Eu comecei a pedir para vocês compartilharem os textos do blog se realmente gostassem quando eu senti que podia fazer isso. Pensei muito a respeito e, no fim de tudo, ficou apenas um "Por que não?". Lembro de ter hesitado. Ao mesmo tempo que eu achava ser algo totalmente válido, também me parecia ser esquisito. Não chegava a ser como parar o baile e babar, mas quem eu era para pedir alguma coisa?

Meus pedidos funcionaram. O número de acessos ao blog triplicou a partir do momento em que comecei a pedir nos finais de alguns textos. No mês passado, eu até tive a surpresa dos acessos terem QUADRUPLICADO. Eu ainda tenho números tímidos, mas, pra mim, foi como ver mágica acontecer. A gente joga com as peças que tem.

Mas eu ainda ficava meio coisado em pedir. Eu só fui entender o que realmente estava acontecendo quando a Amanda Palmer me explicou tudo por escrito.


Sim, rabisco meus livros

Uma amiga minha, a Rute (<3), assim que comecei a pedir, disse nuns e-mails que trocamos diariamente algo como "Só eu que estou achando o Felipe que nem aqueles youtubers que ficam SE INSCREVAM NO CANAL, CLIQUEM EM GOSTEI, FAÇAM ISSO, FAÇAM AQUILO no final de cada vídeo? Parece meio desesperado". Eu de fato considerei o que ela havia dito, até porque, lá no fundo da mente, eu pensava o mesmo. Aí eu cheguei bem rápido à conclusão de que, bom, eu realmente era igual aos youtubers.

Aí a Amanda Palmer apareceu, deu dois tapas na minha cara e falou: E DAÍ, FELIPE?

O tapa número um foi o que ela diz sobre a troca. Principalmente para quem trabalha com algo criativo (textos, músicas, pinturas etc), o ganho do outro não fica muito evidente, porque nem sempre é um ganho material. É uma experiência, é uma transmissão de pensamentos e até emoções, é algo que geralmente dura pouquíssimo, ainda mais na internet, mas que é bom. Quando uma pessoa ajuda o dono do objeto criativo, ela está retribuindo algo que recebeu de antemão. E ISSO É MUITO NATURAL.

O tapa número dois foi ela dizer várias vezes no livro que as pessoas que se importam com o que você cria QUEREM TE AJUDAR. Às vezes, elas não sabem como ou não sabem do que você realmente precisa. Elas estão dispostas a retribuir, mas, às vezes, é preciso que você diga a elas como elas podem fazer isso da melhor forma. Você precisa criar os caminhos para que cada uma  retribua da forma que puder.

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Resumindo: Se você gosta do que faz e existe gente que sempre volta para conferir o que você fez de novo, não hesite em pedir se precisar. Você não está mendigando, implorando e nem exigindo. É uma troca muito benéfica. É verdade que nem todo mundo que quer vai poder te ajudar no exato momento em que você precisar, cada um tem suas limitações, mas não tem problema, alguns vão. O lance é trabalhar e seguir em frente com a ajuda que você recebe e aceitar o que as pessoas estiverem dispostas a oferecer.