Antes de eu ter raspado a cabeça de leve e postado umas fotos aqui, eu vinha pensando que vocês não sabem muito como é a minha cara. Quer dizer, tem um avatar aqui, outro ali, mas eu não sou desses que aparecem em 47 selfies por dia (nada contra, até tenho amigos que são). Uma coisa confusa é que eu gostaria de ser, mas, gente, tô longe, hein. Tudo isso porque eu odeio foto.




Ok, não exatamente. Eu gosto de ver as fotos, eu gosto de ver minha cara pálida nelas. Eu só não sei lidar com aquele momento em que você precisa parar e posar para uma dita cuja.

Eu acho que é um dom, tem gente que nasce com ele. A mãe acabou de parir, veio alguém com uma máquina fotográfica e, PAH, nossa, que bebê fotogênico. Tem gente que parece programada para sair bem em fotos. Ficou na mira de uma câmera, apita um alarme no cérebro da pessoa e ela automaticamente já entra na pose que dá certo. O sorriso perfeito, o cabelo de tal jeito, os braços no lugar onde eles deveriam estar, aquela viradinha pra pegar o melhor ângulo. E, às vezes, nem é tão robótico assim. A pessoa é daquelas desapegadas e despojadas que se encaixam perfeitamente no meio de um grupo de pessoas, aquela que já se abaixa ou fica no meio e abraça as cinturas ou se apoia num ombro. Enfim, gente que sabe ser modelo.

 Mas gente.

Obviamente, esse que vos escreve não é nada disso e sempre sai nas fotos como se estivesse sofrendo (e está). Ou então, sabe aqueles fantasmas penetras que aparecem nos fundos das fotos? Prazer, sou eu. Eu não sei rir, não sei o que fazer com as mãos. Eu tento me inclinar de um jeito casual e a impressão que fica é que eu tenho um problema na coluna. Eu morro de inveja das tais 47 selfies que conseguem parir com tanta naturalidade. Foto, pra mim, tem que ser espontânea, daquelas que alguém tira quando eu não estou olhando. Ah, Felipe, mas você sai bonito nelas? Amigos, claro que não, eu só não sofro a dor do parto para fazer aquele jpg nascer. Mas o filho é feio do mesmo jeito.


Somado a esta falta de aptidão, tem uma má vontade básica de ficar parando pra tirar foto. Gente, QUE PREGUIÇA. Você sai com as pessoas, e elas querem 3254378 fotos iguais. A minha cara tem um limite de sorrisos falsos que consegue fazer. E, enquanto você está tirando foto, as coisas estão acontecendo sem você! Quando alguém fala JUNTA AQUI PRA UMA FOTO, eu sou o primeiro a grunhir em protesto.

Porém, depois eu sinto falta. Porque eu não tenho nenhuma foto pra mostrar pra ninguém, e fica aquela sensação de SERÁ QUE EU FUI MESMO EM TAL LUGAR? Às vezes, eu mesmo duvido. Às vezes, se torna um arrependimento. Até porque eu curto demais aquela socialização com as pessoas comentando, fazendo piadas e curtindo as fotos nas redes sociais. Eu até gosto de montar meus álbuns (É claro que estou falando de Facebook. Eu não saberia o que postar no Instagram), pensar em legendas engraçadinhas e tal (eu acho, me deixa). Curto como entretenimento, mas isso só acontece, sei lá, duas vezes por ano se depender de mim.

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Daí que esse era um texto pra reclamar do quão chato é essa coisa de foto com pose, um manifesto para abolição desse comportamento opressor, mas, gente, quer saber? Continuem. Vocês tão lindos. Quando eu estiver entre vocês, me poupem o trabalho de ter que tirar minhas próprias fotos. Façam por mim, postem em tudo que é rede social e me marquem. Estamos tomando um café? Tirem uma foto. Sentamos numa das mesas do McDonald's? Foto. Fomos numa exposição de qualquer coisa, num show, num lugar legalzinho? Foto. Eu vou ficar arisco na hora, mas não se deixe intimidar, agradecerei no futuro.