segunda-feira, março 28, 2016

Não sei ao certo quando exatamente meu amor pela minha caixa de entrada surgiu, mas, hoje, não sei viver sem. Uma pergunta sincera que eu gostaria de fazer em entrevistas de emprego é "Mas eu posso acessar meu e-mail pessoal ou a internet é bloqueada e vocês hostilizam pessoas que só querem ser felizes?". Porque trocar e-mails é tudo de bom. Seja daqueles curtinhos, seja um gif que chega, seja aqueles testamentos de quinze parágrafos. Na minha opinião, e-mail é uma pessoa na sua segunda melhor forma, até superando às vezes o cara a cara.


No Facebook,  rolam aqueles textões, imagens, piadas, vídeos, mas tudo muito indireto. Não estão exatamente falando com você. Você tem que decidir onde e como quer interagir. E é público, pode vir um fulano do além que você nunca viu na vida e se meter na conversa. O Twitter é um primor, mas, além de também ser público, não há espaço para abusar das palavras. Existe aquele imediatismo apavorante no Whatsapp, em que todo mundo sabe que você leu a mensagem e, já que você leu, você tem que responder NAQUELA HORA e, se você não responder, é porque certamente não dá a mínima importância pra outra pessoa. Blogs e newsletters, principalmente essa última, se aproximam bastante da magia de uma caixa de entrada feliz, mas ainda assim possuem suas limitações.

E-mail, não. Trocar e-mail é tudo na onda de O LIMITE NÃO EXISTE. É privado, é pessoal, é direto. Você pode escrever o quanto quiser, pode separar em parágrafos, pode escrever em tópicos. Você pode consultar com calma o que a outra pessoa disse, você pode resgatar mensagens. Você pode reler como uma longa carta sempre que quiser.

Desde antes da comunidade hippie, eu troco e-mail com umas dez pessoas regularmente. Tem os e-mails diários, os ocasionais, os que chegam de madrugada quando eu já não estou mais acordado pra ver e os das pessoas que parecem morrer e ressuscitar só pra me responder. Tem aqueles que nem resposta eu esperava mais e, VRÁ, me surpreendem. Tem os que aparecem pra dizer que sentem saudades, tem os depoimentos cheios de amor gratuito que vira e mexe chegam pelo blog. Existem os com temas específicos como Séries de TV ou Igreja e aqueles que são uma salada, os meus favoritos, que tratam de testes duvidosos do Buzzfeed, vida em Marte e, nossa, como meu chefe está chato hoje.

Ué, mas não tem urgência em responder? Minha caixa de entrada, minhas regras. Eu sempre explico uma coisa que ouvi da Amanda Palmer, que eu enxergo meus e-mails pessoais como aquelas cartas que o cara que naufragou numa ilha coloca nas garrafas e lança no mar. Às vezes, elas voltam. Não dá pra saber quando ou como, nem se elas realmente vão voltar, mas a sua parte de mandar você fez. Às vezes elas demoram tanto que é uma grata surpresa quando elas realmente voltam. Já recebi respostas MESES depois e foi maravilhoso. Tem uma pessoa que entra em contato comigo de ano em ano (!!!). Já demorei 2 semanas pra responder um e-mail que considerei particularmente difícil. Meu lema é Aguarde e Confie, mas juro que levo a sério.

(Teve uma vez que eu tive que trabalhar junto com uma pessoa, ao meu ver, muito doida das ideias. A gente precisava que ela fizesse coisas, tínhamos prazos, e ela sempre vinha com "Aguarde e confie". 

- MAS, PESSOA, A GENTE PRECISA DISSO PRA AMANHÃ, VC NÃO TÁ NEM NA METADE.
- Aguarde e confie ;-)

Ficava todo mundo louco da cabeça, porque, nesse caso, não dava para aguardar e confiar. A pessoa simplesmente não cumpria o que prometia. Todas as cobranças e discussões terminavam no Aguarde e Confie, até porque a gente não tinha outra opção. Era frustrante, mas eu, como bom apreciador das pessoas, achava hilário. Peguei a frase pra mim)

Eu nunca cobro. Se a pessoa não me respondeu, ou foi porque não deu ainda ou ela não sabe como fazer ou ela simplesmente não quis. E tá tudo bem. Às vezes, ela esqueceu de responder, mas eu continuo a conversa normalmente e ela acaba se lembrando sozinha. Gosto de deixar as pessoas o mais à vontade possível, sem pressão, sem cobrança, meio que torcendo pra que elas me tratem assim também.

Eu peço conselho, dou conselho, conto causos, conto segredos, falo aquelas coisas que a gente tem medo de falar publicamente e ser hostilizado, troco dicas, aprendo pra caramba e, aos poucos, vou expandindo esse lugar que é praticamente uma casa pra mim.

É meio old school, eu sei, mas eu gosto, fazer o quê?

Posted on segunda-feira, março 28, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, março 24, 2016

É uma verdade universalmente conhecida que, 100% das vezes em que eu comento sobre A Lista, a pessoa que me ouve fica animada e me pede para levá-la junto. Juro, gente, 100% mesmo. Empiricamente comprovado.

Se você caiu aqui de paraquedas ou estava em coma nos últimos meses e não teve tempo de ler este blog, A Lista é basicamente uma lista o lugar onde eu coloquei um monte de coisas que eu sempre quis fazer, nunca fiz e que dificilmente vão acontecer se eu não correr atrás. Legal, né? Eu estava achando a minha vida muito parada, os dias estavam todos iguais e, chegando no fim do mês, eu não lembrava de nenhum momento em especial. A Lista me salvou disso (e vocês podem ter uma ideia do que aconteceu acompanhando a tag experiências).


Mas eu tinha uma ideia errada quando idealizei A Lista. Eu jurava que, enquanto eu estava vivendo a minha vida comum, todas as outras pessoas estavam planando por suas vidas badaladíssimas, cheias de pessoas maravilhosas, eventos incríveis todos os dias da semana, viagens inesquecíveis e fotos bonitas no Instagram. A Lista revelou que, gente, a impressão não podia ser mais falsa. Eu achando que eu é que não era convidado para nenhuma festa (Hahahahah), mas: NÃO HÁ FESTAS. Ok, claro que há na vida de todo mundo um ponto alto aqui e outro ali, bem espaçados, mas, na maior parte do tempo, pessoas estão apenas vagando, tentando ganhar dinheiro para gastá-lo em coisas que as façam precisar de mais. É viver pra sobreviver.

Por conta disso, eu tomei um susto com o efeito colateral dA Lista: Eu fiquei popular. Eu não tinha noção de que tinha tanta gente na minha vida. Dia desses eu marquei um passeio pra DEZ PESSOAS e fiquei chocado que 1) eu era amigo de dez pessoas e 2) queria ter convidado mais pessoas, mas, gente, ia virar excursão. A lógica total explica: As pessoas estão todas aí à toa querendo viver coisas. Se você abre a boca pra dizer Ei! Por que a gente não faz tal coisa?, elas respondem VAMOS! Todo mundo quer, mas ninguém chama ninguém.

¯\_(ツ)_/¯

Agora as pessoas ficam Felipe, quando vai ser a próxima coisa maluca que você vai fazer? ou Em qual cilada você vai meter a gente agora? Acontecem inclusive situações desgraçadoras da minha cabeça porque eu preciso decidir quem eu vou chamar para tal coisa e raramente dá pra chamar todo mundo que quer ir. Tem os meus vizinhos, meus amigos da escola, da faculdade, do trabalho, as pessoas da internet, os atletas de banco ,os nerds asiáticos , os asiáticos descolados, os atletas titulares , as gatas negras antipáticas, o pessoal da igreja, a minha família... Por mim, eu levava todo mundo, mas, tipo, não dá pra chamar 346 pessoas para subir num touro mecânico ou pra aprender a fazer panetone caseiro. Eu abriria uma fábrica de panetones com 346 pessoas. Estou tendo até que fazer um rodízio de pessoas porque, se organizar direitinho, todo mundo sai feliz.

Mas, Felipe, fazer coisas te deixa feliz? Preciso confessar que realizar os itens dA Lista é o que menos me importa. Risos. O que eu realmente adoro é passar tempo com pessoas que, antes da Lista, eu mal conhecia de verdade. Eu gosto de gerar lembranças, conversas, momentos, de dar oportunidade pra conexão que acontece quando você vai patinar no gelo e cai de bunda na frente do outro ou quando, juntos, passam por uma experiência de quase morte num tobogã (Eu também gosto de ter 23783726 histórias pra contar. Atualmente, sou a pessoa mais interessante que eu conheço).

Eu recomendo a todos e adoro ter A Lista. Eu vivo acrescentando coisas (também é muito legal tirar um tempo para pesquisar novas experiências), porque a ideia não é mesmo zerar A Lista, mas tê-la sempre por perto para quando você estiver naquelas semanas em que NADA ACONTECE, nem feijoada. Ai, minha vida está tão parada... mas por que não *faz um sorteio* CONVIDAR OS AMIGOS PARA ACAMPAR? Funciona bem assim, juro pra vocês.

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Se você também tem uma Lista ou quer ter uma e está precisando de ideias, podemos trocar figurinhas se quiser! Você pode me mandar um e-mail, vou adorar conversar. Caso você não tenha meu e-mail, pode usar o formulário do blog, que eu respondo assim que eu tiver condições.

Vamos viver tudo que há pra viver e tal :)

Posted on quinta-feira, março 24, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, março 21, 2016

Durante a minha vida toda, eu ouvi e ainda ouço que a Maria não está com nada. A moral da Maria está sempre lá no chão. A Maria não tem vontade própria, a Maria não se impõe, a Maria apenas segue o fluxo. Eu até acreditei, sabe? Quer dizer, gente, onde essa garota vai parar indo sempre na onda alheia? A Maria vai com as Outras e aí? Pra onde essas Outras estão indo? Ser Maria-vai-com-as-outras sempre foi uma ofensa. Ninguém quer ser essa Maria vazia de personalidade, a Maria Modinha. Isso tudo porque modinha, que aparentemente é pra onde as Outras vão, só pode ser ruim.

Ninguém quer ser Maria até você não apenas querer ser uma, mas também, de fato, ser.

Meu nome é Felipe Fagundes, sou Maria-vai-com-as-outras e, honestamente, não poderia ser diferente.

Quando as pessoas topam com uma modinha, a reação padrão é AFF, MODINHA, VAMOS FUGIR PARA AS MONTANHAS. Eu nunca vou entender. Porque, quando eu ouço falar numa nova moda, o que passa pela minha cabeça é Nossa, um monte de gente está gostando disso, o que será? Será que é bom? Será que é legal? Vai me deixar mais feliz?

E aí eu vou mesmo. Aquele filme que minha timeline inteira do Twitter está comentando? QUERO. Aquela série que surgiu do além, mas meus amigos todos estão vendo? QUERO. Aquela pessoa que todo mundo descobriu ser incrível e agora o nome dela vive pipocando em todo lugar? QUERO. Mas, nossa, Felipe, tão Maria-vai-com-as-outras! Sim, gente, as Outras podem me arrastar à vontade, porque as Outras são maravilhosas.

Eu amo as Outras. As Outras podem ser as que falam comigo todo dia pelo whatsapp, podem ser as que enchem a minha caixa de entrada com amor, as Outras podem ser os avatares simpáticos no Twitter, os que espalham good vibes no Facebook (são Outras raras, admito). As Outras escrevem blogs e criam canais no Youtube que só me dão alegria. As Outras, estejam perto ou longe de mim, me dão a oportunidade de participar de um trilhão de conversas gostosas. Se a Maria quer ir com elas, deixa a Maria ir! A Maria que é esperta, Maria é quem sabe ser feliz.

 Se joga nas outras, Maria!

O que Maria e eu temos em comum é que nós amamos gente e enxergamos que modinha é só um lugar onde tem MUITA gente. Não é maravilhoso ler uma resenha apaixonada de um filme que você também viu e poder compartilhar os sentimentos? Não é legal comentar no Twitter "Ai, gente, por que a Shonda É TÃO GÉLIDA E SÁDICA?" e todo mundo saber do que você está falando? Não é incrível ir num show e cantar com todo mundo como se o coração e a voz fossem de uma única pessoa? Eu e Maria aproveitamos tudo isso. Na verdade, Maria e eu não saberíamos viver de outra forma.

Se existe uma coisa que conecta as Outras, às vezes algumas delas, mas às vezes todas, a gente quer saber do que se trata. Nós ficamos curiosos, fascinados, nós ficamos doidos pra conhecer e sentar na rodinha também. Mas e quando a moda não te fisga, Felipe? Aí eu e Maria recolhemos nosso banquinho da roda e vida que segue, virão outras modas. Sortudo é quem curtiu, nós vemos assim. Vai chegar nossa vez. Nós temos opinião e vontade, sim, e ela geralmente é ir onde todo mundo está indo.

Ai, credo, Maria acaba sendo só mais uma na multidão. Eu e Maria gargalhamos agora, porque estar no meio da multidão, curtindo com outras pessoas, falando a mesma língua e compartilhando experiências numa onda de conexão é tudo o que a gente mais gosta.

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Se você é uma Maria e gostou desse texto, me ajuda compartilhando? Existem Outras que eu ainda não conheço e vai ver você é quem vai me levar até elas. Maria-vai-com-Maria também funciona.

(Nossa, Felipe, mas você fica pedindo? Fico! Aqui eu explico meus motivos e aqui eu conto por que vergonha de pedir não me pertence mais.)

Posted on segunda-feira, março 21, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, março 17, 2016

Acho que é muito a cara dessa nossa geração Y essa coisa de estar no comando, ter o controle total de nossa vida e um poder de decisão que vale ouro. A gente gosta de decidir nossos próprios caminhos, descobrir alternativas, fazer do nosso jeito. A gente gosta de empreender, inovar, se reinventar, quebrar os paradigmas. A gente gosta de personalizar e, por isso, eu tenho certeza que não existe "a gente". Ou eu sou uma daquelas pessoas meio cafoninhas que falam que nasceram na geração errada.


Eu não gosto de escolher. Eu prefiro deixar tudo a cargo dos outros na esperança de que eles estão fazendo o melhor por mim. Fico sem saber lidar quando eu posso personalizar as coisas e existem 75268734 opções. Isso de eu mesmo decidir meu futuro tiraria meu sono se existisse alguma coisa no mundo capaz disso. Eu pagaria para alguém escolher minhas roupas e o que vou comer no almoço.

Isso faz de mim o cidadão perfeito das distopias. Quer decidir minha profissão? Nossa, que prático! Quer decidir com que eu vou casar? Nem tenho como te agradecer. Eu ia ficar revoltado com a Shailene Woodley querendo bagunçar meu mundo com essa bobagem de Divergente. Tá fazendo um jogo comigo, garota? E sentiria uma paz interior inimaginável por ser obrigado a pôr meu nome no sorteio dos Jogos Vorazes. Só ia desandar quando me avisassem que eu poderia colocar meu nome mais vezes no sorteio em troca de comida se eu quisesse, porque isso implica em eu afetando meu destino.

Eu fico perdido quando entro no ônibus e há lugares vazios dos dois lados, porque, bom, eu quero fugir do sol, mas nunca sei qual é o lado em que ele vai bater. Eu me sentiria melhor se só tivesse 1 lugar vazio e eu fosse obrigado a sentar nele, mesmo que ele fosse o lugar do sol.

A tela do meu celular até hoje não tem papel de parede. Nos computadores que já tive, ou o fundo era preto ou eu deixei o que veio mesmo. Sofri pra escolher uma imagem de capa no Facebook. O Twitter ainda segue sem uma.

Eu gosto de ter algum poder de decisão, como o recheio que quero no meu Subway, mas haja paciência pra ditar molho, queijo, salada e adicionais. Eu ponho minhas camisas em fila e pego sempre a da frente na hora de vestir. Pra maioria das coisas, eu uso um sorteio, inclusive pra escolher os temas de posts da semana neste blog (esse post foi o número 32 da lista). Em viagens, eu dou graças a Deus se tem alguém pra decidir trajeto, hospedagem, onde comer etc. Eu devo dar um líder horroroso, mas um seguidor 10/10.

Acho que escolhas em geral fazem pouco sucesso comigo porque, talvez, seja um medo de tomar responsabilidades. Quer dizer, se eu não tenho opção ou outra pessoa escolhe, eu não tenho culpa caso dê ruim. Eu fiz o que pude ou confiei em alguém. Se eu puder fugir, eu fujo. Ainda mais em situações realmente decisivas quando eu não sei bem o que há por trás de cada opção. O medo de me arrepender e não poder voltar atrás é enorme. Eu tenho que aprender mais sobre ser adulto.

Verdade que, na vida, não dá para não decidir o tempo inteiro. Tem coisas que pulam na sua cara você querendo ou não. Aliás, acho um absurdo que todo mundo reclama de gente cuidando da vida alheia, mas, até o momento, ninguém veio realmente cuidar da minha. Vocês cagaram tudo, geração Y.

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PS: Pessoas! Na página do Facebook, além dos posts do blog (que são divulgados primeiro lá), eu posto pequenos causos e notícias good vibes, pra levantar a fé na humanidade e/ou pra deixar um sorriso no nosso rosto. No Twitter, bom, lá só tem eu falando groselha todos os dias mesmo, mas é minha rede social favorita. Vocês também sempre podem me mandar e-mail pelo formulário de contato do blog sobre QUALQUER COISA, mesmo sem nenhuma razão aparente. Minha caixa de entrada adora receber todo mundo.

Posted on quinta-feira, março 17, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, março 14, 2016

Quando eu decidi que já não dava mais para continuar frequentando uma igreja, eu senti que estava tomando uma decisão completamente inédita. Como assim você quer continuar sendo cristão, mas sem pisar numa igreja? Eu não tinha nenhuma referência. Eu não conhecia nenhuma pessoa nessa posição. Eu li e ouvi muitos críticos apontando que a igreja não era mesmo um mundo cor-de-rosa, porém, eles persistiam firmes nela. Foi assustador pra mim notar que, no meu caso, não havia essa opção. Eu me senti como o primeiro ser humano diferentão a desistir.

E, no começo, foi horroroso mesmo, porque todas as pessoas que eu conhecia que haviam abandonado a igreja tinham caído numa pobreza espiritual. Sem contar as que largavam completamente a fé e diziam que Jesus era uma invenção para manipular os mais fracos. Eu não queria ser um desses. Eu não era um desses. Fiquei meses sem saber como lidar, muito confuso. É o diabo agindo? É eu sendo dramático como sempre? Será que a igreja nem é tão ruim assim e eu estou de mimimi? Sera que eu sou um crente fraco e daqui a algumas semanas estarei me drogando e, sei lá, me prostituindo? Juro que pensei tudo isso.

Não tinha um caminho traçado pra mim, entende? Não tinha um "Ah, você saiu da igreja? Não tem problema! Siga Jesus por aqui". Não tinha, gente. O que tinha era essa ideia de que Deus e igreja-templo são a mesma coisa, você não pode ter um sem o outro. Sair da igreja foi tipo abandonar Jesus.

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Eu fico besta em como as coisas acontecem da forma que precisam acontecer. Se não fosse por essa situação toda, acho que o livro do Philip Yancey não teria brilhado TANTO pra mim. Quer dizer, foi mais que brilhar. O livro praticamente deu dois tapas na minha cara e gritou VAI ME LER OU NÃO? Gente, juro, eu por acaso estava olhando aquelas atualizações do Skoob e vi que a Aline estava lendo esse tal de Soul Survivor. Me pareceu só mais um livro crente no mundo, crente adora esse trem de exaltação e vitória, mas o subtítulo me tirou o ar: How my faith survived de church ("Como minha fé sobreviveu à igreja").

HOW MY FAITH SURVIVED THE CHURCH!!!
HOW MY FAITH!
SURVIVED!
THE CHURCH!
THE CHURCH!!!
THE FREAKING CHURCH!!!!!!!

Eu fiquei todo MEU DEUS DO CÉU, O QUE É ISSO NA TELA DO MEU COMPUTADOR? Foi daquelas situações em que a gente fala duas vezes antes de pensar, sabe? Porque eu falei pra todo mundo EU QUERO ESSE LIVRO. Nunca tinha ouvido falar, não conhecia o autor, era um livro em inglês que sabe Deus como eu ia fazer pra conseguir, mas eu sabia que precisava dele. Não demorou muito para as pessoas maravilhosas da minha vida (Rute <3) não apenas me contarem que o livro já havia sido lançado em português como também me mandarem um link com ele em PDF. Deus sabe como eu tenho agonia de livro pirata, mas, no mesmo instante que vi aquele link, cliquei e li os primeiros parágrafos. Não, eu devorei. Eu mergulhei neles. Eu chorei abraçado com eles. Eu casei com aquelas linhas e mudei meu nome pra Felipe Primeiros Parágrafos de Soul Survivor Fagundes. Gente, ELE SABIA. O PHILIP YANCEY SABIA. Tá aqui as primeiras linhas do meu histórico do Skoob, depois de eu ter comprado o livro (ninguém merece PDF, gente), que não me deixam mentir:

"PHILIP YANCEY, DEIXA EU SER SEU BFF, ME ADOTA, POR FAVOR, NUNCA TE PEDI NADA. Nossa, já na apresentação eu fiquei MUITO maravilhado com o quão certeiro o livro foi. No primeiro capítulo, eu já quis marcar umas 345387 frases. Que identificação! ELE SABE COMO É. Tipo, ele REALMENTE sabe"

Porque ele foi a primeira pessoa EM TODA MINHA VIDA ATÉ AQUELE MOMENTO que havia declarado sentir a mesma coisa que eu estava sentindo. Eu não estava sozinho! "Sou cristão, apesar da igreja", foi como o subtítulo ficou em português. APESAR DA IGREJA. Eu li o primeiro capítulo num misto de alegria e vontade de chorar, era como se falasse diretamente comigo. Eu ficava É EXATAMENTE ISSO! SIM! ASSIM MESMO! Alguém finalmente me entendia. Eu não estava maluco ou, sei lá, movido por Satã. E, agora, alguém ia me contar como uma fé faz pra sobreviver à igreja.

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Novidade nenhuma que achei o livro um amor pra vida toda. A abordagem do Philip Yancey foi não se colocar no pedestal da Verdade Absoluta e nem ditar fórmulas e regras para o sucesso. Ele apenas caminha com o leitor, do ladinho mesmo. No Alma Sobrevivente (título que ficou no Brasil), o autor conta em cada capítulo a história de uma pessoa que mudou a visão dele com relação ao evangelho, independentemente de igreja. Alguns dos nomes que encabeçam os capítulos nem cristãos são. Temos Martin Luther King, Gandhi, Tolstoi e Dostoiévski, para citar os nomes mais famosos, mas também temos pessoas das quais eu nunca tinha ouvido falar, personalidades contemporâneas e de séculos atrás, pessoas que o autor conheceu em vida e outras que ele apenas teve acesso aos seus escritos. Além de interessantes pra caramba (eternamente chocado com o que Martin Luther King viveu e pra sempre fascinado com o poder de Gandhi), cada capítulo trata de uma lição MARAVILHOSA, uma lição que a igreja aparentemente esqueceu. O que eu senti em cada página foi Essas pessoas sacaram do que realmente trata o evangelho de Jesus, tendo uma igreja ou não. Nossa, gente, foi aqui que eu aprendi sobre o poder destruidor e circular do ódio, sobre vulnerabilidade (a Amanda Palmer total poderia ter um capítulo nesse livro), sobre as bases do amor, cristãos na política, sobre graça, Deus na natureza, fazer o bem às pessoas, enfim, o livro me marcou de várias formas.

Verdade que no livro há altos e baixos, alguns capítulos são muito mais interessantes que outros. Também queria que houvesse mais mulheres (há apenas uma, mas, pelo menos, tratando de assuntos que não são exclusivamente femininos), apesar do leque de diversidade ser até bem interessante, com pessoas de várias nacionalidades, classe social e, quem diria, um homem gay entre os mentores do Philip Yancey. Tirando uma parte arrastada aqui e ali, foram 13 capítulos para aplaudir de pé.

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Mas, Felipe, ele te deu alguma resposta no final? Não apenas uma, não apenas a que eu queria, mas também umas que eu nem sabia que precisava, como tratar a igreja com mais compaixão, mesmo quando ela parece muito louca das ideias. Congregar numa igreja tem seu lado positivo e nós realmente precisamos de conexão com outras pessoas, mas existem tantas formas de alcançar isso! Viver Jesus é tão mais do que apenas ir todo domingo no mesmo lugar! No livro há exemplos de pessoas que abriram mão de suas vidas "normais" para se dedicar a ajudar os necessitados em outros países, a emprestar suas habilidades para uma causa nobre, a de fato agir de uma forma saudável, com amor e foco em Cristo. Outros continuaram em suas igrejas, mas agindo da mesma forma, dando vida às palavras que a igreja parece ter esquecido.

A experiência foi incrível pra mim. Todo dia que eu pegava o livro pra ler era uma alegria, um tapa na cara, uma voz dizendo TÁ TUDO BEM, CONTINUE A NADAR. Eu só tenho a agradecer pela existência desse livro que, por alguns dias, foi praticamente tudo que eu tive pra me segurar e não cair no abismo. Se você caiu nesse blog com o mesmo dilema que eu estava na época, como lidar com a igreja, eu recomendo esse livro DEMAIS.

Posted on segunda-feira, março 14, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, março 10, 2016

Gente! GENTE! Gente!

Estava eu num dia sem nada de extraordinário, vivendo minha vida comum de reles mortal quando ACONTECEU. Eu estava no trabalho quando a felicidade suprema pulou na minha cara, eu abri o maior sorriso do mundo e senti aquela necessidade urgente de dar um grito, uma cambalhota e contar para todo mundo (nessa ordem). Mas aí só tinha meus colegas de trabalho sérios e adultos perto de mim, que ainda não têm nem o background básico da história, então eu me calei e, pra não implodir, fui no banheiro e fiz uma happy dance silenciosa. Sério, eu REALMENTE fiz.

O que me aconteceu foi um e-mail mais ou menos assim:

"Oi, Felipe, gostamos muito de uma música sua e queremos gravá-la em nosso cd. Como fazemos para assinar um contrato?"

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!

Eu passei por várias fases pra aceitar essa notícia. Primeiro, eu fiquei "Gente, como assim? Do que vocês estão falando? Que música? QUE CONTRATO?", depois eu fui pra "Ai, meu deus, eu sou compositor! EU SOU COMPOSITOR!" e tomei um choque de realidade. "Essas pessoas que eu nunca vi na vida e não me conhecem ouviram uma música minha e gostaram a ponto de quererem colocar num cd E ME PAGAREM POR ISSO".

"QUAL É O PROBLEMA DESSA GENTE?"

Ok, ok, claro que eu montei meu portfólio acreditando no meu taco, eu adoro algumas das minhas próprias músicas, mas, gente, parece mágica quando realmente acontece. Pessoas gostaram da minha música! Vai acontecer um cd! Mais pessoas vão ouvir! Mais pessoas podem gostar! Minha música vai ser cantada em lugares que eu nem imagino! Vai tocar pessoas de forma que eu nem planejei! Meu bebê no mundo. MEU BEBÊ NO MUNDO.


 Gente!

GENTE!

 GEEEEEEEEEENTE!

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No dia de assinar o contrato (lindamente feito pela Annie), eu estava uma pilha de nervos. Íamos nos encontrar pessoalmente à tarde, tínhamos marcado com uma semana de antecedência, o que, pra mim, era tempo suficiente pra eles colocarem a mão na consciência e pensarem "A gente vai mesmo gravar uma música do Felipe?". Eu só pensava neles ligando mais cedo para cancelar, dizer que foi engano, sei lá, algo assim.

Eu até liguei para confirmar, o telefone tocou mil vezes e nada. Na terceira vez, atenderam.

- Oi, só estou ligando pra confirmar se vamos mesmo nos encontrar hoje.
- Ah, Felipe, desculpa [EU SABIAAAAA! DEIXA, EU NEM QUERIA MESMO], é que eu estava num jogo de futebol e não vi o celular tocando. Mas tá confirmado, sim! [Ah rsrsrsr]

Ainda tinha a possibilidade deles serem sequestradores e tudo não passar de um golpe para retirar minha pessoa deste mundo. Eu ainda tentei levar uns amigos junto comigo, mas estavam todos ocupados. Minha mãe estava trabalhando, eu sentindo a torcida dela de longe (e de perto, porque, Jesus, ela não parava de me ligar. Já chegou? Viu eles? Tá tudo bem?). Fui encarar a via crucis sozinho mesmo.

Quando eu cheguei lá, não apenas estava a cantora que ia gravar e o marido empresário como também: crianças! adolescentes! uma mãe/vó! A família inteira! (Eles achando que eu que era o sequestrador Hahahahah). 

Nossa, foi tão legal! Eles já sabiam cantar a minha música, a senhorinha estava cantando minha música! Conversamos sobre essa coisa toda de ser compositor, cantor, o mundo artístico e tal. Verdade seja dita, eu nunca me senti tão ARTISTA. Uma coisa que eu fiz pra mim e só pra mim, que fala comigo, tem as minhas escolhas de palavras, que nasceu, sei lá, no meu quarto, de um momento meu, chegando até outras pessoas. Arte é meio mágica, né? Eles me contaram que uma pessoa CHOROU quando ouviu a música. Eu quase chorei ali também. Não consigo colocar em palavras a sensação (Eu achei que conseguiria quando comecei esse post, mas percebam que já estou andando em círculos).

Enfim, ACONTECEU! TEMOS UM CONTRATO ASSINADO! Eu estou só começando, serão mil cds rodando com 1 música minha por aí e sabe Deus o que mais pode aparecer pela frente. EU TÔ MUITO FELIZ.

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Por questões de privacidade e confidencialidade Olha que profissional, eu preferi não dizer quem é a cantora e nem expor a música. Eles ainda estão em processo de escolha de repertório, é um projeto bem novo ainda. Vamos aguardar e confiar. Quando o cd for lançado, eu venho aqui mostrar a música para vocês!

Posted on quinta-feira, março 10, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, março 07, 2016

Depois de ter padecido sobrevivido ao Trilha Radical, eu entrei numa vibe de consumir mais coisas cristãs. Sabe, livros, revistas, canais no Youtube ou sei lá o quê os crentes produziram enquanto eu não estava olhando. Apesar de também ser cristão, essa sempre foi uma lacuna nos meus hábitos, até porque o pouco que vi achei cafona e proselitista demais. 

Além disso, eu consumo muita ficção diariamente, com livros e séries de TV, mas sinto falta do aspecto religioso. Vocês já notaram que os personagens da TV raramente são praticantes de alguma religião? Se são, é pra fazer graça ou para ser um antagonista fanático. Protagonista de livro YA geralmente é ateu ou agnóstico. Na ficção cristã, a religião já é presente demais, geralmente são livros sobre alguma temática crente. Então, é tipo 8 ou 80. Eu não quero ler mais livros sobre religião, eu só queria personagens que também incorporassem esse aspecto que é tão presente no dia a dia. E não necessariamente apenas da religião cristã, acho que falta representatividade para todas as outras crenças (cadê os personagens mórmons? E os budistas? E as religiões africanas?).

Daí que eu estava nessa procura de cultura crente e topei com uma revista na banca. Eu olhei pra ela, ela olhou pra mim (sério, este Jesus da capa te encara) e eu soube imediatamente que teria que levar pra casa.



Gente, ok que esse lance com a Maria Madalena já é fofoca antiga e batida, mas COMO ASSIM MELHOR AMIGO DE JUDAS? Nossa, eu amo Judas. Na minha opinião, é o personagem mais injustiçado da Bíblia inteira. Além de ter um desfecho misterioso e oficialmente triste, ELE MERECIA UM FINAL FELIZ. As pessoas malham Judas na rua até hoje, gente. Comprei a revista só por causa disso, me agarrando a qualquer chance de redenção pro discípulo traidor.

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Vocês sabem o que são apócrifos? Pra quem ainda está cursando Cultura Crente 101, eu explico: A Bíblia é formada por 66 livros (a dos católicos tem mais alguns), que são chamados de canônicos. Esses são os livros que a Igreja considera verdadeiros, digamos assim. PORÉM existem os livros apócrifos, que foram livros encontrados pelo mundo, que tratam do mesmo universo bíblico, mas, por razões diversas, foram rejeitados e são considerados falsos. Eu não faço ideia de como ter acesso aos apócrifos.

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Eu cresci ouvindo as histórias da Bíblia, conhecendo os personagens, me identificando com uns (Tomé <3), tendo agonia de outros (Pedro </3), descobrindo as nuances deles, suspeitando de algumas histórias, amando os grandes momentos e os sambas de Jesus nos evangelhos... Mas, tipo, são 66 livros. . Eu já tenho vinte e poucos anos. O que são 66 livros na vida de uma pessoa que lê uns 30 por ano? NADA. E alguns ainda são curtinhos, coisa de ler numa sentada só. E outros possuem histórias repetidas! Com isso, você pode imaginar que chega uma hora em que o crente leitor fica com a sensação de já ter lido tudo que tinha pra ler e não há mais nada novo sob o sol. É tipo aquela sua série de livros favoritos, só que depois que o autor morre. 

Quando eu vi que a revista tratava de apócrifos, foi tipo UM NOVO MUNDO SE ABRINDO! UM SOPRO DE VIDA! NOVAS HISTÓRIAS! FANFICS DE JESUS! JUDAS E JESUS NUM BROMANCE! Gente, cagando se é verdadeiro ou falso, não é esse o ponto, entende? É material novo! Como ler uma revista com fofocas de 2 mil anos.

A revista não me decepcionou nem por um segundo. A começar por esse anúncio:

Que fascinante!!!

Fiquei fascinado com o apócrifo que conta da infância de Jesus. Ele ainda não sabia controlar seus "poderes divinos" e acabava vez ou outra matando um amiguinho que fazia bullying (Hahahahah), e todo mundo ficava "OLHA O QUE SEU FILHO FEZ, JOSÉ!!!". Mas ele também explodia cobras e salvava o dia tirando veneno das pessoas (Oi?). Assim, gente, UM DEUS CRIANÇA. Imagina que desgraçamento de cabeça ser pai disso, você não sabe quem realmente manda em casa. Praticamente um filme maravilhoso da Disney. As pessoas ficam fazendo filme de Minion tendo esse roteiro incrível dando sopa por aí.

O apócrifo de Judas, então, um primor. O próprio Jesus teria pedido a Judas para denunciá-lo, porque isso era necessário para que as profecias se cumprissem e tal! TCHAN-TCHAN-TCHAN!!! Daí Judas, PELO AMIGO, se queimou todo na história e fez o que fez. Acho improvável (Jesus nem voltou pra desmentir, poxa), mas valeu a pena.

 Best friends forever <3

Tem ainda um monte de história maluca que, sinceramente, eu teria inventado melhor e quero ver quem ia dizer que não era canônico. Inclusive, eu deveria escrever minhas próprias fanfics. A gente não sabe praticamente nada da vida da maioria dos personagens, dá muito espaço para cenas extras, curiosidades, romances proibidos, intrigas, comédia. Mais representatividade também. Não tem um adolescente com falas, um gay... Nossa, TINHA que ter um gay interagindo com Jesus, vocês concordam? Mas não tem. Só escrevendo fanfic mesmo.

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MAS, FELIPE, COMO VOCÊ CONSEGUE ACHAR GRAÇA DISSO? Do quê eu não acho graça, gente? É A SUA FÉ! Mas minha fé está intacta. É entretenimento pra crente, a gente tem que saber aproveitar essas raras oportunidades.

Posted on segunda-feira, março 07, 2016 by Felipe Fagundes

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