sexta-feira, fevereiro 26, 2016

Não vou citar nomes por motivos que ficarão óbvios a seguir, mas vamos fingir que o sobrenome da história é "Lambertini". Não é um sobrenome comum, mas também não é como se fosse de outro mundo. Beleza. Daí que eu estava no Twitter e vi um tweet de Fulana Lambertini na minha timeline. Era um tweet meio curioso, então eu cliquei pra ver se tinha pessoas falando alguma coisa e tal. Eu sigo Fulana Lambertini há séculos no Twitter, ela não me segue de volta, mas tudo bem com isso. Aí vi que só uma pessoa tinha interagido com Fulana: Beltrana Lambertini.

Eu fiquei em choque quando vi o nome.

Não porque os sobrenomes eram iguais ou Beltrana tenha dito algo demais, mas porque eu CONHEÇO BELTRANA LAMBERTINI. Pessoalmente! Eu nunca tinha ligado Fulana a ela, apesar do sobrenome igual. Beltrana faz parte de uma fase muito engraçada da minha vida, mas atuou como figurante, sabe? Além do nome, eu não sabia muita coisa sobre ela. Beltrana era apenas mais uma pessoa. 

Gente, stalkeei tanto! Hahahahah

Na internet, descobri que Beltrana Lambertini usa CABELO AZUL (acho que era peruca), é feminista e, aparentemente, domina a arte do Krav Maga. Eu fiquei tão besta com as revelações! Tipo, BELTRANA! Parecia uma outra personalidade na internet. Fiquei fascinado.

Na Vida:


Na Internet:


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Li uma notícia no melhor site de todos os tempos, o Razões Para Acreditar, sobre um projeto na Itália que mantém um restaurante numa prisão aberta ao público, onde os detentos trabalham como cozinheiros (aqui). Eu achei a ideia tão legal! Mas, ainda assim, me imaginei frequentando esse restaurante e sentindo um pouco de medo. De quê, Felipe? Sei lá, de um deles me esfaquear, me fazer de refém pra fugir, de envenenar minha comida pra se vingar da sociedade que arrancou 10 anos da vida dele, coisas assim.

A Annie (que voltou a ter blog! <3) chegou toda "O CARA QUER MUDAR DE VIDA E RECEBE O SEU PRECONCEITO" pra cima de mim.

Eu sabia que era preconceito meu, até porque, gente, nem todo mundo que está na prisão é assassino. Isso é óbvio. E nem todo assassino é psicopata. Assassinato tem tantas circunstâncias que dificilmente você vai conseguir apontar o dedo pra alguém que já matou e acertar que ela é uma pessoa horrível que merece a morte sem saber nada sobre o fato.

Engraçado que, na mesma semana, eu comecei a ver Orange Is The New Black, série de TV que mostra o dia a dia numa prisão para mulheres (Tô amando), e, nossa, que universo. Uma pessoa mais linda que a outra, que deixa a gente com vontade de botar no colo e esconder do mundo. Eu total frequentaria um self-service organizado por elas.



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Tem uma parte no A Arte da Imperfeição, um dos livros da Brené Brown, em que ela comenta sobre pessoas que possuem múltiplas carreiras, como a consultora de negócios que também é cartunista (!), o cirurgião que atua no teatro (!!) e o gerente de investimentos que também é rapper (!!!). Eu trabalhei uns meses com um analista de sistemas que, só depois de ter saído do emprego, descobri que ele participa de um dos canais de comédia cristã mais famosos do Youtube (!!!!). Eu assisto os vídeos e gargalho só de ver que aquele cara na tela, fazendo várias piadas e imitações abobalhadas, é o mesmo cara sério que sentava perto de mim e resolvia os bugs do sistema.

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Eu vivo falando que amo pessoas. É que, não sei, é um fascínio tão grande! Uma pessoa é tão cheia de possibilidades. Gostos, roupas, músicas que gosta de ouvir, profissão, religião, família, sexualidade, hobbies, manias, história de vida... Eu nunca me canso de me surpreender. Não tenho como comprovar, mas acho que ninguém é só aquele cara chato que pega ônibus comigo. Eu mesmo sou todo psicodélico. Aposto que Beltrana Lambertini nem sonha que falo bobagem na internet, tenho um blog, escrevi um livro e componho músicas cristãs. Tem gente pelas quais não damos nada e, VRÁ, olha a peruca azul na nossa cara. Gente é uma coisa extraordinária. Em tempos de internet, nós descartamos tão rápido uma pessoa por uma frase ou foto postada, por um vídeo mal explicado ou por uma declaração divulgada....

É um desperdício de maravilhas.

Posted on sexta-feira, fevereiro 26, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, fevereiro 22, 2016

Eu estava de boa olhando a timeline do Facebook quando isso pulou na minha cara:


Juro que a minha primeira reação foi "Ué???". Depois, eu fui ler os comentários nessa publicação (pra quê, né, gente?) e o que tinha era uma série de piadas (ruins), gargalhadas e confusão entre identidade de gênero e orientação sexual (se você também não entende, aqui).

Eu tentei DESVER, sabe? Porque agora eu estou assim, meio que num regime de tretas e polêmicas. Por mais que a treta chame, eu paro, penso, vejo se vale a pena o desgaste de energia e se posso, de fato, fazer alguma diferença positiva. A resposta geralmente é não. E, se for exclusivamente pra fazer barraco, eu nem me atrevo, porque isso só gera ódio. Eu estarei odiando quem postou, a pessoa vai me odiar, outros vão ler os comentários e vão passar a odiar também... Desde que identifiquei esse padrão, eu o vejo em todo lugar. Então, eu ia deixar pra lá.

PORÉM, eu tinha que admitir, EU JÁ ESTAVA SENTINDO ÓDIO Hahahahah Só de bater o olho no cometário da pessoa sobre um fato tão comum na vida de milhões de casais (engravidar), eu já queria socar. Principalmente, por dois motivos:

1) Gente, as pessoas trans já não sofrem O BASTANTE? Cara, imagina a barra que deve ser tentar se adequar a um gênero que as pessoas não enxergam em você? Demanda um amor próprio, uma coragem e uma força que não é brincadeira. Sem contar o preconceito, a exclusão e a pancada na saúde mental que deve ser ouvir pessoas hostilizando você o tempo todo. Pessoas trans são pessoas!

2) O cara que postou a notícia faz parte de uma igreja, num cargo até alto na hierarquia. E isso, gente, ME IRRITA DEMAIS. Eu não aguento mais ver a Igreja machucando e afastando as pessoas. Eu fico imaginando uma pessoa trans vendo essa publicação no Facebook. O que será que ela pensa? "Nossa, realmente, eu ser eu mesmo, quando não é hilário, é trágico, vou conhecer Jesus". NÃO. NÃO É ISSO. A pessoa vai se sentir tão ferida, ofendida e/ou indignada que não vai querer saber de igreja jamais nessa vida (nem julgo). Só que isso impacta quase diretamente no fato dela fechar a porta para a melhor pessoa, também conhecida como Jesus. Eu sei que talvez vocês não entendam a dimensão da coisa toda, mas é muito importante pra mim.

Então, estava eu lá com ódio no coração querendo fazer o imbecil deixar de ser tão imbecil, querendo ofendê-lo da mesma forma que ele fez, querendo fazê-lo sentir vergonha pelas ações impensadas dele. Era um barracão que estava chegando. Mas aí eu lembrei novamente de Jesus (eu digo que ele é a melhor pessoa, não tem como não ser): ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM.

ME DEIXA BARRAQUEAR, JESUS. Mas não deixou. Porque, droga, tá na cara que o fulano do Facebook definitivamente não sabe o que é uma pessoa trans. Nunca conversou com uma, nunca conviveu, quase aposto que uma pessoa trans nunca pisou na igreja dele. Ele não sabe nem que existe a possibilidade de alguém não ser cisgênero. O que eu acho que ele enxerga é um homem que deliberadamente inventou de ser mulher para participar de orgias presididas por Satã. Acho que posso dizer o mesmo das pessoas rindo nos comentários. Uma mãe que tem um filho ou filha trans jamais riria daquele jeito, porque sabe de todo o drama. Aquelas pessoas não sabem. Elas agem da forma que acham correta, da forma que foram ensinadas. Eu descer o sarrafo xingando todos eles não muda nada nessa história. Apesar da gente querer que sim, eles não são pessoas horríveis que merecem a morte. São só gente que tem muito o que conhecer e aprender na vida, como naquele caso do padre Fábio de Melo.

Eu não deixei de comentar (ainda estamos trabalhando nisso, risos), mas preferi jogar uma luz no assunto, sabe, tentando deixar evidente que pessoas trans são pessoas. Rolou uma discussão saudável e, no fim, acabamos concordando que a transexualidade possui pouco amparo, seja pelo governo, seja pela igreja. Não teve espaço pra ódio.

Acho que venci na vida e quero continuar vencendo.

Posted on segunda-feira, fevereiro 22, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Fico todo enrolado se tiver que segurar coisas com as duas mãos. Um completo desastre se forem, tipo, 3 coisas. Não gravo nenhuma data, nem a do seu aniversário, até porque não comemoro aniversários. Parei de ver filmes sem nenhum motivo aparente. Um milagre se eu ver meia dúzia no ano. 90% das músicas que conheço são cristãs. Só ouvi David Bowie sabendo que era ele quando ele morreu. Tenho chulé às vezes. Não uso perfume e meu desodorante precisa ser sem cheiro. Tenho umas dores de cabeça que vêm do nada. Eu não sou bonito e, apesar de não precisar ser, tem dias que eu tô me achando lindão. Tenho uma autoestima gigante e inexplicável, como o Kanye West. Acho um absurdo quando as pessoas não me amam. Não sei de cor o nome das Kardashians. Descobri dia desses que sou avarento e um pouco egoísta. Não divido com a minha mãe as tarefas de casa, apesar de achar que ela faz demais. Eu tento compensar com dinheiro, mas não acho que seja equivalente. Tenho vergonhas de coisas bobas ainda, coisa que pode te irritar um pouco se você não está preparado para doses de loucura a qualquer hora do dia. Não dou muita bola pra minha família. Só li o primeiro Harry Potter, não sei se quero ler o resto e fico besta em como nunca superam essa história. Não sei tirar selfie, não gosto de fotos em geral. Demoro pra responder e-mails e, se você me cobra, fico com vontade de demorar mais. Fico ofendido quando falam mal das coisas que eu gosto. Julgo mentalmente blogueiro que aparece pra dar desculpa por não estar postando com frequência. Não precisa, amigo, você só não quis, está tudo bem. Não entendo discussões sobre apropriação cultural. Não vejo muita graça em viajar. Sou péssimo em Geografia. Não sei dançar. Não vou saber te consolar quando você perder um ente querido. Acho chato conversar sobre comida. Durmo mais cedo que você.

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(Esse texto foi inspirado por uma preciosidade que achei lá no Fina Flor. Nem era um meme nem nada, mas fiquei com vontade de fazer uma versão minha assim que li o da Ju) (Assim como o dela, o meu texto tem 1839 caracteres, mas só porque eu sou maluco e não sei escrever textos curtos. Minha lista completa de imperfeições não cabe neste blog)

Posted on quinta-feira, fevereiro 18, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, fevereiro 15, 2016

Já faz um tempinho que eu queria falar desse assunto, mas sempre vinha adiando, adiando, adiando... Porque adiar é mais fácil que abrir a caixinha de surpresas que é tocar nesse assunto com qualquer pessoa. Dificilmente eu acho gente para concordar comigo, mesmo quem está mais próximo. O mais provável é gente ofendida, surpresa e com pena de mim. E uma boa parcela de gente curiosa pra ver onde a coisa toda vai dar. Tô enrolando demais...

MAS VAMOS AOS FATOS: 

1) Eu parei de frequentar igreja em julho do ano passado.
2) Eu continuo amando a Jesus da mesma forma.


Praticamente cresci dentro de igrejas. Eu nem tenho lembranças de quando eu não era cristão, a "cultura crente" sempre foi uma presença constante pra mim. Podem colocar mais de 15 anos de evangelho nas minhas costas. E eu sempre fui um cristão sério, sabe? Tipo, nunca levei na brincadeira. Eu realmente acredito em Jesus, na cruz e no poder do amor, por mais que minha visão tenha mudado (e ainda muda) nos últimos anos. O que eu estou querendo dizer é que igreja sempre foi importante pra mim.

E olha que eu era muito bom nisso. Quando eu gosto, eu gosto pra valer. Essa minha fé inabalável mais o meu senso de comprometimento e a minha personalidade meio nerd, meio cafona, me fizeram prosperar na carreira cristã. Eu mantinha o costume de ler a Bíblia (e gostava!), eu era assíduo nos cultos e reuniões, amo/sou Escola Bíblica Dominical, eu gostava de ajudar em tudo, eu dava bom exemplo. Eu virei basicamente um cristão prodígio.

Um cristão prodígio esquisito, preciso admitir, porque minhas ideias "subversivas", "liberais" e pouco ortodoxas sempre batiam de frente com as autoridades vigentes. Mas eram apenas divergências de pensamento, nada que me fosse de fato condenável. Eu deveria ter notado que alguma já não se encaixava aí.

Nos meus últimos meses dentro de uma igreja, eu estava no auge. Eu peguei a secretaria para arrumar porque, Jesus, estava uma bagunça. E nem era funcional, muita coisa feita nas coxas que me deixava louco. Era só questão de organizar com um pouco de dedicação. Não sei se vocês sabem, mas eu também gosto de cantar e, de alguma forma, haviam me colocado no posto de líder do Ministério de Louvor. Eu amo estar no ministério de louvor, ministrando as canções, sentindo que posso fazer a diferença num culto, levando uma mensagem que marque as pessoas. Tudo prosperando de boa na minha mão.

PORÉM, sempre tem um porém, eu não sei se vocês imaginam o trabalho necessário pra manter essas coisas de pé. Dica: Não era pouco. Eu passava as semanas organizando coisas, pesquisando, montando listas e mais listas, delegando tarefas, preocupado com as pessoas, com o andamento dos cultos, se estavam rendendo, se estavam dignos, se as pessoas estavam se sentindo bem e tal. Era compromisso de segunda a segunda, eu não sabia o que era sentir o tédio de domingo, porque domingo era o dia mais corrido da minha vida. Mas, veja bem, eu não reclamava. Na verdade, eu nem achava ruim, porque eu gostava de fazer aquilo tudo, gostava de me envolver, era amor. É ótimo você se empenhar numa coisa na qual você realmente acredita e ver crescer, dar retorno, independentemente do trabalho que dê.

Foi aí que a equação desandou: a igreja não dava retorno. Por mais que eu me esforçasse, a igreja não mudava. A igreja não era mais legal. Me ajuda a te ajudar, igreja, mas não rolava. Parecia que eu queria A e a igreja queria B. Em algum momento dessa caminhada, eu assumi que aquelas "divergências" na verdade eram quem eu sou e no que eu acredito mesmo e a igreja simplesmente não encaixava mais nesse ideal. Eu não me encaixava dentro da igreja. A igreja podia e pode até ser válida e boa para algumas pessoas, mas, para mim, tinha perdido o propósito.


Era gente se importando mais com coisas do que com pessoas. Era a religião acima do amor. Era um apego desmedido a tradições e costumes vazios em detrimento de amar o próximo da forma devida. Eu via que as pessoas começavam a frequentar a igreja em busca de exaltação e riqueza. Quem já estava anos lá dentro julgava com fervor quem estava começando. Eram muitos dedos apontados, muitos super santos, muitas regras opressoras e eu sei lá onde escondiam a graça de Deus. Às vezes, circulava até um ódio violento. Notar isso tudo foi me matando de uma tal forma que eu já não tinha prazer em fazer mais nada para aquele lugar prosperar. O que eu vi foi um tempo precioso sendo desperdiçado, energia sendo jogada fora em picuinhas desnecessárias e pessoas achando que está tudo bem. Amigo, NÃO ESTÁ. A igreja, na minha visão, tinha virado um ambiente hostil, cheio de juízes e sem propósito na Terra. Um lugar em que as pessoas vão aos domingos para sei lá fazer o quê. E, deixando claro, não eram problemas exclusivos da minha última igreja, eu via que era um problema geral. Tipo, 100% das igrejas que eu conhecia eram assim. Era só sentar e conversar com qualquer cristão sobre a congregação dele que os sintomas apareciam.

Eu simplesmente desisti. Joguei a toalha. E estamos aí até hoje tentando trilhar um outro caminho. Confesso que no começo foi difícil. EU TINHA TANTO TEMPO LIVRE. E eu ainda gostava das pessoas, foram, tipo, ANOS da minha vida lá. Foi como arrancar um braço. Eu precisei fazer isso, foi a minha  mudança de atitude. Era isso ou ficar infeliz a vida inteira.

Ouvi muita lamentação da parte da família e de amigos. Mas, Felipe, LOGO VOCÊ? Você é um menino tão bom, como assim largou a igreja? O que Deus te fez? VOLTE PARA OS CAMINHOS DO SENHOR. Você ficou maluco? Você anda lendo livros espíritas? Aposto que são esses livros do mundo que você lê. Deus está com saudades de você, Felipe! Você deve estar em pecado e não quer falar. Tá fornicando? Não olhe para as pessoas, olhe para Jesus. A obra de Deus não pode sofrer.

Juro que de uma dessas eu até ri. Porque, gente, eu sou a mesma pessoa. Nada mudou. Nada. Verdade seja dita, eu me sinto até melhor. Voltar para os caminhos do Senhor? Mas eu nunca saí! Deus está com saudades de mim? Mas, Deus, a gente não conversou, tipo, horas atrás? Eu continuo lendo a Bíblia, falando com Deus, tentando praticar e espalhar amor, compondo minhas músicas cristãs... Eu não abandonei nada. A questão é que igreja não é Deus. Igreja é igreja, Jesus é Jesus. Não são a mesma coisa. Deus me livre de serem a mesma coisa. Foi nisso que eu esbarrei. Eu estava investindo meu tempo, meu esforço e meus recursos numa coisa que não era a obra de Deus. E achando que era! A Igreja de Cristo não necessariamente é essa igreja de tijolos que você conhece.

O formato que a Igreja assumiu não é o melhor pra mim. Aqui eu nem falo como dono da verdade, porque ainda busco respostas, mas por que as nossas igrejas são tão preocupadas em fazer cultos? A maioria das igrejas, aliás, só faz isso. Se é pra ensinar a palavra de Deus, por que não é no formato de uma escola? Por que não é tipo um grupo de terapia? Ou, sei lá, uma comunidade hippie? Por que não é um hospital de fato ou uma casa de assistência social? Qual é o real benefício de pessoas supostamente engajadas em fazer cultos (orar, cantar, dançar, ouvir a pregação)? O que eu enxergo é 10% de pessoas trabalhando para o culto acontecer e 90% de gente sentada e passiva. Cadê a ação, a mudança de vida, a transformação em massa dos corações? Cadê o amor sendo praticado? Embora eu não diga que a Igreja seja de todo ruim, apesar de que às vezes seja bem problemática sim, há todo um potencial desperdiçado de gente que poderia estar trabalhando, fazendo o bem na sociedade, demonstrando o amor de Jesus mais do que com só palavras. Eu não consigo me conformar. Eu não consigo mais frequentar um culto sem pensar nessas coisas todas. O ônus parece ser maior que o bônus. Eu perdi a minha fé nas igrejas. Acho que, em geral, são instituições que perderam o principal propósito e se tornaram ultrapassadas. Ah, mas a comunhão é importante. Eu falo com cristãos todos os dias. A maioria dos meus amigos ainda é cristã. Eu tenho comunhão com eles. E legal ter comunhão na igreja, mas a gente não pode se juntar pra fazer algo mais útil e menos nocivo? A igreja atropela e machuca tanta gente no meio do caminho que eu não sei lidar mais.

Se a sua igreja não é desse naipe, se a sua igreja realmente faz alguma diferença no mundo, então, amigo, não precisa aparecer aqui pra defender. Eu tenho muita fé que existam pessoas que, assim como eu, não se conformam com esse padrão defeituoso, pessoas que decidiram viver o evangelho de fato. Eu poderia até citar exemplos, mas não vem ao caso agora. Tem muita gente ruim dentro dos templos, mas tem gente boa também. Eu acredito nisso. Mas nós precisamos concordar que a maioria esmagadora tá praticamente morta e enterrada.

(Também não precisa me aplaudir e chutar esse cachorro morto, eu não me acho melhor que as pessoas da igreja. Não é esse o ponto, entende? Estamos no mesmo barco. Eu quero é mudança, quero é que você me ajude a encontrar um caminho melhor)

Eu creio em algo maior. Em algo melhor do que essa vidinha que eu costumava levar indo pra igreja praticamente todos os dias da semana. E eu sinto que estou chegando lá. Não fiquem tristes por minha causa, porque eu juro pra vocês que ESTOU CHEGANDO LÁ. Agora mais perto do que nunca. Foi até por isso que decidi encarar esse post de uma vez. Se é possível reciclar esse "sistema igrejal", o famoso mundão gospel, ou se é hora de jogar no lixo e começar do zero, eu não sei dizer pra vocês. Já não é mais problema meu. Nada contra quem curte, até tenho amigos que são, mas, pra mim, não serve, não basta, não funciona.

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Lá no Trilha Radical (vou morrer recomendando a todos), teve um momento que eu confessei para um dos organizadores que não ia numa igreja fazia tempo. Conversamos bastante sobre o assunto, daí eu:

- Eu queria ter o poder de mudar esse quadro, sabe? Mas não sei se é possível. Como se conserta as igrejas?
- A gente criou o Trilha Radical pra tentar fazer isso, Felipe.

E eu tive que concordar depois de ter participado do projeto.

Posted on segunda-feira, fevereiro 15, 2016 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Eu vi esse meme sobre escrita no So Contagious e achei as respostas da Anna Vitória tão interessantes que quis fazer minha versão também. A minha vontade é sempre atualizar vocês sobre o que eu ando fazendo com a minha escrita, então, quando eu vi esse meme, o que eu fiz na mesma hora? Isso mesmo! Salvei a ideia em algum lugar e CINCO meses depois estamos aqui para levá-la adiante meu jeitinho. Pois é.



1) O que eu ando escrevendo?

Bom, vocês só estão lendo este post porque eu escrevi Nossa, cê jura. Mas, sério, eu finalmente encontrei um ritmo decente que me permite viver, conservar minha sanidade mental e deixar o blog com novos posts todas as semanas. Acho que, de todos os projetos aleatórios que eu invento todos os dias, o Não Sei Lidar é o que me traz mais bons momentos. Adoro escrever aqui.

Mas, fora isso, EU ESTOU PADECENDO com a edição da minha história aka projeto de livro. As mudanças que a agência literária sugeriu demandam um tempo que eu não estou tendo mais. Não estou conseguindo fazer acontecer minha hora de escrita diária e isso já faz mais de duas semanas. Eu estou empacado na edição do capítulo 13 da minha história e, Jesus, são 32! Eu só consigo escrever de manhã bem cedo, antes do trabalho (único momento livre que apareceu no meu dia), mas não estou mais conseguindo acordar a tempo. Está me dando uma agonia tremenda, porque eu não vejo a hora de terminar.

Eu já coloquei como meta pra 2016 colocar esse livro em processo de publicação, seja arrumando um agente, publicando no WattPad, na Amazon etc. Só sei que esse livro já passou da hora de sair. Quanto mais eu demoro em jogá-lo no mundo, menos ele representa a mim e a minha escrita. Eu já quero escrever outras coisas, de um jeito melhor.

2) Como minha escrita se diferencia de outras do gênero?

Que pergunta difícil. Se "blog pessoal" for um gênero, eu acho que me diferencio um pouco sempre com uma pitada de comédia aqui e ali e, não sei, já me disseram que eu sou "positivo", que essa minha positividade faz bem. Eu sei que gosto de ser assim, mas não entendo exatamente como isso transparece na minha escrita. Mas que bom que está dando certo.

Na escrita de ficção, eu só escrevo comédias. Não sei fazer drama, não sei escrever bonito como algumas pessoas que simplesmente conseguem. Então, eu vou sempre no simples, o que pode ser bom ou ruim dependendo da fase da lua. Uma coisa que eu gosto muito de fazer e acho que no final faz diferença é sempre ter algum propósito para a história. Uma mensagem, uma ideia, uma crítica, algo que percorra toda a história, se mostrando em vários personagens e situações diferentes. Não é exatamente um diferencial, mas é tudo o que eu tenho.

3) Por que eu escrevo?

Como assim, gente? A pergunta tinha que ser "Por que você NÃO escreve?". É TÃO BOM. Escrever não é só colocar as letras no papel. O processo é longo e você pode tirar coisas boas de todas as etapas. No livro da Amanda Palmer, ela diz que os processos criativos se dividem em Coletar (~observar o mundo~), Conectar (juntar tudo o que você coletou e montar uma arte com isso) e Compartilhar (mostrar para outras pessoas). Escrever tem tudo isso. Amo o processo de escolher a minha mensagem, de observar as pessoas ao meu redor procurando detalhes para enriquecer a história e tal. Sentar de frente para o computador e ver a história tomar o próprio rumo, descobrir a voz dos personagens e rir das piadas como se elas não tivessem saído da sua própria cabeça é simplesmente um dos melhores momentos. E, na hora de compartilhar, obviamente nem todos vão apreciar o resultado, mas sempre vai ter gente dizendo que riu, que se divertiu e descobriu coisas na arte que você mesmo nem sabia que estavam ali. É maravilhoso.

4) Como eu escrevo?

Não tenho nenhuma dica de editor mágico, eu costumava ir no bom e velho Word mesmo. Há pouco tempo mudei para os documentos do Google Drive, que deixa tudo que escrevo salvo e disponível pra mim sem muito esforço da minha parte. Quando estou desesperado pra escrever alguma coisa e longe do meu computador, também arrisco uns parágrafos no Evernote, que é meu aplicativo favorito no celular (A Cíntia fez um post 10/10 sobre o Evernote aqui).

Também não tenho nenhum costume esquisito como escrever pelado ou sentado na privada. Eu simplesmente sento e escrevo, sem música (me atrapalha) nem nada.

Eu escrevo muito feliz à noite, PORÉM a vida adulta me impede de virar as madrugadas, então eu tive que descobrir um outro horário, que é basicamente das 7h-8h. Pois é. Eu preciso acordar às 4h pra conseguir essa 1 hora preciosa de escrita, coisa na qual eu venho falhando ultimamente, mas é tudo o que me resta.

5) Como supero bloqueios criativos?

Ah, essa é muito fácil, pois a resposta é: não tendo, risos. Sério, eu raramente tenho bloqueios, talvez porque eu não acredito muito neles. Quando eu estava empolgado e terminando de escrever o livro, eu engatei num ritmo muito bom, escrevendo literalmente todos os dias, sem perder a 1h preciosa. Pouco importava se eu sabia o que ia escrever ou se a história estava fluindo, todo dia eu sentava e escrevia. Alguns dias rendiam mais, outros menos, a vida é assim. Você não precisa ter sido beijado na boca por uma musa pra sentar e escrever. Tem dias que há uma super inspiração, há dias que não, mas dá para produzir em ambos.

Uma coisa que eu faço que minimiza momentos de trava é planejar antes o que vou escrever. Nada muito elaborado, só uma ideia do que deve acontecer em cada capítulo. Eu escrevo antes do meu expediente no trabalho começar, então preciso pegar 2 conduções depois de acordar para de fato começar a escrever. Nesse tempo à toa indo para o trabalho que eu costumo imaginar as cenas que estou prestes a encarar.

Pra não pagar de diferentão, existe, sim, um momento que eu abro mão de escrever: quando eu estou triste. O meu humor afeta tanto a minha escrita que, quando eu estou no fundo do poço agarrado com alguma bad séria, eu não consigo escrever decentemente. Ainda mais porque escrevo comédia, gente, sai tudo muito ruim, sem graça. Produzo tão pouco, mas tão pouco mesmo que prefiro desistir e viver minha tristeza. Mas isso dura no máximo uns dois dias, porque o livro não vai se escrever sozinho.

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Como manda a tradição, eu devo indicar pessoas para responder as mesmas perguntas e, pensando aqui, vou indicar (mas não intimar) quem eu sei que flerta com a escrita e tá sempre por aqui acompanhando o blog: Lilian e Helena.

Mas, se você quiser levar as perguntas para o seu blog também, sinta-se à vontade. E me chama pra ler, porque escrita está entre os meus assuntos favoritos, logo depois de reality shows e pessoas.

PS: As imagens do post vieram da EMM, not Emma, que é uma das minhas páginas favoritas no Facebook. Toda semana tem mensagens positivas sobre amizade, amor próprio e um bando de outras good vibes. Recomendo a todos.

Posted on sexta-feira, fevereiro 12, 2016 by Felipe Fagundes

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terça-feira, fevereiro 09, 2016

Aconteceu mais ou menos assim: A Annie disse pros amigos "Vocês deveriam assistir Desperate Housewives, hein". Aí ela disse isso mais vinte e nove vezes ao longo dos meses, porque a gente ignorou, mas na trigésima vez a gente ouviu, as pessoas que alegram minha caixa de entrada diariamente começaram a acompanhar essa série sobre famílias que vivem no subúrbio e eu fui junto, claro. Meu nome do meio é Vai Com As Outras.


Este não é um post de indicação de Desperate Housewives é só o que meu corpo e mente me permitiram escrever nesse ritmo de Carnaval e férias, até porque ainda não passamos do décimo episódio. Eu apenas queria dizer que, gente, A SUSAN. A série conta com 4 protagonistas, mas com a Susan Mayer rolou aquela identificação, sabe? Teve um episódio em que a Susan teve uma atitude tão QUAL É SEU PROBLEMA, MULHER? diante de um momento de tensão que eu fiquei exatamente assim:

Gente, sérião, esses roteiristas tão bebendo muita água da privada pra escrever essas cenas hilárias da Susan. Qual o problema dessa mulher, meu deus? QUEM TEM ESSE TIPO DE ATITUDE? Nossa, muito maluca, parece até... parece até... meu deus, eu sou a Susan. Ela tem a mente de cocô ativada. AI, MEU DEUS, EU SOU A SUSAN.

Eu já contei vários causos neste blog e no Twitter que até Deus deve ficar "Mas, Felipe, como?" e esse blog só existe porque eu vivo brincando que moro numa série de TV, mas, além de morar REALMENTE numa série de TV, eu tenho provas de que Susan Mayer e eu somos almas gêmeas. Pequenos spoiler destes nove primeiros episódios, mas vamos que vamos:

Já no piloto, a Susan suspeita que uma vizinha está tendo uma noite romântica com o crush dela, daí o que Susan faz? Isso mesmo, INVADE a casa da mulher e, acidentalmente, põe fogo nela.



No episódio seguinte, a Susan vai fazer uma média brincando com o cachorro do crush e, DE ALGUMA FORMA QUE EU NÃO ENTENDI (que é um fator sempre presente nos meus causos), ela deixa o bicho ENGOLIR o brinco dela e ir parar no hospital.



Em seguida, é mico atrás de mico, desastre atrás de desastre. A Susan fica trancada e pelada pra fora de casa sem querer, toma um tombo nos arbustos e o crush aparece pra ajudar (Eu fingiria de morto ali mesmo), toma tapa na cara porque é confundida com outra pessoa do bairro, finge que sabe montar num touro mecânico pra escapar de uma mentira e leva uma bordoada na cara, sofre um incidente num desfile e acaba desfilando quase pelada...



Vou deixar até vídeo de quando ela vai bisbilhotar a casa do vizinho e fica presa NUM BURACO QUE ELA MESMA ABRIU NO CHÃO DO BANHEIRO DO CARA.




Sabe, eu até tentei gostar mais das outras protagonistas, só para não soar tão óbvio, mas, gente, Eu & Susan, Susan & eu. Ela toma decisões absurdas sob pressão, as coisas malucas a perseguem, ela entende errado o que as pessoas falam, os roteiristas não cansam de gastar a imagem dela com comédia, ela não pensa nos próprios limites e precisa lidar com situações que NINGUÉM mais um dia já precisou. E ela não sabe lidar!!!

Susan, minha querida, se com NOVE episódios você já chegou tão longe e permanece com alguma dignidade, eu tenho muito que aprender com você. Nossos roteiristas estão, ó, num match intenso.

Posted on terça-feira, fevereiro 09, 2016 by Felipe Fagundes

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terça-feira, fevereiro 02, 2016

Ou: EU SOBREVIVI AO TRILHA RADICAL!

Vocês lembram do retiro crente de sobrevivência na selva? Pois então, eu acabei de voltar de lá e, meus amigos, estou praticamente morto e enterrado. Eu fiz várias piadinhas sobre o que eu achava que ia acontecer, como seria esse projeto e tal, mas nunca poderia imaginar o baque atrás de baque que foi essa experiência INCRÍVEL. Eu posso ser mestre nos exageros, mas juro pra vocês que teve um momento durante o Trilha Radical que eu tive a certeza absoluta de nunca ter sido tão feliz quanto ali. EU ENCONTREI JESUS NO MATO.



Infelizmente, uma das regras do projeto é não poder contar o que acontece nele. Fuén. Inclusive, jogaram uma praga na gente de SETE ANOS DE HEMORRÓIDA pra quem contar. Praga de crente pega, gente. Mas algumas coisas eu posso explanar, sim.

(Um adendo antes do que o que realmente importa: O ponto de encontro inicial dos acampantes era numa igreja. Daí que, beleza, tá eu lá sentado no banco ouvindo as informações sobre o projeto. Gente, me aparece um MORCEGO voando na igreja e CAGA em mim Hahahahahah Eu nem sabia que morcegos faziam isso! ELE CAGOU EM MIM. Ali eu já soube que sera mais um fim de semana normal na vida de Felipe Fagundes)

1) Amigos, aquelas fotos no site do projeto só com gente andando, chorando e tendo >>>MOMENTOS<<< com Deus são balela! Quer dizer, elas são reais, mas não mostram 90% do que acontece no Trilha. O projeto não é, tipo, Oi, amiguinhos crentes, vamos fazer uma caminhada no mato e cantarmos músicas alegres para Jesus! Longe disso. É de fato uma simulação da Igreja Perseguida.

Recapitulando o e-mail que recebi ao me inscrever:

"LEVE COM VOCÊ: Biscoitos, balas, Bíblia, roupa de cama, colchonete, travesseiro, cobertor, toalha de banho, material de higiene pessoal, chinelo, remédio de uso diário, repelente, tênis velho, blusa de manga comprida velha, calça comprida velha, muita disposição e coragem. Muito Importante! Você não esta indo para um piquenique, nem para um colonia de férias, SE VOCÊ NÃO ESTA DISPOSTO A SER CONFRONTADO POR DEUS E TER A SUA VIDA CRISTÃ COLOCADA A PROVA"

2) Realmente não é uma colônia de férias. Uma das coisas que mais falaram no evento é que "Ao final do projeto, você vai descobrir quem você é e do que você é feito". E, gente, é uma prova de fé mesmo. 90% do tempo você é fuzilado com afrontas e confrontos; os outros 10% é o tempo que você consegue dormir e, mesmo assim, não está a salvo de um ou outro conflito. Chega uma hora que sua mente e seu corpo ficam no limite e tudo o que você tem pra se agarrar é sua fé em Cristo, se é que você ainda tem alguma.

3) Eu acho que realmente vou ter que me livrar dos meus tênis. Foi tanto anda na terra, pisa na lama, entra na água, não rola tempo de secar, calça molhado, vai pra terra de novo etc que ficou meio inutilizado mesmo.

4) A Anna Vitória tinha até brincado no último post sobre os biscoitos e as balas virem antes de coisas importantes como as roupas, o cobertor etc, e eu respondi rindo que "Já estou achando que é algum tipo de teste e que biscoitos e balas salvarão nossas vidas durante a perseguição". AMIGOS. ELES FORAM REALMENTE ESSENCIAIS Hahahahahah Esqueça seu colchonete, esqueça sua toalha, esqueça até sua Bíblia, mas, DE FORMA ALGUMA, esqueça seus biscoitos e balas. Graças ao menino Jesus eu levei a recomendação a sério e os biscoitos e balas fizeram a diferença.

5) Uma coisa que podiam e meus amigos que tinham ido antes não me contaram é que, depois de todos os tapas na cara, acontece finalmente um momento chamado "Festa/Banquete de Gala". É onde você se livra das imundícies e veste sua roupa bonitinha e penteia seu cabelinho. Eu tinha levado alguma roupa que entrasse na categoria "Gala"? Não. Lá fui eu de bermuda e chinelo. Foi um desapego de vaidade pra mim Hahahahahah Tem gente que até ALUGA roupa, o que eu acho exagero. Leva só uma roupa bonita que já está bom.

6) Não tem nada de muito perigoso no Trilha Radical além da trilha em si, que eu classificaria como uma trilha de nível médio. Os acampantes vão de adolescentes a idosos. Tinha uma senhora de uns 60 anos no meu grupo, por exemplo. Para todas as situações, eles possuem enfermeiros sempre à disposição. Teve uma hora que me deu uma enxaqueca braba que logo foi curada com um remédio que eles me deram <3 Então, tipo, não precisa temer de fato pela sua vida. É só uma simulação, não vão de crucificar de verdade. O trabalho do Trilha Radical mexe mais com o seu psicológico mesmo.

7) Com esse negócio de não poder contar, muita gente fica com um pé atrás. Até comentaram no post anterior sobre uns retiros bizarros, mas, gente, juro, não tem nada de absurdo no Trilha. Muito pelo contrário, É LINDO. É o evangelho puro e simples, sem essas patacoadas que as igrejas inventam, sem doutrinas malucas, focado totalmente em Jesus. Um evangelho que eu adoraria ver sendo reconhecido por crentes e ateus.

8) Eu disse que não era muito de chorar e muito menos de protagonizar >>>MOMENTOS<<< com Deus, mas: HAHAHAHAHAHAH O que sabe o ser humano, não é mesmo? O homem planeja, Deus ri etc. Eu não estava em condições de ver se estavam tirando foto, mas CHOREI DE SOLUÇAR nuns dois momentos.

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Pra mim, o Trilha Radical significou uma retomada do foco em Jesus. EU AMO ESSA PESSOA. Tipo, vocês não devem entender como eu me sinto. EU REALMENTE AMO. Talvez vocês fiquem Aff, religião, mas, amigos, Jesus é tão real! E amável! E maravilhoso! Eu nem sei por que não falo mais dele. Por vergonha? Por medo do que vocês vão achar? Algo por aí. MAS É UMA BOBAGEM. Quer dizer, eu tenho uma tag "Amanda Palmer" aqui no blog pra marcar todos os textos que essa mulher incrível me inspirou a fazer, ela que foi um marco na minha vida, mas não tenho uma para Jesus. E, se eu for comparar a contribuição de Jesus com a da Amanda na minha vida, se eu for comparar o potencial transformador de vida de cada um, EU TERIA QUE TER UM BLOG SÓ SOBRE JESUS. É, de loooooonge, a melhor pessoa da minha vida.

Passou todo um filme na minha cabeça no Trilha. Eu não sei que exatamente que imagem eu passo para quem lê este blog, mas eu já fui uma pessoa muito, argh, esquisita. Eu ainda tenho alguns probleminhas, umas falhas de caráter. Vocês devem conseguir notar meus surtos de vergonha, meus medos injustificados, um não saber lidar gigante com as situações comuns da vida e coisas que eu ainda nem consigo contar aqui no blog, coisas que eu nem entendo bem. Enfim, eu era/sou uma pessoa toda coisada. Teve uma época da minha vida em que eu me senti super abandonado, porque eu não me encaixava de jeito nenhum no meio das pessoas. Eu era muito sozinho. Mas, lá no Trilha, com esse filme mental passando, eu senti que sozinho de fato eu nunca estive. Jesus sempre esteve comigo. Me ensinando, orientando, me consolando, apontando as minhas falhas e sabiamente me mostrando um caminho muito melhor do que o que eu podia traçar. Um amor tão grande que nem é explicável. E, hoje em dia, eu ainda sinto uma influência tão forte e tão positiva dele na minha vida que tudo que eu posso fazer é agradecer e literalmente glorificar de pé.

Eu fiquei tão feliz no Trilha por constatar que de fato tenho Jesus na minha vida! Eu me senti muito sortudo, muito privilegiado. Tipo, gente, Jesus, JESUS, J-E-S-U-S, essa pessoa maravilhosa ME AMA. E não ama pouco!


Ao mesmo tempo me bateu uma agonia terrível ao imaginar que há pessoas, mesmo na minha vida, que ainda não sentem essa felicidade e, talvez, nunca venham a sentir. Tipo, NUNCA. Que desespero que me bateu. Eu me sentindo a pessoa mais feliz do mundo e pessoas do meu lado vivendo numa miséria forte de alegria. Se eu pudesse enfiar Jesus no coração das pessoas, eu total faria. Mas não posso. O que eu posso é falar dele e agir como ele, com mais afinco ainda do que eu cito Amanda Palmer, Brené Brown, Survivor, as séries de TV que eu amo... EU QUERO JESUS PRA TODOS.

E eu vejo gente deprimida. Gente sofrendo e praticando violência. Eu vejo o ódio circulando sem parar. Gente sem direção na vida, agoniada, desesperada. Gente que não sabe o que é amor, mas acredita que sabe e põe a fé num sentimento tão pobre que nem chega perto do verdadeiro. É guerra, é xingamento, é falta de empatia, é aquele jogo de interesses e quem é melhor do que os outros...

E a solução de todos esses problemas é: Jesus. Ah, mas nada a ver achar que religião vai resolver todos os problemNÃO IMPORTA O QUE VOCÊ ACHA, eu tenho certeza do que estou falando e vou morrer insistindo nisso. Eu super concordo que os religiosos se desenvolveram bem problemáticos, mas até pra eles a solução é Jesus. Jesus está acima da religião. Jesus é amor.

***

Eita que eu não sabia que ia sair isso tudo quando comecei a escrever o post.

Enfim, posso dizer que o Trilha Radical valeu 100% a pena, foi uma das melhores experiências da minha vida. A partir desse ano, os organizadores pretendem fazer o projeto acontecer todos os meses em diferentes cidades do estado do Rio de Janeiro. Caso esteja interessado, você pode verificar o site oficial e aguardar por novas informações.

Eu recomendo DEMAIS. Se você é cristão, se você acha que precisa fazer mais, se você se acha bom o suficiente, se você acha que sua vida com Deus não anda muito bem das pernas ou se você se acha um super santo, eu te indico. Vai na fé que, como disseram, você vai descobrir quem você é de verdade e do que é feito.

Posted on terça-feira, fevereiro 02, 2016 by Felipe Fagundes

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