quinta-feira, agosto 27, 2015

Encontrei com um ex quase colega na rua vindo diretamente de um passado remoto. A gente já não era grandes coisas naqueeela época, mas ainda sabíamos nossos nomes e de onde nos conhecíamos, então a situação não foi tão ruim. Até levamos um papo de pessoas que estão genuinamente contentes em se encontrar depois de tanto tempo, eu estava quase acreditando.


Obviamente, ele conduziu a conversa para o clichê do Vamos Marcar (aquilo que pessoas que não querem mais se ver dizem por educação), o que significava que ele queria ir embora sem peso na consciência. Gente, se eu estou marcando e quero realmente que aconteça, já pergunto dia e hora. Amanhã? Sábado que vem está bom pra você? Porque, no dia seguinte, eu já não tenho coragem de entrar em contato e fazer um convite pra uma coisa que eu nem sei se a outra pessoa realmente quer. Mas, beleza, vida que segue. Daí ele forçou a barra um pouquinho mais:

- Cara, me adiciona lá no Facebook! Eu estava mesmo querendo falar com você, te procurei, mas não te encontrei. Você sumiu! Vamos bater um papo por lá.

Então, eu tive que ir (de verdade, gente), nos despedimos e terminou assim. Quando eu cheguei em casa, fui dar uma olhada no Facebook e lembrei do conhecido. Por que não? Eu vivo mesmo sempre dizendo que preciso conhecer mais gente, me conectar mais com as pessoas e tal. Digitei nome e sobrenome na busca, encontrei o perfil com bastante facilidade.

Fui adicionar como amigo, mas dei uma olhada na página do perfil e desisti.

Desisti porque, risos, já éramos amigos.

Posted on quinta-feira, agosto 27, 2015 by Felipe Fagundes

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terça-feira, agosto 25, 2015

A maioria das pessoas tem uma vida comum como a minha. Tem gente que vai pra escola, gente que está na faculdade, alguns decidiram ir um pouco além, mas, no fim do dia, todo mundo está saindo de casa para estudar/trabalhar, voltar cansado, dormir mal, finalizando um dia feliz ou nem tão feliz assim. Ou seja, esse parece ser meio que o modelo de vida de grande parte das pessoas que querem ter o seu próprio dinheiro e não nasceram ricas. A gente tem até medo de pensar no que acontece quando não nos encaixamos nesse padrão. O que acontece se eu parar de estudar? E se eu não conseguir emprego nenhum?
Acompanhem a paranoia: Eu comecei a pensar em pessoas que vivem uma realidade diferente dessa com a qual estamos acostumados. Além das pessoas ricas comuns, além dos artistas. Mas sem ir tão longe a ponto de investigar outras culturas que não a ocidental.

Daí eu reparei que o nosso mundo é muito louco. Quer dizer, A GENTE NÃO SABE DE NADA.


Um desafio misterioso foi postado na internet em 2012. Aparentemente, uma empresa chamada Cicada 3301 estava recrutando pessoas, mas queria apenas os mais inteligentes, ou seja, quem conseguisse desvendar a série de enigmas. O mesmo aconteceu nos anos de 2013, 2014 e 2015. Eu só fiquei sabendo disso há um mês atrás, mas parece que esse é um dos grandes mistérios da internet. Muitos fóruns se movimentaram pra decifrar os enigmas e algumas pessoas alegaram ter chegado ao fim do jogo. A lindeza é que essas pessoas desapareceram. SUMIRAM. Nunca mais deram as caras na internet. Como isso pode existir no mesmo mundo que eu, eu não sei. Quem controla isso? Pra onde foram as pessoas gênias? Como é esse trabalho tão misterioso? Um vídeo sobre isso caso alguém tenha interesse.

Outra coisa são as sociedades secretas. Tipo, a identidade dos membros pode ser secreta, mas há fatos que comprovam a existência desse tipo de sociedade. Elas possuem muitas das vezes nomes e sobrenomes. Gente, como é essa vida de um grupo de pessoas se ajudando mutuamente no anonimato? Ou trabalhando secretamente em prol de um objetivo em comum que pode ser um tanto obscuro? O QUE ESSA GENTE FAZ? Eu já fico besta em imaginar os Illuminati que, segundo as teorias da conspiração, manipulam a mídia, os grandes acontecimentos, os surtos de doença... Daí você para pra pensar e é bem provável, né? A gente vê os vilões dos filmes sempre sedentos em dominar o mundo e nem pensa nos Illuminati rindo da nossa cara.


Eu poderia alongar esse texto pra sempre falando daquele filme HORROROSO, NÃO PESQUISEM SOBRE A Centopeia Humana e sua relação com a deep web, de pessoas que moram em porões, dos Amish, dos monges no Brasil, de comunidades naturistas, de trabalho escravo e de profissões não muito ortodoxas, mas, no meio desse horror e fascínio, uma coisa fica clara: a gente realmente não sabe de nada que acontece por aí.

Enquanto eu estou indo de casa pro trabalho e do trabalho pra casa com uma ou outra aventura ocasional, tendo uma vida bestinha assim, tem gente com prioridades TOTALMENTE diferentes! Gente vivendo um filme de Hollywood, seja de suspense, ação ou terror.

Se eu deito na cama pensando nisso, nem durmo mais.

Posted on terça-feira, agosto 25, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, agosto 21, 2015

Tem umas coisas que, quando a gente nasce, já caem em cima da gente. Todo bebê em condições normais já nasce com um destino traçado, tendo que correr atrás dos objetivos que Todo Mundo Tem Que. A gente mal tem tempo de saber se realmente quer aquelas coisas na nossa vida, ninguém pergunta. Quando a gente percebe, já estamos no meio da corrida. Estamos até chorando por uma coisa que, pra começo de conversa, nem foi a gente que escolheu.

Vocês sabem: Casamento, formar uma família, ter pelo menos um diploma de faculdade, ter um emprego que paga muito bem, estabilidade financeira, ter seu próprio carro, sua casa própria, uma vida social agitada, bancar viagens para o exterior. Todo Mundo Tem Que.


E, gente, é fácil? Não é fácil? Olha o tempo que leva pra se formar numa faculdade. Olha quanto custa uma casa própria. E a responsabilidade de entrar num casamento e formar uma família? Disso ninguém fala, né? Tudo na vida tem um custo-benefício e nem sempre compensa. Nem tudo que dizem ser bom vai funcionar para todos.

Eu tenho uma noção de felicidade muito bestinha. Eu só quero ganhar mais do que eu gasto. Eu não quero receber vários dinheiros se, pra isso, eu tenha que fazer uma coisa que eu odeie ou suportar um estresse sem tamanho. Eu não acho graça em viajar, ainda mais para o exterior. Eu passo longe de carro, não dou a mínima. Gosto muito de gente, mas a ideia de sair de casa todo dia quase que me mata. A ideia de ter que arrumar alguém pra namorar só porque estou "na idade pra casar" me aporrinha ainda mais.

Não quero ter uma mansão, quero morar numa casa com quintal, e só. Quero achar o equilíbrio entre gostar do que faço e poder me sustentar com o que ganho. Quero escrever livros que passem alguma mensagem positiva. Quero sentir que eu fiz as mudanças certas e não fiquei me contentando com situações modorrentas. Quero mudar o mundo um pouquinho ao redor. Eu sou bestinha assim.

Nada contra correr atrás das coisas que Todo Mundo Tem Que™, mas pensa bem no que você está fazendo, porque vai ser um saco chegar lá na frente e descobrir que nada daquilo tem a ver com a sua pessoa. E vida você só tem uma.

Posted on sexta-feira, agosto 21, 2015 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, agosto 19, 2015

Antes de tudo, eu quero deixar bem claro que eu não tenho NADA CONTRA quem curte os itens da lista, até tenho amigos que são, eles só não estão entre as minhas prioridades de vida. Entendemos isso? Então ok.

#1 - Roupa de marca: Às vezes, eu canso das lojas de departamentos e, num surto, E ESSA LOJA OBSCURA AQUI NO SHOPPING QUE EU NUNCA ENTREI? Mas a insanidade não passa da vitrine, porque é só olhar para os manequins e ver que tem alguma coisa muito errada acontecendo ali. Uma camisa branca, sem desenho nem nada, ostentando o lindo valor de OITENTA REAIS. Gente, não faz sentido. Ah, mas é de melhor qualidade. Dá pra comprar quatro camisas idênticas numa C&A da vida! Você quer que suas roupas meio que durem quantas reencarnações? Se a roupa for realmente bonita e boa, eu até levo, mas jamais que eu vou comprar só porque diz na etiqueta que é da marca Os Olhos Da Cara™. Me dá até uma pena quando vejo galera comprando roupas e calçados horríveis só por causa da marca. Pior ainda quando a pessoa não está podendo gastar dinheiro assim.


#2 - Autógrafos: É um rabisco que uma pessoa faz. Ainda que seja uma pessoa talentosíssima, é um rabisco, gente. Sem mais.

Mesmo esse.


#3 - Carro: Nunca teve um carro na minha família, um que eu pudesse chegar perto quando ninguém estivesse vendo para estudar como a coisa toda funciona. Sinto vergonha de sentar na frente, não saber usar o cinto de segurança, não saber abrir/fechar o vidro e a porta. Nunca sou tão bicho do mato quando estou dentro de um carro. Além disso, gente, meio que caguei pra carro? Eu gosto de transporte público. Gosto de ir lendo, vendo séries, dormindo. Sem contar que acho uma GRANDE RESPONSABILIDADE estar de posse de uma máquina que pode matar pessoas. E os custos! Muitos custos. E o fator Você nem tinha que estar aqui, linda. Como eu disse, nada contra quem tem. Inclusive, usufruo demais quando alguém aparece pra me dar carona. Pegar carona é o melhor de dois mundos.

Caguei.
(E lembrei deste causo)


#4 - Signos: Nem sei se astrologia configura uma ciência verdadeira, mas, gente, temos só 12 signos. 7 bilhões de pessoas no mundo separadas em 12 signos! Beleza que tem as luas e os ascendentes pra dar uma diferenciada marota, mas ainda assim. O melhor é que há pessoas que realmente acreditam! Não é ironia, não estou zombando (muito). É aquele tipo de coisa que jamais funcionaria comigo, mas miraculosamente funciona para outras pessoas. Adoro ouvir gente conversando sobre signos. É fascinante.

Fonte


#5 - Bebês: Talvez, um assunto polêmico, pois bebês não são exatamente coisas, né? Acho fofinho? Acho. Mas só isso, gente. Chega uma hora que NÃO DÁ MAIS pra fingir que o bebê é interessante. Não é o bebê mais lindo (todos são iguais), não é a cara de ninguém, não é o mais inteligente, é só um bebê. Eu vejo uma pessoinha com muito potencial, mas que, no momento, apenas baba e fica de boinha. Não é exatamente a definição de legal. Até escrevi anos atrás sobre como seria encontrar um bebê realmente interessante no WattPad (quem lembra?)

 Outro bebê realmente interessante

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Ninguém disse que eu podia, mas eu catei essa tag que vi no Não Tomo Café. Relaxa que vocês terão 100 anos de perdão se catarem de mim também.

Posted on quarta-feira, agosto 19, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, agosto 17, 2015

Preciso confessar que já era de se esperar que eu pagasse um mico real na natação. Quer dizer, eu seguia me preparando psicologicamente para, além da minha total falta de coordenação motora na água, a minha sunga sair quando eu pegasse um impulso na borda da piscina ou eu bater de cabeça na escada por nadar completamente cego e sem direção ou ainda, sei lá, fazer um xixi involuntário e um produto químico na água me denunciar. Eu me foquei muito em não passar vergonha na piscina. Mas adiantou para escapar dos roteiristas sádicos da minha vida? NÃO ADIANTOU.

Quando eu me matriculei na natação, achei que 40 min de aula eram bem pouca coisa para me custar noventa dinheiros. Por que não 1h? Mas, amigos, eu era inocente. Dá meia hora de aula e eu, pessoa com zero condicionamento físico, já estou ME DEIXEM SAIR DAQUI, PLMDDS, ALGUÉM ME CARREGA. Uma hora inteira na piscina e vocês já podiam me enterrar ali mesmo. Digo isso apenas para vocês entenderem o meu estado físico (queria estar morta) e mental (sério, gente, tem um desgaste emocional depois de um dia de 0% de progresso). Daí que eu fui para o vestiário.

Eu não conheço nenhum daqueles caras. Eu entro na piscina e falo exclusivamente com o professor. E, tipo, eu faço natação à noite. Todo mundo usa touca e óculos de natação. Se eu passo do lado daquelas pessoas na rua de dia, eu nem vou reconhecer. O Barack Obama podia estar nadando na raia ao lado da minha que eu não ia saber. E não é uma coisa só minha: Ninguém se fala no vestiário. Às vezes, rola um "boa noite", mas só, de modos que, apesar de zero roupas, a gente não tem intimidade. Favor não dar corda para o duplo sentido, mas a gente mostra as bundas antes de dizer os nomes, é um mundo complexo.

Mas enfim. Estava eu tomando banho já pensando na minha cama. Os chuveiros possuem divisórias, mas não há portas. Imagine vários chuveiros lado a lado e uns muros menores que uma pessoa entre eles. Na frente dos muros, ficam ganchos onde eu penduro a toalha. Eu estava num chuveiro do meio, entre dois muros, então coloquei minha toalha no gancho da esquerda. Ambos chuveiros ao meu lado estavam ocupados.

Gente, estava indo tudo bem, era só mais uma noite de nadar, tomar banho com desconhecidos e voar pra casa direto pra cama, porém, ACONTECEU.



Terminei o banho, desliguei o chuveiro, peguei a toalha, me sequei ainda no "box". Passei a toalha na cabeça, no rosto e, ué, que toalha esquisita... Estava meio que arranhando meu rosto. Assim, estava diferente, parecia um tecido diferente. Quando eu notei que raios era aquilo na minha mão... Era uma toalha. Beleza, né. 

Porém: NÃO ERA A MINHA TOALHA.

NÃO ERA A MINHA TOALHAAAAA!!!

EU ME SEQUEI COM TOALHA DOZOTRO. MEU DEUS, MEU DEUS, MEU DEUS. DE ONDE ISSO VEIO???

Sabe aquele momento em que você entra em contato com o seu interior e "PELO AMOR DO DEUS VIVO, QUAL É O SEU PROBLEMA?"? Então. Olhei imediatamente para os fulanos ao lado pra ver se alguém me encarava com sangue nos olhos, mas, não, estava todo mundo de boinha ainda tomando banho. O pior era que eu NÃO FAZIA IDEIA de onde eu tinha pegado a toalha. Gente, juro, pegar a toalha alheia foi um movimento tão automático do meu corpo que acho que meu cérebro nem sentiu. Eu queria devolver a toalha para seu lugar de origem, MAS EU NÃO SABIA DE ONDE ERA. O pânico batendo, a toalha podia ser de qualquer um dos dois do meu lado, eu quase olhei para o teto e gritei POR QUÊEEEEE???

Num ato completamente random, eu coloquei a toalha usada num gancho qualquer, fiz o ninja saindo dali e me vesti em tempo recorde, mas COM CUIDADO pra não vestir cueca de ninguém. Depois da toalha, eu me sentia capaz de todo tipo de gafe. Fiquei o tempo todo O DONO VIU, ALGUÉM VIU, ELE ESTÁ ME ENCARANDO, A MINHA CARA TÁ VERMELHA, EU QUERO PEDIR PERDÃO PELO MEU PECADO.

Alguém naquele vestiário se secou com uma toalha misteriosamente molhada. Eu descobri quem? Não descobri (MAS, CARA, ME DESCULPA, SÉRIÃO). Só sei que eu ainda estou vivo para confessar que, meu deus do céu, que desastre humano do caramba.

Posted on segunda-feira, agosto 17, 2015 by Felipe Fagundes

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sexta-feira, agosto 14, 2015

Desde que eu adotei o lema "Faça Coisas, Viva Pessoas", eu tenho conversado demais. Quando eu comentei que gosto de receber e-mails e algumas pessoas ótimas se arriscaram a puxar papo, conversei ainda mais. Eu gosto de ouvir histórias, de encarar o comportamento humano, de tentar entender principalmente as pessoas que não agem como eu.

Daí que rola muito papo. Eu fico sabendo do chefe autoritário, da namorada fria, do pai preconceituoso, da mãe surperprotetora que se acha dona da razão e outros pequenos vilões do mundo moderno. Todo mundo tem um problema, né? Sempre tem aquele dementador pra ser vencido todo dia. As pessoas desabafam suas histórias e tudo que dá vontade de fazer é dar um abraço. Dá vontade de salvar. Dá vontade de bater na porta do dementador alheio e, meu filho, como é que é?

Só que eu percebi que é estranho. Eu só conheço as pessoas oprimidas, só bato papo com o Harry Potter. Eu nunca tive a chance de conversar com um dementador e dizer, meu filho, como é que é? As pessoas que eu conheço são todas sensatas e maravilhosas. Será que gente opressora não desabafa? Não manda e-mail? Não chama no whatsapp? Ou será que elas começam suas histórias assim "Fiz a vida do meu funcionário um inferno mesmo kkkkk"?

A verdade é que eu acho que elas reclamam dos próprios dementadores. O chefe autoritário desabafa sobre o funcionário folgado. A namorada fria reclama do namorado carente. O pai preconceituoso sofre com os filhos que não têm nada na cabeça. A mãe superprotetora corta um dobrado com a filha rebelde. Parece que o jogo virou, não é mesmo?


Gente, tenho uma coisa pra contar: não somos tão maravilhosos assim. A gente erra também. Somos irritantes, por vezes implicantes, não damos o braço a torcer. Às vezes, a gente sabe ser bem sonso. Raramente alguém desabafa criticando a si mesmo, e olha que eu estou falando de mim também. Tem gente que até reconhece uma pequena parcela de culpa, mas a outra pessoa com certeza é mais culpada. É tudo questão de empatia. A mesma história pode ser contada por vários pontos de vista e pode parecer muito diferente dependendo de onde estamos olhando. Numa conversa informal, a gente fica sabendo de apenas um lado da história, um lado meio maquiado pela pessoa que conta.

E quem conta nem faz por mal. Geralmente, é o único lado que ela consegue enxergar. Se existisse um jeito de fazer todo mundo enxergar o TODO... Às vezes, eu fico só escutando. Às vezes, eu faço o advogado do diabo e meio que defendo o dementador. Às vezes, eu só lanço um monte de perguntas, "Será que essa pessoa te ODEIA mesmo? Por qual motivo?", e deixo a pessoa se situar sozinha.

Acho que o caminho é todo mundo tomar um chá de empatia e ver no que dá.

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Posso deixar aqui casualmente uns motivos para você compartilhar esse texto?

1) Você também acha que chá de empatia é um bom caminho para a humanidade
2) Ou você ficou, nossa, não é que eu faço isso mesmo de sempre criticar os outros e acha que mais pessoas podem se identificar com isso
3) Ou você tem amigos que estão exatamente nessa situação de complexo de Harry Potter quando está mais do que na cara de que eles, na verdade, são os dementadores da história
4) Ou você é uma pessoa iluminada que só quer fazer esse blogueiro aqui feliz

Ajuda eu!

Posted on sexta-feira, agosto 14, 2015 by Felipe Fagundes

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quarta-feira, agosto 12, 2015

Eu estava contando das agruras da vida de um nadador inexperiente e de como eu sou péssimo em bater os pés e girar os braços ao mesmo tempo, e um colega meu me disse que eu sou muito pessimista. Segundo ele, eu digo tanto que vai dar errado que acabo ~atraindo~ as coisas ruins e passando vergonha lá na piscina.

Bati o pé, teimei mesmo. É aquela velha história: eu não sou pessimista, eu sou realista. Eu me conheço. Eu sei que sou bom em várias coisas, mas ninguém é bom em tudo. Eu apenas reconheço que tem um monte de coisa que eu não sei fazer e, talvez, jamais saberei.

Daí que cheguei na aula de natação e estou acostumado a ter uma raia só pra mim. Os professores dividem as raias por níveis, em ordem crescente. Eu sou o único aluno que começou do zero, então a primeira raia, que eu chamo carinhosamente de Raia da Derrota, sempre foi só minha. Mas nesse dia tinha uma moça nela.

Professor mandou eu nadar até o meio da piscina e voltar, e eu só pensando "meu senhor, eu mal consegui girar os braços da última vez, como você quer que eu gire os braços, bata as pernas E respire agora?". Mas, né, me preparei, não adianta discutir com ele. Ele fala VAI, e a gente vai do jeito que não sabe. Só que a moça estava nadando ali na raia.

Eu tentei ir, mas travei umas duas vezes só de ver a moça indo e voltando. Eu não conseguia. Na minha cabeça, eu me vi nadando e batendo com a cabeça na dela. Ou então cruzando o caminho dela porque aparentemente eu só sei nadar em zigue-zague, ou seja, nenhuma direção lógica definida. Só vi o caos de esbarrar na pessoa várias vezes. Daí eu virei para o professor e "Ela vai ficar aqui?". E ele "Vai. Dá pra dividir a raia", e eu "MAS MEU SENHOR", e ele "Calma. Eu sei que você sempre pensa no pior caso, mas vai dar certo".

Gente. O cara me conhece há, sei lá, umas três aulas só. Como assim "Eu sei que você sempre pensa no pior caso". Eu realmente faço isso? TERIA EU ME DESCOBERTO PESSIMISTA?

Pensei muito a respeito e vi que não é bem isso. Por fora, parece ser pessimismo, mas eu sei o que rola aqui dentro: É um mecanismo de defesa quase que involuntário. Você junta mente de cocô feat não saber lidar com coisas desconhecidas e meu medo de humilhação pública, e isso dá a resposta.

Eu não acho realmente que vai dar tudo errado. Eu não acho de verdade que sou um fracasso total em todas as atividades do universo. Muito pelo contrário, como eu disse, eu sou bom em várias coisas. Mas tem coisas em que eu não sei se sou bom. Nadar, por exemplo. Eu nunca tinha tentado nadar antes. Eu não fazia ideia do que era preciso. Era uma coisa completamente desconhecida pra mim. Será que sou bom em nadar e não sei ainda? Ou será que eu sou péssimo? Vai que eu sou bom. PORÉM, pra garantir, eu já deixo todo mundo avisado: "Olha, sou um zero à esquerda, eu provavelmente vou ferrar com tudo". Eu não acho realmente que vou ser o pior dos piores, mas, se acontecer, eu já estou preparado, já tinha avisado.

Eu não sou o único. Quem lembra?

É o contrário de parar o baile e ficar babando. Eu morro só de pensar em me dispor a fazer uma atividade, estar todo mundo esperando a coisa toda dar certo e eu me atrapalhar e pagar um micão. Eu detesto gente rindo de mim. DETESTO. Então eu já dou meu jeito de baixar as expectativas das pessoas, mesmo sabendo que há grandes chances de eu ser naturalmente bom na coisa em questão. Por fora eu estou "Nunca fiz isso, não sei lidar, vai ser um desastre kkkk", mas por dentro eu fico "Ok, vou dar o meu melhor, não pode ser tão difícil assim". Geralmente, eu vou muito bem e as pessoas se surpreendem. Eu acabo muitas vezes no papel do azarão, aquele que ninguém dava nada e vence o jogo.

Não é exatamente falsa modéstia. É avisar para os outros que eu posso ser ruim. Acabou que não tive problema algum em dividir a raia, só os problemas de sempre de não saber respirar na hora certa e engolir muita água. Mais um dia normal na natação.

Posted on quarta-feira, agosto 12, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, agosto 10, 2015

Um efeito que eu observei em algumas pessoas após terem visto Sense8 foi ficarem com vontade de ter uma ligação tão especial e íntima como os sensates têm. É terminar de ver o último episódio e CADÊ MEUS SENSATES? QUERO MEUS SENSATES!!!

Mas, amigo, você já pensou bem sobre isso? Porque, gente, como eu comentei, a série não mostra exatamente como a coisa toda funciona. Os sensates têm umas reações bem tranquilas e ficam amigos e de boa rapidinho. Na vida real, na minha vida especificamente, a coisa seria um pouco mais complicada. Eu ia querer os meus sensates bem longe de mim, isso sim.

De cara, eu já penso: NÃO PODE CAGAR EM PAZ. Gente, na primeira vez que eu notasse outras pessoas se metendo na minha vida, eu ia ficar 1 semana sem sentar numa privada. Mas nunca que eu ia entrar num banheiro sabendo que, A QUALQUER MOMENTO, 1 ou 7 pessoas poderiam estar ali me olhando, sentindo meus movimentos intestinais e compartilhando meus odores. Tipo, sem condições. Não sei como eu ia resolver o problema, mas ia levar a prisão de ventre até quando fosse possível.

Eu entrando no banheiro e vendo a galera


E logo depois: VOU ARRUMAR BRIGA. Nossa, num grupo de 8 pessoas? Quase certo que eu ia me estranhar com alguém. Principalmente se um deles despontasse como líder e quisesse guiar a galera. Eu sou questionador. Eu ia questionar tudo enquanto todo mundo fica na maior good vibes. E certamente que na vida real ia ter um fulano preconceituoso, um religioso falando de inferno e um vegano ditador que ia ficar dando palpite nas minhas comidas. Imagina 7 pessoas te atazanando 24h por dia.

MAS TEM GENTE DEMAIS AQUI

Eu sou uma daquelas pessoas irritantes que acordam cedo e cantando na segunda-feira de manhã para logo em seguida aplaudir o sol e amar todos os seres humanos. Eu ando comportado na rua, mas, na minha cabeça, eu estou dançando. Eu tenho um nível de efusividade interior constante que assusta, mas não abro mão. Se no meu cluster tivesse essas pessoas que vivem abraçadas com a bad (Oi, Riley), não ia prestar. Mas não ia prestar MESMO. Eu ia me sentir triste por causa de problema dos outros, eu ia ficar irritado com a pessoa deprê, eu ia ficar meio VAMO LEVANTAR ESSE ASTRAL e a pessoa ia ficar pior, e a gente ia brigar etc etc etc

Mas, quando eu ficasse no fundo do poço, meus sensates iam ficar uma semana sem sair da cama, porque, quando a bad bate aqui, ela bate forte.


Eu, provavelmente, mataria todos eles de tédio. Porque, ao invés deles serem transportados para cenários lindíssimos na Índia, eles cairiam na minha vida comum. Na maioria das vezes, eles iam me ver sentado em frente a um computador. Ou iam aparecer no busão cheio, e eu ia pedir para eles não atrapalharem minha leitura. Ou esperarem o episódio de Grey's Anatomy acabar. Eu não teria muita coisa para mostrar, a não ser que o sonho de um deles fosse conhecer Nova Iguaçu, coisa que eu acho difícil. Ia ser um eterno "Não repare a bagunça".

Expectativa

Realidade

Agora, me digam, parece um bom negócio? Não parece.

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Gostou? Foi bom pra você? Fez você repensar toda sua vida como sensate?

Você NÃO PRECISA, mas, compartilhando esse texto, você me ajuda a encontrar outras pessoas que também podem gostar das lorotas que eu escrevo. Ficarei eternamente grato.

Eu também ia adorar ler outros textos como esse (sério!), dizendo como realmente seria a vida de vocês caso fossem sensates. Você tem um blog? Sinta-se à vontade. E me manda o link que eu quero ler!

Posted on segunda-feira, agosto 10, 2015 by Felipe Fagundes

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segunda-feira, agosto 03, 2015

Vocês já devem saber que a Netflix chegou com mais uma série inovadora, que Sense8 ganhou o coração de todo mundo, que a série é fantástica etc etc. Até porque faz meses que o piloto foi ao ar. Mas, se vocês não sabiam, estão sabendo agora.

Eu gostei de Sense8. Atenção para isso.

Eu e milhares de outras pessoas que fizeram comentários, resenhas e postaram tweets ensandecidos de como o seriado é nota 10. Não vou perder meu tempo fazendo o mesmo, porque, apesar de ter gostado também, eu fiquei um tiquinho frustrado com o potencial que, na minha opinião, a série deixou de aproveitar. Vai parecer que eu odiei Sense8, adianto que não foi o caso. Outras pessoas também criticaram a produção, e esse texto aqui é mais um para aqueles que precisam de uma crítica negativa para poderem seguir em frente, assistirem e tirarem suas próprias conclusões.

Mas, Felipe, Sense8 é sobre o quê?

8 pessoas aleatórias, espalhadas pelo mundo, de um dia para o outro, se veem conectadas de uma forma sobrenatural. Eles não sabem como ou por que conseguem ouvir os pensamentos dos outros, sentir o que os outros estão sentindo, conversar entre si e estar na pele dos outros sensates. A ação começa quando uma pessoa misteriosa parece estar atrás deles e todos precisam se mobilizar para se salvarem.



A premissa é MUITO BOA. E depois de eu ter lido este texto maravilhoso sobre a série, eu sabia que precisava ver.

Mas onde deu ruim?

1) Personagens bonzinhos demais: Um dos principais trunfos da série, na minha opinião, são as diferenças entre as oito pessoas aleatórias: Homens, mulheres, negros, brancos, outras raças, héteros, gays, cis, trans, religiosos, ateus, sensíveis, insanos... É fácil rolar a identificação com, pelo menos, um deles (Kala e Nomi pra sempre no meu coração <3). E, assim, bem legal a aleatoriedade da coisa toda, mas... todos eles são bonzinhos. Bons num nível que pode chegar a dar sono. Imagina, gente, 8 pessoas aleatórias e não tem um racista, um homofóbico, um que quer se aproveitar dos outros, um, no mínimo, inconveniente. Não, todos se ajudam, viram Best Friends Forever e precisam derrotar os vilões de suas próprias vidas. Até o Wolfgang, que tecnicamente é um bandido, faz tudo com um senso de justiça muito forte, nem dá mesmo pra defender as pessoas que ficam na mira da ira do Wolfie.

2) Peso na consciência: Eles são bonzinhos, mas, aparentemente, podem matar sem ter uma crise de consciência, não rola nem um remorso.


3) Cenas cafonas: Nossa, tem umas coisas em Sense8 que você pensa a respeito e fica UAU, QUE LINDO, QUE GENIAL. Como eu disse, a premissa é muito boa, dá até um calorzinho no coração pensar sobre ela, porém, as cenas, mensagens e diálogos tem um pézinho na cafonice que até eu, que curto ser cafona, fico "Mas, gente...". Tem umas cenas que me fizeram gargalhar por serem rasas e até ridículas, mas depois me informaram que era pra chorar. Achei meio amador por parte dos produtores.


4) Barras sendo forçadas: Acho que a principal barra forçada é a deles interagindo pelas primeiras vezes e ficando todo mundo de boa. Do nada, aparece uma pessoa DE OUTRO CONTINENTE onde você está, e o que você faz? Isso mesmo, senta com ela pra tomar um chá, assistir um filme na TV, perguntar se tá tudo bem com ela... Depois disso, meio que rola aquele clichê dos filmes de guerra com um homem enfrentando um exército inteiro, personagem fazendo uma bomba caseira potente com itens de cozinha (GARGALHEI NESSA), todo mundo fazendo a corrente do bem pra salvar o mundo... Olha, forçaram.


Dá pra continuar amando? Dá. Porém, no fim das contas, eu acho que os produtores fizeram o dever de casa sobre representatividade direitinho, bolaram um formato bacana, uma fotografia impecável, mas escorregaram na profundidade e na verossimilhança.

Desejo sinceramente que a segunda temporada seja melhor, porque há muito pra ser explorado nessa realidade incrível de Sense8.

Se você ainda está saturado dos comentários SENSE8 MELHOR SÉRIE, eu recomendo a crítica do Rodrigo Lorenzi, que disse quase tudo o que eu queria dizer, mas de uma forma menos amadora, e também a crítica da Fernanda Furquim, que foi mais diaba nos comentários, mas que também acho muito válida.

 

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Se você é uma dessas pessoas que estava fugindo de Sense8 por ser uma série supostamente perfeita e viu a luz nesse post, me ajuda compartihando?

Ou, talvez, você a já viu a série e, RÁ, sabia que não era perfeita e ficou com a impressão de que todas as outras pessoas são cegas, compartilha?

Ou se você meio que odiou a produção da Netflix e está confuso se esse post é de amor ou ódio, compartilha também?

Se você é um dos meus sensates perdidos pelo mundo e caiu nesse post, compartilhar o texto pra me fazer feliz é uma boa forma da gente começar a se conhecer :P

Obrigado.

Posted on segunda-feira, agosto 03, 2015 by Felipe Fagundes

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