Nossa, eu meio que estou no chão em ver que há quase exatamente UM ANO eu disse aqui nesse humilde blog que tinha terminado o primeiro rascunho da minha história. Foi um alívio tão grande, um sentimento de superação e dever cumprido tão forte que eu nem imaginei que tudo o que viria depois seria ainda mais puxado.

Nesses 12 meses, eu revisei da melhor forma que pude. Li o original todo umas três vezes, editei várias partes, cortei cenas que me incomodavam, cortei personagens desnecessários, a coisa toda mudou bastante. Isso tudo foi até o meio do ano, quando eu me dei por satisfeito e pensei: Bom, não vou deixar aqui na gaveta, né? Preciso fazer alguma com isso.

Eu pesquisei bastante sobre as minhas possibilidades (publicar no Wattpad, na Amazon, mandar pra uma editora, montar PDF, publicar num blog...) e acabei decidindo por procurar um agente literário. E dá-lhe procurar por agentes e agências, morrer na dúvida de escolher o que parecia mais condizente naquele momento comigo e com a minha história e servir de hospedeiro para aquela agonia na hora de entrar em contato. Mas, né, escolhi.

Uma coisa que eu acho muito interessante é que as agências literárias pedem que você passe por uma análise crítica antes de darem qualquer parecer sobre seu destino. É meio que um serviço à parte onde o agente vai ler sua história e apontar os pontos fortes e fracos, talvez informar se encaixa bem no mercado atual, dar dicas de melhoria e tal. Pois bem, eu tive que passar por isso. A questão é que é um serviço pago e, pelo tamanho da minha história (109k caracteres), eu tive que desembolsar TREZENTAS DILMAS (gente, não deixem esse impeachment acontecer, vai que o nome do próximo presidente não fica bem como unidade monetária) para meu original ser analisado. Respirei fundo, segurei na mão de Deus e fui. Porque, se eu realmente acredito na história (e eu acredito), eu tenho que investir, confiando no potencial dela.

Confesso que foi um período que eu só conseguia pensar na resposta. Era tipo TÃO JULGANDO MEU BEBÊ, sabe. Eu tenho beta readers incríveis, que me apontam as falhas, mas sempre falam com carinho sobre a coisa toda. Cíntia e Anna me fazem até acreditar mais em mim. Mas, agora, seria diferente. Seria uma análise feita por uma pessoa totalmente desconhecida. O mês demorou a passar, a agência ainda atrasou a entrega porque a Bienal aconteceu, mas, quando eu menos esperava, o e-mail chegou. E, gente, deu ruim.



Me disseram que o título era mal trabalhado, que os personagens não convenciam muito, que as descrições precisavam melhorar, que os capítulos estavam mal divididos... OU SEJA. Já pode jogar fora e desistir de viver, né? Podiam ter mandado um documento com uma só linha: TÁ TUDO RUIM, que o efeito seria o mesmo, eu acho.

Fiquei bem "POXA", porque, apesar de eu ser capaz de tecer uma lista de defeitos em tudo o que eu faço, eu realmente AMO essa história. Ela tem a minha cara. Ela é uma das good vibes mais importantes da minha vida. Fiquei meio triste, mas depois vi que concordo com alguns dos itens apontados. Na verdade, alguns problemas eu até já sabia que estavam ali, mas preferi ouvir da boca de outra pessoa que entende mais do assunto. Outros ainda me deixam com vontade de ir lá interditar a agência. Mas, né, se até JK Rowling levou vários nãos antes do sim, eu tinha era que agradecer pela agência não ter vindo aqui pessoalmente cuspir e encher minha cara de tapa.

O resultado é que eu ainda não desisti I'M TITAAAAANIUUUUMMM. Vou pegar as críticas, ajeitar o que eu puder, deixar a história, ao meu ver, ainda melhor e tentar achar uma casa ou pessoas que a defendam novamente. Não é como se eu tivesse a opção de desistir no fim das contas.

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Eu AINDA estou trabalhando nessa fase 2 e, às vezes, me bate um desespero de que nunca vou acabar de mexer na história. Eu tenho apenas 1 hora para escrever por dia, que eu tenho que lutar pra fazer acontecer, e sabe Deus quando eu vou terminar de editar. Tá rolando quase uma reescrita.

Quis compartilhar essa, bom, não tenho outra palavra, derrota aqui para vocês verem que nem tudo são flores. Na verdade, eu já tô imaginando uma sequência de NÃOs para, TALVEZ, eu rir lá no final, mas, quem sabe?

De qualquer forma, eu queria agradecer a vocês que continuam lendo e compartilhando os textos do Não Sei Lidar. Eu posso não ter um livro publicado, mas acho incrível poder, de alguma forma, fazer parte da vida de vocês por meio das palavras :)