Durante a minha vida toda, eu ouvi e ainda ouço que a Maria não está com nada. A moral da Maria está sempre lá no chão. A Maria não tem vontade própria, a Maria não se impõe, a Maria apenas segue o fluxo. Eu até acreditei, sabe? Quer dizer, gente, onde essa garota vai parar indo sempre na onda alheia? A Maria vai com as Outras e aí? Pra onde essas Outras estão indo? Ser Maria-vai-com-as-outras sempre foi uma ofensa. Ninguém quer ser essa Maria vazia de personalidade, a Maria Modinha. Isso tudo porque modinha, que aparentemente é pra onde as Outras vão, só pode ser ruim.

Ninguém quer ser Maria até você não apenas querer ser uma, mas também, de fato, ser.

Meu nome é Felipe Fagundes, sou Maria-vai-com-as-outras e, honestamente, não poderia ser diferente.

Quando as pessoas topam com uma modinha, a reação padrão é AFF, MODINHA, VAMOS FUGIR PARA AS MONTANHAS. Eu nunca vou entender. Porque, quando eu ouço falar numa nova moda, o que passa pela minha cabeça é Nossa, um monte de gente está gostando disso, o que será? Será que é bom? Será que é legal? Vai me deixar mais feliz?

E aí eu vou mesmo. Aquele filme que minha timeline inteira do Twitter está comentando? QUERO. Aquela série que surgiu do além, mas meus amigos todos estão vendo? QUERO. Aquela pessoa que todo mundo descobriu ser incrível e agora o nome dela vive pipocando em todo lugar? QUERO. Mas, nossa, Felipe, tão Maria-vai-com-as-outras! Sim, gente, as Outras podem me arrastar à vontade, porque as Outras são maravilhosas.

Eu amo as Outras. As Outras podem ser as que falam comigo todo dia pelo whatsapp, podem ser as que enchem a minha caixa de entrada com amor, as Outras podem ser os avatares simpáticos no Twitter, os que espalham good vibes no Facebook (são Outras raras, admito). As Outras escrevem blogs e criam canais no Youtube que só me dão alegria. As Outras, estejam perto ou longe de mim, me dão a oportunidade de participar de um trilhão de conversas gostosas. Se a Maria quer ir com elas, deixa a Maria ir! A Maria que é esperta, Maria é quem sabe ser feliz.

 Se joga nas outras, Maria!

O que Maria e eu temos em comum é que nós amamos gente e enxergamos que modinha é só um lugar onde tem MUITA gente. Não é maravilhoso ler uma resenha apaixonada de um filme que você também viu e poder compartilhar os sentimentos? Não é legal comentar no Twitter "Ai, gente, por que a Shonda É TÃO GÉLIDA E SÁDICA?" e todo mundo saber do que você está falando? Não é incrível ir num show e cantar com todo mundo como se o coração e a voz fossem de uma única pessoa? Eu e Maria aproveitamos tudo isso. Na verdade, Maria e eu não saberíamos viver de outra forma.

Se existe uma coisa que conecta as Outras, às vezes algumas delas, mas às vezes todas, a gente quer saber do que se trata. Nós ficamos curiosos, fascinados, nós ficamos doidos pra conhecer e sentar na rodinha também. Mas e quando a moda não te fisga, Felipe? Aí eu e Maria recolhemos nosso banquinho da roda e vida que segue, virão outras modas. Sortudo é quem curtiu, nós vemos assim. Vai chegar nossa vez. Nós temos opinião e vontade, sim, e ela geralmente é ir onde todo mundo está indo.

Ai, credo, Maria acaba sendo só mais uma na multidão. Eu e Maria gargalhamos agora, porque estar no meio da multidão, curtindo com outras pessoas, falando a mesma língua e compartilhando experiências numa onda de conexão é tudo o que a gente mais gosta.

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Se você é uma Maria e gostou desse texto, me ajuda compartilhando? Existem Outras que eu ainda não conheço e vai ver você é quem vai me levar até elas. Maria-vai-com-Maria também funciona.

(Nossa, Felipe, mas você fica pedindo? Fico! Aqui eu explico meus motivos e aqui eu conto por que vergonha de pedir não me pertence mais.)