inteiro. Tem coisas que pulam na sua cara você querendo ou não. Aliás, acho um absurdo que todo mundo reclama de gente cuidando da vida alheia, mas, até o momento, ninguém veio realmente cuidar da minha. Vocês cagaram tudo, geração Y.

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PS: Pessoas! Na página do Facebook, além dos posts do blog (que são divulgados primeiro lá), eu posto pequenos causos e notícias good vibes, pra levantar a fé na humanidade e/ou pra deixar um sorriso no nosso rosto. No Twitter, bom, lá só tem eu falando groselha todos os dias mesmo, mas é minha rede social favorita. Vocês também sempre podem me mandar e-mail pelo formulário de contato do blog sobre QUALQUER COISA, mesmo sem nenhuma razão aparente. Minha caixa de entrada adora receber todo mundo.