segunda-feira, janeiro 25, 2016


Tem coisas maravilhosas que acontecem assim: a gente entra num ônibus que nunca pegamos antes e vê um anúncio prometendo O MAIOR TOBOÁGUA DO MUNDO! DIVERSÃO! AVENTURA! Daí a gente fica obcecado com a excursão, chama todos os amigos possíveis e torce para não ser uma cilada armada por ladrões de órgãos.

Mas, né, os roteiristas da minha vida não descansam. De última hora, os amigos que estavam garantidos de ir comigo furaram, depois de já terem pago o ingresso, e simplesmente iam deixar o dinheiro pra lá. "Felipe, não vai dar pra gente ir mesmo :-/ Então você pode chamar quem você quiser pra ir no nosso lugar, nem precisam pagar nada". Gente, eu não sei lidar com improviso, fiquei em choque. Era a véspera do passeio. O tempo estava feio, já passavam das 22h, a coisa toda parecia muito improvável. Quem ia topar a cilada que nem do bem eu tinha certeza que era? Escolhi uma abordagem direta:

- Oi, Fulano (a), desculpa estar ligando a essa hora da noite, mas VOCÊ TOPARIA IR NUM PARQUE AQUÁTICO DESCONHECIDO DE GRAÇA NUMA EXCURSÃO QUE PODE SER UMA CILADA?

Você tem que estar preparado para receber esse tipo de ligação à noite se for meu amigo, tem uma cláusula lá no nosso contrato de amizade que diz mais ou menos assim: "Não questione os roteiristas da vida do Felipe, isso está mesmo acontecendo, é assim que eles trabalham". Então, eu consegui um amigo sem muito apego à própria vida que aceitou na hora, segurei na mão do bom Deus e fui.

E QUE BOM QUE EU FUI.

Eu fui super descrente na previsão do tempo, mas o tempo abriu de uma forma que eu até sofri por não ter passado protetor solar adequadamente. Foi maravilhoso! Deixa eu fazer um merchan gratuito do Aldeia das Águas aqui: GENTE, QUE LUGAR. Um dos itens da minha lista de experiências para viver era "Ir num parque aquático decente" e foi muito bem riscado. O parque é bem grande, tem mesmo várias atrações (eu tive que optar entre algumas, porque não ia dar tempo de ir em tudo, isso porque eu passei 7 horas lá), é bonito e muito alto astral. Não tive problema algum, não rolou superlotação, valeu muito a pena pra mim. Recomendo a todos. Inclusive, quero voltar.

Lugar LINDÃO. Aconteceu!
Publicado por Felipe Fagundes em Domingo, 24 de janeiro de 2016

O Aldeia das Águas é lar de um dos maiores toboáguas do mundo (era o maior em 2013, estava no Guinness Book e tudo) e, obviamente, eu precisava experimentar, talvez uma das decisões mais equivocadas da minha vida. Risos. Ok, ok, todo mundo que escorrega pelos quase 50 metros diz QUE ADRENALINA! QUE IRADO! Mas vamos falar da experiência de quase morte? PORQUE, MEU JESUS, QUE CAGAÇO QUE BATE! Eu temi de fato pela minha vida, sem contar o cuecão que o toboágua dá, fazendo a gente chegar lá embaixo com as bandas de fora e a sunga enfiada no fiofó Hahahahahah DISSO NINGUÉM FALA, NÉ. Achei digno informar.

Engraçado que na foto obviamente não mostra que essa boia desce girando feito o capeta só porque o cara perguntou: - Posso girar com força? - Dê o seu melhor, moço.
Publicado por Felipe Fagundes em Domingo, 24 de janeiro de 2016


TRAUMAS À PARTE, eu descobri saunas no Aldeia e, gente, também estava na minha lista frequentar uma sauna! Quem poderia imaginar sauna num parque aquático? Eu tinha procurado por saunas no Rio de Janeiro e, aparentemente, as pessoas usam para transar nelas. Não era exatamente o que eu estava procurando, não é mesmo? Mas a sauna do Aldeia era uma sauna de família, risos. Sério, podia mesmo entrar família, com crianças e tal, que acho que é o jeito certo de usar mesmo. Eu achava sauna uma experiência meio bosta, porque imaginava que era só entrar e ficar sentado num lugar com vaporzinho. Amigos, não é só isso. Não é um vaporzinho. É QUENTE COMO UM INFERNO. Do naipe que você queima a buzanfa no assento (aconteceu com um amigo meu... um amigo...) e fica todo ardido por dentro quando respira. É como se o ar estivesse pegando fogo e, quanto mais você fala, se mexe ou respira, mais você se queima. Então o lance é mesmo fechar a boquinha e ficar na tua. O que eu não sabia é que a sensação é MUITO BOA! Saí de lá com o corpo completamente relaxado, querendo dormir ali no chão mesmo, dizendo PARECE O INFERNO, MAS ACHO QUE É O CÉU. Acho que é melhor do que se fosse uma sauna transona, fica aí a dica pra vocês.

Enfim, foi um dos melhores dias da minha vida, comigo deitado nas boias, boiando nas piscinas, absorvendo toda a descoladez do lugar na maior vibe Carolina Ferraz, EU SOU RYCAAAAAA, etc. Sério, aquele lugar, gente! Eu nunca me senti tão rico. Tinha horas que eu ficava esperando os seguranças do parque apontarem pra mim e OLHA, ACHAMOS UM POBRE NA PISCINA, EVACUEM ESSA AMEAÇA de tão surreal que a coisa toda parecia. Curti demais!

Posted on segunda-feira, janeiro 25, 2016 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, janeiro 20, 2016

Lembram daquele meu post onde eu dizia que amo/sou crente e que a coisa toda tem um lado fascinante que poucos conhecem? Pois bem, estou aqui para mostrar mais um pouco desse lado, motivado por um comentário do João num dos posts do blog. "Como eu não convivo com igrejas, é difícil ter noção de como pode ter uma cultura totalmente particular ali dentro". Amigo, é difícil mesmo. Tem dias que eu fico QUAL É O NOSSO PROBLEMA? porque os momentos fogem muito da realidade plausível.

Por exemplo, eu meio que me inscrevi num RETIRO CRENTE DE SOBREVIVÊNCIA NA SELVA!

Oi???

Ou quase isso.

Vocês já ouviram falar da Igreja Perseguida? Não? Imaginei. Viu? É disso que eu estou falando. Se eu quero comentar uma coisinha do mundo crente, eu preciso explanar todo o contexto pra vocês não ficarem boiando. Existem alguns países onde é proibido pregar o evangelho. Há tribos pelo mundo, por exemplo, que nunca ouviram falar no nome de Jesus. Daí existem pessoas, que juntas formam a Igreja Perseguida, que se voluntariam, que entregam sua vida para fazer esse trabalho e tentar levar a mensagem de Cristo a todas as pessoas. Eles são, claro, perseguidos, aprisionados, espancados e, até outro dia desses, estavam sendo crucificados. Ou seja, não é brincadeira. São pessoas que levam o evangelho muito a sério, que vivem e morrem por ele. Um pouco diferente da Igreja que a gente conhece e vê aí envolvida em escândalos de corrupção e barraqueando no Facebook.

Pois bem, daí que, não me lembro como, eu cheguei no site desse Projeto Trilha Radical. Eles organizam uma espécie de retiro para cristãos que querem sair da comodidade convidativa de suas igrejas para acordar pra vida de um evangelho mais radical. Daí que rola uma simulação de como vive a Igreja Perseguida e eu não sei exatamente o que isso significa. 

Percebam que sou desses que entram nas coisas sem saber do que se trata. VÃO PERSEGUIR A GENTE? JOGAR NA FLORESTA? EU NÃO SEI. No site, só tem foto de gente andando, chorando e fazendo aquilo que crentes mais fazem em fotos, que é terem >>>MOMENTOS<<< com Deus. Não tem ninguém apanhando ou morrendo (amém). Depois de ter me inscrito, recebi um e-mail com instruções. Juro que veio escrito exatamente assim.

"LEVE COM VOCÊ: Biscoitos, balas,Bíblia, roupa de cama, colchonete, travesseiro, cobertor, toalha de banho, material de higiene pessoal, chinelo, remédio de uso diário, repelente, tênis velho, blusa de manga comprida velha, calça comprida velha, muita disposição e coragem. Muito Importante! Você não esta indo para um piquenique, nem para um colonia de férias, SE VOCÊ NÃO ESTA DISPOSTO A SER CONFRONTADO POR DEUS E TER A SUA VIDA CRISTÃ COLOCADA A PROVA"

OLHA ESSE CAPS LOCK TACANDO MEDO NA GENTE. Então eu estou imaginando que é tipo uns tapas na cara da nossa fé cristã mais uns momentos de tensão rolando na lama, que é pra praticar mesmo um desapego com as roupas do corpo. É tipo "Vá vestido com roupas que você não espera ver mais". Como as brusinha que levam pro Esquadrão da Moda.

 Gente andando


 Gente chorando

Gente tendo >>>momentos<<<

Eu, honestamente, não sou muito de ter >>>MOMENTOS<<< com Deus, mas adoro uma aventura e um bom confronto, desses que fazem a gente rever nossos conceitos e adquirir um novo olhar sobre o mundo. Tô aqui fazendo piada de tudo como sempre, mas estou ansioso, curioso e torcendo muito para alguma coisa muito boa sair dessa loucura toda.

Adoro quando crente inventa. VAMOS ACOMPANHAR.

UPDATE: Já fui e voltei! Confira aqui.

Posted on quarta-feira, janeiro 20, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, janeiro 18, 2016

Tenho tentado praticar o desapego com todas essas coisas que não importam. Desapego das paranoias, das vergonhas, das tralhas... Mas, se tem um desapego que eu não consigo praticar, é o desapego do banheiro. Mais especificamente, do banheiro da minha casa. Antes do Meu Corpo, Minhas Regras vem o Meu Banheiro, Meu Templo.

A Rute me mandou essa imagem por whatsapp dias atrás comprovando aí meu apego.


Gente, se eu preciso MUITO, eu uso outros banheiros, mas rola todo um dilema interior até que eu aceite sentar a bunda numa privada alheia, desconhecida e sem afinidade comigo. Eu tenho tanta paranoia com banheiros, que, quando eu entro em um, soa o alarme na minha cabeça BANHEIRO INCOMPATÍVEL, ABORTAR MISSÃO. Já considero prisão de ventre uma benção disfarçada, porque é o tempo que eu preciso para chegar em casa e ser feliz.

Se vocês ainda não estão convencidos, eu passei TRÊS ANOS estudando na mesma escola sem nunca ter ENTRADO no banheiro de lá. Avaliem. Mas, beleza, eu não preciso mesmo do banheiro de vocês, só do meu, dá pra viver. 

Porém, já que é meu cômodo favorito da casa um ambiente tão importante pra minha paz interior mim, esse ano eu resolvi fazer uma reforma nele. Aumentar, deixar mais bonito, consertar as coisas que me irritam diariamente e tal. Contratei pedreiro, comprei material, tomei várias facadas (gente, tá aí uma coisa que não é barata. E o meu banheiro nem é grande!) e, voilá, obra começando. O plano para alargar o banheiro era construir novas paredes em volta e depois derrubar as paredes atuais, porque assim a gente poderia continuar usando o banheiro sem ter que passar pelo infortúnio de não ter banheiro na casa enquanto a obra seguia. Eu já contei a história no Twitter, mas, gente, precisava recontar aqui, porque, JESUS, roteiristas não me abandonam.

O telhado do banheiro DESABOU em cima do pedreiro. E por desabou eu quero dizer que caiu todinho mesmo. Era um banheiro muito engraçado, não tinha teto, não tinha nada, ninguém podia fazer xixi, porque QUAL PARTE DE NÃO TEM TETO VOCÊ NÃO ENTENDEU? Etc. O pedreiro sobreviveu (mas não muito), porém eu ganhei um banheiro conversível. Vocês não imaginam como está sendo tragicômico tomar banho e cagar ao ar livre.

ATENÇÃO! CENAS EXCLUSIVAS DA TRAGÉDIA!





Percebam que eu meio que moro numa floresta, né? Então é toda uma experiência de sentar na privada e poder dar um alô pra Mãe Natureza, ouvir o canto dos pássaros e tomar susto com as siriguelas caindo do pé. Gente, e o medo de entrar uma cobra ou um morcego à noite? Vejam as coisas ridículas com as quais eu tenho que me preocupar na minha vida de jovem adulto. Nesse fim de semana, choveu a beça e eu me vi tomando banho de chuva e de chuveiro ao mesmo tempo. Eu gargalhei quando minha mãe entrou no banheiro pra fazer xixi abrindo um guarda-chuva HAHAHAHAHAHAHAH

PRA COMPLETAR, minha mãe me liga pra dar uma notícia:

- Tenho uma notícia triste pra te contar.
- MINHA VÓ MORREU???
- Não!
- Alguém morreu?
- Também não.
- Então não é triste.
- O pedreiro infartou.
- AI, MEU DEUS, NÃO
- E desmaiou
- GENTE
- E bateu com a cabeça quando caiu
- JESUS, TENHA PIEDADE DESSA ALMA
- Então ele não vai terminar o banheiro quando disse que ia
- Nossa, só por causa de um traumatismosinho craniano a pessoa já quer atrasar a obra
- FELIPE
- Eu tô brincando Hahahahahah

MAS, GENTE, MEU BANHEIROOOOOOO. Agora mesmo eu estou aqui correndo o risco de uma criatura hostil invadir minha casa por lá, ALGUÉM ME AJUDA, PLMDDS. Eu não sei quando essa obra vai terminar, como poderei lidar com meu banheiro como uma pessoa normal e não como uma questão de vida ou morte. Confesso que tem horas que a coisa toda é bem engraçada, mas eu preciso do meu banheiro de volta.

Moral da história: Esse pedreiro é amaldiçoado, só pode.
Outra moral da história: Lembrem de mim quando estiverem sentados bonitinhos na privada de vocNÃO PERA Saibam dar valor ao banheiro com teto de vocês.

Posted on segunda-feira, janeiro 18, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, janeiro 14, 2016

Não sou de fazer resoluções de ano novo, mas fui na onda das amigas e fiz. Uma lista modesta, apenas com coisas que eu realmente acredito serem possíveis de serem cumpridas. Quer dizer, exceto por uma: Aprender a nadar. É UM DESAFIO.

 Um sonho meu: usar essa bóiazinha
(sério)

No final do ano passado, vocês lembram que eu me meti com natação? Pra quê, gente? Só pra pagar mico? Só que aí a piscina do clube entrou em reforma, e eu fui obrigado (mas feliz) a dar um tempo. A nova piscina ficou pronta e, risos, eu não voltei. Relaxei mesmo, confesso. Mas já era Dezembro, o recesso estava ali, ficou aquele amanhã eu volto eternamente... Mas foi só Janeiro começar QUE EU VOLTEI. AGORA É PRA VALER, CAMBADA. É nadar ou nadar.

Essa volta tem sido agridoce.

Por quê, Felipe?

Bom, eu continuo na raia da derrota, que é aquela onde ficam as pessoas que definitivamente não sabem nadar ainda. E ela era só minha, risos. Daí que agora EU TENHO COMPANHEIROS! NOVOS PERDEDORES! É tipo o clube Glee da natação. Gente, faz tão bem! Antes eu só tinha a lenda urbana do "Fernando", o aluno que os professores comentavam que era MUITO PIOR do que eu e aprendeu a nadar, mas ele nunca foi visto. Contudo, agora eu tenho ali pertinho de mim provas vivas de que não estou só! É cada braçada mal dada, cada perna que não bate, cada semi afogamento, cada gargalhada quando o professor diz que somos campeões! Pra mim, é o céu.


Não que isso interfira no meu desempenho, porque eu continuo bem ruim mesmo.




Mas mico segue a lógica inversa da companhia: antes mal acompanhado do que só, né?

Falando em mico, eu me fiz o favor de comprar uma sunga preta para evitar pagar bundinha novamente, PORÉM algo deu errado com a numeração e ela parece mais folgada que as outras. Eu já tô imaginando eu pelado na piscina qualquer dia desses. VAMOS ACOMPANHAR.

Por último, os professores continuam os mesmos, ou seja, tendo fé em mim. Mas já noto um desespero batendo de leve neles.

- Quero ver você saindo com impulso na borda, começa a bater perna e depois a girar o braço junto
- Eu não sei fazer isso ainda
- Pelo amor de Deus, Felipe, você já está aqui há um mês
- EU ACABEI DE VOLTAR
- Tá pegando mal pra mim já

O outro me apresentou assim aos novos alunos: "Bom, esse é o Felipe. O Felipe... como eu posso dizer? O Felipe é o que me dá motivação, é o meu desafio" HAHAHAHAHAHAH

Serei sereio até o fim do ano? Fica aí o suspense.

Posted on quinta-feira, janeiro 14, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, janeiro 11, 2016

Se vocês estão lendo este post, é porque eu morri. Brincadeira.

Naquele mesmíssimo dia em que eu postei sobre vulnerabilidade, deixar o mundo de te ver do jeito que você é e amor próprio (aqui), o Universo leu meu post, gargalhou e disse "Ah, você é o diferentão vulnerável? Você é cheio de amor próprio e se acha um ser de luz? VAMOS VER ISSO NA PRÁTICA".

Gente, PRA QUÊ? Por que ele não apenas virou pra mim e disse com carinho "Migo, baixa a bolinha, ok?".

Eu comecei o ano maravilhosamente bem, de uma forma que eu não poderia imaginar nem nas melhores possibilidades. Por ter ido a um lugar que não costumo mais ir, por ter ficado acordado até uma hora que acho abusiva e por ter conversado com pessoas que eu não conversava, acabei indo parar numa casa de praia no primeiro fim de semana do ano (!!!). Daí que, obviamente, tinha uma praia, uma praia com meus amigos nela, uma praia na qual eu forrei a canga da qual tanto me orgulho e deitei.

Algumas horas depois do post sobre vulnerabilidade, surge a notificação "Seu amigo fulano de tal postou fotos com você" no Facebook. Eu gelei já aí, por motivos de 1) não gosto de fotos 2) eu não tinha conhecimento dessas fotos e 3) o amigo em questão é meio sem noção. Todos os meus medos se concretizaram ali.

"as fotos da festa ficaram ótimas", só que não ficaram, minha gente. As fotos ficaram HORROROSAS. As fotos teriam que passar por muita montagem para ficarem, pelo menos, apenas feias. E, meu deus, EU NELAS. EU NA INTERNET. EU QUE NÃO TIRO NEM SELFIE. Eu poderia usar vários adjetivos negativos para descrever as fotos, mas postarei aqui uma das piores, pois para quê serve blog pessoal se não para nossa própria humilhação pública, não é mesmo?



Uma olhada mais de perto:



Caso você ainda não esteja convencido de que, realmente, não é o melhor dos ângulos:


DEIXA EU MORRER UM POUCO AQUI RAPIDÃO.

Favor não aparecer aqui dizendo que, ai Felipe, não foi nada demais, PORQUE EU QUASE MORRI. Ai, mas é só uma fotEU NÃO QUERO SABER. Gente, eu jamais postaria uma foto desse naipe. A onda de vergonha foi tão forte que eu fiquei literalmente paralisado. Minha cara queimando. Não sei explicar. Eu posso me expor bastante nos meus textos, mas em foto... Foto é uma coisa que eu não sei lidar mesmo. E AQUELE RISQUINHO NO FIOFÓ, até agora não superei o risquinho no fiofó. Quem posta foto de fiofó riscado na internet, gente? Foi muita exposição pra mim. E contra a minha vontade. Ver o pessoal da >>>igreja<<< em peso curtindo, comentando e rindo foi uma punhalada a cada nova interação. Algumas pessoas ainda me apontaram diretamente, "Olha o Felipe kkkkkkkk". Eu não curti, Deus me livre compartilhar, nem comentei. Mal consegui OLHAR. Tentei fingir que não estava acontecendo, mas toda hora lembrava, a vergonha vinha forte, várias notificações chegando. Fiquei mortificado mesmo. Meu maior medo e tal.

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Ironicamente ou não, um pouco antes disso, eu comecei a ler um dos livros da Brené Brown, o "A arte da imperfeição". O foco dele é apontar fatores da vida de quem vive plenamente, mas, não sei se vocês sabem, a Brené é uma pesquisadora da vergonha. Ela ficou quase uma década estudando o sentimento de vergonha, montou uma pesquisa monstra, publicou alguns livros e ficou bastante conhecida nesse nicho. Daí que ela explica que as coisas que matam o Viver de Todo Coração são a vergonha e o medo. E que para driblar esses sentimentos nós precisamos, principalmente, reconhecer nosso valor pessoal.

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Eu me forcei a destrinchar a minha vergonha causada pelas fotos compartilhadas. Quer dizer, caramba, eu estou deitado numa canga na praia! Não é como se eu estivesse fazendo algo errado ou reprovável. É só eu do jeito que eu sou mesmo. A vergonha é da pose, das minhas imperfeições, da feiúra das fotos em si... Desde a Semana Sem Vergonha, o mecanismo que eu uso é combater a vergonha com a lógica. Sentimento não se controla, minha cara ainda fica quente, mas a minha reação, sim. Existe um motivo real para eu sentir tanta vergonha? Olhando a big picture, a coisa é tão ruim assim? Porque, às vezes, é. Tem vergonhas que eu não tento derrubar. Mas, nesse caso, É SÓ UMA SUNGA COM UMA BUNDA POR BAIXO. Por que tanta vergonha de uma coisa tão banal? Uma bunda! Felipe Fagundes tem uma bunda! Até onde eu sei, todos têm!

Uma coisa que aprendi no livro da Brené, é que a vergonha implica em pensar eu sou ruim. Não importa quem seja a pessoa, mas, se ela está sentindo vergonha, é porque ela está se sentindo diminuída perante outras pessoas, como se fosse um desastre humano ou indigna de compaixão. A pessoa se sente uma falha. Ser vulnerável implica em reconhecer o seu próprio valor, passar vergonha é justamente o contrário. O primeiro é "estou de boinha comigo mesmo", o segundo é "preciso provar para você o meu valor".

E eu tenho valor. Aquela é uma bunda de valor (Hahahahahah). Sério, é o meu corpo, minha bunda, meu, risos, risquinho no fiofó. Faz tudo parte do pacote da pessoa que eu sou, e sem filtro nenhum. Por mais que eu me sinta envergonhado, não é ok (pra mim) querer morrer por uma coisa tão básica. É muito complicado eu TER QUE sentir vergonha do meu próprio corpo, que é uma coisa que eu uso todo dia pra sair de casa. Seria como vestir diariamente uma roupa que detesto. Eu não quero isso. Eu sou digno de amor e compaixão como pessoa, eu não tenho que me sentir mal por uma foto minha. Existe um valor naquela bunda, e o valor é: ela é minha. Isso tem que bastar.

Se vocês estão lendo este post, é porque eu morri. Verdade. Mas morri e ressuscitei, acho que de boa o suficiente para postar esse micão aqui.

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(Uma coisa que eu preciso comentar: Depois de assistir a palestra da Brené Brown, eu fiquei maravilhado e quis conhecer mais do trabalho dela. Daí demonstrei interesse no "A arte da imperfeição" E UMA LEITORA DO BLOG ME DEU ELE!!! Eu fiquei tão besta! Aceitei o amor gratuito. Andrea, eu ainda mal sei como te agradecer. Eu fiquei tão surpreso! Obrigado MESMO)

Posted on segunda-feira, janeiro 11, 2016 by Felipe Fagundes

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quinta-feira, janeiro 07, 2016

Dia desses, eu peguei um livreto na rua de uma testemunha de Jeová e, sem nada para fazer na condução, fui dar uma lida. Era meio que uma revista. Encontrei uma matéria bem curiosa (e aleatória) sobre um lagarto australiano chamado "diabo-espinhoso". Eu jurando que os parágrafos sobre o Moloch Horridus iam ter alguma analogia ou conotação religiosa, mas, não, era só uma matéria sobre o bicho mesmo.


Que bicho, pessoas, que bicho. Pelo que eu entendi, ele é um animal que costuma viver em lugares muito secos, onde é difícil encontrar água. O incrível é que ele não morre de sede tão cedo, porque, de uma forma muito doida, ele EXTRAI ÁGUA da areia, do ar, da neblina. A pele dele é cheia de canais que sugam a água do ambiente, acho que como uma esponja consegue fazer, mas não apenas isso. A água sugada vai CIRCULANDO pelo corpo dele até chegar à boca e ele conseguir beber.

 Gente??? Tipo!!! ISSO É PRATICAMENTE UM POKÉMON


Eu fico muito besta quando descubro algo desse naipe. Assim, de ficar maravilhado mesmo, com a boca aberta, de querer apontar e falar VOCÊS ESTÃO VENDO O MESMO QUE EU? Eu poderia incluir esse lagarto em todas as minhas conversas pelos próximos 17 anos. E ele é só um exemplo de como a natureza em geral é BEM FASCINANTE. Vez ou outra eu paro de olhar para essa nossa selva de pedra e, VRÁ, o tchan da natureza surge. Tipo, até nas mínimas coisas. O jeito que as moscas se movimentam (aquelas patinhas malignas!), a organização insana das formigas, a chuva que sempre aparece no final de um dia muito abafado... Nas grandes coisas então, eu mal consigo segurar o tchan e amarrar o tchan, porque é muito TCHAN-TCHAN-TCHAN-TCHAN.

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Num dos capítulos do Alma Sobrevivente (Philip Yancey), livro pelo qual me apaixonei em 2015, tem uma parte que o autor comenta em como as pessoas ficam chocadas quando um bebê nasce com alguma deficiência. Ele conta de, eu não vou saber explicar bem, uma membrana que se move quando o bebê sai de dentro da mãe. Tipo, são dois dutos que passam coisas diferentes, alimentos para o bebê. Quando ele está na barriga da mãe, ele precisa do nutriente X, daí a membrana meio que tapa o duto do nutriente Y. Assim que ele se desliga da mãe, o bebê não pode mais receber o nutriente X, precisa do Y. Daí a membrana tapa o X. E ninguém sabe explicar exatamente o motivo disso acontecer, essa "membrana inteligente" (Eternamente grato se você for parça da biologia e souber me explicar do que se trata exatamente). O ponto do autor é que as pessoas tinham que GLORIFICAR DE PÉ quando um bebê nasce, porque, pra tudo se juntar e formar uma criança, é um milagre. Tem MIL COISAS pra dar errado, mas, de alguma forma, na maioria das vezes, dá certo.

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Dizem que, se a Terra fosse um metro pra esquerda ou pra direita, a vida acabaria, porque as condições seriam péssimas (ou muito frio ou muito quente). Eu fico BESTA que a gente está no único lugar que poderíamos estar mesmo.

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Eu poderia continuar esse post para sempre, mas acho que você já segurou o TCHAN, né? Quer dizer, gente, OLHE AO SEU REDOR. Eu, que amo/sou crente, penso que esses são os "atributos invisíveis de Deus" (Rm 1.19,20), é tipo ver o dedo dele em todo lugar. É tão bonito e tão inteligente que parece mágico demais para ser obra do acaso, sabe? Mas esse não é o ponto deste texto. Você talvez enxergue o dedo de outras divindades ou, sei lá, um poder maior ou, não sei, fiquei até curioso agora com o que vocês enxergam. Me contem aí. Mas que a natureza tem um TCHAN é inegável, e o que eu queria quando comecei a escrever este post era chamar a atenção de vocês para esse fato pra deixar vocês fascinados que nem eu. Acho a sensação maravilhosa.

Posted on quinta-feira, janeiro 07, 2016 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, janeiro 04, 2016

Se você é meu amigo ou planeja ser, é bom que você saiba algumas coisas sobre mim, mas vou deixar duas aqui: 1) eu tenho uma memória muito ruim mesmo e 2) sou muito passional sobre as coisas que gosto e isso significa que algum dia nós iremos brigar por conta disso. Daí que eu tinha brigado com a Cíntia, que é uma das minhas amigas mais próximas. Eu realmente não lembro mais o motivo (ela lembra, com certeza), mas sei que fiquei um tanto contrariado e, por N motivos, me senti péssimo depois da briga. Eu moro no Rio, Cíntia mora em Minas. Nós conversamos por e-mail todos, TODOS, T-O-D-O-S, todos os dias e sei lá quantos anos já mantemos esse contato, que é uma das melhores coisas da minha vida (não é exagero). Daí que, por causa da briga, eu fiquei VOU CORTAR ESSE CONTATO, CHEGA, ACABOU. E eu fiquei um tempo sem responder os e-mails. Frisando aqui que eu estava chateado mais comigo mesmo do que com ela. Algo meio EU FAÇO MAL PARA OS OUTROS, DEIXA EU ME ESCONDER NESSA CAVERNA. ADEUS, MUNDO. Meu jeito de ficar triste. Beleza.

Porém, antes da nossa discussão, Cíntia tinha me mandado o link de uma palestra, uma TED Talk, onde Brené Brown fala sobre vulnerabilidade. Para quem não sabe, a Brené escreveu o prefácio do livro A Arte de Pedir, da Amanda Palmer. Sim, aquele livro que virou minha vida de cabeça para baixo e só me trouxe coisa boa. No próprio livro, a Amanda Palmer cita a pesquisa da Brené, de como elas possuem muita coisa em comum, ambas girando em torno do tema vulnerabilidade. Pois bem, fui assistir. E agora eu recomendo FORTEMENTE que você também o faça. São apenas 20 minutos de uma conversa gostosa e engraçada. Vou deixar aqui pra facilitar.


MAS EU GARGALHEI TANTO! E fiquei tão besta! E me senti tão amado! E tão capaz de amar! E naquele estado de espírito que você não sabe bem se ri ou se chora, mas feliz! EU QUIS ABRAÇAR A BRENÉ E NÃO SOLTAR MAIS.

A palestra me tirou do fundo do poço, resgatou minha felicidade de sempre e minha fé na humanidade e me deixou com uma vontade LOUCA de contar tudo isso pra Cíntia! Aquela Cíntia! Uma das minhas melhores amigas! Com a qual eu vivo conversando! E conto tudo pra ela!

Aquela Cíntia com a qual eu tinha discutido.

FUÉN.

Daí eu fiquei "Mas não vou falar com ela de jeito nenhum. Tipo, eu não posso! A gente BRIGOU". Eu tinha dito coisas, ela disse coisas, não dava para consertar. Eu já estava de saco cheio. Só que aí... poxa, tinha essa coisa TÃO BOA QUE EU PRECISAVA COMPARTILHAR. Mas não é ridículo quando você briga com a pessoa e volta atrás? E dá o braço a torcer? Não é sinal de fraqueza quando você passa por cima de tudo o que aconteceu? Foi um dilema real. E eu só consegui sair dele, eu acho, porque dei ouvido à própria palestra.


VULNERABILIDADE. É o que você demonstra quando se abre para o mundo sem nenhuma garantia. É quando você permite que as pessoas vejam quem você realmente é, sem saber se elas vão gostar ou não do que verão.

E o meu eu verdadeiro não é esse "forte" que faz birra, que dá gelo quando, na verdade, quer baixar a guarda, que finge que não quer quando quer muito. Quem eu realmente sou, quem eu amo ser, é aquela pessoa que valoriza demais os sentimentos, mesmo quando eles são conflitantes, mesmo quando eles não parecem encaixar na realidade. Se dizem que eu estou num lugar que deveria me deixar feliz e eu não me sinto feliz, então tem alguma coisa errada. Se ser "forte" e adulto era manter o climão de discussão, eu caguei pra isso, porque fui feito criança contar pra Cíntia como a palestra havia sido MARAVILHOSA, num e-mail cheio de CAPS LOCK e corações, que é o que eu faço de melhor nessa vida. Eu fiquei muito satisfeito com o resultado, QUE LIBERTADOR, e hoje estamos aí começando mais um ano de amizade.

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Para uma pessoa viver plenamente, ela precisa ser vulnerável. É complicado, eu sei, mas é necessário. E, relaxa, é uma jornada. Não é lendo esse texto que você se tornará uma pessoa 100% vulnerável. É algo que leva tempo, observação, requer aceitação, coragem, compaixão e conexão com outras pessoas.

Você precisa reconhecer o seu próprio valor e se sentir digno de amor do jeito que você é. É todo um trabalho de autoaceitação. Seja mais gentil com você mesmo. Quando você sabe quem é, sabe que é imperfeito, e aprende a amar isso, você não fica tentando se encaixar. Quando você não tem senso de valor pessoal, você se esconde, você ergue muros, você acha que não é bom o suficiente e pensa que precisa ser mais inteligente/bonito/alto/forte/engraçado/rico para poder se encaixar. Como se você só tivesse direito de ser feliz se tivesse essa coisa que você acha que te falta. E NADA CONTRA desejar coisas que você ainda não tem, o problema é ir se odiando durante o caminho inteiro até conseguir a tal coisa. Se você for vulnerável sem amor próprio, qualquer mínima rejeição vai te jogar num desespero de EU SABIA, É PORQUE NÃO SOU DO JEITO TAL. Se você não reconhece o seu valor, você fica lutando para prová-lo para as outras pessoas.

Não sei que tipo de pessoa você é. A Cíntia escreveu 5 lições sobre vulnerabilidade no blog dela, coisas que ela aprendeu com a própria experiência, ou seja, dando o ponto de vista de uma pessoa mais fechada. Eu já sou um TANTO mais aberto (o que não significa que eu seja 100% vulnerável, tenho um longo caminho para percorrer ainda) e foi por isso que me identifiquei tanto com a TED Talk. O jeito que a Brené fala sobre as pessoas que vivem de todo o coração, das pessoas que se aceitam e daqueles que vivem plenamente me encheu de um sentimento de EU ESTOU VIVENDO NO CAMINHO CERTO (mesmo que digam que não) (mesmo que eu pareça tolo/fraco/ingênuo). Eu fiquei tão feliz! É TÃO MELHOR ser vulnerável.

E chega a ser um perigo se privar da vulnerabilidade. Você corre risco de se machucar? Corre. Mas pior que se machucar é perder a chance de viver de forma plena, com alegria, gratidão e conexões reais. Você nunca vai encontrar pessoas que realmente gostam de você se você não der a elas a oportunidade de te enxergar como realmente é. Simples assim.

Eu gosto de começar o ano meio que propondo um desafio para que, quando chegar em dezembro, eu possa olhar para trás e ver se fui bem sucedido. É como um desejo forte para que o ano seja diferente e para melhor. Eu quero ser mais vulnerável. Eu quero ser eu mesmo mais vezes, eu quero encontrar pessoas com quem eu possa ter conexões reais, eu quero viver com todo o meu coração. Em 2015, eu tive outras metas. Quero que 2016 seja o meu ano da vulnerabilidade. Espero que vocês queiram também.

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Nossa, eu achei que esse texto não fosse sair! Mas aí está, devidamente parido. Se você quiser me ajudar, eu não vou hesitar em aceitar sua ajuda. Eu ficarei extremamente grato se você compartilhar esse texto nas redes sociais e/ou indicá-los para outras pessoas. Além de fazer com que mais pessoas conheçam meus textos, mais delas podem conhecer essa verdade preciosa que é a vulnerabilidade.

Posted on segunda-feira, janeiro 04, 2016 by Felipe Fagundes

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