Tenho sido obrigado a conviver com umas dores de cabeça vindas do além faz um tempo. Eu acordo e, PAH, enxaqueca, como se eu tivesse bebido todas na noite anterior e não ido dormir às 21h após uma meia horinha falando groselha no Twitter. Quando eu comecei a sentir os formigamentos e fiquei todo VOU MORRER, achei que já estava na hora de bater um papinho com um neurologista. Visualizem que meu estado mental há dois meses estava sendo "Há um tumor no meu cérebro, o Google me disse".

Daí que o Neuro passou uns remédios e uns exames, que prontamente fiz e fui lá entregar. Os agendamentos de consultas são todos online. Assim que eu cheguei no consultório para entregar os resultados do exame, reparei que não fazia ideia de onde estava. Gente, que lugar é esse? Eu já pisei aqui? Mas, se eu estava indo devolver os exames, era sinal de que era minha segunda vez, né? O Alzheimer já agindo.

Quando eu finalmente fui atendido, o médico (que eu reconheci!) disse: "Sua primeira vez aqui, né? Como eu posso te ajudar?"

Meu senhor, para começar, você precisa se ajudar, pois o Alzheimer já tá pegando o senhor também.

O neuro tem bem essa cara de vilão de Sense8, juro
Inclusive, morri de medo dele querer me lobotomizar

Daí ele explicou que tinha mudado de consultório (ah!) e trocado de sistema (AH!), por isso tinha perdido meus dados anteriores (parabéns). Expliquei meu caso de novo e o que ele já tinha me solicitado, então mostrei as... mostrei as... radiografias? Aquelas fotos do meu cérebro que a ressonância magnética me deu.

Como o neurologista deveria reagir:

- Humn... Está tudo bem.

Como ele reagiu:

- Nossa, isso aqui está tão danificado!

COMO É QUE É? MEU CÉREBRO, NINGUÉM SAI. MEU SENHOR, ME EXPLICA ISSO.

- Como assim?


- Aqui, ó. O seu aparelho ortodôntico interferiu na ressonância, daí saíram algumas manchas brancas nas imagens. Mas dá pra ver que está tudo normal, sim.


Gente. Para quê tato ao lidar com o paciente, não é mesmo?

Ele me passou mais remédios, me deu um diagnóstico que não envolve danos cerebrais (quem diria) e pediu para eu fazer uma espécie de diário da dor de cabeça. Ainda bem que ele explicou que é uma tabela para anotar quando começou, quando terminou, a intensidade, se eu tomei algum analgésico etc, senão ia sair do consultório imaginando algo assim:


Diário da dor de cabeça, dia 1
Querido diário,
Hoje o Felipe acordou com muita disposição, está planejando trabalhar em muitas coisas e, isso mesmo, não vai conseguir fazer nada porque hoje é meu dia e não divido atenção. Volta pra cama, Felipe


Diário da dor de cabeça, dia 2
Querido diário,
O Felipe tentou me matar com um analgésico Hahahahahah Meu amor, se toca, o que não me mata me fortalece. Bjs.

***
 
Imagina se eu tivesse danos cerebrais.