segunda-feira, novembro 30, 2015

Daí que, aproveitando a oportunidade, uma vez que já comecei a expor meu despreparo ao comer com outras pessoas, resolvi contar logo outro causo relacionado para fecharmos de vez esse capítulo e voltarmos à normalidade desse blog (oi?).

Mas estava eu no almoço de confraternização da minha antiga Firma™, eu ainda era estagiário se não me engano, tentando agir normalmente numa mesa enorme com 4756484 pessoas ao meu redor. Por incrível que pareça, eu prefiro comer com 4756484 pessoas ao invés de uma única, porque, na minha cabeça, elas podem se preocupar em reparar em outras mastigações além da minha. Pois é. O lance era que aquele era um restaurante desconhecido com umas comidas esquisitas e, meu deus, como eu tenho birra com comidas esquisitas, daquelas que a gente não sabe exatamente o que é ou não sabe como comer. Isso se corta? Vai molho? Enfio tudo na boca? Pego com a mão? Tem cara de frango... Mas e se for, argh, peixe? Enfim. E, gente, se hoje em dia eu não costumo frequentar restaurantes, imagina naquela época que eu ainda estava aprendendo como era ter meu próprio dinheiro. Sempre me pareceu caro demais, um ambiente meio chique. Era como ser o único pobre numa mesa de gente rica, pensem assim.

Um dos meus chefes estava finalmente voltando ao trabalho depois de meses afastado por razões médicas. E ele estava sentado bem na minha frente. Não era nada demais, mas todo mundo estava dando atenção a ele, e eu estava tentando não fazer uma besteira, tipo derrubar o talher ou derramar suco, não colocar o cotovelo sobre a mesa (nunca entendi essa regra).

Mas quando que eu ficando super consciente dos meus movimentos deu certo nessa vida, né, pessoas?

Eu apoiei meu garfo no prato quando alguém passou servindo uma bebida e levantei o copo quando a pessoa estava mais perto. Eu só sei que deixei o copo escorregar da minha mão e, DE ALGUMA FORMA QUE EU NÃO ENTENDI, ele bateu no meu prato e fez uma coisa que eu não conseguiria nem se realmente quisesse. Ele CATAPULTOU o meu garfo. Tipo, o garfo voou. No meu chefe. Parabéns, Física, sua ridícula.

 Sempre do contra

Ok, não foi como se o garfo tivesse, sei lá, furado o olho dele ou cravado na pele do homem, MAS PRA MIM FOI, SIM. Meu chefe ainda levou de boa, "Felipe, eu acabei de sair do hospital e você já quer me mandar de volta? kkkkk". Gente. GENTE.

Anos depois, eu seria demitido por motivo de "corte nos gastos", mas aposto que:

- Então, sócios, temos que decidir entre o Fulano e o Felipe. Quem vai embora?
- PLMDDS, mandem o Felipe pra casa, ele tentou me assassinar uma vez.

Posted on segunda-feira, novembro 30, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

sexta-feira, novembro 27, 2015

Daí que eu fui mesmo lá na gravação do novo DVD da Nívea. Eu estava tão no automático procurando passagens, hospedagem, companhia e como me virar sozinho que eu meio que não pensei muito no objetivo principal. Foi só quando eu estava lá dentro da Bola de Neve de Campinas que a minha ficha foi caindo e, gente, A NÍVEA. UM DVD DA NÍVEA.


Querendo registrar o momento, mas incapaz de parar de prestar total atenção no palco, eu voltei para aquele lugar que eu gosto tanto. Se você não é cristão, é capaz de não entender. Se você é cristão, talvez não me compreenda também. Já é uma coisa minha manter uma atitude positiva no que diz respeito às pessoas, mas eu vejo como o mundo está, como o ódio se espalha, como o amor vai ganhando cada vez menos espaço. Daí eu olho pra Igreja e nem sei dizer se está muito melhor. Tem muito mal disfarçado de bem. Eu tenho quase certeza de que, se Jesus aparecesse aqui na Terra mais uma vez, seria crucificado DE NOVO. Porque ele simplesmente não combina com tudo que está aí. Mas não é meu dever ficar apontando meu dedo pra ninguém (Depois de já ter apontado. Ainda estou trabalhando nesse comportamento). O que eu estou querendo dizer é que eu sinto falta. Eu sinto falta de um lugar onde eu posso pisar e ter certeza de que é ali que eu quero estar.


Ouvindo a Nívea cantar, eu me senti novamente parte de algo maior. Foi como se ela me dissesse: Felipe, fica bem, vai dar tudo certo no final. Permeando todas as músicas, o tema do novo álbum (Reino de Justiça) é bem claro: Jesus prevalecerá sobre todas as coisas. E, gente, NÃO VEJO A HORA. Num mundo com atentados terroristas, guerra matando inocentes, crime ambiental, ódio circulando na internet, crise econômica, igrejas mais afastando que acolhendo pessoas, fica difícil acreditar que o amor não vai morrer. É difícil ver que existe, sim, um caminho. E eu não estou tentando descobri-lo sozinho.

Eu não canso de dizer que a Nívea Soares é uma das minhas pessoas favoritas. Pela cadência gostosinha na voz quando fala, pelo ímpeto e todo aquele estilo próprio quando canta, mas principalmente pelas coisas novas que ela sempre me traz. Gente, é certeiro. Quando tudo começa a ficar meio esquisito, eu dou play em qualquer vídeo da Nívea e tá lá ela me apontando a saída, o fim do túnel.

 E quando tudo parecer tão frio e só
Me leve em Teus braços e me faz descansar <3

Não foi diferente dessa vez. Tô pronto pra caminhar mais. Nívea, obrigadão.

Posted on sexta-feira, novembro 27, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

quarta-feira, novembro 25, 2015

 
Aí você lê isso e pensa, nossa, que exagero. Quem não sabe como lidar com um refeitório? Que pessoa surtada põe na cabeça que vai passar o mês comendo barras de cereal só pra não ter que interagir? Que bobagem, só em livro YA mesmo, ai, ai.

MAS ENTÃO.

Deixa eu te contar um lance aqui. É uma cena de Fangirl (Rainbow Rowell), mas poderia ser um dia qualquer na minha vida. Às vezes, eu comento umas coisas doidas no Twitter, porque que sei que soam engraçadinhas, e fico meio que pensando que vocês acham um exagero da minha parte, drama demais. Eu também acho, verdade seja dita, mas...

Eu nunca tinha sido confrontado tão de frente, eu acho. Quando a maluquice vem, eu simplesmente faço que nem a Cath, dou meu jeito de contornar. Às vezes, me forço a superar, mas essas são poucas.

Daí que onde eu trabalho tem um refeitório/copa e, obviamente, eu não uso. Quer dizer, eu uso, almoço lá todo dia, mas jamais que vou no mesmo horário que todo mundo. O pessoal almoça em peso às 12h, logo eu só apareço por volta das 14h, 14h30, quando muito raramente tem alguma pessoa ainda zanzando por lá.

Ontem, eu me superei no horário e só fui dar as caras às 15h30. Cheguei, zero pessoas no recinto, nem o pessoal da limpeza. FELICIDADE SUPREMA! O refeitório tem dez mesas, com espaço para quatro pessoas cada uma. Escolhi a mesa mais distante da porta. Coloquei minha marmita no microondas, 3 minutos esperando.

Quando faltava só mais 1 minuto para terminar, me aparece um homem que eu nunca tinha visto, bem vestido, bem mais velho que eu, e pergunta... Quer dizer, não me perguntou nada, ele apenas me disse: "Vou sentar aqui com você ^^"

 Como eu realmente queria agir

Gente, aquele lugar tem DEZ mesas. NOVE mesas livres. TRINTA E SEIS lugares que aquele educado senhor podia escolher para sentar. POR QUÊ, MEU DEUS? POR QUÊ?

Acho que foi o 1 minuto mais longo da minha vida. Porque ele sentou com as coisas dele DE FRENTE para onde eu estava sentado, e eu só conseguia imaginar a cena: Eu tentando lembrar como se usa um garfo, errando a boca, deixando a comida cair, derramando o suco, sem saber o que fazer com as mãos, consciente de cada centímetro do meu corpo, atirando sem querer o garfo nele (já aconteceu), mastigando mil vezes porque não consigo engolir, não sentindo o gosto de nada, imaginando ele olhando pra minha comida...

NÃO DÁ, GENTE. Eu não sei lidar MESMO. Eu me saio melhor comendo com pessoas conhecidas, num lugar conhecido, num encontro premeditado. Mas, assim, TOMA UM DESCONHECIDO NA SUA MESA, a coisa não vai.

Ele já estava sentado, então eu tive que gentilmente dizer:

- Moço... O senhor se importa se eu for para aquela outra mesa ali? Tipo, não é nada pessoal, juro. Só um comportamento esquisito meu.
- ???
- ¯\_(ツ)_/¯

Essas foram as minhas exatas palavras. Eu peguei minha comida, fui para uma mesa bem longe, sentindo alívio imediato e um pouco de culpa, porque, né, coitado do senhor rejeitado. Mas ele ficou bem ok com a situação (eu acho). Se alguém faz isso comigo, eu, no mínimo, vou achar que estou fedendo. Mas, pra começo de conversa, eu nunca teria sentado naquela mesa.

Aí rolou só esse pequeno climão, beleza, porém: E se eu te dissesse que descobri depois que o senhor desconhecido É O FUCKING DONO DAQUELE LUGAR TODO? É O CHEFE DO CHEFE DO CHEFE DO MEU CHEFE.


Alguém vem dá uns tapas na minha cara pra ver se eu aprendo a ser gente, pelo amor do santo deus, seja lá em qual deus você acredita. Eu fico na dúvida se é apenas uma timidez muito atacada ou se já tô de corpo e alma com um pezinho na fobia social. Fica aí o suspense.

Posted on quarta-feira, novembro 25, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

quinta-feira, novembro 19, 2015

Aconteceu exatamente assim: Eu estava me sentindo meio bostinha. Mas só meio bostinha mesmo. Metade naquela vibe queria estar morta e fazendo performances dramáticas no banheiro do trabalho, metade indignado com o estado de espírito da primeira metade. Isso porque eu detesto ficar triste. Quem gosta, né? Eu sei. Mas eu detesto. Acho quase inaceitável, principalmente quando não há um motivo decente pra isso. Eu estava sentindo que a minha vida estava parada, meio que num eterno stand by. Eu não estava sofrendo, mas também não estava me divertindo. Era um limbo esquisito. NADA acontecia, nem feijoada.

Daí que eu estava quase entregando os pontos para a bad mesmo, mas resolvi dar uma olhada na minha lista de experiências para viver antes de morrer. Eu nem estava com vontade de realmente fazer alguma coisa, mas fui teimoso, abri o Random.org, sorteei um número e, juro, caiu "Show da Nívea Soares" na lista.

Minha primeira reação foi: Ai, gente.

Mas a minha segunda foi entrar no site da Nívea para olhar despretensiosamente (eu nem ia ir em show nenhum mesmo) a agenda de shows dela. Daí eu vi: GRAVAÇÃO DO NOVO CD/DVD. Em Campinas, São Paulo.



Gosto de viajar? Nhé. Eu já fui em Campinas? Nunca. Já pisei em São Paulo? Também não. Já viajei sozinho? Única vez que saí do Rio Janeiro foi pra me aventurar em Foz do Iguaçu, mas muito bem acompanhado pelas minhas mães pessoas loucas por controle organizadas. Tenho disposição pra encarar show de mais de 3 horas no meio de uma muvuca de gente? Claro que não. Tenho 87 anos? Em espírito. Gosto da Nívea? AMO DE PAIXÃO.

Lilian disse que lembrou de mim vendo essa tirinha.
Não poderia ter acertado mais >.<

Ou seja, todas essas respostas me levaram à conclusão óbvia: PRECISO IR PRA CAMPINAS VER A NÍVEA AGORAAAA.

Gente, deixa eu contar uma coisa. Existe meio que uma magia na transformação de um fim de semana sem nada planejado em um fim de semana com viagem urgente para Campinas. Sabe, foi tipo TOMAR AS RÉDEAS DO DESTINO! Uma indignação contra a inércia da vida! VOCÊ NÃO VAI ACONTECER, SUA PALHAÇA? VAMOS VER QUEM É QUE NÃO VAI ACONTECER. E tá acontecendo. Eu total passei de bostinha para bestinha com a viagem, uma vogal fazendo toda a diferença.

***

Não satisfeito com a aventura súbita, eu fui na página da Nívea ver se tinha gente do Rio indo também, talvez uma caravana, algo assim. Interagi com algumas pessoas casualmente e, BUM, arrumei um carro de gente desconhecida indo pra lá. Todo um medo dessas pessoas me sequestrarem, toda uma investigação intensa nos perfis do Facebook, toda uma Amanda Palmer dizendo pra eu segurar na mão de Deus e ir na fé. Bom, tô indo. Se eles não roubarem meus órgãos, será ótimo.

***

Então, é isso. EU TÔ INDO PRA CAMPINAS. Amanhã! Num carro desconhecido! Pra dividir quarto com 7 pessoas num hostel! Sozinho! All by myself!

ALGUÉM ME IMPEÇA, PLMDDS.

Morrendo de medo, mas adorando isso tudo. Se pá, faço um diário de viagem contando os perrengues. Vamos acompanhar.

Posted on quinta-feira, novembro 19, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

terça-feira, novembro 17, 2015

Ainda aprendendo a manter a política de não odiar, eu estava investigando as causas do ódio. Por que bate aquela vontade de esganar a outra pessoa? De onde a gente tira tanta disposição para xingar, julgar e condenar um desconhecido na internet? Por que o ódio deixa a gente tão empoderado de forma que nosso alvo parece tão desprezível aos nossos olhos? Como eu disse, estou aprendendo. Só ando no caminho, mas não tenho as respostas ainda. O que eu sei é que me faz mal e seria ótimo cortar pela raiz.


Uma das minhas pessoas favoritas, a Nívea Soares, lançou uma música nova no Youtube, que, na verdade, é uma versão de uma música em inglês. Beleza. Ouvi, achei legal, dei meu like lá no vídeo... Só que fui ler os comentários (por que a gente ainda teima, né?) e apareceu uma pessoa dizendo algo como "Música bonita, mas a gente precisa plagiar os gringos? Temos criatividade também! Temos que valorizar nosso país etc etc etc". Daí apareceu uma outra "defendendo" a Nívea, dizendo que "Minha querida, você precisa estudar mais! Não é plágio!", chamou de burra e tudo. E ficou aquele bate boca, as pessoas depreciando as outras a cada novo comentário. Fiquei imaginando a Nívea, que só queria mostrar uma música nova, horrorizada lendo a discussão.

O mesmo com o show de horror que ficou o Facebook no final de semana com as pessoas DISCUTINDO sobre qual tragédia era a CERTA para se compadecer, com as vítimas do terrorismo na França ou com o desastre ambiental em Minas Gerais. Meus queridos amigos do Facebook estavam literalmente chamando pessoas de burras, estúpidas, anti-patriotas, alegando que ninguém no Brasil tinha que sentir nada pelos franceses, porque eles também não se importavam com a gente aqui. Até gente dizendo que eles tinham mesmo que sofrer, eu vi.

Nos dois casos, o ódio foi tanto que chegou até em mim, que estava apenas de observador. A minha vontade foi me meter em todas as tetras com um caps lock ligado para dizer DEIXEM DE SER BESTAS, QUAL É O PROBLEMA DE VOCÊS? COMERAM COCÔ? FORAM CRIADOS POR ANIMAIS? Como se isso fosse resolver alguma coisa. Como se a minha reação não fosse parte do problema.

O ódio simplesmente circula. A gente vê uma pessoa sendo odiosa e imediatamente a odeia também. Daí alguém vê nosso ataque de ódio e passa a nos odiar. O ciclo não termina! Quando alguém tem uma atitude horrível perante nossa opinião, tudo na gente apita alertando que aquela outra pessoa tem que ser humilhada, pisada, cuspida, que ela tem que pagar AGORA por todos os erros dela, que ela é um ser estúpido que precisa aprender uma lição que a gente vai ensinar, que ela precisa ser exposta. A gente lança um ódio sobre os outros que não apenas não causa nenhuma mudança na outra pessoa (só se for pra pior) como também contamina a gente.

Eu já tinha sacado que o certo era responder com amor, mas isso não estava vindo com nenhuma naturalidade. Eu poderia ignorar as tretas, eu poderia não atacar ninguém, mas ainda assim continuava sentindo a raiva. Eu fiquei todo "Mas como se quebra o ódio? Cadê exemplo de uma pessoa que explica isso?".

Foi conversando muito com os amigos, observando as timelines, terminando de ler o Alma Sobrevivente (<3) e tentando achar um ciclo de ódio quebrado que eu cheguei num momento específico da vida de Jesus. Ele foi humilhado, açoitado, pisado, cuspido, pregado numa cruz e uma série de outras torturas que eu não gosto de lembrar. Inclusive, só de pensar na cena, já me sobe um ódio dos presentes porque ele não merecia. Daí que a atitude de Jesus perante aquele povo, ao invés de ser um ódio mortal, é um "Perdoa-lhes, Pai, porque eles não sabem o que fazem". Jesus pediu perdão porque sabia que aquelas atitudes grotescas não eram boas, mas não quis condenar as pessoas pela falta de conhecimento delas.

ISSO É TÃO PODEROSO. É o mesmo caso daquela pessoa que te critica sem te conhecer direito. É o caso da pessoa que tem preconceito contra uma classe sem enxergar nela os indivíduos. É o que acontece quando a gente vê uma pessoa falando uma besteira tão grande, muitas vezes fora de contexto, e acha que já sabe tudo da vida dela a ponto de tachá-la como burra e merecedora da morte. A GENTE NÃO SABE O QUE FAZ. Gandhi fazia questão de dar o mesmo tratamento a todos os tipos de pessoas, fosse rei, fosse mendigo, fosse celebridade... Os melhores médicos são aqueles que tratam os pacientes como pessoas individuais e não como uma lista de sintomas. Amanda Palmer descobriu que, olhando realmente para o público dela, ela pode se relacionar melhor com eles. Existe uma preciosidade em cada pessoa que pouca gente enxerga. As pessoas são cheias de traumas, motivos e vontades que explicam muito as ações. Em qualquer ficção bem escrita, a gente consegue ver o lado do protagonista, seja ele mocinho ou vilão. Existe um laço forte que a empatia cria que nos impede de olhar mal para uma pessoa, porque a gente sabe que, talvez, faria o mesmo que ela em determinada situação.


Se a humanidade inteira tivesse esse laço atando a todos, o ódio morreria. Porque não se odeia o que é igual. E somos todos humanos. Aquele alvo que recebe todo nosso ódio, veja só, é apenas uma pessoa como nós. Que teve criação diferente, passou por lugares diferentes, foi tratada de formas diferentes, recebeu amor em doses diferentes e teve uma vivência completamente diferente da nossa. Mas ainda é uma pessoa, com sentimentos, contradições e dúvidas. Pode parecer um monstro, mas juro que é gente.

Quando Jesus estava sofrendo na mão dos agressores, ele sabia que aquelas pessoas não tinham total noção de quem ele era, não enxergavam nele um ser humano. Enxergavam só um alvo de ódio. Ah, então você está dizendo que todo mundo é inocente? Não, todo ato tem consequência, ainda mais um ato de ódio. O ódio sempre volta pra cobrar da pessoa alguma hora. O que eu estou dizendo é que eu não preciso odiar, porque eu sei que ali está uma pessoa, que merece ser tratada como gente.

Aquelas pessoas discutindo no vídeo da Nívea? Era como se não soubessem que atrás daquele perfil do Youtube estava uma pessoa de carne e osso, sentindo todas aquelas palavras. As pessoas do Facebook? Era como se não sentissem a empatia, não sentissem a mesma dor que muitos sentiram, como se não soubessem que a pessoa do outro lado da tela pode ser muito parecida com eles mesmos. É um bando de não saber.

O caminho é muito longo, ainda mais longo que esse texto, mas eu quero parar de odiar. Eu quero é enxergar pessoas por trás de todas as ações. Ah, Felipe, mas agora você tá virando o quê? Hippie? Quer ser o Dalai Lama? Não, gente, só quero parar de fazer um mal a mim mesmo. É tão absurdo assim?

Posted on terça-feira, novembro 17, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

sexta-feira, novembro 13, 2015

Eu comentei aqui um trecho do A Arte de Pedir que diz que as pessoas mais poderosas e admiradas chegaram onde chegaram pedindo, contando com a ajuda de outras pessoas pelo caminho. E que isso é muito normal! Eu contei como o livro me ajudou a ultrapassar alguns obstáculos, e algumas pessoas comentaram sobre as dificuldades que ainda tinham. Nenhuma novidade: vergonha, medo da humilhação, sentir que pedir é sinal de fraqueza, não querer depender de ninguém, o fato do orgulho falar mais alto etc. Mas aí a Ana comentou sobre um receio que nem é citado no livro, mas que, de todos os medos, é o meu maior empecilho na hora de pedir:

"eu me sinto como um fardo e que as pessoas só fazem por obrigação e pena, e não porque querem. Isso que me desgraça a cabeça também"

Eu tenho horror de colocar alguém numa situação de obrigação. Sabe, mesmo o "fazer por educação" me deixa muito constrangido. Um dos lemas da minha vida é "NÃO SOU OBRIGADO", tá até na tela do meu celular. Se pá, é o que eu tatuaria no corpo. Quanto mais o tempo passa, menos eu me sinto obrigado a lidar com convenções sociais bobas, com situações que as pessoas JURAM que você tem que suportar, que a vida é assim mesmo etc. Me dói ver tanta gente aceitando engolir sapo sem saber que, ei, elas podem recusar! Eu já estou lidando bem com isso. Não quero? Não preciso fazer. Claro que há consequências, mas recusar às vezes faz mais bem do que mal.

 É sério

Mas aí as pessoas não sabem que podem dizer NÃO. Não é só porque você é meu colega de trabalho, meu amigo, meu parente ou minha mãe que você tem que fazer TUDO que eu peço ou ir pra todo lugar que eu te convido. Não é só porque eu te fiz um favor em 1998 que você tem que se sujeitar a todas as minhas vontades. Eu entendo quando você simplesmente não quer fazer. E essa compreensão vem justamente do fato de eu também me dar o direito de recusar. Daí que pra tudo eu tenho que:

- Oi, fulano, você pode fazer tal coisa pra mim?
- Posso, claro.
- Tem certeza?
- Tenho.
- Mas, tipo, mesmo? Você sabe que pode dizer não, né?
- Felipe, eu sei.
- Assim, nenhum clima ruim vai ficar entre a gente, você não é obrigado a fazer, entende?
- Mas eu já disse que
- Eu vou te amar do mesmo jeito.
- Jesus.

Acho que terei que ouvir o SIM umas cinco vezes no dia do meu casamento, mas é isso ou deixar uma pessoa ser trouxa pelo resto da vida só porque não quis me magoar. Eu peço, inclusive estou pedindo cada vez mais, mas preciso me certificar de que aquela pessoa realmente pode e quer me ajudar. Eu prefiro um NÃO sincero do que um SIM forçado.

Relações interpessoais são tão complexas, gente.

Posted on sexta-feira, novembro 13, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

quarta-feira, novembro 11, 2015

Eu acredito muito na evolução do ser humano. Sabe, o crápula de hoje é o gente boníssima de amanhã. Eu sei, eu sei, tem gente que parece que não tem mais jeito, mas, mesmo nesses piores casos, eu acredito que há uma luz no fim do túnel. Ser cristão, inclusive, é em boa parte saber que ninguém é perfeito, mas que todo mundo pode caminhar nessa direção caso se permita. Eu sinto isso todos os dias. O meu eu de hoje ainda é cheio de defeitos, mas vence de 7 a 1 o meu eu de muitos anos atrás.

"Me recuso a ter nostalgia de uma época em que fui menos feliz que hoje"
 
Faz um tempinho que encontrei essa frase no blog da Alice e foi a primeira vez que eu vi um argumento tão bom para justificar a minha falta quase completa de nostalgia. A minha felicidade está toda em ser uma pessoa melhor e, quanto mais para trás eu olho, pior eu me vejo. Eu sempre sinto que estou vivendo meu melhor momento, independentemente do que está acontecendo na minha vida. Talvez, seja uma felicidade que vem de dentro, não sei. Eu definitivamente não sei lidar bem com pessoas nostálgicas, porque, se junta um grupo delas, eu não consigo me encaixar no raciocínio.



Fui no blog da Lisa catar essa imagem que tá sempre ali na sidebar, porque, se existe uma boa definição para o conceito, ela tinha que estar no Inútil Nostalgia. Toda vez que eu bato o olho nessa imagem, eu fico MAS, MEU SENHOR, DO QUE VOCÊ TÁ FALANDO? Que presente doloroso? Sinta as good vibes! Vamos aplaudir o sol! Bota um sorriso nessa cara! etc.

Sempre que alguém vem cheio daquela vontade de voltar no tempo para reviver uma época específica, me dá uma coceira, uma agonia, e eu nunca reajo da forma que sei que a pessoa espera. Confesso que sou MUITO RUIM em lembrar das coisas, mas, até do que eu lembro, eu não sinto tanto falta. AI, QUERIA TANTO VOLTAR PRA LÁ. Mas Deus me livre! Vai sozinho. Não volto, não. Tô feliz aqui mesmo.

O Felipe daqueeeeele tempo provavelmente era sério demais. Eu confundia grosseria com sinceridade e achava que estava tudo bem. Eu tinha uma vergonha imensa de fazer uma série de coisas triviais, tanto que, se eu pudesse voltar no tempo, eu voltava, mas só se fosse pra fazer tudo diferente mesmo. Não é que eu ignore ou odeie o passado. Eu só me sinto mais completo agora, menos fechado, menos sisudo. Eu tenho um leque de opções incríveis que eu não tinha em épocas passadas. O amanhã parece tão, mas tão promissor que eu me recuso, me recuso totalmente a ficar sonhando com o que passou.

Posted on quarta-feira, novembro 11, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

segunda-feira, novembro 09, 2015

1) Finais felizes: Você carrega o livro pra cima e pra baixo, dando toda sua atenção a ele até devorar as 300 páginas. Você, no meio de uma vida corrida, consegue parar por mais de uma hora para assistir o filme e se transportar para dentro dele. Você conhece os personagens, sofre por eles, vibra com eles. Aí você percebe que o final está chegando, as suas expectativas sobem demais. A última cena acontece e, VRÁ NA SUA CARA, deu tudo errado, porque um dos mocinhos foi atropelado por um caminhão ou morreu numa explosão. Daí rola aquele choque, porque aquele livro fofo e divertido termina daquele jeito horroroso e não há nada a fazer, apenas aceitar as pessoas tendo a pachorra de defender que aquela foi uma lição sobre a vida, que nada é perfeito, que temos que estar preparados para tudo. Amigos, EU NÃO QUERO SABER, eu já sei como a vida funciona! Eu sei que as pessoas morrem! Eu sei que câncer mata! FINAL BOSTA É O QUE A GENTE VÊ SEMPRE. Deixa eu me enganar! Deixa eu ver gente vivendo feliz pra sempre! Me dá um pedido fofo de casamento, me dá bebês, me dá amigos vencendo o mal e permanecendo todos vivos, me dá todo mundo se amando. Sai daqui com essas lições duras sobre a vida, eu não paguei pra ter isso. Isso a vida já me dá de graça.


2) Reality shows: Eu não sei o que é, mas se eu passo por um canal e tá passando um reality show qualquer, não importa do que se trata, eu vou, no mínimo, dar uma chance. Será que isso é gostar de bisbilhotar a vida dos outros? Porque eu fico, nossa, filmaram todo o processo dessas noivas escolhendo o vestido de casamento, o que será que tem demais nisso? Porque, gente, TÁ NA TV. Por alguma razão muito fascinante, aquela realidade, mesmo soando super banal, rende dinheiro para várias pessoas! Daí eu fico vendo competição de comida, de produto de supermercado, competição de estilista, de quem se veste melhor, de quem perde mais peso. Eu fico vendo pessoas em Nova York tentando achar o grande amor, tentando vender uma casa, decorando. Vejo as Kardashians não se contentando com um reality só delas e criando uma loja de moda que tem o próprio reality pra tomar conta da vida das vendedoras. E EU AMO PARAR PRA VER. Eu não vou nem comentar de Survivor, que é o maior experimento social que eu já vi na vida, senão esse post não acaba hoje.

 REALITY SHOW NA TV!
*encara até a próxima encarnação*

3) Exércitos de realizadores: Se uma pessoa rica se oferecesse para me dar um presente, qualquer presente, eu já teria a resposta na ponta da língua: MEU PRÓPRIO EXÉRCITO. Mas eu preciso explicar o conceito pra vocês.

Sabe a Shonda Rhimes, produtora de séries de TV? Você já reparou que tem o dedo dela em TRÊS séries famosas no ar ao mesmo tempo? Grey's Anatomy, Scandal, How to get away with murder e sabe Deus mais em quê. Será que ela faz tudo? Seleciona o cast, escreve os roteiros, dirige as filmagens, edita os vídeos, as trilhas sonoras...? Mas é claro que não! Ela tem o próprio exército de realizadores. Ela gera as ideias, a Shondaland constrói.

 Felipelândia, quando vem?

Um outro exemplo também é o que o James Patterson, autor de suspenses policiais, faz. Uma pessoa normal deve conseguir lançar NO MÁXIMO 2 livros por ano. O James Patterson deve lançar uns dez, sem exageros. Ele trabalha com o exército dele, que, no caso, é um grupo de escritores. Patterson pode ter várias ideias para livros e manda uma pra cada pessoa. Elas escrevem, ele ajuda no processo com orientação, revisão, edição... Daí que ele pode trabalhar em várias ideias ao mesmo tempo. Quando o livro sai, como autor vem "JAMES PATTERSON & fulano". O cara é best-seller, o livro vende que nem água. SENTIRAM O PODER?

Gente, meu sonho é ter meu próprio exército. Eu tenho ideia pra livro, pra música, pra zine, pra sites, pra aplicativos, para jogos, para canal no Youtube, para roupas! Eu tenho habilidade para tornar todas minhas ideias em realidade? Certamente que não. E eu consigo muito mal fazer 1 coisa de cada vez. Daria meu reino por esse trabalho colaborativo maravilhoso! Fica aí a indireta pra você, rico, que lê esse humilde blogueiro sonhador.

Posted on segunda-feira, novembro 09, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

quinta-feira, novembro 05, 2015

Sinto que já somos meio íntimos e, apesar de muitos não saberem, essa pessoa que vos fala carrega o gene do rutilismo. Não apenas carrega o gene, como também sofreu das mutações genéticas características dessa tão misteriosa condição que afeta menos de 2% da população mundial. Eu não tenho muito o que fazer, é o fardo que eu tenho que carregar. Nasci assim, cresci assim, sou mesmo assim e vou ser sempre assim: Gabriela. Ruivo.


Infelizmente, acho que minha completa transformação não aconteceu como deveria. Eu não ganhei exatamente a incrível cor de fogo nos meus cabelos, nem os olhos azuis, nem a incrível personalidade característica das protagonistas ruivas de livros YA, todas obviamente fabricadas no mesmo lugar. Eu, no máximo, ganhei umas sardas na cara, uma pele muito branca que nunca fica bronzeada e uma crise existencial do naipe "Seria eu realmente um ruivo? Ou um castanho que se perdeu na vida?".

A minha ruivindade vive em cheque. O meu cabelo é praticamente castanho. Principalmente por ser o tipo de pessoa que não merece ter um cabelo porque não sabe cuidar dele, é um castanho sem brilho e vida algum. É uma cor que você olha e nem saber dizer bem qual é. Às vezes, eu conto que sou ruivo, e pessoas que me viram pessoalmente dizem: Nossa, nem percebi! Mas tem vezes que nem digo nada e as pessoas já começam a me tratar por "russo" ou "ferrugem". De vez em quando, em fotos, bate uma luz boa e eu percebo, OPA, EU SOU MESMO RUIVO. A minha barba engana demais. Ela parece mesmo ser uma barba vermelha, mas, quando se olha de muito perto, dá para ver que ela é formada de fios pretos e loiros (não faço ideia como é possível). A minha sobrancelha é completamente preta, daí as pessoas ficam me perguntando se eu pintei o cabelo (nunca pintei). A raiz da coisa toda deve estar no balaio doido da minha mãe ser negra, eu ter uma avó indígena e a família do meu pai ser branca, mas tão branca que tem gente loira no meio.

Quando criança, eu chorava quando me chamavam de "cabelo de fogo", mas uma hora a gente cresce e precisa aceitar a nossa genética. Eu queria ser até MAIS RUIVO, sabe. Um ruivo naipe Rupert Grint. Uma coisa definitiva, ruivo em tempo integral. Eu tenho receio de ir nessas paradas só para ruivos e me barrarem dizendo Cê nem tinha que tá aqui, lindo. Mas também é bom ficar nesse limbo porque, quando me chamam de maluco, eu fico Eu só ruivo, né, fia, mas, quando fico de caretice, eu jogo a carta do ruivo fake. É meio que o melhor dos dois mundos.

Eu acho que ruivo está mais para um estado de espírito. Ou não. Quem sabe? Eu não disse em voz alta, mas me perguntaram se eu não tinha medo de raspar a cabeça e o meu cabelo nascer "normal". Olha, eu acho que essa possibilidade nem existe, mas seria TRÁGICO!  MEU CABELO DE QUASE FOGO, NINGUÉM SAI.

Posted on quinta-feira, novembro 05, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***

terça-feira, novembro 03, 2015

AVISO: O texto a seguir não é sobre você. Não é sobre o que você deve fazer ou parar de fazer. Não é sobre como as pessoas devem ou não militar, eu não sei nada sobre a luta de ninguém. Este é um texto sobre mim, sobre o que eu descobri que funciona ou não para mim. Exclusivamente para mim.


***

Começando com o livro da Amanda Palmer, eu ando numa vibe de me apaixonar perdidamente por livros de não ficção. Eu daria três tapas na cara de quem dissesse ano passado que em 2015 meus livros favoritos seriam mais parecidos com autoajuda do que com uma ficção bem escrita, porque nem eu, que tanto fugi de livros desse naipe, poderia imaginar que isso aconteceria. Eu tinha até um certo preconceito com não ficção. Uma verdade é que eu sempre preferi a realidade à fantasia, sempre me apeguei mais àquelas histórias com os pés no chão, com dramas de família, relacionamentos, problemas do dia a dia e tal. Nem sei como não cheguei antes à conclusão de que não há nada mais verossímil do que um livro que conta inteiramente fatos e pensamentos de uma pessoal real.

Por N motivos que não vejo necessidade de abordar agora, eu comecei a ler "Alma Sobrevivente" (Philip Yancey), um livro que traz relatos de como algumas pessoas influenciaram demais a vida do autor. Algumas delas, Yancey conheceu apenas através de seus escritos, mas com outras ele teve o prazer de conviver e trabalhar ao lado delas. Gandhi, Martin Luther King Jr e Tolstoi são uns dos nomes mais famosos.

O livro está sendo, de fato, MUITO INSPIRADOR. Eu quase chorei no começo porque parecia que o autor estava falando diretamente comigo. Fiquei todo YANCEY, ME ABRAÇA, ME ADOTA, SEJA MEU BFF. Eu nem sei como explicar.

Chega a ser engraçado que os próprios influenciadores interagiram de alguma forma. Gandhi teve acesso aos escritores russos e acabou inspirando King, que até hoje causa impacto na vida de um monte de gente nos EUA. Parece uma corrente do bem ou algo assim. Eu me sinto na ponta dessa corrente, e a mensagem que eles estão passando para mim é a Não Violência.

***

Semana passada, a Anna me recomendou uma música que, segundo ela, tinha muito a ver comigo. Gente, não é que ela acertou EM CHEIO?



Esse clipe, gente. Tem como não amar? Acho que todas as pessoas que acreditam em Deus, independentemente de religião, podem aceitar de cara como essa mensagem de que Deus é amor é boa. Daí é lindo ver que Deus não pertence à religião, que ele não pode ser vendido, que ele é universal, que Deus ama todo mundo. E, tipo, todo mundo MESMO.

Mas algumas pessoas já chiam no "Atheist", outras chiam no "Lesbians", principalmente se forem cristãos mais conservadores. Aí quem não pertence a igreja alguma fica MAS É LINDO, SIM! DEUS AMA A TODOS! Aí chega a vez dos terroristas e, epa, pera, terroristas? Todo mundo trava nos terroristas.

***

Tem um trecho no livro com uma citação do Martin Luther King Jr, na qual ele faz um apelo para as pessoas que estavam lutando ao lado dele:



Ele precisava lutar pelos direitos humanos nos EUA, mas, inspirado em Gandhi e Jesus, King viu que havia um caminho mais eficaz que a guerra: a não violência. Ele não atacava, não xingava, não guerreava. King, mesmo sofrendo várias retaliações, não deixava de ver os opositores como pessoas. Era justamente o que faltava nos segregacionistas, eles não viam os negros dos EUA como gente. Eu fiquei tão chocado com os relatos no livro! Eles eram violentos demais, chegavam a ter NOJO e ÓDIO de pessoas não brancas. King queria proteger a si mesmo e aos seus seguidores de sentimentos desse tipo, que corroem uma pessoa por dentro. Vocês devem saber como é exaustivo ODIAR uma coisa. Pior ainda é odiar uma pessoa.

Eu não quero esse estresse. Eu quero desistir de odiar. Eu quero continuar vendo TODO MUNDO como gente. E, sabe, meio que anda difícil. Todo dia na internet é um embate. Todo dia tem gente fazendo declaração racista, homofóbica, machista... Às vezes, tudo de ruim numa declaração só. Tem gente sendo atacada, gente sendo exposta, gente destilando ódio. Até quando uma pessoa sofre um preconceito violento, dá para perceber que quem sente empatia pela pessoa oprimida tende mais a agredir o opressor do que consolar quem sofreu. Daí jogam todo mundo na lista das PESSOAS HORRÍVEIS QUE MERECEM A MORTE e vira aquela guerra colossal. No fim, entre mortos e feridos, não há nenhum crescimento pessoal. Porque ódio não agrega, não transforma. Ódio só gera mais ódio. Ódio mata por dentro e por fora.

Pessoa agiu de forma ridícula? Ou eu reajo com amor ou não reajo. Bolsonaro falou as atrocidades de sempre? Ignoro, sigo em frente. Quero problematizar alguma coisa que vi? Não preciso de sarcasmo, não preciso diminuir pessoas das quais eu nada sei da vida. Parece impossível, né? O meu sangue sobe, eu me revolto, eu quero queimar os opressores com o fogo dos meus olhos, mas Deus me livre de ter meu nome na lista das pessoas horríveis que merecem a morte.

Gandhi resistiu ao ódio e movimentou a Índia pacificamente. Martin Luther King Jr conseguiu grandes avanços para os direitos humanos nos EUA quando descobriu que havia um caminho sem agressão. E eles não eram santos, sabe? Tinham tantas falhas, até alguns desvios de caráter, assim como eu sei que também tenho. Eu posso no mínimo tentar trilhar o mesmo caminho que eles, até pela minha própria sanidade. Ódio me faz muito mal.

Posted on terça-feira, novembro 03, 2015 by Felipe Fagundes

No comments

***
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...