Existe uma coisa sobre essa pessoa que vos fala que talvez vocês ainda não saibam: Ela não sabe sossegar o facho. Sabe quando uma pessoa diz que está "tocando uns projetos pessoais" quando na verdade está morando no sofá assistindo Netflix? Então, eu não sei. Eu sou viciado em projetos pessoais. Eu estou SEMPRE inventando umas coisas, tirando ideias da cartola, planejando uns caminhos alternativos na vida que, olha, NEM SEI O PORQUÊ. Muitas vezes eu me sinto aquele cara num reencontro da turma de 2000 e tanto que fica vendo as pessoas comentando "Ah, eu virei pai de gêmeos", "E eu comprei uma casa!", "Eu casei nesse ano!" e diz "Acredita que eu construí um robô mês passado? Só que ele explodiu. Aí eu estava pensando em adotar uns coalas". E todo mundo "Oi???".

Daí que vocês sabem que estou batendo cabeça com o livro, mas tem uma parte significativa da minha vida que eu só contei muito por alto por aqui. Nem é segredo nem nada, só, sei lá, não apareceu oportunidade. Até agora.

Eu gosto de cantar. MUITO. Eu posso ser o véio gagá das músicas, que não sabe nome, quem canta, acha que música de 1995 é single novo da Adele (risos), etc, mas, gente, adoro cantar. E eu tenho uma relação que eu considero muito íntima com a música, porque, quando eu canto, rola toda uma apropriação daquela voz, eu gosto de música que parece que eu que escrevi, eu canto sentindo tudo aquilo que está rolando. Música boa pra mim é dessas que eu canto como se estivesse me declarando, conversando, orando. Música cristã então, que realmente permite que você fale diretamente com o alvo da música, é praticamente um acontecimento pra mim.

Então eu comecei a escrever minhas próprias músicas, porque aí são de fato as minhas próprias palavras. E isso desde criança, gente. Não sei se é porque eu vivo cantando, eu acordo cantando (acontece às vezes, sério) e eu ando na rua cantando, mas quando eu percebo, PÁ, tô cantando uma música que não existe. Quando eu reparei, já tinha umas 10 músicas. Elas simplesmente acontecem, às vezes eu não tenho controle nenhum. Daí foi pra 20, 30, 50, 70 músicas. Até que um dia eu fiquei, nossa, CEM MÚSICAS, eu deveria fazer alguma coisa com isso. Eu gravava a melodia no celular, escrevia a letra em qualquer pedaço de papel que tinha pela frente, salvava no computador e só. Jamais que eu mostraria para alguém, até que eu comecei a gostar muito delas. Ainda mais quando eu começava comparar com as músicas que eu via nos cds por aí, as minhas pareciam tão reais e decentes quanto.

Então, nesse ano em que eu decidi FAZER COISAS, eu me informei, pesquisei, juntei um dinheiro, contratei um cantor e um produtor musical e coloquei no meu currículo imaginário: "SOU COMPOSITOR AGORA". E, gente, que experiência legal! Eu fiquei me sentindo todo artístico Hahahahah Ouvir uma pessoa cantando músicas que eu escrevi, ver os arranjos sendo feitos no violão, no teclado, a coisa toda acontecendo ali na frente... Tiveram vários perrengues até as músicas do meu portfólio (Cara, é muito engraçado falar isso. "Meu portfólio" Hahahahah) ficarem prontas, mas, FINALMENTE, elas ficaram e hoje eu me sinto mais ou menos pronto para mostrar. Eu estou descobrindo todo um novo mundo de compositores, de cantores querendo gravar cds, de produtores trabalhando duro. Mal acredito que entrei nisso, mas está mesmo acontecendo.

Eu poderia falar mil coisas e depreciar minha própria música, porque vocês sabem que é assim que eu me defendo, mas não dessa vez. PORQUE EU TÔ APAIXONADO POR ELAS. Eu fico ouvindo os mp3 e "Gente, eu que fiz! rsrsrsr". Mesmo que nunca entre no cd de ninguém, eu estou muito satisfeito de ter tirado pelo menos algumas delas da minha cabeça e ter transformado em realidade. Cafonão dizer que são meus bebês, mas é assim que me sinto na maior parte do tempo.

São gravações simples, geralmente só voz e um ou dois instrumentos, porque não é como se eu estivesse gravando um cd. São demos, apenas para eu poder mostrar para artistas para que eles usem em seus trabalhos. A voz guia também não é minha, antes que perguntem. Não sou cantor! O intérprete é o Geison Lima, que me ajudou muito além do que eu poderia pedir. A faixa abaixo também não é um dos singles da Adele, mas é a minha favorita das que eu escrevi.

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Então, é isso. SIGAM SEUS SONHOS! Mesmo os mais cafonas! Qualquer dia desses eu volto aqui para contar pra vocês que tô realmente construindo um robô.