Não sei ao certo quando exatamente meu amor pela minha caixa de entrada surgiu, mas, hoje, não sei viver sem. Uma pergunta sincera que eu gostaria de fazer em entrevistas de emprego é "Mas eu posso acessar meu e-mail pessoal ou a internet é bloqueada e vocês hostilizam pessoas que só querem ser felizes?". Porque trocar e-mails é tudo de bom. Seja daqueles curtinhos, seja um gif que chega, seja aqueles testamentos de quinze parágrafos. Na minha opinião, e-mail é uma pessoa na sua segunda melhor forma, até superando às vezes o cara a cara.


No Facebook,  rolam aqueles textões, imagens, piadas, vídeos, mas tudo muito indireto. Não estão exatamente falando com você. Você tem que decidir onde e como quer interagir. E é público, pode vir um fulano do além que você nunca viu na vida e se meter na conversa. O Twitter é um primor, mas, além de também ser público, não há espaço para abusar das palavras. Existe aquele imediatismo apavorante no Whatsapp, em que todo mundo sabe que você leu a mensagem e, já que você leu, você tem que responder NAQUELA HORA e, se você não responder, é porque certamente não dá a mínima importância pra outra pessoa. Blogs e newsletters, principalmente essa última, se aproximam bastante da magia de uma caixa de entrada feliz, mas ainda assim possuem suas limitações.

E-mail, não. Trocar e-mail é tudo na onda de O LIMITE NÃO EXISTE. É privado, é pessoal, é direto. Você pode escrever o quanto quiser, pode separar em parágrafos, pode escrever em tópicos. Você pode consultar com calma o que a outra pessoa disse, você pode resgatar mensagens. Você pode reler como uma longa carta sempre que quiser.

Desde antes da comunidade hippie, eu troco e-mail com umas dez pessoas regularmente. Tem os e-mails diários, os ocasionais, os que chegam de madrugada quando eu já não estou mais acordado pra ver e os das pessoas que parecem morrer e ressuscitar só pra me responder. Tem aqueles que nem resposta eu esperava mais e, VRÁ, me surpreendem. Tem os que aparecem pra dizer que sentem saudades, tem os depoimentos cheios de amor gratuito que vira e mexe chegam pelo blog. Existem os com temas específicos como Séries de TV ou Igreja e aqueles que são uma salada, os meus favoritos, que tratam de testes duvidosos do Buzzfeed, vida em Marte e, nossa, como meu chefe está chato hoje.

Ué, mas não tem urgência em responder? Minha caixa de entrada, minhas regras. Eu sempre explico uma coisa que ouvi da Amanda Palmer, que eu enxergo meus e-mails pessoais como aquelas cartas que o cara que naufragou numa ilha coloca nas garrafas e lança no mar. Às vezes, elas voltam. Não dá pra saber quando ou como, nem se elas realmente vão voltar, mas a sua parte de mandar você fez. Às vezes elas demoram tanto que é uma grata surpresa quando elas realmente voltam. Já recebi respostas MESES depois e foi maravilhoso. Tem uma pessoa que entra em contato comigo de ano em ano (!!!). Já demorei 2 semanas pra responder um e-mail que considerei particularmente difícil. Meu lema é Aguarde e Confie, mas juro que levo a sério.

(Teve uma vez que eu tive que trabalhar junto com uma pessoa, ao meu ver, muito doida das ideias. A gente precisava que ela fizesse coisas, tínhamos prazos, e ela sempre vinha com "Aguarde e confie". 

- MAS, PESSOA, A GENTE PRECISA DISSO PRA AMANHÃ, VC NÃO TÁ NEM NA METADE.
- Aguarde e confie ;-)

Ficava todo mundo louco da cabeça, porque, nesse caso, não dava para aguardar e confiar. A pessoa simplesmente não cumpria o que prometia. Todas as cobranças e discussões terminavam no Aguarde e Confie, até porque a gente não tinha outra opção. Era frustrante, mas eu, como bom apreciador das pessoas, achava hilário. Peguei a frase pra mim)

Eu nunca cobro. Se a pessoa não me respondeu, ou foi porque não deu ainda ou ela não sabe como fazer ou ela simplesmente não quis. E tá tudo bem. Às vezes, ela esqueceu de responder, mas eu continuo a conversa normalmente e ela acaba se lembrando sozinha. Gosto de deixar as pessoas o mais à vontade possível, sem pressão, sem cobrança, meio que torcendo pra que elas me tratem assim também.

Eu peço conselho, dou conselho, conto causos, conto segredos, falo aquelas coisas que a gente tem medo de falar publicamente e ser hostilizado, troco dicas, aprendo pra caramba e, aos poucos, vou expandindo esse lugar que é praticamente uma casa pra mim.

É meio old school, eu sei, mas eu gosto, fazer o quê?