Eu estava de boa olhando a timeline do Facebook quando isso pulou na minha cara:


Juro que a minha primeira reação foi "Ué???". Depois, eu fui ler os comentários nessa publicação (pra quê, né, gente?) e o que tinha era uma série de piadas (ruins), gargalhadas e confusão entre identidade de gênero e orientação sexual (se você também não entende, aqui).

Eu tentei DESVER, sabe? Porque agora eu estou assim, meio que num regime de tretas e polêmicas. Por mais que a treta chame, eu paro, penso, vejo se vale a pena o desgaste de energia e se posso, de fato, fazer alguma diferença positiva. A resposta geralmente é não. E, se for exclusivamente pra fazer barraco, eu nem me atrevo, porque isso só gera ódio. Eu estarei odiando quem postou, a pessoa vai me odiar, outros vão ler os comentários e vão passar a odiar também... Desde que identifiquei esse padrão, eu o vejo em todo lugar. Então, eu ia deixar pra lá.

PORÉM, eu tinha que admitir, EU JÁ ESTAVA SENTINDO ÓDIO Hahahahah Só de bater o olho no cometário da pessoa sobre um fato tão comum na vida de milhões de casais (engravidar), eu já queria socar. Principalmente, por dois motivos:

1) Gente, as pessoas trans já não sofrem O BASTANTE? Cara, imagina a barra que deve ser tentar se adequar a um gênero que as pessoas não enxergam em você? Demanda um amor próprio, uma coragem e uma força que não é brincadeira. Sem contar o preconceito, a exclusão e a pancada na saúde mental que deve ser ouvir pessoas hostilizando você o tempo todo. Pessoas trans são pessoas!

2) O cara que postou a notícia faz parte de uma igreja, num cargo até alto na hierarquia. E isso, gente, ME IRRITA DEMAIS. Eu não aguento mais ver a Igreja machucando e afastando as pessoas. Eu fico imaginando uma pessoa trans vendo essa publicação no Facebook. O que será que ela pensa? "Nossa, realmente, eu ser eu mesmo, quando não é hilário, é trágico, vou conhecer Jesus". NÃO. NÃO É ISSO. A pessoa vai se sentir tão ferida, ofendida e/ou indignada que não vai querer saber de igreja jamais nessa vida (nem julgo). Só que isso impacta quase diretamente no fato dela fechar a porta para a melhor pessoa, também conhecida como Jesus. Eu sei que talvez vocês não entendam a dimensão da coisa toda, mas é muito importante pra mim.

Então, estava eu lá com ódio no coração querendo fazer o imbecil deixar de ser tão imbecil, querendo ofendê-lo da mesma forma que ele fez, querendo fazê-lo sentir vergonha pelas ações impensadas dele. Era um barracão que estava chegando. Mas aí eu lembrei novamente de Jesus (eu digo que ele é a melhor pessoa, não tem como não ser): ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM.

ME DEIXA BARRAQUEAR, JESUS. Mas não deixou. Porque, droga, tá na cara que o fulano do Facebook definitivamente não sabe o que é uma pessoa trans. Nunca conversou com uma, nunca conviveu, quase aposto que uma pessoa trans nunca pisou na igreja dele. Ele não sabe nem que existe a possibilidade de alguém não ser cisgênero. O que eu acho que ele enxerga é um homem que deliberadamente inventou de ser mulher para participar de orgias presididas por Satã. Acho que posso dizer o mesmo das pessoas rindo nos comentários. Uma mãe que tem um filho ou filha trans jamais riria daquele jeito, porque sabe de todo o drama. Aquelas pessoas não sabem. Elas agem da forma que acham correta, da forma que foram ensinadas. Eu descer o sarrafo xingando todos eles não muda nada nessa história. Apesar da gente querer que sim, eles não são pessoas horríveis que merecem a morte. São só gente que tem muito o que conhecer e aprender na vida, como naquele caso do padre Fábio de Melo.

Eu não deixei de comentar (ainda estamos trabalhando nisso, risos), mas preferi jogar uma luz no assunto, sabe, tentando deixar evidente que pessoas trans são pessoas. Rolou uma discussão saudável e, no fim, acabamos concordando que a transexualidade possui pouco amparo, seja pelo governo, seja pela igreja. Não teve espaço pra ódio.

Acho que venci na vida e quero continuar vencendo.