Nem foi no meu aniversário nem nada, mas teve um dia que eu acordei e me dei conta dos meus vinte e quatro anos. Senti um impacto, sabe? A coisa foi tão louca que eu tentei voltar a dormir e não consegui, só pensando MEU DEUS. Levantei pra ir para o trabalho, me distraí com músicas, livros e Survivor no caminho, cheguei cedo no trabalho para escrever minhas próprias histórias e fui trabalhar na minha lista inconstante de coisas para fazer quando o expediente começou. Eu já tinha até esquecido da crise da manhã, mas sei lá o que vi que fez tudo voltar. VINTE E QUATRO ANOS, MEU DEUS. Fiquei tão desconcentrado que fui fazer uma performance dramática porém silenciosa no banheiro da firma (inclusive, recomendo a todos).

Nessa mesma semana, enquanto eu era pisado por dores de cabeças ridículas, senti meus dedos formigarem. Uma sensação muito nova para mim. Era como se estivessem queimando, chegava a doer um pouco. Não era como se estivessem pegando fogo, foi como tocar no gelo. Durou uns 3 minutos e sumiu. Aconteceu mais quatro vezes durante o dia, com a variação de também sentir o formigamento nos pés. Eu não sei se é paranoia minha, mas parece que está acontecendo agorinha mesmo enquanto digito esse texto. O Google diz que pode ser esclerose múltipla, Grey's Anatomy me capacitou para deduzir que é, no mínimo, um tumor no cérebro e que tem que rolar um page Neuro imediatamente.

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A crise dos 20 é quando a pessoa não faz ideia do que fazer da vida. Ela já tem vinte e tantos anos e ainda NADA ACONTECEU, por causa de sua falta de aptidão para qualquer coisa. A vida parece estar caminhando para lugar nenhum, e você se sente meio culpado porque já deveria ter começado alguma coisa digna e relevante na sua adolescência. Você está perdido, sem rumo e daqui a pouco estará idoso e com 0 sonhos realizados. Mas, para te garantir alguma sanidade mental, já existe esse vídeo da Jout Jout.

Eu não estou completamente perdido. Não estou tentando descobrir que rumo tomar na vida, não me sinto inútil. Não estou MEU DEUS, VINTE E TANTOS ANOS E MINHA VIDA É UM GRANDE NADA.

Muito pelo contrário. Eu estou achando que não vai dar tempo. Seja a idade chegando, seja uma doença misteriosa batendo, eu estou achando que não vai dar tempo de fazer todas as coisas que eu quero fazer. Tipo, talvez nenhuma sequer. Eu tenho uns sonhos até bem sólidos. Eu corro atrás deles da forma que posso. Mas, gente, só em pensar que posso MORRER com essas coisas não concluídas... É tanto livro que quero escrever e ver as pessoas lendo e gostando, tanta música que quero compor e ouvir sendo cantada por outras pessoas, tanto jogo que quero planejar, aplicativos de celular, gente para conhecer... Tem dias que eu vejo que as coisas estão acontecendo e fico MAS NÃO POSSO MESMO MORRER HOJE.

E daí eu tenho 24 anos, daqui a pouco eu tenho 30, 50, 60... Convenhamos, eu não sou a pessoa com a vida mais saudável do mundo, como passar dos oitenta anos? Mais a violência acontecendo, a natureza enlouquecendo. Como lidar? E, se eu realmente tiver uma doença esquisita, já podemos cortar meus anos de vida pela metade? QUANTO TEMPO ME SOBRA? E como a gente vive pensando que JÁ VAI MORRER?

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Existem séries de TV que nos dão aquele entretenimento necessário para desanuviar a cabeça e existe Being Erica. Eu já comentei sobre a série algumas vezes e, tipo, ela está não apenas gravada como CRAVADA no meu coração. Além do entretenimento que ela não deixa de oferecer (drama, comédia, romance, mistério <3), assistir Being Erica como fazer terapia. É daquelas para assistir devagar, porque em todo santo episódio você fica refletindo sobre a própria vida.


Então eu cheguei num episódio em que uma pessoa vinda do futuro visita a Erica para avisar que não a encontrou por lá. A Erica simplesmente não está no futuro. E a mulher fica PERAÍ, EU JÁ MORRI??? EU ESTAREI MORTA EM MENOS DE 10 ANOS? E daí a Erica fica com isso na cabeça. Tem várias coisas acontecendo na vida dela no presente, coisas exigindo a atenção dela, mas ela não consegue focar porque, gente, ELA SABE QUE VAI MORRER.

Várias coisas acontecem (aliás, esse episódio é divertidíssimo, um dos meus favoritos), mas tem um momento em que o Dr Tom, o terapeuta-barra-viajante-do-tempo, diz mais ou menos assim pra ela: "Você só tem uma vida. E não importa quão longa ou quão curta ela é". Ao que Erica já se adianta e completa o raciocínio:



Sabe, a gente não pode fazer muita coisa para alongar a vida. Manter o pensamento de que ainda temos umas cinco vidas para viver ou de que vamos morrer amanhã pode ser bem problemático, mas, independente do tamanho da nossa vida, o que vale é aproveitá-la decentemente. Eu estou ok com morrer amanhã? Claro que não. Então é por isso mesmo que eu tenho que estar focado em ser feliz aqui, ser feliz agora. Pode surtar um pouquinho? Claro que pode. Vai lá, faça sua performance dramática no banheiro, encare o drama que cura, e, depois, incorpore o Lulu Santos nisso de Vamos Viver Tudo Que Há Pra Viver.

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Gostou do texto? Tipo, de verdade? Se você ainda está vivo para fazer isso, pode me ajudar compartilhando? Se você está que nem eu achando que vai morrer amanhã, COMPARTILHE HOJE, POR FAVOR.