Se eu estiver enganado, me avisem, mas estou cada dia mais convencido que a empatia é a única coisa que pode aplacar o ódio.

Ah, mas já vem falar de ódio de novo. Gente, desculpa, mas estou obcecado por esse assunto. Quando você começa a pensar, prestar atenção e perceber como a coisa toda funciona, a vontade é de ir mais fundo pra achar logo a raiz do problema. É LIBERTADOR.

Mas vou poupar vocês dessa vez, porque eu estava pensando era na empatia esses dias.

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Não dá em árvore, né? Pode ser um sentimento muito poderoso e tal, mas realmente não é fácil de se conseguir. Deve ser por isso que opera tanta maravilha quando chegamos lá. Como o mundo é tão cheio de possibilidades e padrões de vida, acho que é quase impossível a gente topar com um desconhecido na rua e compreender tudo a respeito da vida dele. Às vezes, acontece de encontrarmos um semelhante em algum aspecto, verdade. Outras vezes, a gente meio que consegue se colocar no lugar da outra pessoa por dedução, associação ou porque tem um amigo que já passou pela mesma situação... Empatia nem sempre vem de graça, sabe? Às vezes, é um esforço.

E até esse esforço pode dar errado, porque tem uma pegadinha. Quer dizer, não faz mal se você usar da sua empatia para apoiar uma pessoa (eu acho), mas se for para dizer que, no lugar dela, você teria feito diferente e por isso aquela é uma má pessoa...

De alguma forma miraculosa, eu nunca me esqueci de um texto (poesia?) que vi no Ensino Médio. O autor é Ulisses Tavares, o título é "Além da imaginação".

Tem gente passando fome. 
E não é a fome que você imagina entre uma refeição e outra.
Tem gente sentindo frio. 
E não é o frio que você imagina entre o chuveiro e a toalha.
Tem gente muito doente.
E não é a doença que você imagina entre a receita e a aspirina.
Tem gente sem esperança. 
Mas não é o desalento que você imagina entre o pesadelo e o despertar.
Tem gente pelos cantos. 
E não são os cantos que você imagina entre o passeio e a casa.
Tem gente sem dinheiro.
E não é a falta que você imagina entre o presente e a mesada.
Tem gente pedindo ajuda. 
E não é aquela que você imagina entre a escola e a novela.
Tem gente que existe e parece imaginação

Lembro que fiquei impactado, tanto que vira e mexe eu continuo com alguns versos na cabeça. Acho que já deu para vocês entenderem onde quero chegar, não deu? Às vezes, a gente ACHA que entende uma pessoa, que conseguiu se colocar no lugar dela com base numa experiência nossa, mas, gente, nem sempre é o suficiente. Não rola tratar uma pessoa desnutrida mandando comer uma besteirinha para aguentar até a próxima refeição. Você pode saber como é ter fome, mas não aquela fome. Ou aquele frio. A gente acha que passou pela mesma coisa, mas nem sempre passou mesmo.

Por isso que é meio complicado dizer Ah, mas eu sofri bullying na escola e tô ótimo hoje em dia, quem reclama disso tá querendo aparecer. Que bom que o bullying não te deixou sequelas, mas você não sofreu aquele bullying. E mesmo que você tenha sofrido o mesmo tratamento que outra vítima sequelada, você ainda não tem a mesma constituição que aquela pessoa.

As pessoas são diferentes e reagem de forma diferentes por diversos motivos. Depende de como a pessoa se vê, do temperamento dela, do histórico familiar, dos relacionamentos que ela já teve, do ambiente no qual ela cresceu, do tanto de amor que ela já deu ou recebeu, se ela, sei lá, dormiu mal ou bem na noite passada... Enfim, muitos motivos mesmo. Com todas essas informações variáveis, cada pessoa vai sofrer mais ou menos, vai reagir com mais ou menos agressividade.

O ponto onde eu quero chegar é que é muito difícil se colocar exatamente no lugar de uma outra pessoa. Até quando a gente acha que sabe como é, a gente não sabe realmente.

Eu cheguei nessa conclusão e fiquei pensando que, ah, é por isso que é difícil julgar outra pessoa por um ato falho cometido. Tipo, a gente consegue julgar o ato (matar uma pessoa nunca vai ser uma coisa boa pra mim, por exemplo), mas julgar o caráter da pessoa, quem ela realmente é, os motivos e as circunstâncias que a levaram a fazer aquilo é bem mais complexo. Eu, particularmente, não consigo mais olhar uma pessoa num situação adversa e dar meu parecer tão rápido, se é que eu tenho que dar algum parecer.

Ódio vem de julgamento, a gente odeia quem a gente julga ruim ou nocivo, de alguma forma. Mas o que tem por trás daquela pessoa horrível? O que tem por trás daquelas palavras tão asquerosas? O que leva uma pessoa a cometer um ato tão cruel? Quais as circunstâncias? Eu tô achando bem difícil apontar o dedão.

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Eu tô virando o analista louco do ódio, gente (aqui e aqui). Tô tipo Cady Heron, 80% do meu tempo eu passo falando de coisas como empatia, amor e ódio, nos outros 20% eu fico torcendo pra alguém também falar e eu poder falar mais! Hahahahah Eu nunca fiquei tão obcecado, minha meta é ficar que nem Drauzio Varella rindo dos haters.

Se quiserem contribuir com meu vício do bem, podem compartilhar esse texto por aí? Eu quero alcançar mais gente, ver mais pontos de vista, encontrar furos ou apoio para esse caminho que eu acho que estou descobrindo. Serei eternamente grato :)