quinta-feira, setembro 24, 2015

Eu comecei a pedir para vocês compartilharem os textos do blog se realmente gostassem quando eu senti que podia fazer isso. Pensei muito a respeito e, no fim de tudo, ficou apenas um "Por que não?". Lembro de ter hesitado. Ao mesmo tempo que eu achava ser algo totalmente válido, também me parecia ser esquisito. Não chegava a ser como parar o baile e babar, mas quem eu era para pedir alguma coisa?

Meus pedidos funcionaram. O número de acessos ao blog triplicou a partir do momento em que comecei a pedir nos finais de alguns textos. No mês passado, eu até tive a surpresa dos acessos terem QUADRUPLICADO. Eu ainda tenho números tímidos, mas, pra mim, foi como ver mágica acontecer. A gente joga com as peças que tem.

Mas eu ainda ficava meio coisado em pedir. Eu só fui entender o que realmente estava acontecendo quando a Amanda Palmer me explicou tudo por escrito.


Sim, rabisco meus livros

Uma amiga minha, a Rute (<3), assim que comecei a pedir, disse nuns e-mails que trocamos diariamente algo como "Só eu que estou achando o Felipe que nem aqueles youtubers que ficam SE INSCREVAM NO CANAL, CLIQUEM EM GOSTEI, FAÇAM ISSO, FAÇAM AQUILO no final de cada vídeo? Parece meio desesperado". Eu de fato considerei o que ela havia dito, até porque, lá no fundo da mente, eu pensava o mesmo. Aí eu cheguei bem rápido à conclusão de que, bom, eu realmente era igual aos youtubers.

Aí a Amanda Palmer apareceu, deu dois tapas na minha cara e falou: E DAÍ, FELIPE?

O tapa número um foi o que ela diz sobre a troca. Principalmente para quem trabalha com algo criativo (textos, músicas, pinturas etc), o ganho do outro não fica muito evidente, porque nem sempre é um ganho material. É uma experiência, é uma transmissão de pensamentos e até emoções, é algo que geralmente dura pouquíssimo, ainda mais na internet, mas que é bom. Quando uma pessoa ajuda o dono do objeto criativo, ela está retribuindo algo que recebeu de antemão. E ISSO É MUITO NATURAL.

O tapa número dois foi ela dizer várias vezes no livro que as pessoas que se importam com o que você cria QUEREM TE AJUDAR. Às vezes, elas não sabem como ou não sabem do que você realmente precisa. Elas estão dispostas a retribuir, mas, às vezes, é preciso que você diga a elas como elas podem fazer isso da melhor forma. Você precisa criar os caminhos para que cada uma  retribua da forma que puder.

***

Resumindo: Se você gosta do que faz e existe gente que sempre volta para conferir o que você fez de novo, não hesite em pedir se precisar. Você não está mendigando, implorando e nem exigindo. É uma troca muito benéfica. É verdade que nem todo mundo que quer vai poder te ajudar no exato momento em que você precisar, cada um tem suas limitações, mas não tem problema, alguns vão. O lance é trabalhar e seguir em frente com a ajuda que você recebe e aceitar o que as pessoas estiverem dispostas a oferecer.

Posted on quinta-feira, setembro 24, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 21, 2015

~ PROJETO ENCERRADO! ~


Quando eu comentei aqui no blog que dou meu reino por e-mails pessoais, fiquei muito feliz por receber mais alguns (vocês <3). Por outro lado, fiquei perplexo com algumas pessoas que me disseram que também gostavam de receber, mas - MOMENTOS DE TENSÃO - só recebiam spam.

GENTE, COMO ASSIM?

Um dia em que eu não recebo e-mails com assuntos aleatórios é um dia triste. Daí que, num momento de forte possessão espiritual inspiração por Amanda Palmer, eu fiquei pensando que precisava me conectar mais com as pessoas, conhecer mais realidades, ter mais empatia. Então, resolvi unir o útil ao muito agradável e construir mais uma ponte entre mim, que escrevo aqui, e vocês, que com sorte estão me lendo nesse exato momento.

~ POR UMA CAIXA DE ENTRADA MAIS FELIZ ~

Como funciona: Você põe seu e-mail aí, e eu te envio uma mensagem pessoal. Fim. Todos felizes. Fé na humanidade restaurada.

Como realmente funciona: Você cadastra seu e-mail no formulário, seleciona em ordem de interesse até 3 dos 8 temas que eu pré-defini para um começo decente de conversa e, então, aguarda e confia. Como a ideia é tentar unir pessoas, é provável que eu ponha uma dupla ou trio como destinatários de um e-mail, onde todos os envolvidos certamente terão demonstrado interesse num mesmo tema. Nada impede de eu mandar um e-mail individual também. Vai do meu humor, instinto e do conhecimento que eu já tenho sobre quem lê esse blog.

Eu não vou: montar uma lista com os e-mails enviados para usar como bem entender. Não vou enviar newsletter, nem spam, nem notícias, nem nada, exceto 1 e-mail pessoal e os demais que possivelmente acontecerão nessa mesma conversa.

Você tem que: confiar em mim e nas pessoas que eu, talvez, coloque junto com você numa conversa.

Se você não quiser participar: Não tem problema, vida que segue. Continuarei enviando e/ou respondendo e-mails como sempre fiz.


~ TÓPICOS DE CONVERSA ~

1) Meu pai, seu pai: Eu falo pouquíssimo do meu pai no blog e escuto ainda menos do pai de vocês. Adoraria trocar figurinhas com vocês, até porque eu estou num dilema com meu progenitor e ainda não sei a solução (Assunto esgotado!)

2) Minha mãe, sua mãe: Da minha mãe eu já falo bem mais, mas queria tirar a prova final de que mãe só muda mesmo de endereço ou se cada uma tem suas particularidades.

3) Meus irmãos, seus irmãos: Acho fascinante a relação entre irmãos, ainda mais porque é uma coisa que eu não vivo, apenas aprecio de longe. Se minha vida é uma sitcom, minha relação com minhas irmãs é uma novela mexicana e eu gostaria de contar para vocês o porquê. Me ajudem a lidar!

4) Séries de TV: Acho que é meu vício mais recente, mas não me arrependo de nada, pois sei que é o mal do século. Eu vivo procurando pessoas para acompanharem séries de TV junto comigo, porque acho que ter com quem comentar faz TODA DIFERENÇA nessa vida de seriador. Será que somos compatíveis? SE VOCÊ ASSISTE SURVIVOR OU QUER ASSISTIR, POR FAVOR, FALA COMIGO (Assunto esgotado!)

5) Livros: Ficaram meio desaplaudidos após a entrada dos seriados na minha vida, mas eu estou sempre com um livro na mochila. SEMPRE. O que você anda lendo? O que você está lendo nesse exato momento? Tá bom? Tá ruim?

6) Escrita criativa: Hoje em dia todo mundo está escrevendo um livro, né? Será que entrei na moda? Mas, ei, eu estou realmente querendo publicar minhas histórias. Estou fazendo o possível, procurando os caminhos, aprendendo mais sobre escrita e planejando alguns projetos. Eu adoro falar sobre escrita e seria muito legal saber o que você anda fazendo nesse sentido também, para trocarmos dicas, ideias e padecermos juntos nessa loucura que é escrever livros. Eu não costumo ler histórias que ainda não foram finalizadas, mas tenho um prazer imenso em avaliar informalmente primeiros capítulos.

7) Igreja evangélica: Eu tenho uma relação estranhíssima com igrejas. Sempre tive, na verdade, mas agora eu acho que alcancei o ápice. Eu amo/sou crente, mas, se eu pudesse, derrubaria tudo e começaria a Igreja do zero. Como é a sua relação com a igreja? E com Deus, partindo do princípio que você é cristão? Eu conheço muita gente que anda insatisfeita com a situação de suas igrejas atuais, então achei útil colocar esse tópico aqui também.

8) Carreira profissional: Nem só de entretenimento vive o ser humano e todo mundo tem que trabalhar. Vocês já se encontraram na carreira profissional? Às vezes, eu me sinto meio perdido. Às vezes, eu tento caminhar na direção oposta da carreira que eu meio que escolhi. Vocês já pensaram em mudar AGORA de carreira? Estão pensando? Vamos conversar sobre isso de trabalhar com o que gosta e/ou gostar do trabalho e vermos onde vai dar.

***

Então, é isso. Se quiser participar, ponha seu nome, seu e-mail e até 3 tópicos de conversa. Se você já é leitor do blog e interage comigo nos comentários e/ou redes sociais, ótimo. Se é dos fantasmas que eu sei que sempre passam por aqui, mas nunca dão oi, sempre tem uma primeira vez para interagir. Se você caiu aqui de paraquedas e acabou de me conhecer, seja bem vindo também, sempre cabe mais um.

(Pessoal, o projeto terminou e eu tirei o formulário daqui. Foi ótimo! Pretendo fazer novamente com outros temas)

Eu não faço ideia de quantas pessoas vão querer participar (não me surpreenderei se 0 pessoas), então não sei dizer quanto tempo vai levar para os e-mails serem enviados. Novamente: Aguarde e confie.

Vem conversar :)

Posted on segunda-feira, setembro 21, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, setembro 18, 2015

Estava eu no metrô muito empolgado após assistir um dos melhores episódios de Survivor, faltando umas três estações para eu descer. Perto de mim, notei que pessoas faziam um certo burburinho. Tinha uma mochila abandonada no chão e parecia estar vazando água.

- Moço, a sua mochila está vazando - Alguém disse.
- Não é minha não - O moço respondeu.
- Ué.
- Também achei que fosse dele - Uma terceira pessoa disse - Ah! Deve ser daquela mulher que estava aí agorinha, mas já saltou. Coitada.
- Vai ver é uma bomba
- Hahahahahahah

As pessoas falando e falando sobre a mochila perdida, e eu só pensando que a cada segundo a dona estava cada vez mais longe e com menos chance de alcançar de volta seus pertences. Lembrei de Achados e Perdidos. Era só levar até lá ou eu mesmo tentar devolver, sei lá, vai que tem um celular ali, uma carteira com endereço, coisas assim.


E acredita que eu realmente considerei a bomba? Seria tipo a season finale da sitcom que é a minha vida ou, quem sabe, a series finale, se eu morresse. Daí me deu mais vontade ainda de tirar dali. Uma bomba mataria menos pessoas numa estação vazia às 6h do que num vagão lotado. Eu achava. Façam as contas aí.

Então, assim que chegou na minha estação, eu disse:

- Ok, pessoal, vou tirar essa bomba daqui.

Todo mundo riu, eu saí com a mochila. Olhei para os dois lados para ver se tinha algum guarda por perto. Eu não sabia exatamente onde entregar, mas tinha que ter um Achados e Perdidos, né?

Eu acho que falhei como adulto de verdade ali. Porque eu deveria procurar o lugar, mas eu estava tão curioso que, veja a inocência, coloquei a mochila num banco da estação e abri um dos bolsos. Não vi nada do que tinha nos bolsos, porque um senhor VINDO DO ALÉM se materializou ali berrando:

- VC TÁ MALUCO DE PEGAR A MINHA BOLSAAAAAA??? ACHA QUE EU SOU OTÁRIO? ACHA QUE EU NÃO TE VI?
- Moço, eu só...
- MINHA BOLSAAAAA

Eu tentei explicar, mas ele estava todo NÃO QUERO SABEEER que eu deixei pra lá. Eu entendi completamente o lado dele. Imagina, você está de boa no metrô indo para o seu trabalho, daí vem alguém sorrateiramente E ROUBA SUA BOLSA. Ele estava nervoso, eu até achei que fosse apanhar. Pedi desculpas, mas duvido que ela tenha confiado em mim, um cara estranho que carrega bolsas no metrô. Eu não tinha como provar que eu era eu. Tipo, eu. Ele me devolveu um ESQUECE ISSO, e eu saí.

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Não esqueci coisa nenhuma, né? Tanto que estou aqui contando para vocês e isso já faz dois dias. Naquele dia, eu cheguei no trabalho meio arrasado por dentro, porque uma pessoa não confiou em mim. Lembram que eu já falei sobre confiança e que gosto de confiar nas pessoas? Uma coisa que eu não comentei é que gosto ainda mais quando confiam em mim. Eu sou a pessoa mais confiável que eu conheço, sérião. Eu tento ser o mais transparente possível para que as pessoas consigam enxergam que realmente podem contar comigo, principalmente quando estou dizendo que elas podem.

Talvez, vocês podem estar pensando: Viu só? Quer fazer o bem e só se ferra. Tentar ajudar não dá em nada. A minha cabeça funciona um pouquinho diferente, porque eu saí atordoado daquela estação como se uma bomba tivesse explodido mesmo, pensando que, meu deus, eu preciso confiar MAIS nas pessoas, porque não desejo essa desconfiança pra ninguém.

Posted on sexta-feira, setembro 18, 2015 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, setembro 16, 2015

Acho que a vida me ensinou a identificar uma Pessoa Não Mas e a lidar com ela da melhor forma. Pense aí nuns anos de experiência. Você sabe do que eu estou falando. Talvez você seja uma Pessoa Não Mas, e eu estou muito triste por você, mas, caso não seja, você certamente é parente, amigo ou conhecido de uma. É bem provável que você só saiba que aquela pessoa te irrita, mas você não sabe o motivo. Eu vou te dizer: Ela é uma Pessoa Não Mas.


A Pessoa Não Mas nunca erra. Quer dizer, ela nunca admite que errou, mesmo o universo inteiro apontando que ela fez uma cagada imensa. Podem encontrar um desafeto DELA enterrado no quintal DELA com todas as impressões digitais DELA e um vídeo com o momento exato do assassinato que mostra ELA esfaqueando a outra pessoa, mas a Pessoa Não Mas vai ter uma explicação para dar. A Pessoa Não Mas está sempre na defensiva. Não ficou claro ainda? Acompanhe o diálogo fictício, mas que todo dia acontece com quem convive com uma Pessoa Não Mas:

- Fulano, você escreveu a data de hoje errada.
- Não, tá certa.
- Tá não, você escreveu a data de ontem.
- Não, mas era pra escrever a data de ontem.
- Era a de hoje mesmo.
- Não, mas me disseram que era a de ontem.
- Ninguém disse isso.
- Não, mas acho que na hora que eu escrevi era ontem ainda.
- Você acabou de escrever.
- Não, mas me ensinaram assim.
- TÁ ERRADO.
- Não, mas se você quiser pôr a data de hoje...

Percebam como uma Pessoa Não Mas é irritante. Não se entra num debate com uma Pessoa Não Mas, porque elas nunca vão mudar de ideia. Você pode provar que está certo, mas ela nunca vai dar o braço a torcer. Até quando ela se toca do erro e passa a concordar com o que você diz, ela dá um jeito de se livrar. Chega a dar mais nervoso ainda quando:

- É claro que o céu é verde com bolinhas roxas.
- Pessoa Não Mas, o céu é azul, tá doida? Olha ali, aquela cor é azul. E nem tem bolinha nenhuma.
- Então, foi o que eu disse.
- Você disse verde com roxo.
- Não, mas eu dei a entender que estava falando de azul mesmo.
- Verde. Com. Roxo.
- Não, mas você que entendeu isso. Eu disse que era azul mesmo.

O mais triste é que, de alguma forma, essas pessoas estão em todo canto. É só olhar essas empresas que fazem campanhas cagadíssimas, daí os consumidores reclamam e elas se "desculpam" argumentando que as pessoas (todas) entenderam errado, que aquilo não bate com os valores da empresa, que é uma pena que alguns (todos) tenham se sentido ofendidos... Certamente, tem uma Pessoa Não Mas por trás dessas respostas.

***

Como lidar com uma Pessoa Não Mas:


- É claro que o céu é verde com bolinhas roxas.
- Pessoa Não Mas, o céu é azul, tá doida? Olha ali, aquela cor é azul. E nem tem bolinha nenhuma.
- Então, foi o que eu disse.
- Tá bom, tchau

¯\_(ツ)_/¯

 

Parece uma derrota, mas juro que você ganha em qualidade de vida.

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Como não ser uma Pessoa Não Mas: ASSUMA SEUS ERROS, CARAMBA. Ninguém é perfeito. Eu não sei por que as pessoas sabem disso, mas continuam fingindo que são. É tão mais sadio reconhecer o erro e aprender com ele. "Errei a data mesmo! Obrigado por avisar", "Nossa, eu jurava que era verde e roxo Hahahah É azul mesmo", "Estávamos realmente perpetuando um preconceito, muito obrigado por nos informar, agora entendemos melhor os nossos consumidores" (vou dar um mortal pra trás no dia em que ver essa).

Erros vão acontecer, por maior que seja o cuidado que você toma. Alguma hora terá um deslize, vão te informar desse erro e você tem que escolher entre assumir (e passar uma vergonha básica, mas que não vai te matar) ou ser um mala irritante, uma Pessoa Não Mas.

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Se você gosta do que eu escrevo e gostou desse texto especificamente, você pode me retribuir com amor compartilhando-o nas suas redes sociais? Um link no seu Facebook ou na sua timeline do Twitter já tem um poder enorme se uma pessoa chegar aqui através dele. Sério!

Só não perca seu tempo mostrando esse texto para uma Pessoa Não Mas e dizendo "Aqui, Pessoa, tudinho que você faz", porque ela nunca vai se enxergar.

Posted on quarta-feira, setembro 16, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, setembro 14, 2015

Já emendo aqui minhas sinceras desculpas por não ter respondido diretamente a quem perguntou. Na minha cabeça, eu ia ou fazer um vídeo com Love by Grace de fundo musical na cadeira do barbeiro ou tirar uma selfie lá mesmo no salão com o meu novo visual. Eu estava decidido, né, a lista.



Porém, como sempre acontece, ACONTECEU.

Eu tive uma discussão quase séria com a minha mãe a respeito disso. Quase séria porque ela fica indignada, mas eu morro de rir. "EU NÃO VOU TE AMAR MAIS, TÔ AVISANDO", "HAHAHAHAH". Foi uma luta para eu sair de casa. Daí eu cheguei no barbeiro num domingo à tarde - pra quem me informou que salão aberto aos domingos só tem em shopping, pasmem com o fascinante mundo de Nova Iguaçu - e só tinha eu mesmo para ser atendido. Nem rolou um preparo psicológico, já sentei na cadeira.

Nossa, realmente dava para ter feito uma dramatização com Love by Grace.

Mas daí eu encarei o barbeiro, meio nervoso, meio incerto, e expliquei o que eu queria: máquina zero. Ele ficou todo "COMO É QUE É???". Fiquei esperando elogios ao meu cabelo ("Mas seu cabelo é tão bonito! Olha essa cor! E tão sedoso, bem cuidado"), mas, risos, não aconteceram, porque meu cabelo é um ninho de passarinho mesmo. Ele só perguntou se eu não ia chorar depois. Eu fiquei balançado, porque claro que eu ia ficar muito abalado depois, mas estava de boa com isso.

A questão é que eu prezo demais minha sanidade mental e meu estado de espírito Sempre Felizinho. Entrar de cabeça (raspada) num troço arriscado desse podendo cair numa espiral depressiva me pareceu um preço muito alto.

Mas eu não queria desistir. Olhei para o espelho e me pareceu impossível passar a zero logo de cara, então eu disse: "A gente pode tentar passar a máquina um e ver no que dá, né?", e ele "Mas, Felipe... O seu cabelo...", "PELO AMOR DE DEUS, MOÇO, FAZ ALGUMA COISA QUE EU PEÇO".

***


***

Então, eu queria dizer que não fiz exatamente o que eu tinha me proposto. Não consegui. Eu realmente queria raspar a cabeça, mas, na hora, não veio aquela vibe de VAMOS NOS PERMITIR. Daí algumas pessoas me pediram fotos, perguntaram do resultado e tal, e o que eu tenho, fuén, ainda não é o que eu queria. Eu falhei? Era o que eu estava me cobrando até perceber que, amigos, eu não morri, né? E EU DEI UM GRANDE PASSO. Decidi que tá permitido ir devagar, sim. Eu não soube lidar, mas um dia saberei. E vai ser até bom as pessoas irem se acostumando com meu cabelo beeem baixo, porque, quando a máquina zero chegar, o choque será menor. Tanto para mim quanto para vocês.

***

Por motivos óbvios, eu detesto aparecer em fotos, mas vocês não iam sossegar se eu não colocasse uma aqui.



Pois é (Gente, olha que engraçado o formato dessa cabeça! Parece que cortaram um pedaço digitalmente). 

Mas sabe que eu até gostei da aparência? Quer dizer, muito difícil não ser ruivo por algumas semanas, mas achei que fosse ser pior. Eu tô me sentindo um daqueles astros de filme de ação, só que peso pena. E é tão gostosinho passar a mão. Consigo sentir meus dedos gelados no cocuruto. 

***

Então, é isso. Talvez eu deixe crescer mais um pouquinho, talvez eu passe máquina um mais algumas vezes, talvez na próxima eu já raspe totalmente. Quem sabe? Vamos apenas nos permitir fazer qualquer coisa.

Posted on segunda-feira, setembro 14, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, setembro 11, 2015

Fui o último a chegar no Vikings da Tijuca, lugar onde nunca havia posto meus pés, tanto que dei umas duas voltas completas numa praça de nome esquisito antes de achar a rua certa. Daí que vi as meninas na mesa, e estava todo mundo lá: a @cintiamcr, a @almeidarute, a @jufinaflor e a @vanessa_sc. Gente blogueira, gente twitteira, melhor gente.



Muitos não sabem, mas é um momento raríssimo um encontro interestadual de arrobas, então, assim que eu sentei, fiquei meio UAU! TODAS AQUI!
Nesse estado de fascinação e desorientação, fui abordado pelo garçom que, de alguma forma, já tinha me dado o menu e perguntado o que eu iria querer. Eram muitas opções, e o cara ali esperando. Eu quis dizer MOÇO, CALMA, olha a pressão. Mas escolhi.

Uma foto publicada por Cíntia Mara (@cintiamcr) em


Depois de risadas e uma conversa muito agradável, elas chegaram no assunto garçom. Eu não lembro dos diálogos exatos, mas finjam que foi assim:

- E vocês viram que cara bonito?
- O garçom? LINDO!
- Nossa, tô apaixonada.
- E eu também tô, lindo de morrer.
- Pronto, todo mundo da mesa tá apaixonado pelo garçom, menos o Felipe Hahahahahah
- Então, gente, NA VERDADE...

***

Porque, na hora de escolher o que eu queria no menu, eu apontei para um hambúrguer meio aleatoriamente no desespero, o garçom disse "No ponto?", e eu, pensando "Mas, meu deus, eu tenho que escolher tudo? Eu só quero comer, moço, sai daqui, me traz comida, quem eu sou, em que ano estamos?", respondi:

- O que você quiser. Pode escolher por mim, eu confio totalmente em você.

***

- FELIPE, VOCÊ FLERTOU COM O GARÇOM?
- ACHO QUE SIM. FOI FLERTE?
- FOI.
- MEU DEUS.
- HAHAHAHAHAHAH

Flerte involuntário não respeita gênero, orientação sexual, classe social, time de futebol, credos e crenças, NADA. Quando eu me dou conta, já é tarde demais. Flertadores anônimos, me carreguem, pelo amor de Deus, TÁ FICANDO PERIGOSO.

***

Essa não foi a primeira vez que escrevi sobre flertes involuntários (a primeira) e seria ingenuidade demais da minha parte acreditar que será a última. Acho que tenho uma longa carreira flerteira pela frente.

Posted on sexta-feira, setembro 11, 2015 by Felipe Fagundes

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terça-feira, setembro 08, 2015



Estava eu ensaiando para minha performance no karaokê (experiências!), o que, de cara, já está completamente errado, pois não se ensaia para cantar em karaokê, apenas seguramos na mão de Deus e vamos como se não houvesse dignidade amanhã, quando cheguei na música do Renato Russo. Lembram que eu estava pedindo sugestões no Twitter, por motivos de ser uma negação em música?



Daí que no meio disso eu puxei o Renato Russo da cartola e fui ver se rolava cantar Mais Uma Vez. Eu gostava platonicamente dessa música. Acho a melodia gostosa, mas cadê que sei a letra? Fui ouvir com atenção, já sabendo das good vibes de Quem Acredita Sempre Alcança™, mas aí...


Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo 

Olha, Renato, sinceramente... Não poderia ter menos a ver comigo. Não causa exatamente o clima que a gente quer numa noite de karaokê também. Eu fiquei com vontade de voltar no tempo para o momento em que Renato Russo estava compondo esta música (se ele não é o compositor, finjam que é para esse texto poder prosseguir) apenas para dar um abraço e dizer: RENATO, PLMDDS, COMO SE VIVE ASSIM?

Porque eu não sei viver sem confiar nas pessoas. Eu preciso confiar nelas e torço muito pra que elas confiem em mim. 

Mas, aparentemente, esse não é o único caminho. Nem sempre as pessoas vivem confiando. Muito pelo contrário, tá aí Renato Russo fazendo escola desde 1987 (Agradeço Wikipédia por essa informação, mas cadê que dou dinheiro pra manter o site?). Eu, na verdade, sou da resistência. Meio triste até.

***

A equipe técnica responsável pelo webmail do trabalho agendou uma migração para um servidor melhor e avisou a todos dia/hora que ia acontecer. Todos os e-mails estariam seguros, salvos e disponibilizados na casa nova assim que a migração acabasse. Todos os meus colegas de trabalho ficaram uma hora fazendo backup do que eles consideravam importante, e eu fiquei: Gente? Eles disseram que vai estar tudo lá quando a migração terminar, vocês estão perdendo esse tempo pra quê? E eles: E você vai confiar nessas pessoas? E eu: VOU, NÉ? oO

Porque, gente, que mundo é esse que eu não posso confiar na equipe técnica especializada em webmail para mexer em coisas referentes ao webmail? Se eu não posso confiar neles, eu confio em quem?

***

Eu simplesmente me jogo. Muito se fala em conquistar a confiança de alguém, em ganhar a confiança. Eu dou. Eu conheço a pessoa e falo: "Toma aqui, ó, minha confiança, cuida bem". Se ela não quiser usar, se ela ignorar, aí já é problema dela. Se ela quebrar a confiança, é problema meu, mas daí eu cato os cacos e vai demorar um pouquinho pra restaurar a coisa toda.

Tem gente que machuca os outros? Tem. Tem gente que não sabe amar? Nem a si próprio, tem. Tem gente enganando a gente? Os Illuminati tão sempre aí, né. Mas chega um dia em que a gente aprende que... Bom, aí vai de cada pessoa. O Renato Russo escolheu ficar paranoico com quem tá do lado de cá, mas deveria estar do lado de lá. Eu escolhi confiar nas pessoas e ficar amigo delas.

Não estou dizendo que o meu jeito é melhor. Quer dizer, estou, sim. Dizendo que é melhor PRA MIM. Porque, se eu chego com desconfiança, além de um déficit na sanidade mental, do estresse, da solidão e de um tempo precioso investido em se armar contras as pessoas que estavam só ali de boas, eu gero mais desconfiança. Você não confia na pessoa, ela sente e retribui a desconfiança. Você não se dá, não se doa, o outro se retrai também, aí rola um ciclo. Acho um PORRE, porque podia estar todo mundo usando essa energia para, sei lá, ir à praia junto e tomar água de coco.

Eu sei o que o Team Renato diz: Já sofreram demais, a humanidade é um pedaço imenso de cocô, ninguém presta, todo mundo gira em torno do próprio umbigo, um bando de psicopata etc. E, olha, gente, não invalido essa opinião. É a vivência de vocês, a forma de ver o mundo e tal. Se está aí funcionando bem, quem sou eu?

Só queria dizer que, de certa forma, nós sempre confiamos cegamente em alguém. Eu, pelo menos, pego ônibus todo dia sem medo nenhum. Confio que o motorista saiba o caminho, confio que ele não vai saltar de um viaduto e matar todo mundo (nada impede, já aconteceu). Eu não verifico os antecedentes dele, não peço as credenciais, não procuro por recomendações... Imagina o trabalho e o atraso de vida? Eu só entro, dou bom dia, sento, vou vendo meus seriados, lendo meus livros, até durmo.

Com as outras pessoas que não estão atrás de um volante de ônibus, eu faço a mesma coisa.

***

Eu confio sempre que alguns vão compartilhar o texto e levá-lo até outras pessoas. É a parte que eu mais gosto, saber que um texto meu está alcançando pessoas que eu nem conheço, sendo guiado por vocês, que são as pessoas para quem eu escrevo.

Se foi bom pra você de alguma forma, me ajuda compartilhando?

Posted on terça-feira, setembro 08, 2015 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, setembro 02, 2015

Não sei se vocês perceberam que eu comecei a ler o livro da Amanda Palmer.






Ainda nem terminei, gente, mas tá aqui, ó, PULSANDO DENTRO DE MIM. Eu tô virado na Amanda Palmer. As minhas conversas estão todas começando com "Nossa, falando nisso, eu li no livro da Amanda Palmer que...". 5 minutos falando comigo, e a pessoa despreparada já fica de saco cheio da Amanda Palmer pelas próximas quinze reencarnações, assim como vocês já devem estar ficando agora devido a repetição incessante de nome e sobrenome da Amanda Palmer nesse texto que não tem nem dez linhas ainda.

É MAIS FORTE DO QUE EU.

Eu tentei escrever um texto sobre meu encontro com esse livro algumas vezes, mas não sabia como abordar o assunto aqui. Na primeira vez, meu texto saiu meio que assim:

AMANDA PALMER,  AMANDA PALMER,  AMANDA PALMER,  AMANDA PALMER,  AMANDA PALMER,  AMANDA PALMER,  AMANDA PALMER,  AMANDA PALMER.

Não estava ficando muito bom. E também tem várias referências recursivas. Eu já grifei o livro numa dúzia de trechos e, sempre que tento citar um para o mundo conhecer, eu fico Ah, mas preciso falar daquela outra parte primeiro, daí eu foco na outra parte e Ah, mas seria muito bom citar aquela outra. Daí eu vou e... Vocês entenderam. Vamos só no coração mesmo que o cérebro não está ajudando.

A Arte de Pedir, QUE EU NEM TERMINEI (preciso frisar novamente), já é meu livro favorito. Até Um Dia, que, caramba, me fez viver uma semana sem vergonha, tentar mudar o mundo um pouquinho ao meu redor E CONTA A HISTÓRIA DOS MEUS ANIVERSÁRIOS (!!!) parece desaplaudido perto do que eu estou sentindo com Amanda Palmer.

Nem consigo recomendar para vocês. Para gostar tanto quanto eu, vocês precisariam ser eu. A Arte de Pedir, apesar do título ~marketado~, não é sobre regras para pessoas aprenderem a pedir. Não é sobre ensinar manipulação ou algo assim.

A Arte de Pedir é sobre como a Amanda Palmer é muito mais influente e eloquente do que eu pregando a mensagem que eu tatuaria na cara de vocês se me permitissem: EMPATIA. AMOR GRATUITO. VOCÊ ESTÁ CERCADO POR PESSOAS. CONECTE-SE COM ELAS. Mande amor para o universo que ele vai te amar de alguma forma também APLAUDA O SOL PELA MANHÃ mentira, essa eu inventei

Eu estou me vendo todinho ali. A Amanda Gente, eu não consigo falar só Amanda Palmer é, sei lá, meu spirit animal. Estou vendo sair da boca de outra pessoa (que eu nem conhecia antes do livro), no formato de histórias reais e metáforas MARAVILHOSAS, coisa nas quais eu SEMPRE ACREDITEI. Eu acredito no poder de pessoas unidas fazendo coisas incríveis. Eu escolhi acreditar. A Arte de Pedir não está me contando nenhuma novidade, mas me mostrando com fatos e muita lindeza a força REAL que um ser humano gera quando fica perto de outro e diz sem palavras: Estou te vendo. Eu sei que você existe. Quando é recíproco então, aí é só festa. Empatia é quase amor uma ova, empatia É AMOR.

Posted on quarta-feira, setembro 02, 2015 by Felipe Fagundes

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