Se vocês estão lendo este post, é porque eu morri. Brincadeira.

Naquele mesmíssimo dia em que eu postei sobre vulnerabilidade, deixar o mundo de te ver do jeito que você é e amor próprio (aqui), o Universo leu meu post, gargalhou e disse "Ah, você é o diferentão vulnerável? Você é cheio de amor próprio e se acha um ser de luz? VAMOS VER ISSO NA PRÁTICA".

Gente, PRA QUÊ? Por que ele não apenas virou pra mim e disse com carinho "Migo, baixa a bolinha, ok?".

Eu comecei o ano maravilhosamente bem, de uma forma que eu não poderia imaginar nem nas melhores possibilidades. Por ter ido a um lugar que não costumo mais ir, por ter ficado acordado até uma hora que acho abusiva e por ter conversado com pessoas que eu não conversava, acabei indo parar numa casa de praia no primeiro fim de semana do ano (!!!). Daí que, obviamente, tinha uma praia, uma praia com meus amigos nela, uma praia na qual eu forrei a canga da qual tanto me orgulho e deitei.

Algumas horas depois do post sobre vulnerabilidade, surge a notificação "Seu amigo fulano de tal postou fotos com você" no Facebook. Eu gelei já aí, por motivos de 1) não gosto de fotos 2) eu não tinha conhecimento dessas fotos e 3) o amigo em questão é meio sem noção. Todos os meus medos se concretizaram ali.

"as fotos da festa ficaram ótimas", só que não ficaram, minha gente. As fotos ficaram HORROROSAS. As fotos teriam que passar por muita montagem para ficarem, pelo menos, apenas feias. E, meu deus, EU NELAS. EU NA INTERNET. EU QUE NÃO TIRO NEM SELFIE. Eu poderia usar vários adjetivos negativos para descrever as fotos, mas postarei aqui uma das piores, pois para quê serve blog pessoal se não para nossa própria humilhação pública, não é mesmo?



Uma olhada mais de perto:



Caso você ainda não esteja convencido de que, realmente, não é o melhor dos ângulos:


DEIXA EU MORRER UM POUCO AQUI RAPIDÃO.

Favor não aparecer aqui dizendo que, ai Felipe, não foi nada demais, PORQUE EU QUASE MORRI. Ai, mas é só uma fotEU NÃO QUERO SABER. Gente, eu jamais postaria uma foto desse naipe. A onda de vergonha foi tão forte que eu fiquei literalmente paralisado. Minha cara queimando. Não sei explicar. Eu posso me expor bastante nos meus textos, mas em foto... Foto é uma coisa que eu não sei lidar mesmo. E AQUELE RISQUINHO NO FIOFÓ, até agora não superei o risquinho no fiofó. Quem posta foto de fiofó riscado na internet, gente? Foi muita exposição pra mim. E contra a minha vontade. Ver o pessoal da >>>igreja<<< em peso curtindo, comentando e rindo foi uma punhalada a cada nova interação. Algumas pessoas ainda me apontaram diretamente, "Olha o Felipe kkkkkkkk". Eu não curti, Deus me livre compartilhar, nem comentei. Mal consegui OLHAR. Tentei fingir que não estava acontecendo, mas toda hora lembrava, a vergonha vinha forte, várias notificações chegando. Fiquei mortificado mesmo. Meu maior medo e tal.

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Ironicamente ou não, um pouco antes disso, eu comecei a ler um dos livros da Brené Brown, o "A arte da imperfeição". O foco dele é apontar fatores da vida de quem vive plenamente, mas, não sei se vocês sabem, a Brené é uma pesquisadora da vergonha. Ela ficou quase uma década estudando o sentimento de vergonha, montou uma pesquisa monstra, publicou alguns livros e ficou bastante conhecida nesse nicho. Daí que ela explica que as coisas que matam o Viver de Todo Coração são a vergonha e o medo. E que para driblar esses sentimentos nós precisamos, principalmente, reconhecer nosso valor pessoal.

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Eu me forcei a destrinchar a minha vergonha causada pelas fotos compartilhadas. Quer dizer, caramba, eu estou deitado numa canga na praia! Não é como se eu estivesse fazendo algo errado ou reprovável. É só eu do jeito que eu sou mesmo. A vergonha é da pose, das minhas imperfeições, da feiúra das fotos em si... Desde a Semana Sem Vergonha, o mecanismo que eu uso é combater a vergonha com a lógica. Sentimento não se controla, minha cara ainda fica quente, mas a minha reação, sim. Existe um motivo real para eu sentir tanta vergonha? Olhando a big picture, a coisa é tão ruim assim? Porque, às vezes, é. Tem vergonhas que eu não tento derrubar. Mas, nesse caso, É SÓ UMA SUNGA COM UMA BUNDA POR BAIXO. Por que tanta vergonha de uma coisa tão banal? Uma bunda! Felipe Fagundes tem uma bunda! Até onde eu sei, todos têm!

Uma coisa que aprendi no livro da Brené, é que a vergonha implica em pensar eu sou ruim. Não importa quem seja a pessoa, mas, se ela está sentindo vergonha, é porque ela está se sentindo diminuída perante outras pessoas, como se fosse um desastre humano ou indigna de compaixão. A pessoa se sente uma falha. Ser vulnerável implica em reconhecer o seu próprio valor, passar vergonha é justamente o contrário. O primeiro é "estou de boinha comigo mesmo", o segundo é "preciso provar para você o meu valor".

E eu tenho valor. Aquela é uma bunda de valor (Hahahahahah). Sério, é o meu corpo, minha bunda, meu, risos, risquinho no fiofó. Faz tudo parte do pacote da pessoa que eu sou, e sem filtro nenhum. Por mais que eu me sinta envergonhado, não é ok (pra mim) querer morrer por uma coisa tão básica. É muito complicado eu TER QUE sentir vergonha do meu próprio corpo, que é uma coisa que eu uso todo dia pra sair de casa. Seria como vestir diariamente uma roupa que detesto. Eu não quero isso. Eu sou digno de amor e compaixão como pessoa, eu não tenho que me sentir mal por uma foto minha. Existe um valor naquela bunda, e o valor é: ela é minha. Isso tem que bastar.

Se vocês estão lendo este post, é porque eu morri. Verdade. Mas morri e ressuscitei, acho que de boa o suficiente para postar esse micão aqui.

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(Uma coisa que eu preciso comentar: Depois de assistir a palestra da Brené Brown, eu fiquei maravilhado e quis conhecer mais do trabalho dela. Daí demonstrei interesse no "A arte da imperfeição" E UMA LEITORA DO BLOG ME DEU ELE!!! Eu fiquei tão besta! Aceitei o amor gratuito. Andrea, eu ainda mal sei como te agradecer. Eu fiquei tão surpreso! Obrigado MESMO)