Rola sempre uma polêmica quando tocam no assunto: Criação literária é talento ou esforço? A escrita criativa pode ser ensinada? Ao invés de ficar aqui batendo cabeça com vocês, eu decidi ir atrás de informação enquanto brincava de escrever meu primeiro rascunho.

Eu topei com dois livros que acreditam que alguma coisa pode ser ensinada, sim. Tudo? Talvez, não. Mas, com abordagens diferentes, eu sinto que aprendi lições importantes.

***

Fonte
O primeiro foi o "Para ler como um escritor" (Francine Prose, editora Zahar). A autora segue uma linha bem diferente daquilo de NÃO PODE FAZER ISSO ou TEM QUE FAZER ASSIM. Ao invés de dizer como se faz ou o que não deve ser feito, Francine Prose mostra como já fizeram. Com o auxílio de uma lista imensa dos seus autores e textos favoritos, a autora ensina através de exemplos reais.

Francine conta das experiências dela como professora num curso de escrita criativa ao passo que aponta bons exemplos de textos. Acho que, até quando não aprendemos nada, o tempo passado com "Para ler como um escritor" é muito válido. Eu fiquei maravilhado com o capítulo sobre narração, que, tipo, ABRIU A MINHA MENTE. A gente só pensa "escrevo em 1º ou 3º pessoa?" quando vai começar algo novo, mas, olha, há um mundo inimaginável de possibilidades. O capítulo sobre detalhes também escangalhou minha cabeça toda, pois os exemplos são incríveis! Terminei o capítulo com a certeza de não saber nada sobre a vida.

No final do livro, a autora deixou uma lista com livros "Para ler imediatamente". E a lista parece realmente interessante, pois nela estão os livros citados como exemplo por Francine Prose. Ítalo Moriconi, que assina o posfácio do livro, também deixa uma lista pessoal de obras nacionais a serem lidas.

Pontos negativos: Como os exemplos são baseados no gosto pessoal da autora, tudo acaba sendo muito subjetivo. Houve momentos em que ela disse "Vamos ver uma bela frase", e eu não achei nada demais. E tem horas em que a gente percebe que o trecho é bom, mas não sabe dizer o porquê e fica por isso mesmo. "Para ler como um escritor" é um livro devagar, no sentido de que precisa ser lido com parcimônia. A análise dos textos feita pela autora é profunda e pode ficar cansativa se você não estiver no pique.

***

O "Como melhorar um  texto literário" (Lola Sabarich e Felipe Dintel, editora Gutenberg) está quase no extremo oposto do livro de Francine Prose, e eu me interessei justamente por isso. O livro tem menos de 100 páginas e faz o tipo rápido e rasteiro. É bastante objetivo, é um manual mesmo, conforme diz na capa.

O livro agregou coisas na minha vida que acho que ficarão para sempre. Os conceitos de moldura/atmosfera/ação numa cena é a teoria para quando a gente sente que a cena não está boa, mas não sabemos dizer o motivo. O livro também bate na tecla de evitar redundâncias e, gente, FAZ TODA A DIFERENÇA! Eu acabei aprendendo que escrever bem é saber cortar até chegar num texto coerente e enxuto.

Pontos negativos: Ironicamente, achei o livro um pouco redundante. Risos. Alguns ensinamentos foram repetidos 2 ou 3 vezes. Tipo, o livro tem menos de 100 páginas, mas poderia ser ainda menor. Outra coisa, e eu nem culpo os autores por isso, mas deixo como alerta, é que, como diz na capa, esse é um manual com técnicas básicas de narração. Assim, básicas MESMO. Rolaram uns parágrafos que pareceram destinados a pessoas que nunca leram um livro na vida. Para leitores/escritores mais experientes, pode soar um tanto besta. Mas, juro, revolucionou minha escrita.

***

Não sei dizer de qual dos dois eu gostei mais. O "Como melhorar um texto literário" foi do tipo TOMA ESSE ENSINAMENTO NA CARA E MELHORA, CARAMBA e mudou minha visão da noite para o dia. O "Para ler como um escritor" me deixou fascinando por dias por ser tão interessante. O meu ficou todo grifado.

Recomendo os dois, de verdade.