Eu comentei aqui um trecho do A Arte de Pedir que diz que as pessoas mais poderosas e admiradas chegaram onde chegaram pedindo, contando com a ajuda de outras pessoas pelo caminho. E que isso é muito normal! Eu contei como o livro me ajudou a ultrapassar alguns obstáculos, e algumas pessoas comentaram sobre as dificuldades que ainda tinham. Nenhuma novidade: vergonha, medo da humilhação, sentir que pedir é sinal de fraqueza, não querer depender de ninguém, o fato do orgulho falar mais alto etc. Mas aí a Ana comentou sobre um receio que nem é citado no livro, mas que, de todos os medos, é o meu maior empecilho na hora de pedir:

"eu me sinto como um fardo e que as pessoas só fazem por obrigação e pena, e não porque querem. Isso que me desgraça a cabeça também"

Eu tenho horror de colocar alguém numa situação de obrigação. Sabe, mesmo o "fazer por educação" me deixa muito constrangido. Um dos lemas da minha vida é "NÃO SOU OBRIGADO", tá até na tela do meu celular. Se pá, é o que eu tatuaria no corpo. Quanto mais o tempo passa, menos eu me sinto obrigado a lidar com convenções sociais bobas, com situações que as pessoas JURAM que você tem que suportar, que a vida é assim mesmo etc. Me dói ver tanta gente aceitando engolir sapo sem saber que, ei, elas podem recusar! Eu já estou lidando bem com isso. Não quero? Não preciso fazer. Claro que há consequências, mas recusar às vezes faz mais bem do que mal.

 É sério

Mas aí as pessoas não sabem que podem dizer NÃO. Não é só porque você é meu colega de trabalho, meu amigo, meu parente ou minha mãe que você tem que fazer TUDO que eu peço ou ir pra todo lugar que eu te convido. Não é só porque eu te fiz um favor em 1998 que você tem que se sujeitar a todas as minhas vontades. Eu entendo quando você simplesmente não quer fazer. E essa compreensão vem justamente do fato de eu também me dar o direito de recusar. Daí que pra tudo eu tenho que:

- Oi, fulano, você pode fazer tal coisa pra mim?
- Posso, claro.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Mas, tipo, mesmo? Você sabe que pode dizer não, né?
- Felipe, eu sei.
- Assim, nenhum clima ruim vai ficar entre a gente, você não é obrigado a fazer, entende?
- Mas eu já disse que
- Eu vou te amar do mesmo jeito.
- Jesus.

Acho que terei que ouvir o SIM umas cinco vezes no dia do meu casamento, mas é isso ou deixar uma pessoa ser trouxa pelo resto da vida só porque não quis me magoar. Eu peço, inclusive estou pedindo cada vez mais, mas preciso me certificar de que aquela pessoa realmente pode e quer me ajudar. Eu prefiro um NÃO sincero do que um SIM forçado.

Relações interpessoais são tão complexas, gente.