Vocês já devem saber que a Netflix chegou com mais uma série inovadora, que Sense8 ganhou o coração de todo mundo, que a série é fantástica etc etc. Até porque faz meses que o piloto foi ao ar. Mas, se vocês não sabiam, estão sabendo agora.

Eu gostei de Sense8. Atenção para isso.

Eu e milhares de outras pessoas que fizeram comentários, resenhas e postaram tweets ensandecidos de como o seriado é nota 10. Não vou perder meu tempo fazendo o mesmo, porque, apesar de ter gostado também, eu fiquei um tiquinho frustrado com o potencial que, na minha opinião, a série deixou de aproveitar. Vai parecer que eu odiei Sense8, adianto que não foi o caso. Outras pessoas também criticaram a produção, e esse texto aqui é mais um para aqueles que precisam de uma crítica negativa para poderem seguir em frente, assistirem e tirarem suas próprias conclusões.

Mas, Felipe, Sense8 é sobre o quê?

8 pessoas aleatórias, espalhadas pelo mundo, de um dia para o outro, se veem conectadas de uma forma sobrenatural. Eles não sabem como ou por que conseguem ouvir os pensamentos dos outros, sentir o que os outros estão sentindo, conversar entre si e estar na pele dos outros sensates. A ação começa quando uma pessoa misteriosa parece estar atrás deles e todos precisam se mobilizar para se salvarem.



A premissa é MUITO BOA. E depois de eu ter lido este texto maravilhoso sobre a série, eu sabia que precisava ver.

Mas onde deu ruim?

1) Personagens bonzinhos demais: Um dos principais trunfos da série, na minha opinião, são as diferenças entre as oito pessoas aleatórias: Homens, mulheres, negros, brancos, outras raças, héteros, gays, cis, trans, religiosos, ateus, sensíveis, insanos... É fácil rolar a identificação com, pelo menos, um deles (Kala e Nomi pra sempre no meu coração <3). E, assim, bem legal a aleatoriedade da coisa toda, mas... todos eles são bonzinhos. Bons num nível que pode chegar a dar sono. Imagina, gente, 8 pessoas aleatórias e não tem um racista, um homofóbico, um que quer se aproveitar dos outros, um, no mínimo, inconveniente. Não, todos se ajudam, viram Best Friends Forever e precisam derrotar os vilões de suas próprias vidas. Até o Wolfgang, que tecnicamente é um bandido, faz tudo com um senso de justiça muito forte, nem dá mesmo pra defender as pessoas que ficam na mira da ira do Wolfie.

2) Peso na consciência: Eles são bonzinhos, mas, aparentemente, podem matar sem ter uma crise de consciência, não rola nem um remorso.


3) Cenas cafonas: Nossa, tem umas coisas em Sense8 que você pensa a respeito e fica UAU, QUE LINDO, QUE GENIAL. Como eu disse, a premissa é muito boa, dá até um calorzinho no coração pensar sobre ela, porém, as cenas, mensagens e diálogos tem um pézinho na cafonice que até eu, que curto ser cafona, fico "Mas, gente...". Tem umas cenas que me fizeram gargalhar por serem rasas e até ridículas, mas depois me informaram que era pra chorar. Achei meio amador por parte dos produtores.


4) Barras sendo forçadas: Acho que a principal barra forçada é a deles interagindo pelas primeiras vezes e ficando todo mundo de boa. Do nada, aparece uma pessoa DE OUTRO CONTINENTE onde você está, e o que você faz? Isso mesmo, senta com ela pra tomar um chá, assistir um filme na TV, perguntar se tá tudo bem com ela... Depois disso, meio que rola aquele clichê dos filmes de guerra com um homem enfrentando um exército inteiro, personagem fazendo uma bomba caseira potente com itens de cozinha (GARGALHEI NESSA), todo mundo fazendo a corrente do bem pra salvar o mundo... Olha, forçaram.


Dá pra continuar amando? Dá. Porém, no fim das contas, eu acho que os produtores fizeram o dever de casa sobre representatividade direitinho, bolaram um formato bacana, uma fotografia impecável, mas escorregaram na profundidade e na verossimilhança.

Desejo sinceramente que a segunda temporada seja melhor, porque há muito pra ser explorado nessa realidade incrível de Sense8.

Se você ainda está saturado dos comentários SENSE8 MELHOR SÉRIE, eu recomendo a crítica do Rodrigo Lorenzi, que disse quase tudo o que eu queria dizer, mas de uma forma menos amadora, e também a crítica da Fernanda Furquim, que foi mais diaba nos comentários, mas que também acho muito válida.

 

***

Se você é uma dessas pessoas que estava fugindo de Sense8 por ser uma série supostamente perfeita e viu a luz nesse post, me ajuda compartihando?

Ou, talvez, você a já viu a série e, RÁ, sabia que não era perfeita e ficou com a impressão de que todas as outras pessoas são cegas, compartilha?

Ou se você meio que odiou a produção da Netflix e está confuso se esse post é de amor ou ódio, compartilha também?

Se você é um dos meus sensates perdidos pelo mundo e caiu nesse post, compartilhar o texto pra me fazer feliz é uma boa forma da gente começar a se conhecer :P

Obrigado.