O meu projeto no TCC foi um experimento com crianças. Baseado nas ideias de um grupo de pesquisa, eu desenvolvi um jogo onde, basicamente, as crianças tinham que encaixar peças em determinados lugares, ganhando pontos com algumas combinações. Mas tínhamos dois grupos no experimento. Para um grupo de crianças, nós explicávamos a lógica do jogo, então elas sabiam o que estavam fazendo quando colocavam uma peça num lugar. Para o outro grupo, a gente só falava SE VIRA AÍ, MEU FILHO, e a criança olhava para o tabuleiro e fazia o que desse na telha.

De 100 pontos, as que sabiam as regras acertavam mais de 80. As outras acertavam menos de 20. Independentemente do grupo, todas elas perguntavam quanto tinham acertado. Eu respondia, e logo vinha a outra pergunta: DE QUANTO? Eu mentia para todas.

- Fez 15 pontos! Parabéns!
- DE QUANTO, TIO?
- Acertou praticamente tudo!
- MAS VAI ATÉ QUANTO?
- Muito inteligente! Vai lá chamar o próximo.
- MAS QUAL É O...
- VAI LÁ.

Imagina se eu falo pra criança que tirou 7 que a nota máxima era 100. Fiz questão também de dizer que eram jogos diferentes, que o número de pontos mudava e tal. Era isso ou ver as crianças comparando os pontos e reparando na grande diferença que dava. Todas elas queriam ser as mais inteligentes, então eu deixei.

Eu vendo a galera com peças diferentes

Eu acho que funciona bem assim: A gente está de boa com os nossos, sei lá, 27 pontos de vida até esbarrar com alguém com um casamento de 20 pontos, uma casa de 18, um emprego de 51. Daí a gente soma tudo, faz a conta e, meu deus, nossa vida é um horror. OLHA COMO AQUELA PESSOA ESTÁ LONGE.

Mas, partindo do princípio que você quer o melhor para sua vida, você faz o que pode. Aquela pessoa é outra pessoa. Ela começou o jogo com outras informações, com outras peças. Vai ver, nem é o mesmo jogo. Você não é ela. Ponto. Comparar os pontos, se não for para te dar motivação, só serve para mimimi. Foque no seu jogo. Foque no que você é capaz de fazer com as informações e as peças que a vida te deu. Se vira aí, meu filho.