Se você é meu amigo ou planeja ser, é bom que você saiba algumas coisas sobre mim, mas vou deixar duas aqui: 1) eu tenho uma memória muito ruim mesmo e 2) sou muito passional sobre as coisas que gosto e isso significa que algum dia nós iremos brigar por conta disso. Daí que eu tinha brigado com a Cíntia, que é uma das minhas amigas mais próximas. Eu realmente não lembro mais o motivo (ela lembra, com certeza), mas sei que fiquei um tanto contrariado e, por N motivos, me senti péssimo depois da briga. Eu moro no Rio, Cíntia mora em Minas. Nós conversamos por e-mail todos, TODOS, T-O-D-O-S, todos os dias e sei lá quantos anos já mantemos esse contato, que é uma das melhores coisas da minha vida (não é exagero). Daí que, por causa da briga, eu fiquei VOU CORTAR ESSE CONTATO, CHEGA, ACABOU. E eu fiquei um tempo sem responder os e-mails. Frisando aqui que eu estava chateado mais comigo mesmo do que com ela. Algo meio EU FAÇO MAL PARA OS OUTROS, DEIXA EU ME ESCONDER NESSA CAVERNA. ADEUS, MUNDO. Meu jeito de ficar triste. Beleza.

Porém, antes da nossa discussão, Cíntia tinha me mandado o link de uma palestra, uma TED Talk, onde Brené Brown fala sobre vulnerabilidade. Para quem não sabe, a Brené escreveu o prefácio do livro A Arte de Pedir, da Amanda Palmer. Sim, aquele livro que virou minha vida de cabeça para baixo e só me trouxe coisa boa. No próprio livro, a Amanda Palmer cita a pesquisa da Brené, de como elas possuem muita coisa em comum, ambas girando em torno do tema vulnerabilidade. Pois bem, fui assistir. E agora eu recomendo FORTEMENTE que você também o faça. São apenas 20 minutos de uma conversa gostosa e engraçada. Vou deixar aqui pra facilitar.


MAS EU GARGALHEI TANTO! E fiquei tão besta! E me senti tão amado! E tão capaz de amar! E naquele estado de espírito que você não sabe bem se ri ou se chora, mas feliz! EU QUIS ABRAÇAR A BRENÉ E NÃO SOLTAR MAIS.

A palestra me tirou do fundo do poço, resgatou minha felicidade de sempre e minha fé na humanidade e me deixou com uma vontade LOUCA de contar tudo isso pra Cíntia! Aquela Cíntia! Uma das minhas melhores amigas! Com a qual eu vivo conversando! E conto tudo pra ela!

Aquela Cíntia com a qual eu tinha discutido.

FUÉN.

Daí eu fiquei "Mas não vou falar com ela de jeito nenhum. Tipo, eu não posso! A gente BRIGOU". Eu tinha dito coisas, ela disse coisas, não dava para consertar. Eu já estava de saco cheio. Só que aí... poxa, tinha essa coisa TÃO BOA QUE EU PRECISAVA COMPARTILHAR. Mas não é ridículo quando você briga com a pessoa e volta atrás? E dá o braço a torcer? Não é sinal de fraqueza quando você passa por cima de tudo o que aconteceu? Foi um dilema real. E eu só consegui sair dele, eu acho, porque dei ouvido à própria palestra.


VULNERABILIDADE. É o que você demonstra quando se abre para o mundo sem nenhuma garantia. É quando você permite que as pessoas vejam quem você realmente é, sem saber se elas vão gostar ou não do que verão.

E o meu eu verdadeiro não é esse "forte" que faz birra, que dá gelo quando, na verdade, quer baixar a guarda, que finge que não quer quando quer muito. Quem eu realmente sou, quem eu amo ser, é aquela pessoa que valoriza demais os sentimentos, mesmo quando eles são conflitantes, mesmo quando eles não parecem encaixar na realidade. Se dizem que eu estou num lugar que deveria me deixar feliz e eu não me sinto feliz, então tem alguma coisa errada. Se ser "forte" e adulto era manter o climão de discussão, eu caguei pra isso, porque fui feito criança contar pra Cíntia como a palestra havia sido MARAVILHOSA, num e-mail cheio de CAPS LOCK e corações, que é o que eu faço de melhor nessa vida. Eu fiquei muito satisfeito com o resultado, QUE LIBERTADOR, e hoje estamos aí começando mais um ano de amizade.

***

Para uma pessoa viver plenamente, ela precisa ser vulnerável. É complicado, eu sei, mas é necessário. E, relaxa, é uma jornada. Não é lendo esse texto que você se tornará uma pessoa 100% vulnerável. É algo que leva tempo, observação, requer aceitação, coragem, compaixão e conexão com outras pessoas.

Você precisa reconhecer o seu próprio valor e se sentir digno de amor do jeito que você é. É todo um trabalho de autoaceitação. Seja mais gentil com você mesmo. Quando você sabe quem é, sabe que é imperfeito, e aprende a amar isso, você não fica tentando se encaixar. Quando você não tem senso de valor pessoal, você se esconde, você ergue muros, você acha que não é bom o suficiente e pensa que precisa ser mais inteligente/bonito/alto/forte/engraçado/rico para poder se encaixar. Como se você só tivesse direito de ser feliz se tivesse essa coisa que você acha que te falta. E NADA CONTRA desejar coisas que você ainda não tem, o problema é ir se odiando durante o caminho inteiro até conseguir a tal coisa. Se você for vulnerável sem amor próprio, qualquer mínima rejeição vai te jogar num desespero de EU SABIA, É PORQUE NÃO SOU DO JEITO TAL. Se você não reconhece o seu valor, você fica lutando para prová-lo para as outras pessoas.

Não sei que tipo de pessoa você é. A Cíntia escreveu 5 lições sobre vulnerabilidade no blog dela, coisas que ela aprendeu com a própria experiência, ou seja, dando o ponto de vista de uma pessoa mais fechada. Eu já sou um TANTO mais aberto (o que não significa que eu seja 100% vulnerável, tenho um longo caminho para percorrer ainda) e foi por isso que me identifiquei tanto com a TED Talk. O jeito que a Brené fala sobre as pessoas que vivem de todo o coração, das pessoas que se aceitam e daqueles que vivem plenamente me encheu de um sentimento de EU ESTOU VIVENDO NO CAMINHO CERTO (mesmo que digam que não) (mesmo que eu pareça tolo/fraco/ingênuo). Eu fiquei tão feliz! É TÃO MELHOR ser vulnerável.

E chega a ser um perigo se privar da vulnerabilidade. Você corre risco de se machucar? Corre. Mas pior que se machucar é perder a chance de viver de forma plena, com alegria, gratidão e conexões reais. Você nunca vai encontrar pessoas que realmente gostam de você se você não der a elas a oportunidade de te enxergar como realmente é. Simples assim.

Eu gosto de começar o ano meio que propondo um desafio para que, quando chegar em dezembro, eu possa olhar para trás e ver se fui bem sucedido. É como um desejo forte para que o ano seja diferente e para melhor. Eu quero ser mais vulnerável. Eu quero ser eu mesmo mais vezes, eu quero encontrar pessoas com quem eu possa ter conexões reais, eu quero viver com todo o meu coração. Em 2015, eu tive outras metas. Quero que 2016 seja o meu ano da vulnerabilidade. Espero que vocês queiram também.

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Nossa, eu achei que esse texto não fosse sair! Mas aí está, devidamente parido. Se você quiser me ajudar, eu não vou hesitar em aceitar sua ajuda. Eu ficarei extremamente grato se você compartilhar esse texto nas redes sociais e/ou indicá-los para outras pessoas. Além de fazer com que mais pessoas conheçam meus textos, mais delas podem conhecer essa verdade preciosa que é a vulnerabilidade.